domingo, 22 de setembro de 2013

Justiça Injusta

Com imenso pesar começo o bate-papo de hoje, tamanha minha revolta com essa justiça do Brasil. Os brasileiros – falo dos mortais, como sou eu – esperaram com muita expectativa o desfecho da votação sobre os famigerados Embargos Infringentes, na sessão de quarta feira passada no Supremo Tribunal Federal - STF. O desejo da Nação era claro: cadeia imediata e sem apelações para os doze condenados. Claro, que uma quadrilha que se apodera de R$ 173,0 Milhões dos cofres públicos não pode ter outro destino. Mas, ao contrário do que se esperava, o Ministro Celso de Mello – investido do papel de Decano da Corte e com direito a dar o voto de Minerva – consciente de que estava contra a opinião pública, “cheio de dedos” e muito discurso técnico “livrou a cara” do bando. Doloroso. Por mais que tenha sido uma decisão técnica e que, no retorno de julgamentos, os réus ainda corram o risco das confirmações das sentenças, coisa, como é amplamente sabido, difícil de acontecer, paira a  desesperança e frustração na alma do brasileiro. No de são juízo, vale ressaltar. Que tipo de (in)justiça é essa, meu Deus? Como metade do pleno daquela Corte Superior julgou o pleito como improcedente é porque havia condições de mandar essa caterva PTralia para trás das grades, na mesma hora. Pior do que isso, agora, é lembrar que sabendo da lentidão de julgamentos dos processos judiciais nesta eterna Pindorama, corre-se o risco de que esses crimes sejam prescritos, dada a eternidade, segundo o Ministro Joaquim Barbosa, que certamente serão tratados. Prevalece, assim, a ideia popular de que Justiça que tarda é a Justiça que falha. E certamente vai falhar, para gáudio dessa corja de ladrões que domina o Brasil há doze anos.
Francamente, mais do que nunca fica claro que cadeia no Brasil foi coisa feita para pobres, “pés-rapados” e “bundas-sujas”. Foi negro, então, perca as esperanças. Mas sendo rico, teve algum poder, viveu à sombra do poder e pode pagar a peso de ouro uma boa banca de advogados, sustentada por competentes advogados, que saibam interpretar as entrelinhas e as diagonais da legislação vigente, tenha boa verve, se vista bem, use bom perfume e chegue num carrão aos tribunais é absolvição de cara. Que tristeza. Certa feita, ouvi de uma conhecida que fazia parte do corpo de jurados no Tribunal de Justiça de Pernambuco um depoimento que passava por essa imagem que relatei acima. Certo é quando se diz que nunca se deve confiar na cabeça de juiz ou nas de um corpo de jurados. Surpresas são coisas bem comuns.
A respeito ainda do Julgamento de quarta-feira passada, li em algum lugar a opinião do ex-Ministro Saulo Ramos e agora vejo que ele tinha razão. Segundo Ramos: “Decano se comporta como estudante de Direito eminentemente técnico, servindo aos interessas dos Mensaleiros, subjugando o Povo Brasileiro”. Lembrando-me dele tento entender o que tenho ouvido e lido de professores e advogados de renome a respeito do voto de Celso de Mello. Acham –  unanimemente – que ele deu uma brilhante aula de Direito.  Vá entender esse Direito e essa Corte. Haja estômago... Deus me livre! E pobre como sou, mais do nunca, vou querer andar sempre na linha.

No final das contas, como não há outra corte superior a essa que tratamos, vamos ter que engolir esses tais embargos infringentes de goela abaixo, até porque temos que respeitar a decisão para preservar esse poder que precisa ser protegido. Afinal é o Supremo! E supremo é supremo. Guardo a esperança de que um dia ele seja composto de membros independentes dos demais poderes principalmente aquela instalado defronte, lá no Palácio do Planalto. Que venham novos joaquins barbosas para salvar essa Pátria tão espoliada e tão eivada de justiças injustas. 

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Vontade de Voltar

Outro compromisso social tirou-me do Recife, no fim de semana passado. Dessa vez, para um pouco mais distante. Estive novamente na Argentina. O destino, porém, não foi Buenos Aires e sim a aprazível cidade de Rosário, que provocou uma bela surpresa. Às margens do rio Paraná, que nasce no Brasil, entre os estados de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, dá nome a um estado brasileiro, demarca a fronteira do Brasil como o Paraguai, entra pela Argentina e vai desaguar no rio da Prata. Caudaloso e largo à altura das Províncias de Santa Fé, onde se encontra Rosário, e Entre Rios, esse rio, além de transformar as cidades ribeirinhas em localidades com especiais atrativos, serve de importante via navegável (para grandes navios) da Argentina por onde escoa muitas das suas riquezas agrícolas. Vide mapa, a seguir.
Mas, não é sobre o rio Paraná que quero focar este papo semanal e sim na cidade onde estive, com minha família, durante três dias. Confesso que foi uma surpresa. Ocorre que nós brasileiros geralmente enxergamos, somente, duas cidades dos “hermanos” – Buenos Aires e Bariloche – o que pode ser um equivoco. Muitas outras cidades argentinas merecem ser vistas e Rosário de Santa Fé é uma dessas.
A chegada, por via aérea, não é das mais animadoras. O aeroporto não causa uma boa impressão. Meio acanhado e pouco acolhedor. O acesso à cidade tampouco anima muito, até que se alcança a zona urbana mais central. Ali, o perfil arquitetônico surpreende e faz lembrar em tudo a metrópole bonaerense. Sim, Rosário se parece muito com Buenos Aires, no traçado urbano, nas construções senhoriais, no bom estilo neoclássico, nas ruas de pedestres, nos cafés em vias públicas (vide foto a seguir) e casas comerciais, parques e avenidas. Muitos museus temáticos. Restaurantes magníficos e casas noturnas sofisticadas. Com a vantagem de não ter o clima trepidante como na Capital Federal e não estar sujeita à insegurança. 
A cidade conta com 1,5 milhão de habitantes. Não vi engarrafamentos, barulho de buzinas ou pedintes como em Buenos Aires. A qualidade de vida é visivelmente boa. E, mais do que isso, observei que lá as pessoas circulam livremente e a pé, altas horas, sem medo de assaltos ou qualquer tipo de insegurança. Assim, pelo menos, me pareceu.   
Depois de curtir uma sexta-feira inteira caminhando pelas peatonales (calçadões de pedestres) Córdoba e San Martin, parando diante das vitrines, sentando num café, entrando numa livraria  e observando o povo passar, partimos para visitar os pontos referenciais de turismo: o primeiro foi o Monumento à bandeira Nacional, imponente torre disposta numa praça cuidadosamente arquitetado e situada num parque a beira do rio. Além da torre, há no mesmo sitio outra construção com uma pira ardente, dia e noite, em homenagem aos heróis desconhecidos, com bela escadaria que leva a um grande espelho d´água, do qual belas esculturas  emergem com ares triunfantes. Sem dúvida, trata-se de um parque monumental. A cédula de 10 Pesos Argentinos traz imagem desse parque. À noite a visão é reluzente graças à uma moderna iluminação com as cores branco e celeste, lembrando a bandeira do país.
Outro orgulho da cidade de Rosário é o fato de ser cidade natal do guerrilheiro/revolucionário Che Guevara.  Dizem que a mãe do Che, grávida de nove meses, passava por Rosário quando entrou em trabalho de parto e deu á luz ao garoto Ernesto. O pai, um diplomata de carreira, instalou a família num apartamento do edifício 480, da Rua Entre Rios e ali ficaram até que o Che completasse quatro anos, quando se mudaram para a Província de Córdoba. Cresceu ali e de lá partiu para cumprir sua saga. O resto da história o mundo conhece bem e hoje, ele é lembrado em praças e monumentos do lugar onde veio ao mundo. Um herói nacional. Vimos o prédio e fomos ao parque (meio distante e semi abandonado) onde uma estátua de bronze pontifica. Interessante que o bronze foi fundido com doações de peças sucateadas dos rosarinos, principalmente chaves inúteis que viviam guardadas. É grandiosa e pesa centos toneladas. (Vide fotos da imagem e um detalhe revelando parte das chaves usadas) .


Outra coisa que chama a atenção, nessa cidade, são os belíssimos parques. Uma riqueza natural. Os Parques de España e Independência são os destaques. Dedicamos nosso domingo a percorrê-los. No Parque de España uma festa de ciclistas, pic-nics, feira de artesanatos, artistas e um povo alegre gozando do ar puro da natureza. Fiquei com uma inveja...
Nunca vi tantos bares e restaurantes à beira-rio! Provocaria inveja à muitas cidades do mundo que têm rios e não aproveitam suas orlas. Recife é uma dessas.
No mais, um especial registro para os restaurantes magníficos que a cidade tem. Carnes supremas e vinhos generosos. Taí um lugar que dá vontade de voltar.

NOTA: Excetuando o mapa, retirado do Wikipedia, as demais fotos são da autoria do Blogueiro

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Alma Brasileira

Por conta de um compromisso social voltei ao Rio de Janeiro no fim de semana passado. Diferentemente da semana anterior, desta vez tive chance de curtir como turista a cidade maravilhosa, o que é sempre muito bom. Além do que, fui acompanhado da Patroa que torna a viagem mais divertida. Fora o casamento que tivemos de assistir “batemos” o Rio no que de bom a cidade oferece e focando na Zona Sul.
Muitos são os que dizem ser Brasília a síntese do Brasil, porque lá circulam cidadãos de todos os recantos do país. Nos corredores do Congresso Nacional isso fica bem evidente. Todo mundo, porém, ligado ao vetor político. Contudo, pensando bem, é no Rio de Janeiro que a alma brasileira é mais bem traduzida. Ali, sim, gente de todos os recantos e todas as tribos da Nação interage de modo mais fácil e parece haver espaço para todos. Os preconceitos contra os nordestinos são mais diluídos, se comparados com os que os paulistas alimentam de forma quase que visceral. Escritores, atores, acadêmicos, políticos, artistas plásticos, entre outros, do país inteiro, parecem encontrar na dita Cidade Maravilhosa mais ambiente e chances de sucesso. Sem dúvidas que, em se tratando de ambiente físico, o forasteiro encontra no Rio melhores condições de sobreviver. Não é selva de pedra, não faz o frio da Pauliceia, é mais verde e, por fim, tem o mar que areja a cidade, para quem precisa respirar profundamente e com pureza, seja de alegria, alivio, sensação de liberdade ou para desafogar a alma, se oprimida. Finalmente, chegar ao Rio é sempre bem agradável. Ressalvo, no entanto, que gosto muito de São Paulo, mas, reconheço que o mix de lá é diferente. Fácil se percebe que aquele Brasil dali é, certamente, menos brasileiro do que o do Rio.
Conheço pessoas que se esquivam de ir ao Rio devido à insegurança nas ruas. Minha esposa, embora carioca de nascimento, é uma dessas pessoas. No entanto, observo que a insegurança carioca é mais concentrada nas regiões de morros e favelas, quando dominadas pelos imperadores do tráfico, algumas das quais hoje pacificadas pelas chamadas UPP. Já no Recife a coisa, lamentavelmente, é espalhada pela cidade toda. Esses dias, andamos tranquilos – tomando os cuidados que se toma em qualquer outra cidade do mundo – por regiões movimentadas e cheias de turista. Vimos, inclusive, grupos de visitantes estrangeiros montados em jipes, estilo safári, prontos para fazer um Favela’s tour (vide foto) que é programa
imperdível para quem vem de fora. Para muitos, vir ao Rio e não entrar numa favela é o mesmo que ir a Roma e não ver Francisco. Engraçado que, vendo aquilo, me arrependo, até hoje, de não haver ido a Soweto, quando estive em Johanesburgo (África do Sul), por conta do temor da minha mulher. Que besteira. Outro must do turismo no Rio de agora, é visitar o Complexo de favelas do Morro do Alemão, subindo no teleférico que foi ali implantado. Dizem que o panorama que se avista é deslumbrante. Botequins e bares da área estão preparados de portas abertas para os visitantes locais e de fora. A propósito disso, está na hora do Recife tirar vantagem da presença de tubarões nas suas praias. Na Austrália, por exemplo, existem programas especiais de turismo, aproveitando a “fartura” dos tubarões nos mares do país. Turista adora esses exotismos.
E falando de botequim, uma dica: paramos no Garota da Urca para tomar um chope e terminamos comendo o melhor contrafilé grelhado que se pode desejar. Além do que curtirmos o espírito carioca no melhor da sua essência e a belíssima vista da enseada de Botafogo (foto lá em cima), com o Cristo Redentor, no Corcovado, de braços abertos chamando para um abraço.
Mas, não sendo míope, vejo que nem tudo são flores. Há também aqueles que não têm a sorte de encontrar o sucesso e “sobram na curva”. Foi o caso do baiano Alcino (nome fictício) que foi à Copacabana para ver o Papa e, até agora, vive perambulando nas ruas do bairro. Vide a Foto e atente para o detalhe da valise do cara, que diz “I Love Rio”. Não é incrível? Ele parece viver de esmolas, numa cidade que lhe é hostil, mas sem perceber faz a propaganda da mesma. Só mesmo no Brasil acontece uma coisa assim.

NOTA: As fotos são da autoria do Blogueiro

 


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Nordeste em Pauta


Comecei a semana passada indo ao Rio de Janeiro, numa missão de trabalho, para participar de mais uma rodada de discussões no bojo do projeto Integra Brasil, promovido pelo Centro das Indústrias do Ceará – CIC e que teve lugar na sede do Banco do Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES. A pauta central do encontro teve como objetivo colher opiniões de empresários, representantes de governo e estrangeiros a respeito do Nordeste, na atualidade. Por lá passaram executivos de empresas brasileiras de sucesso e que atuam no Nordeste, executivos do Governo Brasileiro, membros da Academia e representantes de entidades Internacionais.
Foi contagiante ver os executivos da Agrícola Famosa, da Cosmética Boticário e dos Magazines Luiza falarem dos respectivos projetos no Nordeste e nos frutos que colhem. O primeiro, atuando no interior do Rio Grande do Norte, Ceará e Pernambuco, é hoje o maior produtor mundial de melão (variadas espécies), maior exportador nacional do produto e, cheio de entusiasmo, bendizer o Sol da região, que lhe proporciona colher frutos dos mais saborosos e que atendem aos paladares mais exigentes dos Estados Unidos, Europa e Oriente. O representante d’O Boticário, por sua vez, revelou-se satisfeitíssimo com o desempenho da sua marca no Nordeste, presente em milhares pontos de venda, inclusive nas mais simples localidades. Com uma grande central de distribuição na Bahia, a marca vem fazendo a cabeça dos nordestinos, com produtos ecologicamente corretos e de fama internacional, O Boticário é maior produtor do gênero no país e o nono no ranking mundial. No final do bloco de depoimentos empresariais, Dona Luiza, fundadora e presidente dos Magazines Luiza, discorreu, com brilho e muita energia, sobre sua satisfação de haver entrado no mercado nordestino, após comprar a rede de varejo Lojas Maia, originária da Paraíba. Pelo que disse está vendendo “adoidado” nas praças onde se instalou. Fez menção aos Programas Minha Casa, Minha Vida e ao complementar Minha Casa mais Bonita, sob a tutela do Governo Federal, que vem expandido de modo impressionante suas vendas na Região. Colecionei muitos números dessas empresas, mas, resolvi não incluir, propositalmente, neste artigo para, ao contrário disso, manifestar-me preocupado com a seguinte linha de pensamento: embora entendendo que o Nordeste tem que ser visto como um mercado em expansão, graças principalmente à política de inclusão social, com a Bolsa Família, Bolsa Gás, programa de habitação popular e respectivo aparelhamento doméstico, entre outros, por que os empresários locais não têm tido oportunidades de crescer? Não é intrigante? Bancos regionais, não existem mais. As grandes redes de supermercados desapareceram com o passar dos tempos, sendo tragadas, inclusive, por grupos estrangeiros. A Ypióca não é mais dos cearenses. D. Luiza veio com todo gás (ela parece ser cheia disso) e numa lapada certeira “matou” a grife das Lojas Maia. Um advogado de visão empresarial fechou a banca de advocacia no interior paulista e se meteu no meio da aridez do interior potiguar e com pequeno investimento inicial implantou a maior produtora de melão do mundo, graças a uma moderna tecnologia da irrigação. Não satisfeito somente com o melão, diversificou e já produz banana, maracujá, melancia e, pasmem, produz aspargo da mais alta qualidade.  
Fica claro que falta aos empresários regionais a competência de quebrar paradigmas de produção tradicional, deixando espaços que só são vistos pelos empreendedores alienígenas. Preservar até morrer as tradições culturais, o renitente padrão da empresa familiar, alimentar o  temor de arriscar num contexto econômico moderno e não saber recorrer aos programas de incentivos governamentais, que terminam favorecendo quem vem de longe, parecem ser o padrão do empresariado regional. Um agressivo programa de incentivo ao empreendedorismo para mudar essa “psicologia” da inércia cairia bem sobre os esses protagonistas de negócios. Sobremodo nas novas gerações. Que os coordenadores e promotores do Integra Brasil estejam atentos a este viés.
O restante da rodada de discussões no BNDES ainda contemplou momento para os representantes do Governo que, como de se esperar, desdobraram-se para “vender o peixe” de Dona Dilma. Patéticos os que se referiram às obras de infraestrutura, como se tudo estivesse em franco progresso. Patéticos porque pareciam ser desinformados. Sem comentários.
Por fim, no espaço reservado aos depoimentos estrangeiros, o destaque ficou com o Professor Ignacy Sachs, um estudioso da questão nordestina, que causou certo impacto ao não trazer (aparentemente) um discurso preparado e, ao invés disso, jogar na cara da plateia uma pergunta contundente: “como está a reforma agrária do Nordeste?” Imaginem a surpresa de todos. Houve um silencio sepulcral... Seguido de alguns poucos comentários sem bons argumentos. Esta foi a Pauta Nordeste, no Rio de Janeiro, em 19 de agosto de 2013.

NOTA: O Blogueiro participou do evento como representante do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e Mecânicas de Pernambuco (SIMMEPE) e do Centro das Indústrias de Pernambuco (CIEPE)

 

 

sábado, 17 de agosto de 2013

FIQUE ATENTO

A questão regional do Nordeste brasileiro vem se tornando, ultimamente, assunto da ordem do dia nos mais diversos ambientes institucionais da Região. Com muitas preocupações as lideranças empresariais, políticas e governamentais locais retomam essa discussão, depois de longo período “hibernando”. Voltam com força para provocar debates com vistas a uma revisão das políticas de intervenções articuladas, com vistas ao desenvolvimento socioeconômico desta parte do Brasil que, não obstante esforços anteriores, continua a requerer especiais atenções.
Também, pudera, há muito tempo não se fala em política de desenvolvimento regional neste país. Sai governo, entra governo e o assunto vem sendo posto à margem das discussões e decisões nacionais, como se o Nordeste não fosse parte desse todo nacional. Ações pontuais são anunciadas com grande estardalhaço e muita politicagem, mas os efeitos são quase sempre desconhecidos ou “empurrados com a barriga”. O que mais se vê são obras no papel, outras paralisadas ou caminhando a passos de tartaruga. Exemplos disso são as construções da Ferrovia Transnordestina, do Canal da Transposição do São Francisco, a falta das linhas de transmissão da energia gerada nos Distritos de Eólicas e a duplicação da BR-101 no litoral da Região. Como o Nordeste não pode ir para frente apenas com obras esparsas é preciso que se exija, urgentemente, das autoridades governamentais uma intervenção harmônica capaz de contemplar programas de desenvolvimento regionais, respeitando as peculiaridades de cada espaço especifico do território e sem perder de vista seu todo. As atuais discussões, portanto, são oportunas.
Participando de alguns desses debates, recordo as opiniões de dois ilustres nordestinos – Tânia Bacelar e João Paulo dos Reis Veloso – que têm alertado para o fato que existem vários nordestes. Concordo com esses importantes pensadores sobre a problemática regional. De algum modo eles lembram que existem ilhas de relativas prosperidades, encravadas num ambiente maior onde a pobreza grassa de forma renitente e o progresso é pura utopia para os que lá vivem.
Duas iniciativas recentes são dignas de registro: a primeira, sobre a qual já tive oportunidade de falar neste espaço do Blog do GB, é o Integra Brasil conduzido de forma competente pelos empresários reunidos no Centro das Industrias do Ceará - CIC, levando o debate às mais importantes praças da Região, e o Fórum Sudene 2030, realizado esta semana aqui o Recife. O primeiro pretende chegar a uma proposta de política regional de desenvolvimento e o segundo tentou discutir um cenário para 2030.
Se por um lado, Tânia Bacelar mostra, com expressivos dados, o que há de bom e de ruim, na Região de hoje, e convida para uma reflexão sobre os atuais fatores que ameaçam o futuro desenvolvimento regional, por outro lado, Reis Veloso se sai com uma bombástica mensagem garantido que o Piauí, ao contrário do que se diz corriqueiramente, é justamente o lado rico do Nordeste. Ora, vejam só, quem diria? Respeitando a inteligência do orador – isto foi no Fórum da Sudene, esta semana que termina – e o fato de ser ele um piauiense de boa cepa, é preciso ter muito  cuidado na interpretação do que foi dito. Percebi que a referencia básica dessa tese foi o fato de que ali (no Piauí) não se padece do fenômeno das secas como no restante da Região. Trata-se de uma terra fértil, banhada por uma rede hidrográfica diferenciada e capaz de produzir riqueza e bem-estar social. Está na hora, então, de se explorar melhor as potencialidades daquele espaço privilegiado. O Nordeste vai agradecer a contribuição.
Num recente debate, em Salvador (BA), durante seminário do Integra Brasil, agreguei uma palavra nova ao meu vocabulário: Mapitoba. Fiquei intrigado quando ouvi pela primeira vez. Mais ainda ao constatar que a assistência tinha intimidade com o termo/palavra. Foi quando veio a explicação. Senti-me alienado. Trata-se de uma região rica e cheia de potencialidades, na grande parte do Nordeste e parte menor do Norte. É a nova fronteira agrícola do Brasil, definida pela junção das divisas dos Estados do Maranhão (MA), Piauí (PI), Tocantins (TO), e Bahia (BA). Agora junte as siglas MA+PI+TO+BA. Soja e Arroz é o ouro da área. 14 Milhões de Toneladas, em 2012. Espera-se 20 Milhões, em 2022. Detalhe: se tivéssemos infraestrutura adequada essa riqueza não estaria vazando pelas rodovias e portos do Sudeste. Olha a falta que faz uma Transnordestina ou uma rede de navegação fluvial. Infraestrutura, gente, que não temos.

Por tudo isso é chegada a hora de colocar “a boca no trombone” outra vez. Quem for nordestino fique atento.

NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Torneira Chinesa

Com muita frequência, nos últimos anos, vem se falando de um processo de desindustrialização do Brasil. Associações de classe empresarial, pesquisadores acadêmicos e analistas econômicos vêm alertando para os evidentes sinais desse processo. Custos dos investimentos, custos dos insumus básicos de produção e de energia, encargos sociais e trabalhistas, logística, imposto sobre o lucro, juros altíssimos – inclusive os incidentes sobre o capital de giro –, burocracia e marcos regulatórios, mão de obra despreparada e, por fim, a concorrência dos produtos importados, de modo geral a preços competitivos e tecnologicamente superiores, são os fatores mais evidentes causadores do problema. Tudo junto resulta no popular clichê de Custo Brasil. É um país diante de um desafio colossal para se situar entre as economias industriais mais notáveis do mundo moderno. Pensar que no Brasil, segundo dados apurados pelo Banco Mundial, uma empresa de porte médio chega a pagar o absurdo percentual de 69,2% de imposto total sobre o lucro já é o bastante para entender a questão. Enquanto isto, nos países da America Latina e Caribe este mesmo percentual chega aos 48,3% e os países membros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) a taxa de percentual não passa dos 44,5%. É dose! O industrial brasileiro vive, isto é, sobrevive de teimoso que é...
Tem estupidez maior do que uma empresa gastar 2.600 Horas, por ano, no ritual dos pagamentos de impostos? No Brasil é assim! Nos países concorrentes se gasta menos de 10% disto. Este dado foi colhido em “Doing Business 2010 – Brazil”, do Banco Mundial. Depois disso, nem preciso lembrar sobre o que se reserva para o consumidor.
São essas coisinhas acima descritas que provocam essa espantosa invasão de importados no nosso mercado doméstico derrubando as vendas dos produtos nacionais e provocando a consequente queda da produção industrial nacional. O mercado doméstico esta recheado das  bugigangas ching-lings ou mesmo dos mais sofisticados bens de capital ou de consumo durável. Lendo um trabalho divulgado pela ABIMAQ – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas, encontrei informações que deixam qualquer industrial de “cabelo em pé” e sem sossego para dormir: um equipamento tipo Centro de Usinagem, Made in China é vendido no mercado internacional pelo equivalente a 10% do que se produz no Brasil. Ainda que se leve em conta a desconfiança que se tem da qualidade do produto chinês e os custos da produção por lá, é de se considerar que eles concorrem. E como concorrem... O mesmo tipo de equipamento produzido na Alemanha – que sabe produzir com qualidade – é mais barato 33% do que o produto brasileiro. Isto se repete na grande maioria das máquinas e ferramentas. É indiscutível que estamos num “mato sem cachorro”.
Neste fim de semana passado senti de perto como a coisa se dá. Precisei substituir as torneiras da cozinha de casa, já gastas após vinte anos de uso. Fui ao mercado e me deparei com produtos dos mais variados preços. Foi preciso muita calma e a ajuda de um “consultor” para concluir a compra. Preços altíssimos dos produtos fabricados aqui perto e preços tentadores dos produzidos pelos caras dosoinhosapertados, do outro lado do mundo. Fiquei num dilema de lascar. Eu tinha razão. Afinal estava prestes a fazer um investimento para durar, pelo menos, dez anos. Gostei pra caramba do design e da funcionalidade das torneiras chinesas, confesso. Mas, indo prá lá e vindo pra cá, persistia uma dúvida atroz. Levo esta ou 
aquela? Meu espírito nacionalista soprava forte nos meus ouvidos, empurrando-me para o produto mais caro. Depois de relutar e sob influência do meu “consultor” garrei das duas chinesas e corri para o caixa. Veja a foto de uma delas, ao lado. KKKK Acreditem: paguei a metade do preço das similares torneiras brasileiras. Com design mais convincente (para meu gosto, é claro), mesmo tempo de garantia, tecnologia atualizada (revestimento interno de cerâmica, evitando a oxidação), me dei por satisfeito. Espero que funcionem por muito tempo. Defendi meu bolso. E os brasileiros estão fazendo isto a toda hora. E a indústria nacional? Que se cuide! Exija a reforma fiscal, reforma da Previdência, melhor infraestrutura, e outras reformas necessárias.

Notas: Foto do Blogueiro.

Informações colhidas no site da Abimaq.

sábado, 3 de agosto de 2013

Salve Francisco

Falar de Francisco, o Papa, quando da sua ascensão em Roma se constituiu num exercício prazeroso. Este prazer se renovou, nesses últimos dias durante e depois da sua vinda ao Brasil, para acompanhar a Jornada Mundial da Juventude. Que sujeito extraordinário! Cativante em simpatia, humilde nos gestos e verdadeiro como ser humano, em tudo e por tudo.
Chegou de mansinho afirmando bater a nossa porta sem trazer ouro ou prata, mas trazendo uma mensagem de amor e fé. No final dos dias enxergamos que, na realidade, Francisco trouxe uma fantástica lufada de buenos aires de paz e esperança para uma juventude cheia de incertezas e uma Nação intranquila, carente de um líder que desempenhe um papel de pai da pátria. E o resultado foi visto nas ruas do Rio de Janeiro. Aqueles que, porventura, puderam se aproximar, tocar, abraçar, chorar no ombro e falar com o Santo Padre foram responsáveis pelo recado que a Nação quis dar aos nossos governantes e ao Mundo. E à Velha Igreja Católica, naturalmente.
Acostumados à imagens austeras e distantes de outros papas, o mundo inteiro e os brasileiros, particularmente, foram surpreendidos com um Francisco, igual a outros franciscos que esbarram conosco no meio da rua. Ele foi um dos que esbarrou, até mesmo num inesperado engarrafamento de transito, com muitos outros.  Abraçar a todos que alcançava, beijar a toda criança que lhe traziam, abrir a janela do popular carrinho (um Fiatizinho Idea) no qual circulava para sentir o calor e o cheiro do povo, tomar do mesmo chimarrão – como argentino, ele é chegado a um matecito – de um popular no meio de um desfile no Papamóvel,  rezar um Pai-Nosso de mãos dadas com dois pastores protestantes, na visita à favela, entre outros gestos tão populares quanto estes, transformaram Francisco num pop-star. Francamente, impossível não admirar esse Homem. A placa carregada por um jovem, na multidão de Copacabana, dizendo-se evangélico, mas encantado por este Papa foi outro momento fora do normal. Aliás, foi tudo fora do normal. Para melhor, graças a Deus e a Francisco. Salve Francisco, minha gente!
Pela TV acompanhei atentamente os passos desse Homem e encantei-me com cada detalhe. Achei insólito vê-lo subir as escadas de um avião, bem ligeirinho e carregando uma pasta pesada. Nunca antes na história do Vaticano! Papa tinha que ser quase parado. Lembro agora que Bento 16, por exemplo, descia as escadas em passos lentos e estudados, parecia uma múmia saída de um sarcófago do Museu do Louvre. Era aquela coisa distante, como quem descia do céu. Francisco não... impossível esquecer a resposta dele ao repórter que quis saber o que trazia naquela pasta. De certo modo, uma indiscrição. Mas, sendo Francisco, tudo cabe. Ou quase tudo... “O que há de anormal nisso?” respondeu Sua Santidade. E completou: “trago objetos pessoais, como um barbeador, uma agenda, meus discursos, um breviário e um livro que estou lendo, de Santa Terezinha, de quem sou devoto”. Vejam quanta simplicidade. Outra prova de que este Papa quer se mostrar como um homem comum, de carne, osso e todas as necessidades humanas. O mundo estava precisando ver uma coisa dessas. O fato de dar uma entrevista ao Jornalista Gerson Camarotti se constituiu num furo de reportagem, em nível mundial. O Vaticano sempre se opôs a esse tipo de expediente. Outra vez, era preciso que fosse Francisco, um Santo de carne e osso. Acho que qualquer dia ele vai sair por aí sem batina. Por que não? Não usa as joias de ouro, dispensou o sapato vermelho e também aquela pelerine vermelha cheia de arminho. Coisa muito antiga, usada pelos papas que se julgavam reis.

Detalhes à parte, temos que valorizar e ficarmos atentos para as intenções que Ele vem manifestando de corrigir defeitos cabeludos e, por isso, pontos de fragilidade que sabemos existem no seio da Igreja, entre os quais os casos de pedofilia, a corrupção envolvendo o Banco do Vaticano e a Cúria Romana, os tratamentos a serem dados aos homossexuais e as uniões homoafetivas, aborto e comunhão para os divorciados. Salve Francisco!

 Nota: Fotos obtidas no Google Imagens.

  

A História se Repete

Há histórias que atravessam os séculos sem perder a capacidade de nos fazer pensar. Ali Babá e os Quarenta Ladrões é uma delas. Lembro-me co...