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quinta-feira, 18 de maio de 2023

O Poder da Música

Nunca vi ou ouvi falar de alguém que não goste de música. Relaxante ou trepidante há sempre quem admire um bom som, um ritmo bem sustentado ou uma bela melodia. Os efeitos sobre o cérebro humano são indiscutíveis. É notório que uma musica lenta e calma tem poderes relaxantes, enquanto um ritmo e batida fortes são capazes de acelerar os batimentos cardíacos de um individuo. Nos dias de hoje até o modernoso funk, que me perdoem alguns, tem seu espaço garantido. O mais admirável, contudo, é que, independente do gênero, ouvir uma música faz bem a outros seres vivos, cravando o fato de que “assim como os humanos, também são as criaturas”. O poder da musica é, seguramente, ilimitado. Recordo que, certa feita, integrando uma missão empresarial à Itália, visitei um abatedouro industrial de grande porte, na cidade de Téramo, Região do Abruzzo (Costa Adriática), dedicada ao fornecimento de carne de frangos a uma multinacional de fast-food. Percorrendo as dependências da empresa, o que mais me chamou atenção foi o local onde as aves vivas são recebidas dos inúmeros avicultores e postas em tempo de espera para o abate. Vi-me diante de um grande galpão, com gaiolas de chão a teto, temperatura e luminosidade controladas e música ambiente (na ocasião, salvo engano, ouvia-se uma sinfonia de Beethoven). Sim, musica de qualidade e tranquilizante. Eram milhares de aves que, segundo nosso anfitrião, relaxavam após um trajeto muitas vezes agitado. Relaxando por dois ou três dias antes da degola. O processo de abate começa com a degola de cada ave seguida da deplumagem e esquartejamento, conforme encomenda. Sai sensibilizado e mais consciente sobre o poder da música.
Outro episodio que me deixou igualmente tocado foi observar uma cadela, que atendia pelo nome de Bolinha, visível amante da boa música, que todas as noites do Festival Virtuosi de Música Erudita, em Gravatá (PE), se postava, sem qualquer cerimonia, no palco e aos pés do regente, apreciando as execuções musicais que se desenrolavam na cena. Algo enternecedor e inesquecível. Mas, a coisa não ocorre somente no reino animal. Li, recentemente, numa revista especializada em vitivinicultura que muitas são as vinícolas que “utilizam música para melhorar o crescimento e o amadurecimento das uvas, agir em favor da fermentação e até aprimorar o sabor do vinho.” (Natalia Hein, Revista Wine, Nº 152, Agosto de 2022). A reportagem faz referencias a estudos que garantem os efeitos sobre as produções em vários países, inclusive no Brasil. Na Serra Gaúcha, onde se encontra o maior polo vinícola do país, algumas produtoras já adotam o uso da música nos seus processos produtivos com tangíveis resultados. Segundo a reportagem da Wine, a Luiz Argenta (luizaragenta.com.br), “é adepta da filosofia de que a vibração e a frequência das canções são capazes de alterar as moléculas do vinho, o que ajuda a aprimorar a qualidade dele e suavizar ou marcar os sabores conforme a fermentação”. Ali é bem comum se ouvir Mozart ou Vivaldi, assim como composições de Tom Jobim e Chico Buarque. No Vale do Colchágua, do Chile, a Viñas Montes – tida como a quinta melhor vinícola do mundo pela World´s Best Wineyards Awards 2021 – já aplica a musica na sua produção desde 2004.
E na Itália, em Montalcino, na Toscana, berço de consagradas denominações de vinhos, entre os quais o famoso Brunello, a música é usada em várias vinícolas. Quem visita a região pode observar as inúmeras caixas de som voltadas para os parreirais sempre emitindo um som favorável. (Vide foto a seguir) Mozart rege o crescimento das imensas vinhas naquelas bandas. O resultado pode ser encontrado nas garrafas distribuídas mundo afora. A reportagem da Wine faz referencia a vinícola Il Paradiso de Frassina (alparadisodifrassina.it) que o leitor pode conferir.
Amante da música desde muito jovem, não vivo sem ela. Acordo e durmo ao som de uma boa composição, preferencialmente uma pagina erudita. NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.

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