sábado, 24 de novembro de 2012

Caminhos do Oriente

O caminho é longo e, certos momentos, parece não ter fim. Durante o vôo, céus e oceano se confundem na minha visão, pela janela do avião. Quando não isto, são as nuvens densas e fechadas. As horas passam lentamente, embora que a aeronave seja veloz. Após, mais de meio dia nos ares, terra à vista. Que alivio! Estamos chegando! Lá em baixo o Japão. Logo, logo, aeronave em solo, pé no chão e, outra vez, na Terra do Sol Nascente. O dia da semana? Não é o que diz meu relógio. Mas, o seguinte. E para onde foi o domingo que deixei em Dallas (USA)? Sumiu...
Tóquio, no fim da tarde da segunda-feira, fervilha de gente e muitos veículos. Mas, nada de engarrafamentos. Não, isso não. Admirável a infra-estrutura urbana. O clima de Outono que reina, deixa suas marcas e se prepara para desnudar as árvores dos incontáveis parques e vias da metrópole oriental. Antes, porém, como querendo iludir os humanos, pinta de amarelo, dourado e púrpura cada folha, (Vide foto a seguir) privando o Inverno, que já vem vindo com seus ventos frios, da bela visão que pintou. Pobre Inverno que vai chegar atrasado sem tempo de ver a arte pictórica do irmão Outono.
Interessante registrar que nesta meia estação, quando dá quatro horas da tarde, no Japão, o Sol parece se espreguiçar e deixa que o manto da noite caia mais cedo. São noites imensas e que se arrastam lentamente. No relógio do meu pulso sempre é muito cedo para se dormir.
Poesias repentinas à parte e deslumbramento repaginado (esta foi minha segunda viagem ao Japão), eis que me vi, novamente, nas ruas de Tóquio. Com ocidentais olhos bem abertos fui conferindo nomes, meus velhos conhecidos, como Ginza, Shinjuku, Shibuya, Yoyogi, Asakuza, Ueno, Ishygaia, Harajuku e muitos outros, de bairros da capital japonesa, todos estampados nas placas sinalizadoras de trânsito. A sensação de revisitar é gratificante. Tóquio se apresenta mais moderna do que nunca e brilha aos meus olhos, através da feérica iluminação dos prédios. Os letreiros coloridos e os imensos telões de LCD fazendo seus comerciais encantando o estrangeiro chegado de Pindorama. (Vide fotos a seguir)


Embora amargando uma recessão que já dura mais de dez anos, o japonês parece não se incomodar. Elegantes, super-educados, limpíssimos, solenes para tudo, impressionam a qualquer ocidental. Mesmo para aqueles que já os conhece, como é o meu caso. Convivi com essa gente civilizadíssima, por um período aproximado de três meses, na década de oitenta. Fiz um inesquecível programa de pós-graduação, quando ainda funcionário da SUDENE, que me levou a conhecer o país por inteiro.
Nesta volta, a primeira saída, com companheiros da missão empresarial que me levou ao Oriente, foi ao bairro de Shinjuku, onde vivi na primeira vez. Trata-se de um dos mais dinâmicos e grande centro bancário e comercial da cidade. Local também de imensa estação ferroviária do país. Ali embarca-se em metrôs, trens urbanos e interurbanos, além do Shikansen, o trem bala, para vários destinos, incluindo o aeroporto internacional de Narita, distante aproximadamente 80 km.
Em Shinjuku há de tudo, o lugar tem vida própria, desde grandes magazines aos típicos pequenos comércios japoneses, nos quais de tudo se encontra. Pedi ao taxista que nos deixasse às portas de Kabukisho, um aglomerado de restaurantes, mercado de peixes, casas de jogos da grife japonesa Pachinko, casas de massagem, bares, karaokês, tudo misturado, cada um em espaços mínimos no miolo do bairro. Minha proposta foi de levar meu grupo de amigos para um mergulho imediato no Japão tradicional.



Valeu à pena. Dirverti-me a valer com as caras e bocas de cada um. Diante dos espécimes oferecidos nas lojas de pescados o espanto de alguns era hilário. Nas vitrines dos restaurantes o mesmo ocorria. O menu de um restaurante japonês é, geralmente, exibido em vistosas imitações plásticas e com o preço bem visível.
A propósito, o cheiro de comida no ar levou-nos a procurar uma casa de pasto. Já era hora de abastecer o estomago. Missão difícil foi satisfazer o paladar dos meus amigos. Por mim, entraria numa típica japonesa e devorava uma suculenta soba, um sukiaki ou um tempura, da vida japonesa. Mas, fui solidário e, com eles, adentrei num pretenso restaurante italiano. O resultado não foi dos melhores. Satisfez em parte. A quantidade servida dava pena de ver... comida para pinto. O espaguete à bolonhesa, escolhido por alguns, era um desacato a qualquer italiano. A carne moída, normal nessa opção, além de perdida num molho de tomate picante, só seria bem vista com uma lupa. Nem preciso dizer do quanto isto foi engraçado. A salvação foi a cerveja que tomamos. Claro que existem bons restaurantes em Tóquio e onde se servem porções adequadas. Mas, naquela noite não tivemos outra alternativa. Detalhe: tudo muito caro. Uma vez no Japão, prepare o bolso...
Vou falar mais sobre o Japão na próxima semana e, depois, sobre a Coréia do Sul, por onde também andei.
NOTA: O Blogueiro esteve no Japão e Coréia do Sul participando de uma Missão Empresarial de pernambucanos, promovida através de um convenio entre o BID, CNI, Fiepe e Simmepe.
NOTA 2: As fotos são da autoria do Blogueiro

5 comentários:

Jan Rinaldo disse...

Belo post, Girley! Grande abraço!

Raphaela Rebelo Lucena disse...

Como sempre lindo e poético texto. Dá até vontade de experimentar estas longas horas de vôo para ver de perto tudo o que li aqui. Bjos e saudades sempre.

José Artur Paes disse...

você quase me convenceu que vale a pena ir até aquelas bandas... Mas, penso que primeiro vou cansar de Paris, Praga, Buda e Peste, Buenos Aires, Santiago, Belo Jardim, Caruaru.... (rsrsrsr...)
José Artur Paes

Danyelle Monteiro disse...

Boa tarde professor Girley,
Imagino o quanto deve ter sido divertida essa viagem, fiquei até imaginando a cara de perplexidade de alguns dos que lhe acompanharam. Que bom voltar a um lugar onde já se morou, rever amigos, paisagens, sabores; são essas coisas simples da vida que valem a pena e que são impagáveis.
Grande abraço,
Danyelle Monteiro

cristina disse...

Viajar é sem dúvida ,uma experiência sempre enriquecedora.O contraste das culturas, as comidas ,as pessoas,tudo é tão diferente e ao mesmo tempo tem tanta coisa igual ,que ficamos a pensar, comparar, admirar e sobretudo aprender,um pouquinho mais.E é isso que devemos levar da vida.as coisas boas que ela nos proporciona. pois tudo pode nos ser arrancado.mas as lembranças e o conhecimento,estes,ninguém nos rouba.Que bom, Girley ,que vc pode rever e se surpreender mais uma vez com a sabedoria e tecnologia oriental,desejo que faça novas viagens e coloque no seu blog para podermos compartilhar essas experiências, um abraço, Cristina