quarta-feira, 10 de maio de 2023
Interior Pujante
Desde meus primeiros anos de vida fui habituado a viver temporadas no interior. Aqui mesmo em Pernambuco. Levado pelos meus pais, de famílias radicadas pras bandas de Caruaru, Brejo da Madre de Deus, Fazenda Nova e Garanhuns. Eventualmente visitávamos parentes noutras cidades mais próximas. Pelo tempo que já vivi, recordo haver acompanhado as transformações urbanas que ocorreram nessas localidades. Algumas, como Caruaru e Garanhuns, por exemplo, se tornaram polos urbanos de intenso dinamismo e resultam em verdadeiras metrópoles interioranas. Foi sobre isto que andei lembrando aos meus filhos que, igualmente, tiveram a mesma felicidade que a mim proporcionaram meus pais. Mais do que isso, procuraram criar condições de moradias temporárias no nosso interland, na intenção de viver momentos de lazer e qualidade de vida diferenciada.
Recordo que no último post dediquei-me a analisar o desenvolvimento e o poder de atração da zona litorânea sul do estado. Já na semana passada, tendendo inclusive o feriadão do Dia do Trabalhador, nosso circuito foi pelo interior, centrado nas cidades de Gravatá e Bezerros. É surpreendente observar que nessas cidades não existe a pobreza urbana que se observa no Recife. Raramente ou quase nunca é de se encontrar pedintes ávidos por uma ajuda e maltrapilhos por onde andamos. Parece que não há desemprego. Aliás, afirma-se que em Santa Cruz do Capibaribe e Toritama – cidades centrais do polo de confecções – o cidadão(ã) fica desempregado no máximo por quatro horas. Há sempre um posto disponível em oferta. Um ponto fora da curva, num país de tantos desempregados. Por razões profissionais sempre estive envolvido com essas analises socioeconômicas regionais. Nessa condição, venho, sempre que oportuno, afirmando que o chamado “matuto”, do passado, não existe mais. O progresso infra-estrutural, a comunicação moderna, incluindo o rádio e a televisão, a melhoria das condições de saúde e educação, entre outros fatores, mudaram o perfil do nosso interiorano. Mais “pracianas”, como se dizia antigamente, nossa gente interiorana transita com desenvoltura, bem informada e com especial forma no trato com os visitantes. É notável a maneira e o porte do balconista, dos garçons nos restaurantes e dos que recepcionam em equipamentos turísticos. E, a proposito de turismo, ressalto, a seguir, alguns pontos por onde estive nessas caminhadas e que recomendo para quem pretende subir a serra e aproveitar os ares temperados do planalto agrestino de Pernambuco. Começo por Gravatá. A cidade oferece um dos melhores espaços para se viver momentos de lazer e bem-estar. Além de situada próxima ao Recife (80Km) oferece diferenciado leque de atrações que inclui bela paisagem serrana, bons equipamentos de hospedagens, hotéis fazendas, parque de esportes radicais e arvorismos, comércio atrativo de artesanatos de boa qualidade, restaurantes de primeira linha e com algumas especialidades marcantes (come-se fondue como se na Suíça), movimento artístico musical com temporadas de musica erudita e jazz. A cidade conta com, aproximadamente, duzentos condomínios, de categorias diferenciadas, onde os condôminos relaxam, escapando das turbulências diárias nas grandes cidades. (Fotos a seguir)
Distante pouco mais de 20km de Gravatá (Via BR-232), vem Bezerros, cidade famosa pelo seu carnaval dos papangus (espécie de máscara moldada em papier-marchê) e a aprazível e mais fria localidade da Serra Negra.Vide foto a seguir.
Duas atrações culturais se destacam na cidade: o Centro de Artesanato de Pernambuco, que reúne formidáveis peças da arte popular, numa inteligente exposição, dividida por sub-regiões do estado. São exemplares seletos e representativos do quanto o artesão produz com alma e criatividade. Vide foto a seguir de uma peça de arte figurativa do Alto do Moura de Caruaru, ali exibida.
A outra atração imperdível é a Casa Memorial do mestre em xilogravura J. Borges. Vá com tempo de apreciar uma das mais belas produções do gênero. J.Borges é antigo e tradicional no meio artístico-cultural. Começou produzindo capas para os populares folhetos de cordel, com o tempo aperfeiçoou e hoje tem uma verdadeira Academia de Gravuras com os filhos. Já idoso e curtindo a fama e o que da sua arte resultou o gravador circula no seu espaçoso Memorial numa cadeira de rodas motorizada, distribuindo simpatia e afagos aos visitantes. Vide foto a seguir.
Por fim, ainda em Bezerros, dei um passeio pelos altos da Serra Negra, onde se desfruta de um clima bem mais frio, uma paisagem pitoresca, com belos condomínios e restaurantes agradáveis e de primeira linha. Para quem já viveu o tanto que já vivi, a conclusão é que temos em Pernambuco um Interior Pujante e recheado de atrações para o visitante. NOTA: Fotos do arquivo pessoal e da autoria do Blogueiro, exceto a dos papangus, obtidas no site oficial da ciddae de Bezerros. .
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11 comentários:
👏👏👏👏👏
Como sempre uma excelente leitura
Vc, como sempre, maravilhoso, dando realce e brilho ao nosso querido e sagrado interior.
Foi daí que eu vim e fui criado com muito orgulho e felicidade.
Não podemos deixar de enaltecer as nossas raizes.
Abração!
Amigo Girlei descrição ampla com peculiaridades, não observado, por visitantes menos detalhista. Passamos o feriado de primeiro de maio em Garanhuns e seus arredores,ficou marcado o forte desejo de ter uma nova visita a nossa ( Suíça Brasileira).
Bom dia amigo, gosto de interior e de Gravatá e especial, mas sou mais primeiro, Porto, Muro Alto, Carneiros e Tamandaré então me fascinam. Forte abraço
O amigo J. Borges. Não podia faltar. Viva. Abraços lisboetas.
Amigo, tanto em Sidney como em Gravatá, a poesia é a mesma👏👏👏👏👏
Adorei a sua descrição do nosso interior, bem diferente do que eu pensava! Abraços pra vocês!
Parabéns meu amigo, uma bela leitura sobre o interior de Pernambuco de onde eu vim tudo lindo.
Bons momentos.passei recordando visitas a algumas cidades interioranas, em diversos momentos .
Agradeço.
Girley, sempre acompanho todos seus artigos aqui no blog. Aprecio bastante sua visão em cada um. Acho perfeitas. Você tem uma bela forma de expressão. Sinto-me incapaz de contestar, pois sua positividade é grande. Estranhei seu e-mail. Nunca deixei de ler. Sou apreciadora, porém, nem sempre sei o que devo escrever. Meu abraço e beijo.
Gostei do passeio virtual com você. Quero agora fazer ao vivo.
Forte abraço
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