sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

E agora Brasil?

Quando em novembro de 2009 a revista The Economist abriu espaço privilegiado, com uma matéria da capa, prevendo que o Brasil, na forma em que estava crescendo, logo, logo, estaria ocupando um lugar de destaque no rank das maiores economias do mundo, fiz, entusiasmado, uma postagem comentando o fato, lido por muitos. A surpresa foi que a revista declarava – com certa facilidade – que o país suplantaria a Inglaterra e a França e seria a 5ª. economia do mundo. Não fiz propriamente uma analise mas, isso sim, um comentário sobre a matéria publicada pela prestigiadíssima revista inglesa. Vide essa postagem clicando em: http://gbrazileiro.blogspot.com/2009/11/brasil-potencia-economica.html
Passados pouco mais de três anos, e há poucos dias, os ingleses ao que parece revisaram aquela opinião e “baixaram o pau” nas cabeças de D. Dilma e na do “durável e sempre cordato” Ministro da Fazenda, Guido Mantega, alertando que a economia brasileira anda patinando, com crescimento pífio em 2012, em decorrência de erros cometidos pela equipe econômica. Quando comparado com as economias, de vizinhos latino-americanos, entre os quais o México, a Colômbia e o Peru, bem como países companheiros do BRIC, o que se constata é a projeção de um quadro preocupante. Sugeriram, até, a demissão de Mantega! D. Dilma reagiu, claro. Esses ingleses aprontam cada uma... Afinal, como lembrou J. R. Guzzo, na Veja da semana passada, “o que diz um jornalista do reino de Sua Majestade Elizabeth II, vale mais do que dizem os outros”. A desculpa das autoridades brasileiras de que o mundo desenvolvido (Estados Unidos e Europa) continua mergulhado na crise que eclodiu em 2008, afetando a economia brasileira não vem colando. Até porque os que estão crescendo tãonemaí para as crises. E agora D. Dilma? E agora, Brasil?
A situação realmente é bem sombria. Tem um tom de déjà vu que assusta qualquer cara mais consciente. Quer ver uma coisa? Essa manobra pouco recomendável de compor, na marra, o superávit primário ideal de 2012, na ótica do Governo, foi lamentável e fortemente criticada, pelos analistas ingleses. Omitiram despesas de infraestrutura, anteciparam dividendos de estatais, e meteram a mão no fundo soberano! Foi uma vergonha, para um país que prometia muito mais.
Por outro lado, observa-se que ao segurar, por tantos anos, o preço da gasolina e induzirem ao congelamento o transporte publico das grandes metrópoles, como manobra eleitoreira de outubro passado, criou uma bolha de dificuldades que vai estourar a qualquer momento. Congelamento de preços? Voltamos a 1986?
É de se reconhecer que algumas medidas adotadas são bem vindas. A taxa básica de juros foi derrubada e isto foi saudado com entusiasmo por todos. Facilitou muito a vida do empresário investidor quando na busca de financiamentos. As taxas praticadas no País eram extorsivas e completamente destoantes das praticadas no mundo civilizado. Mas essa coisa tem seus limites e isto está claro no recado dado pelo BACEN esta semana. Medo danado da inflação. E olha que o dragão está despertando...
E o que se dizer sobre a interferência no Banco Central e a visível “manipulação” na taxa cambial? Será que essas atitudes estão no rumo certo? Um Banco Central independente de verdade e uma taxa de cambio flutuante parece haver dado mais certo. O Real desvalorizado pode ter dado mais fôlego aos exportadores mas, em compensação, cutucou o dragão porque ainda somos dependentes de muitas matérias primas e produtos acabados comprados no exterior. O setor Industrial já vem se ressentido. Empresário que pretenda investir numa modernização e precise de máquina ou equipamento importado vai amargar dificuldades. A Confederação Nacional da Indústria - CNI publicou, nesta semana que termina hoje, o resultado de um estudo que revela uma considerável alta do Índice do Custo Industrial (ICI), que foi de 8,1% no terceiro trimestre de 2012, comparado com o mesmo período do ano anterior.
Vi no noticiário da TV, na noite desta 6ª. Feira (25.01.13), que o Fórum Econômico Mundial, reunido em Davos, na Suíça, critica o desempenho econômico do Brasil, taxando-o de inaceitável. O mundo inteiro esperava mais, claro!
Este quadro, além de preocupante, é decepcionante. Será que o que foi construído a duras penas no passado recente vai ser destruído em dois tempos?









sábado, 19 de janeiro de 2013

Competência Oriental

Se me surpreendi em Seul, mais ainda fiquei no interior da Coréia do Sul. Cumprindo a programação da missão empresarial, na qual estive incluído, desloquei-me com o grupo (12 pessoas do setor empresarial de Pernambuco, focando no segmento da Construção Naval) para o extremo sudeste do país, centrando na cidade de Busan (também conhecida por Pusan).  Distante da capital, cerca de 800 km. O meio de transporte que escolhemos foi o trem bala dos sul-coreanos. Um primor de trajetória, feita em pouco mais de três horas. Inacreditável se pensarmos que do Recife a Salvador ou Fortaleza com distâncias idênticas, ainda se leva, pelo menos, meio dia de viagem, por rodovias precárias.
A ideia de todos da comitiva era a de que iríamos chegar a uma cidade industrial – afinal, ali se encontra o pólo naval do país, o maior construtor de navios do mundo atual – poluída e de aspecto pesado, habitada por trabalhadores metalúrgicos, ocupados dia e noite, num afã de vencer na vida a todo custo e levar o país adiante. Ambiente lúdico nenhum. Afinal de contas, um lugar que só ouvimos falar ao preparar aquela programação de visitas. Em suma, outra surpresa nos pegou de cheio, porque Busan, uma imensa cidade de 4 milhões de habitantes, desde o primeiro momento se revelou como um lugar de extraordinária beleza, banhada pelas águas do Mar do Japão e com belíssimas praias, que a transforma num dos mais prestigiados balneários daquela região asiática. É, inclusive, uma das quatro cidades do mundo mais requisitadas para sediar congressos, seminários e feiras, excluídas as capitais de países. O movimento turístico é surpreendente e os incontáveis hotéis de luxo plantados, sobretudo, na praia de Haeundae, onde nos hospedamos, chama a atenção para quem, como eu, fui até lá para garimpar negócios com os coreanos. A estrutura urbana é sensacional e o skyline, com linhas futuristas é arrebatador, aos olhos do visitante. Vide fotos a seguir. 


O comércio é vibrante e, só para resumir, manifestando minha grande admiração, fui encontrar, nessa cidade tão pouco conhecida no nosso meio de mundo ocidental, a maior loja de departamentos do mundo, a Shinsegae, certificada pelo Guiness Book. Vide fotos a seguir. Ou seja, outra grande surpresa sul-coreana.



Se, como cidade, Busan surpreende, de incrível é como classifico a pujança da indústria naval encontrada em sites nos seus arredores. Tivemos oportunidade de visitar os maiores estaleiros do país, quiçá do mundo: Hyundai, Samsung e STX, embora sabendo que haja outros, de menor porte, no país. Neste aspecto, a Coréia do Sul é imbatível. Não e à toa que se tornaram os mais competentes e primeiros no rank da construção naval mundial. Imagine o que seja colocar ao mar três navios por semana.
O estaleiro da Hyundai, por exemplo, fundado em 1972,  fechou 2012 com entregas de 93 navios! Em 40 anos esse estaleiro já construiu 1.200 embarcações dos mais variados tipos. É um espetáculo de produção. As instalações da empresa ostentam números inacreditáveis: são 11 diques secos, onde trabalham 24 mil empregados. Existem 55 refeitórios, nos quais são consumidas – por dia – 11 toneladas de arroz, 45 bois e 115 porcos. Todas as refeições são produzidas internamente. Nada terceirizado. Haja competência. Trabalham apenas oito horas por dia e os sábados e domingos são de descanso. Férias? 14 dias por ano. Nem é bom comparar com o que se vê no Brasil.
O Samsung, menor do que o Hyundai, pelo menos três vezes, foi outra boa visita que fizemos. Surpreende qualquer visitante, particularmente, se oriundos das bandas do mundo ocidental. Foi fundado em 1974 e tem capacidade de entregar 70 navios por ano, embora estejam construído, no momento, apenas 50, em 7 diques secos, com 20 mil empregados. Lá são construídas 44% das plataformas de petróleo do mundo. Em 2011 tiveram um faturamento de US$ 13,0 Bilhões. Pretende ser o maior do mundo em 2015. Somente de projetistas a empresa mantém 3 mil técnicos. É uma fábula, sem dúvidas. A visão do parque de construções é, certamente, a mais notável dos que visitamos. Vide a foto a seguir.

Outro aspecto a destacar é o que diz respeito ao esmero com o qual esses estaleiros coreanos tratam o entorno das suas plantas. Tudo perfeitamente urbanizado, parques e jardins deslumbrantes, conjuntos residenciais dignos para todos, centros sociais e de esportes para lazer, escolas, hospitais, centros comerciais, enfim, tudo quanto se faz necessário para uma vida digna. A Hyundai mantém, ainda, no seu sitio de produção, um belíssimo hotel da categoria cinco estrelas para receber seus convidados. Vide a foto, a seguir.

Prezado leitor ou leitora, faça suas próprias comparações com o que temos aqui no Brasil. Não chore, por favor! E, indo à Coréia do Sul, não deixe de ir a Busan.

NOTAS:
1. O Blogueiro visitou a Coréia do Sul, compondo uma Missão Empresarial organizada pela CNI/BID/Fiepe-IEL e SIMMEPE.
2. As fotos são da autoria do Blogueiro
   

 

sábado, 12 de janeiro de 2013

Coréia do Sul, uma surpresa

Há uma diferença muito grande entre o que se ouve dizer sobre a Coréia do Sul e o que se pode constatar ao visitá-la. Foi a conclusão que tirei ao passar uma semana naquele agradável país oriental, no mês de novembro passado. Fui numa missão profissional, mas fiz questão de aproveitar em cada minuto a oportunidade, sempre lembrando que é muito raro, para um brasileiro, chegar até lá por puro interesse turístico, o que, por sinal, é um grande equivoco. Hoje percebo que se trata de um país de povo gentil e hospitaleiro vivendo num ambiente alegre, moderno e dinâmico. Indiscutivelmente, uma agradável surpresa.
Acontece que minha idéia era a de encontrar um lugar austero, lúgubre até, e com uma gente sem muita vibração e vivendo de forma pacata e rotineira. Puro engano. Atribuo esta imagem ex-ante aos meus conhecimentos acerca da história do país, sobretudo a mais recente, que remonta à famosa Guerra da Coréia (1950-1953), as instabilidades políticas depois do conflito e a eterna pendenga com os irmãos do Norte.
Seul, a capital do país, é uma cidade monumental. Moderna e vibrante. Infra-estrutura invejável, belas avenidas, construções de linhas arrojadas e espantoso dinamismo. Uma metrópole de primeiríssima linha, particularmente no local onde se situava o Hotel Mercure de Gangnam-Gu, no qual me hospedei, por se tratar de uma região mais nova e super-moderna, onde se concentram escritórios e sedes de muitas multinacionais coreanas e representações de estrangeiras. Surpreende ao desavisado. Vide foto a seguir.
 Veja mais esta outra foto

Ainda no mesmo bairro, o destaque vai para a movimentada Cheongdam Fashion Street, artéria super-movimentada, na tarde de Sábado, repleta de lojas das mais famosas grifes da moda internacional. Muitos jovens circulando, alegres e barulhentos, ao contrário dos japoneses, por exemplo. Os coreanos, assim como os japoneses, são muito ligados nas roupas de grife. Os grandes nomes da moda internacional sabem disso e investem prá valer nessas bandas. Aliás, achei que as sul-coreanas são mais bonitas e elegantes do que suas vizinhas do Japão e China.
Aproveitei o Domingo disponível para um especial tour, não obstante a chuva forte que caiu na capital coreana. Fazia muito frio. Mas, nem por isso, perdi o ânimo de percorrer a cidade, mais a miúde, incluindo a zona histórica, onde se encontram o Keongbok-Gung, que é o Palácio Real, o Museu das Boas Vindas e a residência do Primeiro Ministro, situados na parte Norte da cidade, separada da Sul pelo rio Han, que corta a cidade pelo meio. Vide a foto do Jardim Real, em dia chuvoso e frio, a seguir. Gosto demais desta imagem. Me orgulha, no papel de fotógrafo.
Interessante que, percorrendo o parque do Keongbok-Gun logo vi se tratar de uma cópia em miniatura do palácio imperial da China, aquele situado na monumental Cidade Proibida, em Pequim. É tudo muito semelhante, seja no estilo arquitetônico ou no formato e destinações das dependências que o compõe: local privativo do Rei, alojamentos das incontáveis concubinas (algumas mantidas como “reserva técnica” e sem nunca haver encontrado o monarca), praça de solenidades, alojamentos para assessores diretos, vassalagem e seguranças, gabinete de reuniões, casa da Rainha (Sim, havia uma escolhida e, sobretudo, tolerante com a existência das concubinas), entre muitos outros departamentos. Tudo isso distribuído num imenso e exuberante jardim, que naquela ocasião ostentava todo o esplendor do colorido outonal. Vide fotos.

Assim como no Japão ou na China, os sul-coreanos são muito cuidadosos com o patrimônio histórico que construíram. Contíguo ao parque do Palácio Real, o visitante tem acesso ao Museu das Boas Vindas, que percorri com muita atenção e surpreendi-me com um harmonioso encontro entre o antigo e o moderno. A história do país é contada com peças especialmente selecionadas, dispostas em meio de formas modernas e atrativas, graças aos recursos da moderna tecnologia da informação, muitas delas criadas ou desenvolvidas pelos próprios coreanos. Em alguns pontos a interatividade aproxima o visitante ao fato histórico de modo vibrante e, sobretudo, inteligente.
Afora isso tudo, Seul oferece um imenso leque de boas opções em termos de um fino artesanato, gastronomia sofisticada e comércio de artigos dos mais diversos, especialmente eletrônicos.
Taí, um lugar que dá vontade de voltar.

NOTA: Fotos da autoria do Blogueiro

sábado, 5 de janeiro de 2013

Dois Mil e Treze

O ano começa exigindo uma trégua para descanso, depois de um tempo de festas, comemorações e confraternizações, muito embora fique claro que a roda da vida não pára e que, intrinsecamente, as coisas não mudam em nada. As contas chegam e devem ser pagas, o escritório permanece no mesmo padrão e a árvore de Natal é desmontada e guardada para o próximo tempo do advento. Somente o calendário é que impõe um novo número. Isso, sim, muda e é inexorável. E, como diz o poeta, o “tempo não pára”... Todo ano é sempre assim e faz parte da vida.
O Blog do GB volta a circular, em ritmo lento, mas de olho nos últimos acontecimentos:
Espantoso por exemplo o número de vitimas – todas do sexo feminino – de balas perdidas no Rio de Janeiro, neste período de festas. Fico me perguntando qual o motivo que leva a um sujeito praticar tamanha barbaridade. Mais impressionante é o caso da garotinha, com uma bala na cabeça, que por falta de atendimento médico, veio a falecer porque o neurocirurgião de plantão não compareceu ao hospital naquela noite. Quanta irresponsabilidade! Que tipo de profissional será este? Será que teve sua licença profissional caçada pelo Conselho Regional de Medicina?  Vai ver que não. Parece que foi demitido do serviço publico... Ainda foi pouco.
No mesmo estado Rio de Janeiro, outra vez, populações sofrem em várias áreas devido a uma forte tempestade de verão que deixou milhares sem casa e inúmeros desabrigados, além de mortes. Este é outro problema que parece não ter solução. Pessoas de baixa renda buscam assentamento em locais vulneráveis, como encostas e barrancos, e na primeira grande tempestade perdem tudo, quando não a própria vida. Isso sem falar de pontos onde a infra-estrutura urbana se apresenta desgastada e abandonada, resultando no que vimos pela TV durante esses primeiros dias do ano.

A coisa se torna mais revoltante quando se noticia que o Ministério encarregado pelas ações de prevenção e apoio às populações vitimas de desastres provocados pela natureza aplicou apenas 32% da verba a esse fim destinada, no ano de 2012. Como pode acontecer isso, se já se sabe que há localidades sobejamente conhecidas como áreas de risco e que exigem medidas preventivas? O estado do Rio de Janeiro está saturado dessas catástrofes. Lembro de Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo que, há poucos anos, sofreram as maiores catástrofes, devido às chuvas de verão, e que até hoje ainda penam por mitigar os prejuízos sofridos.
Enquanto isto, no Nordeste a seca arrebenta tudo, castiga o sertanejo e pouco tem sido feito. Pensando bem, nunca se faz! Mesmo porque, de repente, como aconteceu nesta primeira semana do ano, uma neblina qualquer anima a gente, faz o capim reaparecer, o gado se alimenta, o homem se alegra e se enche de esperança, por algum tempo, até que volte a estiagem. Nesse ínterim o Governo fica na dele, fazendo vista grossa e deixando para depois. E esse depois todo mundo já sabe como pode ser.
No Recife, para alegria geral, foi encerrada a Era Petista na Prefeitura da cidade. Foram doze anos de atraso e deterioração da Cidade Maurícia. Renasce a esperança de se viver numa cidade limpa e com gestão competente. Acredito que não será muito fácil para o novo Prefeito porque a desarrumação é grande. Diante do caos instalado, vai ter que trabalhar com afinco para, entre outras coisas, acabar com os vícios e desmandos na máquina governamental, mobilizar esquadrões de trabalhadores para limpar e reorganizar o espaço urbano, tirar os malandros das ruas, dar ordem ao comércio ambulante, acabar com os bares nas vias públicas e largos,  focar na mobilidade, rever as calçadas e passeios públicos e, enfim, preparar a cidade para os grandes eventos que se aproximam, entre os quais a Copa das Confederações e do Mundo. Isto sem falar que estamos a poucos dias do carnaval que, tradicionalmente, atrai turistas na busca por folia. Neste caso, aliás, urge que a nova prefeitura reveja essa palhaçada de carnaval multicultural, cujo objetivo principal foi mascarar a contratação de artistas do sul – sem nenhuma noção do que seja o carnaval pernambucano – com cachês exorbitantes, em detrimento dos valores locais, estes sim, capazes de fazer um carnaval autêntico e que durante a gestão petista foram postos à margem dos folguedos.

NOTA: Foto de área na Baixada Fluminense, esta semana. Obtida no Google Imagens.

     
    

sábado, 15 de dezembro de 2012


O ano está findando. Foram doze meses de muitas atividades e, no meu caso e por sorte, acumulando sucessos. O BLOG do GB foi minha “cachaça” predileta. Com doses semanais, sustentou um dos meus melhores passatempos: contato com o público. Cada vez que faço uma publicação fico pensando nos quantos irão lê-la e muitas vezes, dependendo do tema, lembrando de modo especial, algum leitor ou leitora. Nessa dinâmica levo uma vida prazerosa e com boa dose de deleite pessoal, amenizando os naturais estresses da vida atual.
Pensando bem, é uma maneira mágica que os tempos modernos, com suas tecnologias revolucionárias nos oferecem e nos encantam. Essa relação entre blogueiro e leitor – sobretudo com aqueles que com alguma freqüência comentam os artigos publicados – imprime uma satisfação especial sobre meu espírito de homem destes tempos. Fico gratificado ao receber um comentário ou observar o contador de visitas aumentar de forma acelerada, indicando, inclusive, que em algum lugar do planeta e a qualquer hora do dia ou da noite, tem sempre alguém em sintonia com este mortal fincado num ponto oriental do Brasil e da América do Sul. Se a agilidade da comunicação moderna encanta a qualquer um, imagine para um sexagenário ligado na modernidade. É o meu caso.
Enche-me de prazer descobrir que tenho leitores em lugares remotos e poucos conhecidos. Quem não se surpreenderia, no Brasil, ao descobrir que alguém em localidades como St. Kitts e Nevis (É um pais, sim! No Caribe) ou no Brunei (no Oriente) se interessou em ler alguma coisa que escreveu? Eu, pelo menos, fico surpreso. Isto sem falar dos leitores assíduos em países como os Estados Unidos, Rússia e China. Sinceramente, é instigante. Na semana que não escrevo algo, fico me cobrando e imaginando o que podem conjecturar esses leitores. É ou não é uma “cachaça”? Só vivendo a experiência para entender melhor.
Mas, sendo fim de ano, com uma agenda apertada pelos muitos eventos comemorativos, cumpre agradecer aos muitos amigos e amigas que me acompanharam em mais um ano de publicações blogueiras, o 5º de existência do BLOG do GB. Creiam que esse acompanhamento é o maior estímulo que recebo para continuar. Sem essas reações não teria sido tão fácil manter essa freqüência.
Aos que se detiveram um pouco mais e fizeram comentários, àqueles que, sem comentário publicado, fizeram questão de verbalizar a satisfação de receber semanalmente o Blog e comentar uma postagem ou, ainda, os que tiveram dificuldades de registrar um comentário. A todos – sem exceção – meus sinceros agradecimentos e meu desejo de

FELIZ NATAL E VENTUROSO ANO DE 2013.

Que as luzes do Natal encantem nossos olhos durante o ano inteiro e
nos encham de esperanças e bem estar.

NOTA: As imagenss publicadas foram obtidas no Google Imagens


domingo, 2 de dezembro de 2012

Moderno e Antigo de mãos dadas

É admirável como o japonês preserva suas tradições e o patrimônio histórico. Para quem vive num país e, particularmente, numa cidade na qual a história e as tradições culturais são, quase sempre, relegadas a último plano, conferir uma coisa dessas é puro choque, além de aprendizado.
Nesta minha segunda viagem ao Japão fiquei muito atento, observando se, apesar da globalização, persistia o traço cultural do japonês. Acredito que sim e que, muito embora, haja uma geração rebelde e formadora da “tribo” de Harajuku (região da cidade de Tóquio onde os modernosos se encontram aos bandos), ainda será difícil esconder o que há de tradição e história no país do Sol Nascente. Naturalmente que, em se tratando de uma sociedade desenvolvida, economia pujante, tecnologicamente avançada e com nível educacional nas alturas, a modernidade pontifica em todas as frentes, sempre com vistas ao bem estar do ser humano e do universo. É justamente aí que a coisa pega e chama a atenção. As inteligência e criatividade do povo japonês têm sido decisivas e muito felizes nessa tarefa. Quem vai até lá, a busca de modernidade, encontra facilmente, mas recebe extraordinárias lições de respeito ao passado e preservação da história. Moderno e antigo de mãos dadas e em perfeita harmonia. É muito comum circulando na moderna Tóquio e em meio às construções de vanguarda, aparecer um monumento antigo, esmeradamente preservado e exposto a visitação pública.
Alguns se destacam e são pontos de atração turística. Lembro como exemplos: o Asakusajinja Shrine (Templo), encravado um belíssimo parque no bairro de Asakusa. É um local onde o visitante tem obrigação de passar. Além de conhecer um dos mais belos conjuntos de templos religiosos a oportunidade de conhecer e comprar peças artesanais japoneses e degustar as delícias, doces e salgadas, da gastronomia japonesa, num verdadeiro boulevard de lojinhas (vide foto a seguir, inclusive com uma inesperada senhora portando um guarda-chuva com a bandeira brasileira) até que se chega ao local religioso.

A região está sempre fervilhando de turistas. Mas, tem uma coisa, antes de entrar no templo, não pode esquecer-se do ritual de passar na fonte de água benta corrente, para lavar as mãos, a boca e a testa, acreditando que com isso está se livrando dos pecados cometidos por pensamentos, palavras e obras. Vide fotos a seguir. Uma vez livre dos pecados é só entrar no templo e pedir ao Deus Todo Poderoso a proteção desejada. Asakusa é visita obrigatória.


Outra grande atração histórica, em Tóquio, é a belíssima Meiji Jingu, outra Shrine (Templo) encravada no imenso parque de Yoyogi, onde se encontram, também, sem que interfira no site religioso, vários outros equipamentos modernos do Japão, inclusive o parque olímpico de Tóquio, onde ocorreram os Jogos Olímpicos de 1964. A Meiji Jingu fica isolada no imenso parque e é um ambiente mais tranqüilo do que se vê em Asakusa. Não tem o mercado de artesanatos, nem o intenso comércio ao seu redor. Ao contrário disso, é um parque silencioso e lugar próprio para um retiro espiritual, ainda que passageiro. Dia chuvoso e bosque bem úmido, transformou a visita que fiz, nesse novembro passado, numa experiência impar. Vide foto a seguir.
Por fim, um especial destaque para a cidadezinha de Kamakura, afastada cerca de 80km. de Tóquio e abrigando um imenso conjunto de templos e residências, no mais autêntico estilo japonês antigo. O grande destaque desse conjunto vai para a imensa estátua de Buda – a maior, ao ar livre do mundo – construída com uma liga de cobre, bronze e latão, que resulta num verdadeiro espetáculo aos olhos do visitante. (Admire a foto a seguir).
Imponente e impondo respeito esse Buda de Kamakura, também conhecido como o Daibutsu, está sentado em posição de lótus e as mãos formando o gesto de meditação (Dhyani Mudra). Datada de 1252, essa estátua tem 13,35 metros de altura e pesa 93 toneladas. Fica no templo budista de Kotoku-in, nas colinas da cidade. Originalmente ele era abrigado por um templo construído em madeira, que foi destruído por um grande tsunami no século XV. A estátua é oca e permitem a visita no seu interior. Fiz isto pela segunda vez, quinze dias atrás. Fico satisfeito. Penso que ver o Buda de Kamakura é o mesmo que visitar o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro.

NOTAS: O Blogueiro foi ao Japão numa Missão Empresarial, promovida por um Convenio entre BID/CNI/Fiepe e Simmepe.

As fotos são da autoria do Blogueiro.

sábado, 24 de novembro de 2012

Caminhos do Oriente

O caminho é longo e, certos momentos, parece não ter fim. Durante o vôo, céus e oceano se confundem na minha visão, pela janela do avião. Quando não isto, são as nuvens densas e fechadas. As horas passam lentamente, embora que a aeronave seja veloz. Após, mais de meio dia nos ares, terra à vista. Que alivio! Estamos chegando! Lá em baixo o Japão. Logo, logo, aeronave em solo, pé no chão e, outra vez, na Terra do Sol Nascente. O dia da semana? Não é o que diz meu relógio. Mas, o seguinte. E para onde foi o domingo que deixei em Dallas (USA)? Sumiu...
Tóquio, no fim da tarde da segunda-feira, fervilha de gente e muitos veículos. Mas, nada de engarrafamentos. Não, isso não. Admirável a infra-estrutura urbana. O clima de Outono que reina, deixa suas marcas e se prepara para desnudar as árvores dos incontáveis parques e vias da metrópole oriental. Antes, porém, como querendo iludir os humanos, pinta de amarelo, dourado e púrpura cada folha, (Vide foto a seguir) privando o Inverno, que já vem vindo com seus ventos frios, da bela visão que pintou. Pobre Inverno que vai chegar atrasado sem tempo de ver a arte pictórica do irmão Outono.
Interessante registrar que nesta meia estação, quando dá quatro horas da tarde, no Japão, o Sol parece se espreguiçar e deixa que o manto da noite caia mais cedo. São noites imensas e que se arrastam lentamente. No relógio do meu pulso sempre é muito cedo para se dormir.
Poesias repentinas à parte e deslumbramento repaginado (esta foi minha segunda viagem ao Japão), eis que me vi, novamente, nas ruas de Tóquio. Com ocidentais olhos bem abertos fui conferindo nomes, meus velhos conhecidos, como Ginza, Shinjuku, Shibuya, Yoyogi, Asakuza, Ueno, Ishygaia, Harajuku e muitos outros, de bairros da capital japonesa, todos estampados nas placas sinalizadoras de trânsito. A sensação de revisitar é gratificante. Tóquio se apresenta mais moderna do que nunca e brilha aos meus olhos, através da feérica iluminação dos prédios. Os letreiros coloridos e os imensos telões de LCD fazendo seus comerciais encantando o estrangeiro chegado de Pindorama. (Vide fotos a seguir)


Embora amargando uma recessão que já dura mais de dez anos, o japonês parece não se incomodar. Elegantes, super-educados, limpíssimos, solenes para tudo, impressionam a qualquer ocidental. Mesmo para aqueles que já os conhece, como é o meu caso. Convivi com essa gente civilizadíssima, por um período aproximado de três meses, na década de oitenta. Fiz um inesquecível programa de pós-graduação, quando ainda funcionário da SUDENE, que me levou a conhecer o país por inteiro.
Nesta volta, a primeira saída, com companheiros da missão empresarial que me levou ao Oriente, foi ao bairro de Shinjuku, onde vivi na primeira vez. Trata-se de um dos mais dinâmicos e grande centro bancário e comercial da cidade. Local também de imensa estação ferroviária do país. Ali embarca-se em metrôs, trens urbanos e interurbanos, além do Shikansen, o trem bala, para vários destinos, incluindo o aeroporto internacional de Narita, distante aproximadamente 80 km.
Em Shinjuku há de tudo, o lugar tem vida própria, desde grandes magazines aos típicos pequenos comércios japoneses, nos quais de tudo se encontra. Pedi ao taxista que nos deixasse às portas de Kabukisho, um aglomerado de restaurantes, mercado de peixes, casas de jogos da grife japonesa Pachinko, casas de massagem, bares, karaokês, tudo misturado, cada um em espaços mínimos no miolo do bairro. Minha proposta foi de levar meu grupo de amigos para um mergulho imediato no Japão tradicional.



Valeu à pena. Dirverti-me a valer com as caras e bocas de cada um. Diante dos espécimes oferecidos nas lojas de pescados o espanto de alguns era hilário. Nas vitrines dos restaurantes o mesmo ocorria. O menu de um restaurante japonês é, geralmente, exibido em vistosas imitações plásticas e com o preço bem visível.
A propósito, o cheiro de comida no ar levou-nos a procurar uma casa de pasto. Já era hora de abastecer o estomago. Missão difícil foi satisfazer o paladar dos meus amigos. Por mim, entraria numa típica japonesa e devorava uma suculenta soba, um sukiaki ou um tempura, da vida japonesa. Mas, fui solidário e, com eles, adentrei num pretenso restaurante italiano. O resultado não foi dos melhores. Satisfez em parte. A quantidade servida dava pena de ver... comida para pinto. O espaguete à bolonhesa, escolhido por alguns, era um desacato a qualquer italiano. A carne moída, normal nessa opção, além de perdida num molho de tomate picante, só seria bem vista com uma lupa. Nem preciso dizer do quanto isto foi engraçado. A salvação foi a cerveja que tomamos. Claro que existem bons restaurantes em Tóquio e onde se servem porções adequadas. Mas, naquela noite não tivemos outra alternativa. Detalhe: tudo muito caro. Uma vez no Japão, prepare o bolso...
Vou falar mais sobre o Japão na próxima semana e, depois, sobre a Coréia do Sul, por onde também andei.
NOTA: O Blogueiro esteve no Japão e Coréia do Sul participando de uma Missão Empresarial de pernambucanos, promovida através de um convenio entre o BID, CNI, Fiepe e Simmepe.
NOTA 2: As fotos são da autoria do Blogueiro

Supremo Desalento

Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinári...