domingo, 2 de dezembro de 2012

Moderno e Antigo de mãos dadas

É admirável como o japonês preserva suas tradições e o patrimônio histórico. Para quem vive num país e, particularmente, numa cidade na qual a história e as tradições culturais são, quase sempre, relegadas a último plano, conferir uma coisa dessas é puro choque, além de aprendizado.
Nesta minha segunda viagem ao Japão fiquei muito atento, observando se, apesar da globalização, persistia o traço cultural do japonês. Acredito que sim e que, muito embora, haja uma geração rebelde e formadora da “tribo” de Harajuku (região da cidade de Tóquio onde os modernosos se encontram aos bandos), ainda será difícil esconder o que há de tradição e história no país do Sol Nascente. Naturalmente que, em se tratando de uma sociedade desenvolvida, economia pujante, tecnologicamente avançada e com nível educacional nas alturas, a modernidade pontifica em todas as frentes, sempre com vistas ao bem estar do ser humano e do universo. É justamente aí que a coisa pega e chama a atenção. As inteligência e criatividade do povo japonês têm sido decisivas e muito felizes nessa tarefa. Quem vai até lá, a busca de modernidade, encontra facilmente, mas recebe extraordinárias lições de respeito ao passado e preservação da história. Moderno e antigo de mãos dadas e em perfeita harmonia. É muito comum circulando na moderna Tóquio e em meio às construções de vanguarda, aparecer um monumento antigo, esmeradamente preservado e exposto a visitação pública.
Alguns se destacam e são pontos de atração turística. Lembro como exemplos: o Asakusajinja Shrine (Templo), encravado um belíssimo parque no bairro de Asakusa. É um local onde o visitante tem obrigação de passar. Além de conhecer um dos mais belos conjuntos de templos religiosos a oportunidade de conhecer e comprar peças artesanais japoneses e degustar as delícias, doces e salgadas, da gastronomia japonesa, num verdadeiro boulevard de lojinhas (vide foto a seguir, inclusive com uma inesperada senhora portando um guarda-chuva com a bandeira brasileira) até que se chega ao local religioso.

A região está sempre fervilhando de turistas. Mas, tem uma coisa, antes de entrar no templo, não pode esquecer-se do ritual de passar na fonte de água benta corrente, para lavar as mãos, a boca e a testa, acreditando que com isso está se livrando dos pecados cometidos por pensamentos, palavras e obras. Vide fotos a seguir. Uma vez livre dos pecados é só entrar no templo e pedir ao Deus Todo Poderoso a proteção desejada. Asakusa é visita obrigatória.


Outra grande atração histórica, em Tóquio, é a belíssima Meiji Jingu, outra Shrine (Templo) encravada no imenso parque de Yoyogi, onde se encontram, também, sem que interfira no site religioso, vários outros equipamentos modernos do Japão, inclusive o parque olímpico de Tóquio, onde ocorreram os Jogos Olímpicos de 1964. A Meiji Jingu fica isolada no imenso parque e é um ambiente mais tranqüilo do que se vê em Asakusa. Não tem o mercado de artesanatos, nem o intenso comércio ao seu redor. Ao contrário disso, é um parque silencioso e lugar próprio para um retiro espiritual, ainda que passageiro. Dia chuvoso e bosque bem úmido, transformou a visita que fiz, nesse novembro passado, numa experiência impar. Vide foto a seguir.
Por fim, um especial destaque para a cidadezinha de Kamakura, afastada cerca de 80km. de Tóquio e abrigando um imenso conjunto de templos e residências, no mais autêntico estilo japonês antigo. O grande destaque desse conjunto vai para a imensa estátua de Buda – a maior, ao ar livre do mundo – construída com uma liga de cobre, bronze e latão, que resulta num verdadeiro espetáculo aos olhos do visitante. (Admire a foto a seguir).
Imponente e impondo respeito esse Buda de Kamakura, também conhecido como o Daibutsu, está sentado em posição de lótus e as mãos formando o gesto de meditação (Dhyani Mudra). Datada de 1252, essa estátua tem 13,35 metros de altura e pesa 93 toneladas. Fica no templo budista de Kotoku-in, nas colinas da cidade. Originalmente ele era abrigado por um templo construído em madeira, que foi destruído por um grande tsunami no século XV. A estátua é oca e permitem a visita no seu interior. Fiz isto pela segunda vez, quinze dias atrás. Fico satisfeito. Penso que ver o Buda de Kamakura é o mesmo que visitar o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro.

NOTAS: O Blogueiro foi ao Japão numa Missão Empresarial, promovida por um Convenio entre BID/CNI/Fiepe e Simmepe.

As fotos são da autoria do Blogueiro.

6 comentários:

J.Artur disse...

Sr. Enciclopédia, do grego antigo ἐγκυκλοπαιδεία, ἐγκυκλο "circular" + παιδεία "educação")- como ensina a Wikipédia, no Google (só assim sei dessas coisas), pois viajas e curtes a cultura do mundo...Enquanto a maleta dos remédios não ficar muito pesada, também vou circulando pelo mundo afora; Parbéns. Zé Artur

Leony Muniz disse...

Girley Você me fez recordar as duas vezes que andei por lá. Impossível esquecer as curiosidades e as belezas, por exemplo das Avenidas, os edifícios,o comércio, onde as pessoas nos atendem com muita distinção, o famoso cão da estação de Shimbuia, o metro, o shinkansen,e as comidas deliciosas. Que bom, amigo. Agora viajo nas suas crônicas, pois não tenho mais paciência de enfrentar aeroporto, vôos desconfortáveis, malas, hoteís, etc. Agora só quero sombra e água fresca para dar continuidade às minhas elucubrações literárias. Beijão, Leony Muniz

Danyelle Monteiro disse...

Professor Girley,
Impossível não viajar junto com o Sr. nas suas estórias e fotos e que coisa mais linda esse Buda, um incentivo à reflexão e desapego.
Danyelle MOnteiro

Elda Galvão disse...

Gosto muito da sua explanação sobre diversos assuntos inclusive de suas viagens. o seu blog é DEZ. bjs mil amigo.
Elda Galvão

Jorge Morandi disse...

Querido amigo:

Muy linda e interesante tu crónica y fotografías sobre este nuevo viaje al Japón. ¡Parabens!.
Ayer me enteré de la noticia del fallecimiento de Oscar Niemeyer. Vinieron a mi memoria los emotivos momentos que viví durante mi última visita a Recife, cuando visité la muestra que sobre su vida y su obra fue expuesta en el parque Dona Lindu, en Boa Viagem.
Te propongo que tu próxima postagem en el blog sea sobre la vida de ese gran brasileiro, arquitecto universal del siglo XX.
Abrazo

Elizabeth Marinho disse...

Girley,
Muito obrigado por me propocionar uma bela viagem ao Japão, sem carregar bagagem e enfrentar muitas horas de vôo. Adorei esta postagem.
Elizabeth Marinho