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quinta-feira, 29 de junho de 2023
Economia Junina
Hoje (29/06) é dia de lembrar e comemorar o Apóstolo Pedro, primeiro bispo de Roma e primeiro Papa da Igreja Católica Apostólica Romana. O mundo católico festeja a data de modos diferentes e conforme a cultura local. Somente uma coisa comum prevalece: toda coleta realizada neste dia e no mundo inteiro se destina a dar suporte ao erário do Vaticano, com vistas à manutenção do patrimônio da Igreja que se espalha mundo afora. Faço ideia da fortuna arrecadada e do quanto se faz necessário para essa manutenção. Mas, não vou explorar essa variante do assunto porque minha intenção é outra e bem doméstica. Comemorando o dia de São Pedro se encerram, oficialmente, os festejos do ciclo junino e dedicado aos Santos Antônio, João e Pedro, no mundo luso-brasileiro, sobretudo por essas nossas bandas nordestinas, das quais sinto orgulho de pertencer. Para um bom pernambucano, quando chega o mês de junho, a providência a tomar é “azeitar” as pernas para dançar um bom forró – principalmente o chamado pé-de-serra – e uma quadrilha junina, herdade dos portugueses colonizadores. Para encher o bucho o cardápio é especial contando com acepipes de milho, coco e mandioca. E para dar sorte e esquentar a noite mais fria da época acender fogueira na porta de casa. Ah! E soltar fogos e balões. Sem dúvidas, um negócio bom demais e que dura trinta dias. Melhor, aliás, do que carnaval que só dura três dias.
Como sempre, reservo os dias centrais de festejos correndo para o interior, onde a coisa se comemora de modo raiz. Contudo, fiel ao meu óbvio viés de pesquisador social e politico, fica impossível não observar o que se processa social e economicamente na região. É formidável observar, no meio desses festejos, como a vocação promotora do turismo da gente interiorana de Pernambuco se manifesta e resultam numa ocasião perfeita para a expansão da denominada economia criativa. O chamado cidadão matuto (muitos reagem ao termo) não perde tempo. A rigor, só não trabalha quem não quer mesmo. Jovens e idosos, homens e mulheres se viram como podem e com o que se ofereça oportuno.
No trajeto rodoviário, por exemplo, entre o Recife e Caruaru – aonde os forrozeiros se encontram em maior número – o trânsito se intensifica e, nesta temporada, houve casos de pessoas que levaram seis horas na BR-232, num percurso que normalmente toma apenas hora e meia. Nem preciso dizer que esse engarrafamento sugeriu, aos mais atentos, investir num comercio ambulante à beira da estrada vendendo milho assado e cozido, pipoca, cocada, pamonha e manuê (doce a base de mandioca e coco, envolto em folha de bananeira e assado na brasa), além de cafezinho, água mineral e refrigerante. Pela elasticidade de tempo termina gerando bons trocados ao “comerciante” da hora. Mas, certamente que essas atividades são marginais e mínimas diante das fabulosas somas de investimentos das prefeituras e iniciativas privadas interioranas com vistas à atração de visitantes à cata dos folguedos da época. Somas são postas num jogo rico de oportunidades, que, em contrapartida, demandam mão-de-obra temporária e que não faltam na maioria das localidades. Em suma, o dinheiro circula e realça os princípios básicos do sistema econômico. A Empresa Pernambucana de Turismo – EMPETUR estima que houve uma movimentação de 1,2 Milhão de pessoas circulando gerando uma renda de, algo em torno, dos R$ 500 Milhões na economia interiorana. O Governo do Estado investiu R$ 22 Milhões para garantir a contratação de artistas e a segurança publica. Caruaru (Foto abaixo), Gravatá, Bezerros, Arcoverde e Petrolina foram municípios mais aquinhoados com as verbas azul e branco.
Contudo, como há sempre um porém – que não deixo escapar – é de se lamentar que os promotores de eventos, nessas cidades tão bem apoiadas financeiramente, tenham marginalizado os artistas da terra e aberto espaços elásticos para valores de fora, sobretudo os cantores sertanejos, deixando os autênticos forrozeiros fora das grades de programação. As justificativas são pobres de argumentos. Revoltante constatar que enquanto os forasteiros são pagos regiamente, os poucos locais, quando aproveitados, sofrem amargamente pelos baixos cachês que são contratados e normalmente pagos à base de verbas minguadas e, muitas vezes, de restos a pagar. E o público termina dançando o forró que encontra e nem sabe desses senões. Viva São João! Viva São Pedro! E Santo Antônio, também. Já ia esquecendo.
NOTA: Fotos ilustrações obtidas no Google Imagens
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