quinta-feira, 29 de junho de 2023

Economia Junina

Hoje (29/06) é dia de lembrar e comemorar o Apóstolo Pedro, primeiro bispo de Roma e primeiro Papa da Igreja Católica Apostólica Romana. O mundo católico festeja a data de modos diferentes e conforme a cultura local. Somente uma coisa comum prevalece: toda coleta realizada neste dia e no mundo inteiro se destina a dar suporte ao erário do Vaticano, com vistas à manutenção do patrimônio da Igreja que se espalha mundo afora. Faço ideia da fortuna arrecadada e do quanto se faz necessário para essa manutenção. Mas, não vou explorar essa variante do assunto porque minha intenção é outra e bem doméstica. Comemorando o dia de São Pedro se encerram, oficialmente, os festejos do ciclo junino e dedicado aos Santos Antônio, João e Pedro, no mundo luso-brasileiro, sobretudo por essas nossas bandas nordestinas, das quais sinto orgulho de pertencer. Para um bom pernambucano, quando chega o mês de junho, a providência a tomar é “azeitar” as pernas para dançar um bom forró – principalmente o chamado pé-de-serra – e uma quadrilha junina, herdade dos portugueses colonizadores. Para encher o bucho o cardápio é especial contando com acepipes de milho, coco e mandioca. E para dar sorte e esquentar a noite mais fria da época acender fogueira na porta de casa. Ah! E soltar fogos e balões. Sem dúvidas, um negócio bom demais e que dura trinta dias. Melhor, aliás, do que carnaval que só dura três dias.
Como sempre, reservo os dias centrais de festejos correndo para o interior, onde a coisa se comemora de modo raiz. Contudo, fiel ao meu óbvio viés de pesquisador social e politico, fica impossível não observar o que se processa social e economicamente na região. É formidável observar, no meio desses festejos, como a vocação promotora do turismo da gente interiorana de Pernambuco se manifesta e resultam numa ocasião perfeita para a expansão da denominada economia criativa. O chamado cidadão matuto (muitos reagem ao termo) não perde tempo. A rigor, só não trabalha quem não quer mesmo. Jovens e idosos, homens e mulheres se viram como podem e com o que se ofereça oportuno. No trajeto rodoviário, por exemplo, entre o Recife e Caruaru – aonde os forrozeiros se encontram em maior número – o trânsito se intensifica e, nesta temporada, houve casos de pessoas que levaram seis horas na BR-232, num percurso que normalmente toma apenas hora e meia. Nem preciso dizer que esse engarrafamento sugeriu, aos mais atentos, investir num comercio ambulante à beira da estrada vendendo milho assado e cozido, pipoca, cocada, pamonha e manuê (doce a base de mandioca e coco, envolto em folha de bananeira e assado na brasa), além de cafezinho, água mineral e refrigerante. Pela elasticidade de tempo termina gerando bons trocados ao “comerciante” da hora. Mas, certamente que essas atividades são marginais e mínimas diante das fabulosas somas de investimentos das prefeituras e iniciativas privadas interioranas com vistas à atração de visitantes à cata dos folguedos da época. Somas são postas num jogo rico de oportunidades, que, em contrapartida, demandam mão-de-obra temporária e que não faltam na maioria das localidades. Em suma, o dinheiro circula e realça os princípios básicos do sistema econômico. A Empresa Pernambucana de Turismo – EMPETUR estima que houve uma movimentação de 1,2 Milhão de pessoas circulando gerando uma renda de, algo em torno, dos R$ 500 Milhões na economia interiorana. O Governo do Estado investiu R$ 22 Milhões para garantir a contratação de artistas e a segurança publica. Caruaru (Foto abaixo), Gravatá, Bezerros, Arcoverde e Petrolina foram municípios mais aquinhoados com as verbas azul e branco.
Contudo, como há sempre um porém – que não deixo escapar – é de se lamentar que os promotores de eventos, nessas cidades tão bem apoiadas financeiramente, tenham marginalizado os artistas da terra e aberto espaços elásticos para valores de fora, sobretudo os cantores sertanejos, deixando os autênticos forrozeiros fora das grades de programação. As justificativas são pobres de argumentos. Revoltante constatar que enquanto os forasteiros são pagos regiamente, os poucos locais, quando aproveitados, sofrem amargamente pelos baixos cachês que são contratados e normalmente pagos à base de verbas minguadas e, muitas vezes, de restos a pagar. E o público termina dançando o forró que encontra e nem sabe desses senões. Viva São João! Viva São Pedro! E Santo Antônio, também. Já ia esquecendo. NOTA: Fotos ilustrações obtidas no Google Imagens

quinta-feira, 22 de junho de 2023

VIRA-VIROU

Há ocasiões em que a pauta do Blog se multiplica de forma exponencial e sugere varias edições numa mesma semana, que não é o propósito. Protelar a publicação de alguns temas não funciona porque são perecíveis e, desse modo, perdem atualidade. Mas, a vida corre e o mundo gira rápido e vira. Muitas vezes já virou. A solução para hoje foi, digamos, repercutir alguns fatos de domínio público, mas que chamam atenção. Tenho minhas opiniões e invisto nelas. Alguns exemplos: Venho acompanhando, impressionado, essa história de um submarino - na verdade uma cápsula submarina, denominada Titan - que desde domingo está perdido nas profundezas do Atlântico com, ao menos cinco passageiros. Aventureiros exóticos, milionários extravagantes e sem ter o que fazer com a grana que acumula, matam a curiosidade de dar um lookaroud nos destroços do transatlântico Titanic que afundou há mais de cem anos (1912), no Atlântico Norte. Francamente, não existe nada mais revoltante saber que cada passageiro pagou a bagatela de US$ 250.00 Mil (aproximadamente R$1,25 Milhão) para realizar tamanha loucura. Pior ainda é saber que a empresa responsável pela doidice, uma certa OceanGate Expeditions , empresa norte-americana de caráter privado, faz com que o cliente, antes do embarque, assine um termo de responsabilidade estando ciente que o passeio não tem sucesso garantido e oferece risco de acidente. O mundo se surpreende com tanta irresponsabilidade. E eu que, a essa altura da vida, imaginava haver visto ou ouvido falar de todo tipo de excentricidade, não me conformo. Vide foto a seguir.
Imagino, a toda hora, no que pode ter ocorrido. Explodiu na escuridão do Oceano? Ainda resiste? As operações de buscas de várias nacionalidades se desdobram, correndo contra o tempo. Somente um milagre... afinal, os destroços do Titanic (Vide foto, a seguir, quando da sua partida de Southampton-Inglaterra) repousam a uma profundidade de 3.800 metros. Quase quatro quilômetros no fundo mar. Segundo especialistas náuticos, se trata de uma região extremamente escura e de terreno deveras pantanoso. Por fim, noticia-se que o suprimento de oxigênio dessa capsula submarina se esgota nas primeiras horas dessa quinta-feira. Estou de olho e ouvidos na noticia. Uma pergunta que não cala: será que esses perdulários consumidores destinaram parte da sua fortuna para mitigar a pobreza que assola grandes regiões do planeta. Pesquisas recentes (Dez/ 2022) dão contas de que dos 8 Bilhões de viventes, (15% na África e 60% na Ásia) 63% não fazem refeições completas, 15% passam fome e estão desnutridos, 13% não dispõem de água potável ou têm acesso a fontes contaminadas, 17% são analfabetos e assim por diante. Dói demais suspeitar que esses idiotas milionários estraçalham suas fortunas em aventuras infrutíferas como essa em tela.
Outra coisa que me causou revolta, na semana que passou, foi a aprovação relâmpago, pela Câmara Federal, em Brasília, de um Projeto de Lei que determina punição ao que denomina de “discriminação” a políticos, magistrados, parentes e até pessoas ligadas a qualquer autoridade por responderem a processo ou investigação, entre as quais os de corrupção, improbidade ou outras apurações similares. Imperdoável para um representante do povo que concorda com tamanha “manobra” política. Tem nada mais polêmico do que isto? Raro é encontrar um politico ou outro tipo de autoridade que exiba uma ficha limpa. S~çao muito poucos e os exemplos estão desafiando os eleitores cumpridores dos seus deveres de cidadão democrata. Trata-se, na prática, de uma proteção concedida às pessoas politicamente expostas, embora que com comporto discutível. O projeto está indo para discussão no Senado. Quero ver no que vai dar. Na mesma discussão atabalhoada da Câmara, ainda houve tempo para representantes mais civilizados pugnarem pela retirada de um artigo do Projeto que tornava crime injuriar a autoridade investigada. Seria o cúmulo, o cidadão correto se tornar criminoso por insultar ou criticar um politico processado por corrupção. Deduzo, com facilidade, que o referencial desses deputados para defender um projeto dessa natureza foi do de mandar prender quem não lhes faça elogios. Uma vergonha! Eita, Brasil! O que será do teu futuro? Para finalizar a postagem de hoje, lamento informar que, segundo a revista Forbes USA, ao publicar a lista de bilionários do mundo neste 2023, informou que no mundo de hoje tem 2.640 fortunas de dez dígitos. 28 menos que as 2.668 de 2022. Que lástima. Os bilionários estão enfrentando crises? Juntos esses “infelizes” acumulam US$ 12.2 Trilhões. Infelizmente uma queda de US$ 500.0 Bilhões. O cabeça da lista é o francês Bernard Arnault, dono da Louis Vutton, artigos de luxo. Desbancou Elon Musk, proprietário do Twitter e outras empresas do ramo. Curioso foi saber que quase metade dos integrantes da lista hoje publicada estão mais “pobres” do que no ano passado. Fico pensando nas dificuldades desses menos ricos... Para sua ilustração, caro leitor ou leitora, é nos Estados Unidos que está o maior número de bilionários (735), a China (incluindo Hong Kong e Macau) continua em segundo lugar (562) seguido pela Índia (169). NOTA: Fotos obtidas no Google Imagnes

quarta-feira, 14 de junho de 2023

DÚVIDA ATROZ

Eu daria tudo que me fosse exigido para ouvir – ao vivo e a cores – Sua Excelência Luís Inácio explicar ao povo brasileiro qual seu real conceito sobre Democracia. Assim como muitos deste país, alimento uma dúvida atroz. Fosse ele, de fato, um defensor ardoroso do regime democrático, não teria cometido a loucura de trazer e “jogar na cara” dos brasileiros e de inúmeros chefes de estado sul-americanos um Ditador sanguinário e narcotraficante, condenado pelo mundo, como Nicolás Maduro, com honras e louvores, rendendo homenagens e rasgados elogios, classificando-o de democrata. Se a Venezuela vive numa democracia, como se explica a quantidade de venezuelanos vazando pelas fronteiras do Brasil e da Colômbia. Como fazer vista grossa à quantidade de imigrantes refugiados que entra pela fronteira norte brasileira diariamente? Estima-se que, por volta de 476 mil pessoas venham se refugiar, por aqui, até 2024.São dados fornecidos pela ONU-Organização das Nações Unidas. Acrescente-se que desde o inicio da crise migratória, cerca de 5,96 Milhões de venezuelanos migrou para outros países latino-americanos e do Caribe. Fugindo da fome, da repressão politica e da negra perspectiva capitaneada pelo regime ditatorial. Os que podem mais financeiramente, correm para os Estados Unidos. Tenho conhecidos que já vivem em Miami. E para desespero do brasileiro de sã consciência, Luís Inácio garante que esses horrores são puras narrativas do mundo imperialista. Francamente. Mas, se a coisa parasse por aí ainda havia refresco nas mentes sadias do Brasil. Para surpresa geral a dúvida se tornou mais atroz quando se noticiou que Lula está convocando uma reunião do Foro de São Paulo, entre 29 de junho e 02 de julho, próximos, em Brasília. Para quem não sabe, este foro reúne o que há de mais exacerbado do esquerdismo continental. Criado em 1990, na cidade de São Paulo, promovido pelo partido dos trabalhadores (PT), com o claro objetivo de fortalecer as estruturas regionais esquerdistas para combater o que se denomina de politica liberal no Continente. Seus fundadores foram - nada mais, nada menos - do que Luís Inácio e Fidel Castro. Para o próximo encontro estão previstas as presenças dos “cumpanheiros” Nicolás Maduro, Daniel Ortega, da Nicarágua, e Miguel Diaz-Canel, ditador cubano. É ou não é um trio perfeito? O foro reúne integrantes de todos os partidos de esquerda do continente. Pense no que será esse encontrão politico. Faça uma ideia dessa coisa na foto, a seguir, do XVIII encontro do Foro, realizado em Caracas, em 2012 (foto obtida no Google Imagens/Chancelaria do Equador).
Mas, atenção porque a coisa se agiganta para nossas bandas. A mais nova é que o Partido dos Trabalhadores (PT) deu entrada, no Ministério das Comunicações, de um pedido para obter concessão para criação de uma emissora de Radio e TV do Partido. Pelo amor de Deus! Estão correndo, em alta velocidade, na montagem dos aparelhamentos já conhecidos nas nossas cercanias. Foi assim em Cuba, está sendo na Venezuela, onde a mídia é quase totalmente dominada pelo governo, porque Maduro impõe anúncios obrigatórios, denominados de “cadenas” (cadeia nacional) e na Nicarágua onde Ortega fechou sete emissoras de rádio e canais de TV que desobedeciam a “cartilha” dele. Durante a sua vida e desde a década de 60, Fidel Castro falava horas a fio “catequisando” seguidores para seu regime autoritário. A estação era potente e de longo alcance. Suas ondas eram captadas em toda redondeza continental, incluindo o sul dos Estados Unidos. Recordo que, bem jovem, cumprindo um programa de intercambio promovido pela USAID (United States Agency For International Development) cheguei a escutar (1967) um Fidel Castro a “berrar” pelas ondas da estação estatal, não recordo o nome da estação, com seus proselitismos politico de puro esquerdismo. O resultado final todo mundo sabe. Aí uma pergunta que não cala: o que se projeta para essas estações de radio e TV petista? Nunca fui direitista. Incluo-me, hoje em dia, entre os centro-esquerdistas. Contudo, tenho comigo muitos temores. Minhas dúvidas são, cada vez mais, atrozes.NOTA: Foto obtida no Google Imagens.

domingo, 4 de junho de 2023

BATENDO NA TRAVE

Difícil ficar indiferente aos acontecimentos políticos nacionais da semana que findou. Calar seria concordar com tanta insanidade reinante. Do meu humilde posto de observação assisti ao Presidente da Republica tentando faturar bons resultados no cenário politico local e internacional, mas suas jogadas foram todas inúteis com todos os lances “batendo na trave”. Os discursos de aparentes jogadas ganhas foram apenas formas de remediar uma situação constrangedora maior. Para começo de conversa, destaco, do inicio da semana, a estúpida e, sobretudo, politicamente equivocada, recepção ao presidente-ditador, Nicolás Maduro, da Venezuela, em Brasília. Lula resolveu dar, ao sujeito reconhecidamente odiado e rejeitado internacionalmente, todo tipo de rapapés e honras militares entremeadas de pronunciamentos eivados de loas e elogios inexplicáveis. Teve a pachorra de considerar os fatos reinantes no país vizinho como puras narrativas. Francamente. Pior, ainda, foi inserir o ditador numa reunião de cúpula Latino-Americana, onde logo cedo alguns participantes se revelaram incomodados com a tal indesejada presença, verbalizando, ao vivo e a cores, o desprezo que conferiam ao venezuelano e, mais do que isso, contestando de modo enfático o comportamento inadequado do promotor do encontro, Sua Excelência o Senhor Presidente do Brasil. O levante opositor foi capitaneado pelos presidentes do Uruguai, Luis Alberto Lacalle Pou e, surpreendentemente, o esquerdista chileno, Gabriel Boric. Considerando como sendo um momento histórico, a recepção efusiva ao Maduro, resultou num tremendo vexame internacional. Comenta-se que até mesmo a recepção final, um Jantar Solene, no Palácio do Itamaraty, foi cancelada por falta de quórum. Os presidentes “bateram em retirada” ao final do “convescote” politico, sem grandes explicações e alimentando um sabor de lesados por Lula. Bom, oferecer Brasília como cenário de Coalizão Regional Latino-Americana, sublinhe-se, deve ser louvável e oportuno. Mas transformar a ocasião num festival de incensos e salamaleques a um Ditador contumaz e perverso, passa dos limites. Lula transitou na contramão ao referencial de baluarte da Democracia, com o qual se elegeu em 2022. Enganou a Nação! Além de expor o Brasil no cenário politico internacional sujou o script do seu Governo com uma indescritível jogada idiota. Foi contra todos os princípios e promessas de campanha.
Como se não fosse pouco, outro vexame passou a “balançar” o Palácio do Planalto quando viu esgotar o prazo de vigência da Medida Provisória (MP) 1.154/23, destinada a reorganizar a estrutura ministerial do executivo federal, criando novos ministérios, conforme as necessidades politicas de Lula, que, se note, não eram poucas. Lembro que a Medida já havia sofrido recortes indesejados em dias anteriores (tema do último post deste Blog) e correu o risco de caducar acarretando a manutenção da estrutura do Governo Bolsonaro. Imagino o sufoco. Mal assessorado politicamente teve de assumir o papel de articulador junto ao Congresso e sentir que a coisa não é simples como ele pensa. Resultado é que, como não podia deixar de rolar, teve de ceder à bagatela de R$ 1,7 Bilhões – é dando que se recebe – em emendas parlamentares para que a Medida fosse aprovada na Câmara. E depois no Senado, no apagar das luzes da data fatal (30/06). Foi outra “bola na trave”, coisa já está ficando rotineiro. Quem manda ter nulidades politicas ao seu redor? Mas, Lula, não satisfeito com seguidas “bolas na trave”, coroou a semana com mais um deboche ao indicar o advogado particular, Cristiano Zanini para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal – STF. Cá pra nós, será que esse tipo de comportamento ocorre num país sério, mundo afora? E quando falo país sério é sério mesmo. Ao meu ver é comportamento de regime ditatorial puro. A questão que não cala é: como esperar imparcialidade desse novo Ministro do STF. Nunca deixará de ser visto como um “pau-mandado”. E tome “bola na trave”. Jogador desse tipo leva qualquer time à derrota. NOTA: Foto obtida no Google Imagnes.

sexta-feira, 26 de maio de 2023

Queda de Braços

Ainda que me esforce não consigo calar diante de certas futricas politicas brasileiras. Este país, de fato, não é para principiantes. Na verdade é um permanente laboratório para os mais ligados e/ou mais dispostos do que eu me sinto, na atualidade. Por mais que me dedique a identificar a lógica de certos “processos” sempre caio na rede dos mais perdidos. Decepção geral? Idade? Cansaço? Sei lá... Talvez tudo junto e misturado. Mas, vamos ao assunto que me perturba hoje: acompanho com muita perplexidade o contrassenso do nosso Presidente da Republica - nada que me surpreenda, aliás – ao estabelecer uma imensa dúvida quanto as suas reais intenções para o trato da Politica de Preservação do Meio Ambiente e, sobretudo, no tocante a Amazônia. Sua dubiedade de discursos, durante a passagem, como convidado, em Hiroshima (Japão), quando da Cimeira do G7, deixou claro quanto seu despreparo politico para discutir temas mais emergentes, como neste caso. Por um lado, garantiu instrumentos de politica rigorosos e vigilância máxima na proteção da Amazônia, encantando os líderes mundiais. Prometeu acabar com o desmatamento em tempo mínimo. Por outro lado, noutra sala, foi claramente precipitado e inábil politicamente ao concordar com as pesquisas com vistas à exploração de petróleo ao largo da foz do Amazonas, pondo em risco o fantástico e valioso ecossistema, coberto de holofotes do mundo inteiro. Tudo para satisfazer a Petrobrás e meia dúzia de legisladores equivocados e interessados na grana que esse projeto pode render. Ora, meu Deus, provocou uma Queda de Braços que começou a ser travada na mesa da Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, indiscutível guardiã e guerreira defensora da Amazônia, desde que nasceu. Com ela, seu comandado Presidente do IBAMA, Rodrigo Agostinho, responsável por firmar o “bilhete azul”, baseado num parecer técnico, de dez especialistas da sua equipe, recomendando o indeferimento do pedido de licença ambiental feito pela petrolífera. (Vide Foto de Marina Silva e Rodrigo Agostinho, a seguir)
A turma defensora do projeto, liderada pelo Ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira, para sensibilizar a sociedade e livrar a cara do Lula, considera se tratar de um novo pré-sal e coisa imperdível. Não precisa dizer que Marina Silva já “rasgou as sedas” com Silveira. A Ministra bateu forte na mesa e garante que a decisão do IBAMA será cumprida. Segura esta Agostinho! A situação promete esquentar ainda mais, na Esplanada dos Ministérios, com os recortes que estão tramando na discussão da Medida Provisória (MP) que reconfigura a estrutura do Poder Executivo pretendido pelo Presidente Lula, desde que assumiu o Governo. Ao todo são 31 Ministérios e mais seis organismos com status de Ministério. Haja postos chaves para tantos asseclas de plantão. O Brasil não merece isto. Resultado é que a Comissão Mista de Deputados e Senadores com os beneplácitos dos respectivos presidentes das duas Casas aprovaram as mudanças da estrutura conforme relatório do Deputado Isnaldo Bulhões (MDB-AL). Detalhe vergonhoso é que justo o Ministério do Meio Ambiente foi capciosamente o mais prejudicado. Perdeu o comando do Cadastro Ambiental Rural (CAR) para o Ministério da Gestão e a Administração dos Resíduos Sólidos que vai para o Ministério das Cidades, reduto do MDB. Perdeu, também, a Agência Nacional de Águas (ANA) que passa para o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional. Por onde anda a logica disso tudo? Essa Queda de Braços promete grandes emoções. Bom, por enquanto Marina Silva leva vantagem, apenas, na briga contra a exploração de petróleo na foz do Amazonas. A Petrobrás pediu reconsideração da negativa. Aguardemos o resultado desse imbróglio, mais adiante. Numa hora de estresse Marina Silva foi taxativa ao afirmar que “o mundo vai olhar para o arcabouço fiscal (aprovado naquela ocasião) e ver que a estrutura do Governo não é a que ganhou as eleições. É a estrutura do Governo que perdeu. Isso vai fechar as nossas portas. É um erro estratégico”. De fato, com tantos equívocos e essas destrambelhadas declarações do Presidente da Republica é de perguntar o que acham os governos estrangeiros que prometeram mundos e fundos para o Fundo Amazônia. Francamente, haja trapalhadas. Seriam estas as portas que Marina Silva quis dizer? E tome Queda de Braços. NOTA: Foto obtida no Google Imagens.

quinta-feira, 18 de maio de 2023

O Poder da Música

Nunca vi ou ouvi falar de alguém que não goste de música. Relaxante ou trepidante há sempre quem admire um bom som, um ritmo bem sustentado ou uma bela melodia. Os efeitos sobre o cérebro humano são indiscutíveis. É notório que uma musica lenta e calma tem poderes relaxantes, enquanto um ritmo e batida fortes são capazes de acelerar os batimentos cardíacos de um individuo. Nos dias de hoje até o modernoso funk, que me perdoem alguns, tem seu espaço garantido. O mais admirável, contudo, é que, independente do gênero, ouvir uma música faz bem a outros seres vivos, cravando o fato de que “assim como os humanos, também são as criaturas”. O poder da musica é, seguramente, ilimitado. Recordo que, certa feita, integrando uma missão empresarial à Itália, visitei um abatedouro industrial de grande porte, na cidade de Téramo, Região do Abruzzo (Costa Adriática), dedicada ao fornecimento de carne de frangos a uma multinacional de fast-food. Percorrendo as dependências da empresa, o que mais me chamou atenção foi o local onde as aves vivas são recebidas dos inúmeros avicultores e postas em tempo de espera para o abate. Vi-me diante de um grande galpão, com gaiolas de chão a teto, temperatura e luminosidade controladas e música ambiente (na ocasião, salvo engano, ouvia-se uma sinfonia de Beethoven). Sim, musica de qualidade e tranquilizante. Eram milhares de aves que, segundo nosso anfitrião, relaxavam após um trajeto muitas vezes agitado. Relaxando por dois ou três dias antes da degola. O processo de abate começa com a degola de cada ave seguida da deplumagem e esquartejamento, conforme encomenda. Sai sensibilizado e mais consciente sobre o poder da música.
Outro episodio que me deixou igualmente tocado foi observar uma cadela, que atendia pelo nome de Bolinha, visível amante da boa música, que todas as noites do Festival Virtuosi de Música Erudita, em Gravatá (PE), se postava, sem qualquer cerimonia, no palco e aos pés do regente, apreciando as execuções musicais que se desenrolavam na cena. Algo enternecedor e inesquecível. Mas, a coisa não ocorre somente no reino animal. Li, recentemente, numa revista especializada em vitivinicultura que muitas são as vinícolas que “utilizam música para melhorar o crescimento e o amadurecimento das uvas, agir em favor da fermentação e até aprimorar o sabor do vinho.” (Natalia Hein, Revista Wine, Nº 152, Agosto de 2022). A reportagem faz referencias a estudos que garantem os efeitos sobre as produções em vários países, inclusive no Brasil. Na Serra Gaúcha, onde se encontra o maior polo vinícola do país, algumas produtoras já adotam o uso da música nos seus processos produtivos com tangíveis resultados. Segundo a reportagem da Wine, a Luiz Argenta (luizaragenta.com.br), “é adepta da filosofia de que a vibração e a frequência das canções são capazes de alterar as moléculas do vinho, o que ajuda a aprimorar a qualidade dele e suavizar ou marcar os sabores conforme a fermentação”. Ali é bem comum se ouvir Mozart ou Vivaldi, assim como composições de Tom Jobim e Chico Buarque. No Vale do Colchágua, do Chile, a Viñas Montes – tida como a quinta melhor vinícola do mundo pela World´s Best Wineyards Awards 2021 – já aplica a musica na sua produção desde 2004.
E na Itália, em Montalcino, na Toscana, berço de consagradas denominações de vinhos, entre os quais o famoso Brunello, a música é usada em várias vinícolas. Quem visita a região pode observar as inúmeras caixas de som voltadas para os parreirais sempre emitindo um som favorável. (Vide foto a seguir) Mozart rege o crescimento das imensas vinhas naquelas bandas. O resultado pode ser encontrado nas garrafas distribuídas mundo afora. A reportagem da Wine faz referencia a vinícola Il Paradiso de Frassina (alparadisodifrassina.it) que o leitor pode conferir.
Amante da música desde muito jovem, não vivo sem ela. Acordo e durmo ao som de uma boa composição, preferencialmente uma pagina erudita. NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.

quarta-feira, 10 de maio de 2023

Interior Pujante

Desde meus primeiros anos de vida fui habituado a viver temporadas no interior. Aqui mesmo em Pernambuco. Levado pelos meus pais, de famílias radicadas pras bandas de Caruaru, Brejo da Madre de Deus, Fazenda Nova e Garanhuns. Eventualmente visitávamos parentes noutras cidades mais próximas. Pelo tempo que já vivi, recordo haver acompanhado as transformações urbanas que ocorreram nessas localidades. Algumas, como Caruaru e Garanhuns, por exemplo, se tornaram polos urbanos de intenso dinamismo e resultam em verdadeiras metrópoles interioranas. Foi sobre isto que andei lembrando aos meus filhos que, igualmente, tiveram a mesma felicidade que a mim proporcionaram meus pais. Mais do que isso, procuraram criar condições de moradias temporárias no nosso interland, na intenção de viver momentos de lazer e qualidade de vida diferenciada. Recordo que no último post dediquei-me a analisar o desenvolvimento e o poder de atração da zona litorânea sul do estado. Já na semana passada, tendendo inclusive o feriadão do Dia do Trabalhador, nosso circuito foi pelo interior, centrado nas cidades de Gravatá e Bezerros. É surpreendente observar que nessas cidades não existe a pobreza urbana que se observa no Recife. Raramente ou quase nunca é de se encontrar pedintes ávidos por uma ajuda e maltrapilhos por onde andamos. Parece que não há desemprego. Aliás, afirma-se que em Santa Cruz do Capibaribe e Toritama – cidades centrais do polo de confecções – o cidadão(ã) fica desempregado no máximo por quatro horas. Há sempre um posto disponível em oferta. Um ponto fora da curva, num país de tantos desempregados. Por razões profissionais sempre estive envolvido com essas analises socioeconômicas regionais. Nessa condição, venho, sempre que oportuno, afirmando que o chamado “matuto”, do passado, não existe mais. O progresso infra-estrutural, a comunicação moderna, incluindo o rádio e a televisão, a melhoria das condições de saúde e educação, entre outros fatores, mudaram o perfil do nosso interiorano. Mais “pracianas”, como se dizia antigamente, nossa gente interiorana transita com desenvoltura, bem informada e com especial forma no trato com os visitantes. É notável a maneira e o porte do balconista, dos garçons nos restaurantes e dos que recepcionam em equipamentos turísticos. E, a proposito de turismo, ressalto, a seguir, alguns pontos por onde estive nessas caminhadas e que recomendo para quem pretende subir a serra e aproveitar os ares temperados do planalto agrestino de Pernambuco. Começo por Gravatá. A cidade oferece um dos melhores espaços para se viver momentos de lazer e bem-estar. Além de situada próxima ao Recife (80Km) oferece diferenciado leque de atrações que inclui bela paisagem serrana, bons equipamentos de hospedagens, hotéis fazendas, parque de esportes radicais e arvorismos, comércio atrativo de artesanatos de boa qualidade, restaurantes de primeira linha e com algumas especialidades marcantes (come-se fondue como se na Suíça), movimento artístico musical com temporadas de musica erudita e jazz. A cidade conta com, aproximadamente, duzentos condomínios, de categorias diferenciadas, onde os condôminos relaxam, escapando das turbulências diárias nas grandes cidades. (Fotos a seguir)
Distante pouco mais de 20km de Gravatá (Via BR-232), vem Bezerros, cidade famosa pelo seu carnaval dos papangus (espécie de máscara moldada em papier-marchê) e a aprazível e mais fria localidade da Serra Negra.Vide foto a seguir.
Duas atrações culturais se destacam na cidade: o Centro de Artesanato de Pernambuco, que reúne formidáveis peças da arte popular, numa inteligente exposição, dividida por sub-regiões do estado. São exemplares seletos e representativos do quanto o artesão produz com alma e criatividade. Vide foto a seguir de uma peça de arte figurativa do Alto do Moura de Caruaru, ali exibida.
A outra atração imperdível é a Casa Memorial do mestre em xilogravura J. Borges. Vá com tempo de apreciar uma das mais belas produções do gênero. J.Borges é antigo e tradicional no meio artístico-cultural. Começou produzindo capas para os populares folhetos de cordel, com o tempo aperfeiçoou e hoje tem uma verdadeira Academia de Gravuras com os filhos. Já idoso e curtindo a fama e o que da sua arte resultou o gravador circula no seu espaçoso Memorial numa cadeira de rodas motorizada, distribuindo simpatia e afagos aos visitantes. Vide foto a seguir.
Por fim, ainda em Bezerros, dei um passeio pelos altos da Serra Negra, onde se desfruta de um clima bem mais frio, uma paisagem pitoresca, com belos condomínios e restaurantes agradáveis e de primeira linha. Para quem já viveu o tanto que já vivi, a conclusão é que temos em Pernambuco um Interior Pujante e recheado de atrações para o visitante. NOTA: Fotos do arquivo pessoal e da autoria do Blogueiro, exceto a dos papangus, obtidas no site oficial da ciddae de Bezerros. .

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...