O carnaval está aí, novamente. E o Brasil continua sendo o império da folia. Neste país, comumente se diz que o ano só começa depois do carnaval. Tem gente que leva isso a sério e faz o maior “corpo mole” até passar o tríduo momesco, que, por sinal, já deixou de ser tríduo para virar bimestre. Janeiro e Fevereiro são meses quase que perdidos. Pode ser bom para quem faz a vida com a folia. Mas que o país perde alguma coisa com isto, me parece claro.
De fato, carnaval é bom demais para quem tem resistência e vontade para deixar rolar. Já fiz muito disso. Mas, eram outros tempos. Hoje a coisa é mais gigantesca, violenta em certas horas, virou um grande negócio comercial e uma forma bem elástica para quem governa meter a mão na chave do cofre e tirar uma casquinha. Às vezes um cascão...
O carnaval do passado – há 30 ou 40 anos – era mais autêntico e, principalmente, correto com as tradições locais. Os festejos de Pernambuco sempre foram tidos como sendo os melhores e maiores do Brasil. Bairrismo, é claro. Coisa de pernambucano. Contudo, é de se considerar que havia alguma razão, dadas a animação reinante e o cuidado com os valores da terra. Claro que entendo que sempre se pode melhorar e inovar em tudo por tudo. Mas, fazer vista grossa ao abandono das tradições, não se admite. É o que observo nos anos recentes. Andam importando musicas e ritmos alienígenas e marginalizando os valores locais, com a mais completa tranquilidade. O famigerado Recifolia – extinto, graças a Deus – formou uma geração ligada num tal de Axémusic, que pode ser bom na Bahia, mas frustrou a divulgação da musica pernambucana. Tenha dó...
Pernambuco é de uma riqueza monumental, em termos de ritmos. Segundo estudiosos do assunto, existem aproximadamente 40 diferentes, contando com as variações de batuques, maracatus e frevos. O estado tem sido laboratório de muitos pesquisadores, sociólogos e antropólogos estrangeiros que aportaram nos nossos costados, ávidos por ver de perto e estudar o som e o passo rasgado do frevo, o batuque do maracatu, a dança ritmada dos cabocolinhos, o rufar dos tambores, entre outras manifestações típicas de Pernambuco. Lembro-me da norte-americana Katarina Real (1927-2006), que de tão fascinada por tudo, montou no Recife, entre os anos 60 e 70, sua segunda moradia. Divulgou o nosso carnaval e, particularmente, o maracatu nos quatro cantos do mundo.
O que se vê hoje é um escracho geral e a sabotagem das nossas tradições. Tem coisa mais idiota do que trazer artistas do sudeste e do exterior para animar um carnaval que, na sua essência, é a própria animação? Só mesmo sendo coisa da PTrália que deu as ordens durante doze anos. Falta total de conhecimento da cultura local. Também pudera... não podia ser de outra forma. A ignorância é chave da decadência cultural. Recuso-me a vivenciar uma farsa dessa magnitude. Nos últimos tempos, a cada carnaval me mando para bem distante. Não faço falta alguma, sei muito bem. Mas me preservo de testemunhar este blefe cultural.
Poré,m, como as coisas mudam e há sempre um fila andando, espero agora algo corretivo dessa nova administração municipal. Tenho prá mim que a equipe tem consciência da insensatez. Neste carnaval dizem que ainda não foi possível mudar a estratégia. Vou aguardar o próximo ano. Espero que não convidem Preta Gil, que, segundo li na imprensa, fez um show horrendo e pornográfico, no Bal Masquê (pobre Bal Masquê, quem te viu e quem te vê), nem Jorge Ben Jó que morgou a festa do Baile Municipal, deste ano, e tomou uma vaia. Claro! Esses artistas podem ser bons noutros contextos. Respeito todos eles. Mas, para animar o carnaval do Recife? Isto é o que chamo de piada de mau-gosto. Burrice explicita. Quem tem ideia desse tipo, devia ser convidado a um curso intensivo de sociologia, antropologia e ler sobre cultura pernambucana.
Saudosismo? Que nada! Fidelidade às tradições locais. É assim que se faz em qualquer sociedade civilizada. Trazer valores de fora é ser colonizado. Claudias e Ivetes? Outra hora, o ano inteiro se presta para elas. Tudo isso, sem falar nos cachês superfaturados. Mas, isso é assunto para o Tribunal de Contas do Estado. Tenho orgulho de ser pernambucano.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens
De fato, carnaval é bom demais para quem tem resistência e vontade para deixar rolar. Já fiz muito disso. Mas, eram outros tempos. Hoje a coisa é mais gigantesca, violenta em certas horas, virou um grande negócio comercial e uma forma bem elástica para quem governa meter a mão na chave do cofre e tirar uma casquinha. Às vezes um cascão...
O carnaval do passado – há 30 ou 40 anos – era mais autêntico e, principalmente, correto com as tradições locais. Os festejos de Pernambuco sempre foram tidos como sendo os melhores e maiores do Brasil. Bairrismo, é claro. Coisa de pernambucano. Contudo, é de se considerar que havia alguma razão, dadas a animação reinante e o cuidado com os valores da terra. Claro que entendo que sempre se pode melhorar e inovar em tudo por tudo. Mas, fazer vista grossa ao abandono das tradições, não se admite. É o que observo nos anos recentes. Andam importando musicas e ritmos alienígenas e marginalizando os valores locais, com a mais completa tranquilidade. O famigerado Recifolia – extinto, graças a Deus – formou uma geração ligada num tal de Axémusic, que pode ser bom na Bahia, mas frustrou a divulgação da musica pernambucana. Tenha dó...
Pernambuco é de uma riqueza monumental, em termos de ritmos. Segundo estudiosos do assunto, existem aproximadamente 40 diferentes, contando com as variações de batuques, maracatus e frevos. O estado tem sido laboratório de muitos pesquisadores, sociólogos e antropólogos estrangeiros que aportaram nos nossos costados, ávidos por ver de perto e estudar o som e o passo rasgado do frevo, o batuque do maracatu, a dança ritmada dos cabocolinhos, o rufar dos tambores, entre outras manifestações típicas de Pernambuco. Lembro-me da norte-americana Katarina Real (1927-2006), que de tão fascinada por tudo, montou no Recife, entre os anos 60 e 70, sua segunda moradia. Divulgou o nosso carnaval e, particularmente, o maracatu nos quatro cantos do mundo.
O que se vê hoje é um escracho geral e a sabotagem das nossas tradições. Tem coisa mais idiota do que trazer artistas do sudeste e do exterior para animar um carnaval que, na sua essência, é a própria animação? Só mesmo sendo coisa da PTrália que deu as ordens durante doze anos. Falta total de conhecimento da cultura local. Também pudera... não podia ser de outra forma. A ignorância é chave da decadência cultural. Recuso-me a vivenciar uma farsa dessa magnitude. Nos últimos tempos, a cada carnaval me mando para bem distante. Não faço falta alguma, sei muito bem. Mas me preservo de testemunhar este blefe cultural.
Poré,m, como as coisas mudam e há sempre um fila andando, espero agora algo corretivo dessa nova administração municipal. Tenho prá mim que a equipe tem consciência da insensatez. Neste carnaval dizem que ainda não foi possível mudar a estratégia. Vou aguardar o próximo ano. Espero que não convidem Preta Gil, que, segundo li na imprensa, fez um show horrendo e pornográfico, no Bal Masquê (pobre Bal Masquê, quem te viu e quem te vê), nem Jorge Ben Jó que morgou a festa do Baile Municipal, deste ano, e tomou uma vaia. Claro! Esses artistas podem ser bons noutros contextos. Respeito todos eles. Mas, para animar o carnaval do Recife? Isto é o que chamo de piada de mau-gosto. Burrice explicita. Quem tem ideia desse tipo, devia ser convidado a um curso intensivo de sociologia, antropologia e ler sobre cultura pernambucana.
Saudosismo? Que nada! Fidelidade às tradições locais. É assim que se faz em qualquer sociedade civilizada. Trazer valores de fora é ser colonizado. Claudias e Ivetes? Outra hora, o ano inteiro se presta para elas. Tudo isso, sem falar nos cachês superfaturados. Mas, isso é assunto para o Tribunal de Contas do Estado. Tenho orgulho de ser pernambucano.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens


