domingo, 24 de março de 2013

Gestão Inteligente

Entre as muitas falhas imperdoáveis e cometidas pela administração petista – recém finda – à frente da Prefeitura do Recife, várias vezes destacada no espaço deste humilde Blog do GB, foi o desprezo dado ao diferenciado espaço de lazer do Bairro do Recife Antigo, enquanto ambiente de diversões, tanto para os recifenses, quanto para os turistas visitantes. O esforço desenvolvido pelas administrações anteriores, de recuperar os prédios e sobrados antigos, incentivar as instalações de bares e restaurantes, museus e lojas de artesanatos, assim como promover eventos naquele diferenciado espaço foi todo inútil e simplesmente apagado da cena recifense. Uma questão clara de cultura... e visão politica, também.
Lamentado por todos e, particularmente, pelos visitantes que antes haviam experimentado a sensação de visitar a Rua do Bom Jesus (antiga Rua dos Judeus), o movimentado Marco Zero e as ruas do entorno, no momento de apogeu, o Recife Antigo virou uma espécie de “cidade fantasma” sem luz e sem vida e entregue aos marginais que se aproveitaram para o que bem entendessem. (Clique no link a seguir http://gbrazileiro.blogspot.com/2012/01/recife-mala-pesada.html , para entender melhor sobre o que trato).
A nova administração da cidade, do PSB, reconhecendo a falha dos antecessores e consciente de que a recuperação urgente do antigo espaço é de fundamental importância para os nativos e para o futuro do grande projeto turística da cidade, sobretudo agora, às vésperas das Copas do Mundo das Confederações, pôs mãos à obra e vem mudando as feições da antiga urbe.
Este domingo (24.03.13), por exemplo, foi marcado pelo inicio da interdição de acessos aos veículos automotivos, nas principais artérias do Bairro do Recife, destinado aos pedestres e ciclistas que desejem curtir o histórico espaço, que, sem dúvida, apresenta um dos mais belos cenários da cidade dos rios das pontes. Foi um domingo de satisfação para os que entendem de bem-estar, qualidade de vida sadia e atração turística. Fui lá pessoalmente e sai feliz, ao ver minha cidade repaginada e com seu patrimônio histórico valorizado. Interessante que, entre muitos grafites, que foram deixados pelos artistas populares, fui atraído por um que disse muito da minha alegria naquele momento: “O tempo não quer parar”. Vide a foto
a seguir. É verdade que o tempo não quer e, simplesmente, não pára. Melhor assim, porque passa levando
para bem distante, por exemplo, os maus administradores, que souberam apenas maltratar a cidade e matar sua vida cultural. Aleluia, aleluia!
Foi gostoso fotografar famílias inteiras em bicicletas e em triciclos, (vide a seleção fotos abaixo) transeuntes, repórteres, o próprio Prefeito, Geraldo Júlio, no meio da multidão e colhendo com alegria os louros da sua vitória. Lembrei-me de cidades inteligentes, que conheço, como o Rio de Janeiro, Bogotá, Buenos Aires e Brasilia que dedicam espaços privilegiados aos seus habitantes, nos domingos.
Mais feliz, mesmo, fiquei ao passar pela Rua do Bom Jesus e conferir a recuperação das pinturas coloridas das fachadas dos sobrados antigos. Haja luz e cor naquela artéria. Espero com ansiedade a reabertura dos bares, restaurantes e lojinhas que tanta vida nos deu no passado pré-petista. Veja as fotos a seguir).


O Recife amanheceu, na manhã deste domingo ensolarado, muito mais bonita e num execelente astral. O recifense está colhendo os frutos por haver acertado no voto que escolheu seu novo Burgomestre, em outubro passado. Vejo, neste inicio de administração, uma gestão inteligente. Espero que seja daí para melhor.
NOTA: As fotos são da autoria do Blogueiro

domingo, 17 de março de 2013

Simplesmente Francisco

Acredito que algo de novo ocorre no seio da Igreja Católica Romana. O Vaticano já pode não ser o mesmo e poderá, inclusive, mudar bastante. Passado o fato da inesperada renúncia de Bento XVI, veio o Conclave para eleição de um novo Papa, que, por todas as circunstâncias registradas, inspirou muitas emoções entre os fiéis católicos, assim como muitas expectativas no mundo político ao redor do Globo. O Papa, além de ser o representante de Cristo e sucessor de São Pedro é também um chefe de Estado. As especulações se multiplicaram durante vários dias e, sobretudo, à medida que somente a fumaça negra se espalhava nos céus de Roma.
Encurtando a conversa, vimos, por fim, o surgimento de um novo nome. Foi uma surpresa, sim. Sinceramente, eu não esperava. Do mesmo modo que nunca alimentei a possibilidade do Cardeal brasileiro. Para mim os nomes que eram suscitados não teriam chances. Só ocorria-me a idéia de que poderia sair um Papa negro africano. Talvez um “efeito Obama”. Andei sonhando com uma guinada maior. Mas, honestamente, terminei gostando da escolha. E lembro que o Cardeal argentino sempre era lembrado no pré-conclave. Mereceu e estou apostando no sucesso. Não sei se ele promoverá as mudanças desejadas porque, segundo se diz, é um conservador. Mas, o fato de ser latino-americano já foi um passo adiante. O modelo dos papas ligados à velha cultura européia já se esgotou há muito tempo e não vem ajudando muito.
Além da surpresa da sua origem, vem o fato de ser um jesuíta – o primeiro no trono de São Pedro – e a escolha do nome de Francisco, homenageando os dois santos com este nome: Francisco de Assis (Úmbria – Itália, em 1182) e o jesuíta – vejam bem – Francisco Xavier. Ambos se notabilizaram na história católica e, com essa homenagem de Bergoglio, ressurgem no cenário católico como que para anunciar, de forma indelével, um novo tempo. Somente para lembrar: Francisco de Assis, embora pertencente a uma família rica, despojou-se das comodidades da casa paterna e, fazendo voto de pobreza, dedicou a curta vida (morreu com apenas 44 anos) pela opção de proteger os pobres e oprimidos. Causou uma verdadeira revolução no catolicismo da época, entregue ao fausto e ostentação da nobreza européia. Já o Francisco Xavier, se notabilizou como missionário no Oriente levando a mensagem de Cristo à possessão portuguesa de Gôa, na Índia, à China e ao Japão. Morreu na China em 1552. Sobre ele contam-se inúmeros milagres. Xavier era jesuíta como o Papa Francisco. Conclusão: combater a pobreza e promover a evangelização podem ser objetivos chaves no pontificado de Francisco. Nas suas mensagens pastorais insiste muito na ideia de que “a Igreja tem que ir ao povo e não o povo vir à Igreja”. Sendo um latino-americano e conhecendo de perto a pobreza da região e a precária evangelização destes tempos, muito se pode esperar do novo Pontífice.
Ouvindo os relatos sobre a vida do Cardeal Jorge Mario Bergoglio, vendo pela TV seu comportamento simples na hora da Urbi et Orbi e nos momentos que se seguiram à sua proclamação muito me impressionei com sua simplicidade e visível humildade. Voltar ao alojamento no mesmo ônibus dos companheiros cardeais foi somente uma primeira tirada de Francisco. No dia seguinte, ao se deslocar para a Basílica de Santa Maria Maggiore, onde orou e pediu proteção para seu pontificado dispensou a limousine papal e usou um veiculo comum da gendarmeria vaticana.
Como era de se esperar, não tardou para que tomássemos conhecimentos sobre o Cardeal Jorge Mario Bergoglio. Como quem fez voto de pobreza, vivia solitário, em Buenos Aires, num apartamento acanhado, anexo a Catedral de Buenos Aires, cozinhando o que comia e se deslocando para sua missão pastoral nos transportes públicos, isto é, ônibus ou metro. Ao se tornar cardeal, por decisão de João Paulo II, preferiu não usar novos paramentos e usou os já usados pelo seu antecessor falecido. Rogou aos argentinos dispostos a ir ao Vaticano assistir a sua entronização (próxima 3ª. Feira -19.03.13) que empreguem o dinheiro que gastariam na viagem em obras das ações sociais.
Acredita-se que, um homem dessa formação e caráter, enfrentará imensas dificuldades para conviver no luxo e ostentação que os palácios do Vaticano oferecem e foram aceitos pelos Papas europeus até hoje. Fala-se que poderá retomar a idéia de João Paulo I que, surpreendendo a todos, teria manifestado a vontade de morar, distante do fausto e da riqueza palaciana, num subúrbio de Roma. Como morreu com 33 dias de pontificado não deu cabo do seu projeto. Quem sabe, Francisco o concretize, sobretudo, inspirado em Francisco de Assis. E aí, então, operará um verdadeiro tremor nas bases vaticanas, além de mandar um recado direto para os que fazem do dinheiro e do consumismo moderno a base das suas crenças.
A propósito, lembro que na história recente da Arquidiocese de Olinda e Recife, Dom Helder Câmara, ao assumir seu posto, decidiu que não viveria no Palácio Arquiepiscopal dos Manguinhos e foi morar nos fundos da Igreja das Fronteiras, num compartimento simples e conforme seus ideais e voto de pobreza. Vide foto a seguir. O Palácio ficou em franco abandono, sendo restaurado quando da vinda de João Paulo II ao Recife e lá se hospedou, em 1980.
Por fim, é de se destacar que sendo um Jesuíta, de filosofia disciplinar rígida, fiel seguidor de Inácio de Loyola, um ex-soldado que fundou a Companhia de Jesus, Francisco terá, certamente, condições de tratar os problemas centrais do catolicismo com o rigor que exige, neste momento.
Tudo quanto ouvimos e vimos nesses últimos dias – desde a renúncia de Bento XVI – se constitui num rico momento de debates sobre a figura de um Papa, a infalibilidade deste, a aura de santidade, as questões morais que se exige de um prelado ou de um simples sacerdote, os preceitos religiosos, a questão desenfreada da pedofilia, os desfalques no Banco do Vaticano, celibato dos padres, o casamento gay, o aborto, o divórcio e, finalmente, o futuro da própria Igreja Católica.
Resta a esperança que deste momento repleto de colossais desafios saiam novas idéias e novos tempos para o mundo cristão, incluindo aí, a comunicação fraterna entre as várias igrejas cristãs. O Papa Francisco terá muito com que se preocupar.

N OTA: Foto obtida no Google Imagens

sábado, 9 de março de 2013

Valha-me Deus!

Indiscutivelmente, a renúncia de Bento XVI foi a maior surpresa dos últimos tempos. Fui pego pela noticia estando em Nova York, onde o mundo parece pulsar mais forte, e a nova virou a grande manchete do ano. Fiquei atento às noticias e opiniões. Grandes jornais norte-americanos e a TV repercutiram a noticia com grande alarde. Como pode? E é possível? E agora, gente? O primeiro instante foi de pura perplexidade. O mundo católico, então, nem se fala. Fiquei surpreso com a presença do catolicismo na grande metrópole do Norte. Na quarta-feira de cinzas, inclusive, notei uma verdadeira romaria para receber benções com cinzas na Saint Patrick Catedral, na 5ª. Avenida. Entrei na fila.
De fato, não tinha como não se surpreender com aquela novidade. Acostumados a ver a figura de um Papa reinando até ser colhido pela morte, não houve um só católico, ou mesmo não o sendo, manifestar estranheza com aquela atitude extrema de Ratzinger. Logo ele, que sempre inspirou segurança, autoridade, inteligência e cultura, além de habilidade em administrar as coisas da Igreja Católica Romana, para qual dedicou grande parte da vida dentro dos gabinetes e corredores do Vaticano.
Mas, o fato é que o Homem se despojou das vestes que o fazia Chefe Supremo e, com certa pressa, tirou o anel papal, entregou-o à destruição e incentivou, com pressa também, a convocação do Conclave para que escolham seu substituto. Retirou-se. Temos, portanto, um Papa por trás da cena central e, em breve, outro de fato e de direito. Muito insólita, mas muito real.
No zum-zum das buscas por explicações lógicas – indiferentes às razões oficiais – inúmeras teses foram debulhadas. Um relatório sigiloso guarda as reais explicações e que será entregue ao novo Pontífice. “Que seja mais jovem, que tenha boa saúde e mais força para comandar a barca de Pedro”, teria dito Bento XVI. Fala-se em traições ao próprio Santo Padre, oposições políticas, fraudes, corrupção, roubo ao Banco do Vaticano e aberrações sexuais. Absurdo em face dos preceitos da Igreja, mas, coisas muito humanas. São ou não são?
A coragem do Papa e as proezas que são atribuídas aos rebeldes cardeais expõe uma Igreja – de modo escancarado – ao julgamento dos pobres mortais católicos. Fui educado e formado católico e como tal me decepciono com certos episódios. Mas, por outro lado, entendo como são frágeis os soldados de Cristo, ao longo da história. São humanos, coitados. Ao renunciar ao Papado, Bento XVI se revelou mais humano e humilde do que qualquer outro, abandonando o poder, a aura de Santo e tudo quanto constitui o protocolo histórico. Faço idéia do drama pessoal que atravessou até revelar ao mundo a sua decisão. Mesmo sem termos claros conhecimentos das razões pessoais – salvo as dificuldades de saúde – é óbvio de que o homem, de carne e osso, sofreu pressões que somente o mundo dos humanos exerce. Nessas horas o Homem deixa de lado ou esquece a Santidade, o Divino que lhe atribuído e cai numa dura realidade. É o mesmo que deve ocorrer com aqueles que se dizem sujeitos aos comportamentos pouco recomendáveis para um sacerdote que prometeu e jurou castidade e caiu no pecado da carne, sem pensar e sempre de modo espúrio. Molestar menores, subjugar sexualmente seminaristas indefesos, homossexualismo no armário, estuprar mulheres carentes ou ir ás últimas conseqüências com as libertinas – lembro-me do caso do Bispo paraguaio, Dom Lugo, depois eleito presidente da Republica – parecem ser coisas bem comuns nos aparentes austeros conventos, seminários e sacristias desse mundo de meu Deus.

Nessas horas em que candidatos a santo ou santa são postos à prova e mais do que nunca são mostrados como gente de carne, osso, olho e dente, nariz prá frente, me sinto à vontade para defender o fim do celibato. Por que insistir nessa ordem? Padre deve ter a liberdade de namorar, casar e constituir família. Digamos que os que aspirem altos cargos – Bispo, Cardeal, Papa – na hierarquia religiosa que optem por uma vida solitária, se for esta necessária ao seu melhor desempenho pastoral. Caso contrário, que tenham liberdade de viver uma vida mais humana, num mundo de humanos e tão cheio de provocações mundanas. Não é mole o cara se abster dos seus naturais instintos. Haja exercício... Valha-me Deus!
Tem nada mais indigno do que a idéia de que homossexuais se dedicam à vida monástica ou de seminário certos de que lá dentro poderão dar vazão aos seus instintos pervertidos. Fora o fato de que encontram sempre superiores com hormônios à flor da pele e desejos reprimidos para acatá-los e refestelarem-se. A Igreja Católica, cedo ou tarde, terá que rever esses princípios e se modernizar. Isto, além de ser humano e salutar, contribuirá para a sustentabilidade da Instituição de Cristo. Casar é humano, assim como dissolver um casamento mal sucedido é humano! Que o Espírito Santo reine no Conclave que começa Terça-Feira.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens


sábado, 2 de março de 2013

Curtindo Nova York

Fui questionado pela forma como descrevi a cidade Nova York, no post da semana passada. Algumas pessoas concordaram. Outras, porém, acharam que me revelei indiferente à cidade que é listada entre os seus sonhos de consumo. Entendo muito bem as duas posições. Não foi minha intenção e nem me sinto com autoridade para borrar o mito da Big Apple. Quem sou eu? Pelo contrário, afirmei que gosto de ir até lá e curtir a cidade como ela é. É assim que faço em qualquer lugar do mundo. Curti Nova York, sim, nesse inverno de 2013, apesar da dureza do frio e da neve.
Nova York é privilegiada no item museus e sempre aproveito muito. A cidade tem vários e dos mais interessantes. O cinema, o teatro, a aviação, literatura, arte moderna, ciências naturais, arte antiga, desenho, matemática, arte bíblica, fotografia, religiões, perfumes, moda, além de um museu de cera da Madame Tussaud, famosa nessa arte, são temas dos muitos encravados naquela cidade. Tem para qualquer gosto. Naturalmente que não perdi a chance de visitar alguns, dando prioridade ao Museu de Arte Moderna, mais

conhecido por MoMa (11,West 53rd St.), fundado em 1929 e que é considerado o mais importante do mundo, nesse gênero. Dá gosto circular pelos seus salões e jardins para admirar seu acervo que tem mais de 100 mil peças. Isto sem falar nas exposições temporárias. Tive sorte, dessa vez, porque cheguei num momento em que a obra de Edvard Munch estava em exposição e seu consagrado quadro O Grito (The Scream) é a atração maior. Minha outra prioridade, e muito importante para mim, foi voltar ao monumental Metropolitan Museum of Art (no número 1000 da 5ª. Avenida e à margem do Central Park). Nem tanto pelo seu acervo que já vi noutras ocasiões, mas, sobretudo, pela exposição temporária que, dessa vez, era dedicada à obra do pintor francês, mestre do impressionismo, Henry Matisse (1869-1954). Uma beleza. Inesquecível. Fora esses dois, ainda passei pelo de Madame Tussaud, acompanhando meus familiares e pelo de aviação instalado sobre um antigo porta-aviões da 2ª. Guerra Mundial, ancorado num píer do Hudson. Esses dois últimos são interessantes, mas, não fazem minha cabeça.
Indo a Nova York não se pode deixar de assistir ao menos a um musical da Broadway. Muitos estão em cartaz há décadas – O Fantasma da Ópera, por exemplo – mas sempre tem alguma novidade para se conferir. É o caso do Homem Aranha (Spider Man) que vem fazendo o maior sucesso. Casa lotada e ingressos disputados. Assisti com meus familiares. Os efeitos especiais são magníficos. O sujeito voa sobre a platéia, em contorções mirabolantes, atirando teias, encantando a todos. Luz, som, cenários e imagens de impactar qualquer espectador. Não diria que seja imperdível. Mas, vale à pena assistir.
Quando a fome aperta, Nova York é uma praça imbátível. Até mesmo um Hot Dog emergencial tem sabor especial. E não falta prá quem quer. Os carrinhos de pão com salsicha e de espetinhos na brasa (haja fumaças gordurentas) estão por toda parte. Vide foto a seguir. Na outra ponta, estão os restaurantes bem
estabelecidos, nos quais se come muito bem. Fala-se muito que se come mal nos Estados Unidos, mas, em N. York só come mal quem não sabe escolher.Os cardápios são sempre muito bem montados, bem elaborados e os preços não assustam. Fazendo as contas pode-se se comparar com os preços do Brasil. Três destaques, dessa vez: o Niles – anexo ao Hotel Affinia, da 7ª. Avenida, altura do número 450. Outro que lembro é o restaurante/café no térreo do Rockfeller Center, diante da pista de patinação e o terceiro é o The View, no alto do Hotel Marriott Marquis, em plena Times Square. Este tem um serviço de Buffet que não convence muito, mas, por se situar numa plataforma giratória agrada ao cliente. Enquanto você janta vê a cidade desfilar diante dos seus olhos. Peça um bom vinho californiano. O giro se completa em 60 minutos. Para quem desejar ir até lá, sugiro o fim de tarde para um drinque a dois, por exemplo, e assistir o acender das

luzes da cidade lá em baixo. O restaurante fica no 48o. andar. Ah! já ia esquecendo de falar sobre outro restaurante, que é imperdível, o Central Park BoatHouse. Fica encravado no grande Parque por trás do Metropolitan Museum. Fomos lá, mesmo com muita neve e o lago congelado, valeu o almoço naquele dia. Nos domingos servem um brunch muito concorrido.
A mais recente atração de Nova York, porém, é o parque Memorial do 11 de Setembro, no mesmo local onde havia as torres gêmeas. Além da construção de novas torres, com destaque para a Freedom Tower, quase (foto abaixo)

pronta e maior do que as duas destruídas no atentado terrorista, há um belo parque com recordações da tragédia e das vitimas da destruição. Dois imensos tanques com águas correntes levadas a sumidouros marcam o local de cada torre destruída. Os nomes das pessoas mortas estão gravados na placa de aço que emoldura cada tanque.

Ver Nova York do alto das torres do Empire State e RockTower  ou num passeio da Circle Line pelo rios no entorno de Manhattan - acenando para a Estátua da Liberdade - completaram nossa programação curtindo Nova York.


NOTA: Fotos da autoria do Blogueiro




sábado, 23 de fevereiro de 2013

Império do Consumo


Fugi do carnaval do Recife, outra vez. Quando amanheceu o sábado e o Galo da Madrugada botoupracantar nas ruas da cidade, eu voava para bem distante. Dessa vez fui bater em Nova York. Troquei o calor sufocante dos trópicos pelo frio e a neve do inverno no Hemisfério Norte.
Encontrei Nova York vestida de branco, tal qual uma noiva, depois de uma nevasca, um dia antes. Temi, inclusive, com uma frustração de vôo, que felizmente não ocorreu e, aliás, não seria a primeira vez. Vide as fotos a seguir com uma penitente sofrendo com a baixa temperatura, na primeira. Detalhe: quando a neve derrete fica  a maior sujeira. Trabalho dobrado para a Prefeitura.

A primeira grande impressão é conferir o imenso poder de atração que aquela cidade exerce sobre o imaginário dos turistas do mundo inteiro. Desembarcar no aeroporto JFK é cair num formigueiro humano. Aviões e mais aviões aterrissam, a cada minuto, despejando gente de todas as partes do mundo. Árabes, africanos, orientais, indianos, hispânicos, ocidentais comuns – todos a caráter – se misturam num mosaico de raças e nacionalidades, com o mesmo objetivo de adentrar nos domínios de Tio Sam e curtir as atrações que a chamada Terra da Liberdade oferece. Somente na fila da imigração fiquei, dessa vez, por duas horas e dez minutos. Cá prá nós, depois de dez horas de vôo, desde São Paulo é um verdadeiro exercício de paciência. Mas, não é só em N. York. Observei que ocorre em qualquer aeroporto de entrada dos Estados Unidos. Recordo que, nesses últimos 90 dias, desembarquei três vezes nos States, em três diferentes aeroportos (Miami, Los Angeles e Nova York) e em todos sofri a maçada da burocracia. Sempre acho que são poucos os guichês com agentes de fronteiras.
A cidade de Nova York não chega a ser uma bela cidade. Opinião pessoal. Gosto sim de chegar lá. Mas, aquele amontoado de edifícios não se constitui em nenhum conjunto de especial beleza. Até porque os que ostentam beleza arquitetônica não são relativamente muitos. As ruas não são arborizadas e não fosse o Central Park a cidade se resumiria a uma selva de pedras com raras manchas de beleza por conta das poucas praças ou pequenos parques. É diferente de se chegar a Paris ou no Rio de Janeiro. O que mais atrai na chamada Big Apple é, sem dúvida, a dinâmica do seu intenso comércio – as vitrines das grandes lojas enchem a vista do visitante – a imensa gama de opções da gastronomia cosmopolita, os museus e o showbiz da Broadway e arredores. Não tem quem resista a esses atributos. 
Caminhar na 5ª. Avenida, por exemplo, é prazeroso e faz bem à cútis e à alma, segundo amiga minha. Parar numa vitrine, entrar numa loja de departamentos, admirar o lay-out, o colorido, subir e descer as escadas rolantes... nem precisa comprar. Basta observar a gente que circula e a beleza dos produtos expostos. É um tipo de lazer. Depois disso, entrar num dos inúmeros cafés, pedir um – em geral ruim – sentar, pagar para isto e continuar observando a fauna circulante. Mulheres lindas, sobretudo embaladas para enfrentar o frio. Cavalheiros elegantíssimos. WiFi? Em todo lugar e de graça! Aí, é só pegar o Iphone ou  Ipad e se comunicar com o mundo e com a gente de casa. Oi! Tudo bem? Tás aonde? Em Olinda? O carnaval aí tá bom? Eu? Tô em Nova York, tomano um cafezinho... ruim, visse... Mas, é na 5ª. Avenida, né?. Que nada. Ôxente, tô falano por skype e a Internet aqui é de graça em todo lugar. Né bom?Xau, visse. Te amo!  Disponibilzar o Wifi faz parte da estrategia de atrair o cliente. Nisso, o café já esfriou, o tempo passou e ninguém manda você se levantar. Lugar quentinho e o frio torando lá fora... (Foto a seguir)
Nessa temporada, vi brasileiros por todo lado em Nova York. Os tupiniquins estão fazendo a festa dos americanos. Quando se entra num hotel, restaurante ou numa loja, os balconistas logo reconhecem e vão soltando: Brasileiro! Obrigado, de nada! É uma graça. O negócio é agradar a quem pode comprar e os brasileiros estão “queimando dólares”. Não compram de uma peça. Perguntam o preço e pedem logo duas. Os aviões de volta vêm pesados de tantas malas. Na verdade Nova York está preparada para receber não somente os consumidores brasileiros, mas do mundo inteiro. A dinâmica é extraordinária, a concorrência é galopante a tal ponto de derrubar os preços de forma inacreditável. Nesta estação de inverno liquidam o que sobrou do verão e outono passados. É exatamente o que brasileiros e a grande maioria busca. Os preços chegam a ter 70% de desconto. No caso dos brazucas é “mãonaroda” porque os produtos de grife, importados de lá, chegam cá pela hora da morte. Haja consumo. Diante desse cenário fico crente de que os Estados Unidos da América são, na prática, o Império do Consumo.

NOTA: Fotos da autoria do Blogueiro

      



       

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Orgulho de ser Pernambucano

O carnaval está aí, novamente. E o Brasil continua sendo o império da folia. Neste país, comumente se diz que o ano só começa depois do carnaval. Tem gente que leva isso a sério e faz o maior “corpo mole” até passar o tríduo momesco, que, por sinal, já deixou de ser tríduo para virar bimestre. Janeiro e Fevereiro são meses quase que perdidos. Pode ser bom para quem faz a vida com a folia. Mas que o país perde alguma coisa com isto, me parece claro.
De fato, carnaval é bom demais para quem tem resistência e vontade para deixar rolar. Já fiz muito disso. Mas, eram outros tempos. Hoje a coisa é mais gigantesca, violenta em certas horas, virou um grande negócio comercial e uma forma bem elástica para quem governa meter a mão na chave do cofre e tirar uma casquinha. Às vezes um cascão...
O carnaval do passado – há 30 ou 40 anos – era mais autêntico e, principalmente, correto com as tradições locais. Os festejos de Pernambuco sempre foram tidos como sendo os melhores e maiores do Brasil. Bairrismo, é claro. Coisa de pernambucano. Contudo, é de se considerar que havia alguma razão, dadas a animação reinante e o cuidado com os valores da terra. Claro que entendo que sempre se pode melhorar e inovar em tudo por tudo. Mas, fazer vista grossa ao abandono das tradições, não se admite. É o que observo nos anos recentes. Andam importando musicas e ritmos alienígenas e marginalizando os valores locais, com a mais completa tranquilidade. O famigerado Recifolia – extinto, graças a Deus – formou uma geração ligada num tal de Axémusic, que pode ser bom na Bahia, mas frustrou a divulgação da musica pernambucana. Tenha dó...
Pernambuco é de uma riqueza monumental, em termos de ritmos. Segundo estudiosos do assunto, existem aproximadamente 40 diferentes, contando com as variações de batuques, maracatus e frevos. O estado tem sido laboratório de muitos pesquisadores, sociólogos e antropólogos estrangeiros que aportaram nos nossos costados, ávidos por ver de perto e estudar o som e o passo rasgado do frevo, o batuque do maracatu, a dança ritmada dos cabocolinhos, o rufar dos tambores, entre outras manifestações típicas de Pernambuco. Lembro-me da norte-americana Katarina Real (1927-2006), que de tão fascinada por tudo, montou no Recife, entre os anos 60 e 70, sua segunda moradia. Divulgou o nosso carnaval e, particularmente, o maracatu nos quatro cantos do mundo.
O que se vê hoje é um escracho geral e a sabotagem das nossas tradições. Tem coisa mais idiota do que trazer artistas do sudeste e do exterior para animar um carnaval que, na sua essência, é a própria animação? Só mesmo sendo coisa da PTrália que deu as ordens durante doze anos. Falta total de conhecimento da cultura local. Também pudera... não podia ser de outra forma. A ignorância é chave da decadência cultural. Recuso-me a vivenciar uma farsa dessa magnitude. Nos últimos tempos, a cada carnaval me mando para bem distante. Não faço falta alguma, sei muito bem. Mas me preservo de testemunhar este blefe cultural.
Poré,m, como as coisas mudam e há sempre um fila andando, espero agora algo corretivo dessa nova administração municipal. Tenho prá mim que a equipe tem consciência da insensatez. Neste carnaval dizem que ainda não foi possível mudar a estratégia. Vou aguardar o próximo ano. Espero que não convidem Preta Gil, que, segundo li na imprensa, fez um show horrendo e pornográfico, no Bal Masquê (pobre Bal Masquê, quem te viu e quem te vê), nem Jorge Ben Jó que morgou a festa do Baile Municipal, deste ano, e tomou uma vaia. Claro! Esses artistas podem ser bons noutros contextos. Respeito todos eles. Mas, para animar o carnaval do Recife? Isto é o que chamo de piada de mau-gosto. Burrice explicita. Quem tem ideia desse tipo, devia ser convidado a um curso intensivo de sociologia, antropologia e ler sobre cultura pernambucana.
Saudosismo? Que nada! Fidelidade às tradições locais. É assim que se faz em qualquer sociedade civilizada. Trazer valores de fora é ser colonizado. Claudias e Ivetes? Outra hora, o ano inteiro se presta para elas. Tudo isso, sem falar nos cachês superfaturados. Mas, isso é assunto para o Tribunal de Contas do Estado. Tenho orgulho de ser pernambucano.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Domingo sombrio. Semana triste

O Brasil continua chocado com esse triste episódio, da semana passada, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Impossível calar diante de um quadro tão trágico. Quantas carreiras profissionais de sucesso e sonhos dourados foram frustradas, num abrir e piscar de olhos deslumbrados com a beleza de uma bengala flamejante de um sinalizador. Que asneira, meu Deus! Que bengala inoportuna... Eles eram tão jovens, tão alegres e cheios de esperanças. Que dor...
Como pai atento a tudo que diz respeito a um filho ou filha, fico estarrecido somente em pensar no sofrimento e desolação dos pais e mães de família que perderam seus filhos vitimados naquela fatídica noite, dentro daquele alçapão denominado de Kiss (beijo em inglês). Que ironia. Que beijo cruel.
Houve momentos que, mesmo a distancia, fui tomado de emoção e tremi, no conforto da minha poltrona e diante da TV, que, mesmo precisando informar, terminou por pegar de surpresa o mais frio dos telespectadores. Foi um domingo sombrio, num verão de sol brilhante e causticante, seguido de uma semana de tristeza e muito pesar. Um Brasil de luto às vésperas da sua festa maior, que é o carnaval.
No passar das horas, cheguei à conclusão que isso poderia acontecer em muitos outros lugares deste Brasil afora, inclusive aqui no Recife. Essas casas noturnas, em geral, são arranjos de espaços mal planejados e abertos a qualquer preço para atrair a juventude ávida por diversão noturna. Mesmo as classificadas como de primeira linha não fogem ao modelo mal engendrado e, conforme relato de um antigo promotor desse tipo de diversão, não pode ser totalmente segura porque o material utilizado na montagem, nas instalações elétricas, mobiliário e a parafernália dos equipamentos de som e luz levam quase toda grana do investimento inicial e, quando chega a vez do item segurança, a coisa é tratada de forma marginal e a toque de caixa. Por isso que dá no que deu em Santa Maria. Para completar, as autoridades responsáveis pela vistoria e emissão do alvará de funcionamento exercem seus papéis de formas relapsa e irresponsável, muitos são os que recebem “tocos” e fazem vista grossa para as irregularidades. A Kiss, por exemplo, estava com alvará vencido desde o ano passado. Pior, teve, anteriormente, um alvará fajuto já que, conforme se constatou depois da tragédia, a casa tinha um lay-out totalmente inadequado e, sobretudo, inseguro: uma única e estreita porta, servindo para entrada ou saída e inviável para vazão de mais de 1.000 pessoas, numa situação de emergência. Um crime! Estou atento para ver o resultado das investigações e saber quem vai ser punido. Não pode ficar por isso mesmo.
Resumo da ópera: este aí, minha gente, é o retrato vivo da estúpida cultura brasileira do jeitinho e que induz a não se dar a devida importância aos princípios de responsabilidade civil e governamental, urbanidade, convivência social, respeito ao próximo, profissionalismo, ética, educação enfim, entre outros itens, todos úteis a um ambiente social sadio e uma sociedade civilizada.
Durante a semana, pela imprensa local, soube da descoberta de inúmeras irregularidades em casas noturnas do Recife. Alguns locais já foram sumariamente interditados. Repete-se a velha história de que “no Brasil só fecha a porta depois de roubado”. Até quando, no nosso mundinho, ficaremos sempre a espera de uma tragédia para que sejam adotadas medidas de segurança que, aliás, já são formalmente determinadas por lei e ordens?
Que Deus nos livre de dramas dessa ordem, daqui para frente, e que proteja essas famílias dilaceradas pelas irreparáveis perdas que sofreram.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens.






A História se Repete

Há histórias que atravessam os séculos sem perder a capacidade de nos fazer pensar. Ali Babá e os Quarenta Ladrões é uma delas. Lembro-me co...