domingo, 3 de fevereiro de 2013

Domingo sombrio. Semana triste

O Brasil continua chocado com esse triste episódio, da semana passada, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Impossível calar diante de um quadro tão trágico. Quantas carreiras profissionais de sucesso e sonhos dourados foram frustradas, num abrir e piscar de olhos deslumbrados com a beleza de uma bengala flamejante de um sinalizador. Que asneira, meu Deus! Que bengala inoportuna... Eles eram tão jovens, tão alegres e cheios de esperanças. Que dor...
Como pai atento a tudo que diz respeito a um filho ou filha, fico estarrecido somente em pensar no sofrimento e desolação dos pais e mães de família que perderam seus filhos vitimados naquela fatídica noite, dentro daquele alçapão denominado de Kiss (beijo em inglês). Que ironia. Que beijo cruel.
Houve momentos que, mesmo a distancia, fui tomado de emoção e tremi, no conforto da minha poltrona e diante da TV, que, mesmo precisando informar, terminou por pegar de surpresa o mais frio dos telespectadores. Foi um domingo sombrio, num verão de sol brilhante e causticante, seguido de uma semana de tristeza e muito pesar. Um Brasil de luto às vésperas da sua festa maior, que é o carnaval.
No passar das horas, cheguei à conclusão que isso poderia acontecer em muitos outros lugares deste Brasil afora, inclusive aqui no Recife. Essas casas noturnas, em geral, são arranjos de espaços mal planejados e abertos a qualquer preço para atrair a juventude ávida por diversão noturna. Mesmo as classificadas como de primeira linha não fogem ao modelo mal engendrado e, conforme relato de um antigo promotor desse tipo de diversão, não pode ser totalmente segura porque o material utilizado na montagem, nas instalações elétricas, mobiliário e a parafernália dos equipamentos de som e luz levam quase toda grana do investimento inicial e, quando chega a vez do item segurança, a coisa é tratada de forma marginal e a toque de caixa. Por isso que dá no que deu em Santa Maria. Para completar, as autoridades responsáveis pela vistoria e emissão do alvará de funcionamento exercem seus papéis de formas relapsa e irresponsável, muitos são os que recebem “tocos” e fazem vista grossa para as irregularidades. A Kiss, por exemplo, estava com alvará vencido desde o ano passado. Pior, teve, anteriormente, um alvará fajuto já que, conforme se constatou depois da tragédia, a casa tinha um lay-out totalmente inadequado e, sobretudo, inseguro: uma única e estreita porta, servindo para entrada ou saída e inviável para vazão de mais de 1.000 pessoas, numa situação de emergência. Um crime! Estou atento para ver o resultado das investigações e saber quem vai ser punido. Não pode ficar por isso mesmo.
Resumo da ópera: este aí, minha gente, é o retrato vivo da estúpida cultura brasileira do jeitinho e que induz a não se dar a devida importância aos princípios de responsabilidade civil e governamental, urbanidade, convivência social, respeito ao próximo, profissionalismo, ética, educação enfim, entre outros itens, todos úteis a um ambiente social sadio e uma sociedade civilizada.
Durante a semana, pela imprensa local, soube da descoberta de inúmeras irregularidades em casas noturnas do Recife. Alguns locais já foram sumariamente interditados. Repete-se a velha história de que “no Brasil só fecha a porta depois de roubado”. Até quando, no nosso mundinho, ficaremos sempre a espera de uma tragédia para que sejam adotadas medidas de segurança que, aliás, já são formalmente determinadas por lei e ordens?
Que Deus nos livre de dramas dessa ordem, daqui para frente, e que proteja essas famílias dilaceradas pelas irreparáveis perdas que sofreram.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens.






3 comentários:

Marco Buonora disse...

Meu Caríssimo Girley,
É necessário consertar muitas coisas que estão erradas,
"Enquanto isso, Renan é recolocado ao maior posto do país depois do presidente e vice!!"
Saudações.
Marco Buonora

Adriana Pax disse...

Tio, acho impressionante como a própria população só agora passou a atentar para os itens de segurança nos locais de entretenimento. Somos muito crédulos, né? Beijos.

Edna Claudino disse...

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