sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

E agora Brasil?

Quando em novembro de 2009 a revista The Economist abriu espaço privilegiado, com uma matéria da capa, prevendo que o Brasil, na forma em que estava crescendo, logo, logo, estaria ocupando um lugar de destaque no rank das maiores economias do mundo, fiz, entusiasmado, uma postagem comentando o fato, lido por muitos. A surpresa foi que a revista declarava – com certa facilidade – que o país suplantaria a Inglaterra e a França e seria a 5ª. economia do mundo. Não fiz propriamente uma analise mas, isso sim, um comentário sobre a matéria publicada pela prestigiadíssima revista inglesa. Vide essa postagem clicando em: http://gbrazileiro.blogspot.com/2009/11/brasil-potencia-economica.html
Passados pouco mais de três anos, e há poucos dias, os ingleses ao que parece revisaram aquela opinião e “baixaram o pau” nas cabeças de D. Dilma e na do “durável e sempre cordato” Ministro da Fazenda, Guido Mantega, alertando que a economia brasileira anda patinando, com crescimento pífio em 2012, em decorrência de erros cometidos pela equipe econômica. Quando comparado com as economias, de vizinhos latino-americanos, entre os quais o México, a Colômbia e o Peru, bem como países companheiros do BRIC, o que se constata é a projeção de um quadro preocupante. Sugeriram, até, a demissão de Mantega! D. Dilma reagiu, claro. Esses ingleses aprontam cada uma... Afinal, como lembrou J. R. Guzzo, na Veja da semana passada, “o que diz um jornalista do reino de Sua Majestade Elizabeth II, vale mais do que dizem os outros”. A desculpa das autoridades brasileiras de que o mundo desenvolvido (Estados Unidos e Europa) continua mergulhado na crise que eclodiu em 2008, afetando a economia brasileira não vem colando. Até porque os que estão crescendo tãonemaí para as crises. E agora D. Dilma? E agora, Brasil?
A situação realmente é bem sombria. Tem um tom de déjà vu que assusta qualquer cara mais consciente. Quer ver uma coisa? Essa manobra pouco recomendável de compor, na marra, o superávit primário ideal de 2012, na ótica do Governo, foi lamentável e fortemente criticada, pelos analistas ingleses. Omitiram despesas de infraestrutura, anteciparam dividendos de estatais, e meteram a mão no fundo soberano! Foi uma vergonha, para um país que prometia muito mais.
Por outro lado, observa-se que ao segurar, por tantos anos, o preço da gasolina e induzirem ao congelamento o transporte publico das grandes metrópoles, como manobra eleitoreira de outubro passado, criou uma bolha de dificuldades que vai estourar a qualquer momento. Congelamento de preços? Voltamos a 1986?
É de se reconhecer que algumas medidas adotadas são bem vindas. A taxa básica de juros foi derrubada e isto foi saudado com entusiasmo por todos. Facilitou muito a vida do empresário investidor quando na busca de financiamentos. As taxas praticadas no País eram extorsivas e completamente destoantes das praticadas no mundo civilizado. Mas essa coisa tem seus limites e isto está claro no recado dado pelo BACEN esta semana. Medo danado da inflação. E olha que o dragão está despertando...
E o que se dizer sobre a interferência no Banco Central e a visível “manipulação” na taxa cambial? Será que essas atitudes estão no rumo certo? Um Banco Central independente de verdade e uma taxa de cambio flutuante parece haver dado mais certo. O Real desvalorizado pode ter dado mais fôlego aos exportadores mas, em compensação, cutucou o dragão porque ainda somos dependentes de muitas matérias primas e produtos acabados comprados no exterior. O setor Industrial já vem se ressentido. Empresário que pretenda investir numa modernização e precise de máquina ou equipamento importado vai amargar dificuldades. A Confederação Nacional da Indústria - CNI publicou, nesta semana que termina hoje, o resultado de um estudo que revela uma considerável alta do Índice do Custo Industrial (ICI), que foi de 8,1% no terceiro trimestre de 2012, comparado com o mesmo período do ano anterior.
Vi no noticiário da TV, na noite desta 6ª. Feira (25.01.13), que o Fórum Econômico Mundial, reunido em Davos, na Suíça, critica o desempenho econômico do Brasil, taxando-o de inaceitável. O mundo inteiro esperava mais, claro!
Este quadro, além de preocupante, é decepcionante. Será que o que foi construído a duras penas no passado recente vai ser destruído em dois tempos?









Um comentário:

Jussara Monteiro disse...

Girley,
Que o estado brasileiro tome pra si, que é seu dever constitucional e moral, a educação, saúde e segurança. Se mire na China e Coréia priorizando a boa educação do seu povo. Além de integrá-lo , o levará ao desenvolvimento com conhecimento e consciencia. Não tem outra saída, se leva tempo, é melhor começar já.
E é possível independencia mesmo dos bancos centrais, como apregoam os USA? Seria então possível a neutralidade? Qualquer Banco Central, reflete o governo vigente, eleito pelo povo.
A maldita inflação que vivenciamos em 86, já nos livramos. Tenho pavor só de lembrar. Até os empresários, investidores e aqueles que dela se beneficiavam, já perceberam que é melhor atuar com planejamento e com a inflação desenfreada seria impossível
Mas, entendo suas preocupações.
Jussara Monteiro
Recife-PE-Brasil