domingo, 4 de junho de 2023

BATENDO NA TRAVE

Difícil ficar indiferente aos acontecimentos políticos nacionais da semana que findou. Calar seria concordar com tanta insanidade reinante. Do meu humilde posto de observação assisti ao Presidente da Republica tentando faturar bons resultados no cenário politico local e internacional, mas suas jogadas foram todas inúteis com todos os lances “batendo na trave”. Os discursos de aparentes jogadas ganhas foram apenas formas de remediar uma situação constrangedora maior. Para começo de conversa, destaco, do inicio da semana, a estúpida e, sobretudo, politicamente equivocada, recepção ao presidente-ditador, Nicolás Maduro, da Venezuela, em Brasília. Lula resolveu dar, ao sujeito reconhecidamente odiado e rejeitado internacionalmente, todo tipo de rapapés e honras militares entremeadas de pronunciamentos eivados de loas e elogios inexplicáveis. Teve a pachorra de considerar os fatos reinantes no país vizinho como puras narrativas. Francamente. Pior, ainda, foi inserir o ditador numa reunião de cúpula Latino-Americana, onde logo cedo alguns participantes se revelaram incomodados com a tal indesejada presença, verbalizando, ao vivo e a cores, o desprezo que conferiam ao venezuelano e, mais do que isso, contestando de modo enfático o comportamento inadequado do promotor do encontro, Sua Excelência o Senhor Presidente do Brasil. O levante opositor foi capitaneado pelos presidentes do Uruguai, Luis Alberto Lacalle Pou e, surpreendentemente, o esquerdista chileno, Gabriel Boric. Considerando como sendo um momento histórico, a recepção efusiva ao Maduro, resultou num tremendo vexame internacional. Comenta-se que até mesmo a recepção final, um Jantar Solene, no Palácio do Itamaraty, foi cancelada por falta de quórum. Os presidentes “bateram em retirada” ao final do “convescote” politico, sem grandes explicações e alimentando um sabor de lesados por Lula. Bom, oferecer Brasília como cenário de Coalizão Regional Latino-Americana, sublinhe-se, deve ser louvável e oportuno. Mas transformar a ocasião num festival de incensos e salamaleques a um Ditador contumaz e perverso, passa dos limites. Lula transitou na contramão ao referencial de baluarte da Democracia, com o qual se elegeu em 2022. Enganou a Nação! Além de expor o Brasil no cenário politico internacional sujou o script do seu Governo com uma indescritível jogada idiota. Foi contra todos os princípios e promessas de campanha.
Como se não fosse pouco, outro vexame passou a “balançar” o Palácio do Planalto quando viu esgotar o prazo de vigência da Medida Provisória (MP) 1.154/23, destinada a reorganizar a estrutura ministerial do executivo federal, criando novos ministérios, conforme as necessidades politicas de Lula, que, se note, não eram poucas. Lembro que a Medida já havia sofrido recortes indesejados em dias anteriores (tema do último post deste Blog) e correu o risco de caducar acarretando a manutenção da estrutura do Governo Bolsonaro. Imagino o sufoco. Mal assessorado politicamente teve de assumir o papel de articulador junto ao Congresso e sentir que a coisa não é simples como ele pensa. Resultado é que, como não podia deixar de rolar, teve de ceder à bagatela de R$ 1,7 Bilhões – é dando que se recebe – em emendas parlamentares para que a Medida fosse aprovada na Câmara. E depois no Senado, no apagar das luzes da data fatal (30/06). Foi outra “bola na trave”, coisa já está ficando rotineiro. Quem manda ter nulidades politicas ao seu redor? Mas, Lula, não satisfeito com seguidas “bolas na trave”, coroou a semana com mais um deboche ao indicar o advogado particular, Cristiano Zanini para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal – STF. Cá pra nós, será que esse tipo de comportamento ocorre num país sério, mundo afora? E quando falo país sério é sério mesmo. Ao meu ver é comportamento de regime ditatorial puro. A questão que não cala é: como esperar imparcialidade desse novo Ministro do STF. Nunca deixará de ser visto como um “pau-mandado”. E tome “bola na trave”. Jogador desse tipo leva qualquer time à derrota. NOTA: Foto obtida no Google Imagnes.

sexta-feira, 26 de maio de 2023

Queda de Braços

Ainda que me esforce não consigo calar diante de certas futricas politicas brasileiras. Este país, de fato, não é para principiantes. Na verdade é um permanente laboratório para os mais ligados e/ou mais dispostos do que eu me sinto, na atualidade. Por mais que me dedique a identificar a lógica de certos “processos” sempre caio na rede dos mais perdidos. Decepção geral? Idade? Cansaço? Sei lá... Talvez tudo junto e misturado. Mas, vamos ao assunto que me perturba hoje: acompanho com muita perplexidade o contrassenso do nosso Presidente da Republica - nada que me surpreenda, aliás – ao estabelecer uma imensa dúvida quanto as suas reais intenções para o trato da Politica de Preservação do Meio Ambiente e, sobretudo, no tocante a Amazônia. Sua dubiedade de discursos, durante a passagem, como convidado, em Hiroshima (Japão), quando da Cimeira do G7, deixou claro quanto seu despreparo politico para discutir temas mais emergentes, como neste caso. Por um lado, garantiu instrumentos de politica rigorosos e vigilância máxima na proteção da Amazônia, encantando os líderes mundiais. Prometeu acabar com o desmatamento em tempo mínimo. Por outro lado, noutra sala, foi claramente precipitado e inábil politicamente ao concordar com as pesquisas com vistas à exploração de petróleo ao largo da foz do Amazonas, pondo em risco o fantástico e valioso ecossistema, coberto de holofotes do mundo inteiro. Tudo para satisfazer a Petrobrás e meia dúzia de legisladores equivocados e interessados na grana que esse projeto pode render. Ora, meu Deus, provocou uma Queda de Braços que começou a ser travada na mesa da Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, indiscutível guardiã e guerreira defensora da Amazônia, desde que nasceu. Com ela, seu comandado Presidente do IBAMA, Rodrigo Agostinho, responsável por firmar o “bilhete azul”, baseado num parecer técnico, de dez especialistas da sua equipe, recomendando o indeferimento do pedido de licença ambiental feito pela petrolífera. (Vide Foto de Marina Silva e Rodrigo Agostinho, a seguir)
A turma defensora do projeto, liderada pelo Ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira, para sensibilizar a sociedade e livrar a cara do Lula, considera se tratar de um novo pré-sal e coisa imperdível. Não precisa dizer que Marina Silva já “rasgou as sedas” com Silveira. A Ministra bateu forte na mesa e garante que a decisão do IBAMA será cumprida. Segura esta Agostinho! A situação promete esquentar ainda mais, na Esplanada dos Ministérios, com os recortes que estão tramando na discussão da Medida Provisória (MP) que reconfigura a estrutura do Poder Executivo pretendido pelo Presidente Lula, desde que assumiu o Governo. Ao todo são 31 Ministérios e mais seis organismos com status de Ministério. Haja postos chaves para tantos asseclas de plantão. O Brasil não merece isto. Resultado é que a Comissão Mista de Deputados e Senadores com os beneplácitos dos respectivos presidentes das duas Casas aprovaram as mudanças da estrutura conforme relatório do Deputado Isnaldo Bulhões (MDB-AL). Detalhe vergonhoso é que justo o Ministério do Meio Ambiente foi capciosamente o mais prejudicado. Perdeu o comando do Cadastro Ambiental Rural (CAR) para o Ministério da Gestão e a Administração dos Resíduos Sólidos que vai para o Ministério das Cidades, reduto do MDB. Perdeu, também, a Agência Nacional de Águas (ANA) que passa para o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional. Por onde anda a logica disso tudo? Essa Queda de Braços promete grandes emoções. Bom, por enquanto Marina Silva leva vantagem, apenas, na briga contra a exploração de petróleo na foz do Amazonas. A Petrobrás pediu reconsideração da negativa. Aguardemos o resultado desse imbróglio, mais adiante. Numa hora de estresse Marina Silva foi taxativa ao afirmar que “o mundo vai olhar para o arcabouço fiscal (aprovado naquela ocasião) e ver que a estrutura do Governo não é a que ganhou as eleições. É a estrutura do Governo que perdeu. Isso vai fechar as nossas portas. É um erro estratégico”. De fato, com tantos equívocos e essas destrambelhadas declarações do Presidente da Republica é de perguntar o que acham os governos estrangeiros que prometeram mundos e fundos para o Fundo Amazônia. Francamente, haja trapalhadas. Seriam estas as portas que Marina Silva quis dizer? E tome Queda de Braços. NOTA: Foto obtida no Google Imagens.

quinta-feira, 18 de maio de 2023

O Poder da Música

Nunca vi ou ouvi falar de alguém que não goste de música. Relaxante ou trepidante há sempre quem admire um bom som, um ritmo bem sustentado ou uma bela melodia. Os efeitos sobre o cérebro humano são indiscutíveis. É notório que uma musica lenta e calma tem poderes relaxantes, enquanto um ritmo e batida fortes são capazes de acelerar os batimentos cardíacos de um individuo. Nos dias de hoje até o modernoso funk, que me perdoem alguns, tem seu espaço garantido. O mais admirável, contudo, é que, independente do gênero, ouvir uma música faz bem a outros seres vivos, cravando o fato de que “assim como os humanos, também são as criaturas”. O poder da musica é, seguramente, ilimitado. Recordo que, certa feita, integrando uma missão empresarial à Itália, visitei um abatedouro industrial de grande porte, na cidade de Téramo, Região do Abruzzo (Costa Adriática), dedicada ao fornecimento de carne de frangos a uma multinacional de fast-food. Percorrendo as dependências da empresa, o que mais me chamou atenção foi o local onde as aves vivas são recebidas dos inúmeros avicultores e postas em tempo de espera para o abate. Vi-me diante de um grande galpão, com gaiolas de chão a teto, temperatura e luminosidade controladas e música ambiente (na ocasião, salvo engano, ouvia-se uma sinfonia de Beethoven). Sim, musica de qualidade e tranquilizante. Eram milhares de aves que, segundo nosso anfitrião, relaxavam após um trajeto muitas vezes agitado. Relaxando por dois ou três dias antes da degola. O processo de abate começa com a degola de cada ave seguida da deplumagem e esquartejamento, conforme encomenda. Sai sensibilizado e mais consciente sobre o poder da música.
Outro episodio que me deixou igualmente tocado foi observar uma cadela, que atendia pelo nome de Bolinha, visível amante da boa música, que todas as noites do Festival Virtuosi de Música Erudita, em Gravatá (PE), se postava, sem qualquer cerimonia, no palco e aos pés do regente, apreciando as execuções musicais que se desenrolavam na cena. Algo enternecedor e inesquecível. Mas, a coisa não ocorre somente no reino animal. Li, recentemente, numa revista especializada em vitivinicultura que muitas são as vinícolas que “utilizam música para melhorar o crescimento e o amadurecimento das uvas, agir em favor da fermentação e até aprimorar o sabor do vinho.” (Natalia Hein, Revista Wine, Nº 152, Agosto de 2022). A reportagem faz referencias a estudos que garantem os efeitos sobre as produções em vários países, inclusive no Brasil. Na Serra Gaúcha, onde se encontra o maior polo vinícola do país, algumas produtoras já adotam o uso da música nos seus processos produtivos com tangíveis resultados. Segundo a reportagem da Wine, a Luiz Argenta (luizaragenta.com.br), “é adepta da filosofia de que a vibração e a frequência das canções são capazes de alterar as moléculas do vinho, o que ajuda a aprimorar a qualidade dele e suavizar ou marcar os sabores conforme a fermentação”. Ali é bem comum se ouvir Mozart ou Vivaldi, assim como composições de Tom Jobim e Chico Buarque. No Vale do Colchágua, do Chile, a Viñas Montes – tida como a quinta melhor vinícola do mundo pela World´s Best Wineyards Awards 2021 – já aplica a musica na sua produção desde 2004.
E na Itália, em Montalcino, na Toscana, berço de consagradas denominações de vinhos, entre os quais o famoso Brunello, a música é usada em várias vinícolas. Quem visita a região pode observar as inúmeras caixas de som voltadas para os parreirais sempre emitindo um som favorável. (Vide foto a seguir) Mozart rege o crescimento das imensas vinhas naquelas bandas. O resultado pode ser encontrado nas garrafas distribuídas mundo afora. A reportagem da Wine faz referencia a vinícola Il Paradiso de Frassina (alparadisodifrassina.it) que o leitor pode conferir.
Amante da música desde muito jovem, não vivo sem ela. Acordo e durmo ao som de uma boa composição, preferencialmente uma pagina erudita. NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.

quarta-feira, 10 de maio de 2023

Interior Pujante

Desde meus primeiros anos de vida fui habituado a viver temporadas no interior. Aqui mesmo em Pernambuco. Levado pelos meus pais, de famílias radicadas pras bandas de Caruaru, Brejo da Madre de Deus, Fazenda Nova e Garanhuns. Eventualmente visitávamos parentes noutras cidades mais próximas. Pelo tempo que já vivi, recordo haver acompanhado as transformações urbanas que ocorreram nessas localidades. Algumas, como Caruaru e Garanhuns, por exemplo, se tornaram polos urbanos de intenso dinamismo e resultam em verdadeiras metrópoles interioranas. Foi sobre isto que andei lembrando aos meus filhos que, igualmente, tiveram a mesma felicidade que a mim proporcionaram meus pais. Mais do que isso, procuraram criar condições de moradias temporárias no nosso interland, na intenção de viver momentos de lazer e qualidade de vida diferenciada. Recordo que no último post dediquei-me a analisar o desenvolvimento e o poder de atração da zona litorânea sul do estado. Já na semana passada, tendendo inclusive o feriadão do Dia do Trabalhador, nosso circuito foi pelo interior, centrado nas cidades de Gravatá e Bezerros. É surpreendente observar que nessas cidades não existe a pobreza urbana que se observa no Recife. Raramente ou quase nunca é de se encontrar pedintes ávidos por uma ajuda e maltrapilhos por onde andamos. Parece que não há desemprego. Aliás, afirma-se que em Santa Cruz do Capibaribe e Toritama – cidades centrais do polo de confecções – o cidadão(ã) fica desempregado no máximo por quatro horas. Há sempre um posto disponível em oferta. Um ponto fora da curva, num país de tantos desempregados. Por razões profissionais sempre estive envolvido com essas analises socioeconômicas regionais. Nessa condição, venho, sempre que oportuno, afirmando que o chamado “matuto”, do passado, não existe mais. O progresso infra-estrutural, a comunicação moderna, incluindo o rádio e a televisão, a melhoria das condições de saúde e educação, entre outros fatores, mudaram o perfil do nosso interiorano. Mais “pracianas”, como se dizia antigamente, nossa gente interiorana transita com desenvoltura, bem informada e com especial forma no trato com os visitantes. É notável a maneira e o porte do balconista, dos garçons nos restaurantes e dos que recepcionam em equipamentos turísticos. E, a proposito de turismo, ressalto, a seguir, alguns pontos por onde estive nessas caminhadas e que recomendo para quem pretende subir a serra e aproveitar os ares temperados do planalto agrestino de Pernambuco. Começo por Gravatá. A cidade oferece um dos melhores espaços para se viver momentos de lazer e bem-estar. Além de situada próxima ao Recife (80Km) oferece diferenciado leque de atrações que inclui bela paisagem serrana, bons equipamentos de hospedagens, hotéis fazendas, parque de esportes radicais e arvorismos, comércio atrativo de artesanatos de boa qualidade, restaurantes de primeira linha e com algumas especialidades marcantes (come-se fondue como se na Suíça), movimento artístico musical com temporadas de musica erudita e jazz. A cidade conta com, aproximadamente, duzentos condomínios, de categorias diferenciadas, onde os condôminos relaxam, escapando das turbulências diárias nas grandes cidades. (Fotos a seguir)
Distante pouco mais de 20km de Gravatá (Via BR-232), vem Bezerros, cidade famosa pelo seu carnaval dos papangus (espécie de máscara moldada em papier-marchê) e a aprazível e mais fria localidade da Serra Negra.Vide foto a seguir.
Duas atrações culturais se destacam na cidade: o Centro de Artesanato de Pernambuco, que reúne formidáveis peças da arte popular, numa inteligente exposição, dividida por sub-regiões do estado. São exemplares seletos e representativos do quanto o artesão produz com alma e criatividade. Vide foto a seguir de uma peça de arte figurativa do Alto do Moura de Caruaru, ali exibida.
A outra atração imperdível é a Casa Memorial do mestre em xilogravura J. Borges. Vá com tempo de apreciar uma das mais belas produções do gênero. J.Borges é antigo e tradicional no meio artístico-cultural. Começou produzindo capas para os populares folhetos de cordel, com o tempo aperfeiçoou e hoje tem uma verdadeira Academia de Gravuras com os filhos. Já idoso e curtindo a fama e o que da sua arte resultou o gravador circula no seu espaçoso Memorial numa cadeira de rodas motorizada, distribuindo simpatia e afagos aos visitantes. Vide foto a seguir.
Por fim, ainda em Bezerros, dei um passeio pelos altos da Serra Negra, onde se desfruta de um clima bem mais frio, uma paisagem pitoresca, com belos condomínios e restaurantes agradáveis e de primeira linha. Para quem já viveu o tanto que já vivi, a conclusão é que temos em Pernambuco um Interior Pujante e recheado de atrações para o visitante. NOTA: Fotos do arquivo pessoal e da autoria do Blogueiro, exceto a dos papangus, obtidas no site oficial da ciddae de Bezerros. .

quarta-feira, 26 de abril de 2023

Bons Ventos

Indiscutivelmente já se respiram bons ventos depois da onda de pavor produzida pela Covid-19. Para muitos já se trata de coisa do passado. Durante a semana passada senti mais firmeza ao circular pela região de turismo praiano no litoral sul de Pernambuco, quando tive a sensação de alivio do que seja viver em tempos saudáveis e em clima de alegria.
Apesar de ser pernambucano e viver no Recife, sou um daqueles que não se apressa em curtir as belezas naturais locais. Coisa de quem considera o fato de que, estando tão próxima, a atração esta ao alcance a qualquer hora. O ser humano tem dessas especificidades... Idiossincrasia? Particularidade? Sei lá. No meu caso talvez seja o fato de gostar mais do clima da roça e da serra. Mas, isso é outra coisa e assunto para depois. A verdade é que, acompanhado de familiares mais afeitos às ondas do mar, lá fui eu curtir o verão que ainda se faz presente nessas bandas. Centrado em Porto de Galinhas, o movimento na região é intenso. Resorts, hotéis e pousadas se multiplicam e não chega para quem quer.
Restaurantes e várias sortes de comércios, nem se fala. A própria Porto, Muro Alto, Cupe, Maracaipe, Serrambi, Carneiros entre outras localidades que se estendem pelo vizinho estado de Alagoas, pululam de visitantes dispostos e entregues à exploração das belezas naturais, delicias gastronômicas (Vide foto a sguir), do som musical da terra, da vegetação, do coqueiral, da cor e da fauna do mar e do manguezal, entre outras intermináveis atrações.
Construí este cenário para fazer minhas observações com o viés de economista e pretenso cientista social. Então, lá vai... É fácil e notório perceber a vibração da dinâmica comercial reinante entre os nativos e os agregados migrantes. Conversando com alguns desses pude avaliar o alivio que sentem com o retorno dos visitantes que desembarcam, aos magotes, dos ônibus e coletivos menores à cata do que ver, comprar e comer. Impressiona a multidão que circula numa noite de segunda-feira. Pensando bem, parece ser sempre domingo praquelas bandas. Observando mais de perto pareceu-me claro que existem duas categorias de turistas que visitam a região: a dos mais abastados - muitos estrangeiros - e hospedados nos grandes e monumentais resorts instalados ao longo da costa e os que, em grandes grupos, ocupam pousadas mais econômicas que se multiplicam a cada dia. Para fazer um tour pelas principais praias e pontos de atração contratei um guia num bugre – meio de locomoção muito popular – para ir direto aos pontos atrativos e curtir uma aventura por praias, trilhas, coqueirais, areais e mangues. Apareceu-me, num veiculo meio rodado e vermelho, um gaúcho de Cruz Alta que hoje faz a vida nesse paraíso nordestino. Feliz e contente da vida garantiu-me que virou pernambucano e nem ousa pensar de voltar para o sul. “Quando muito a passeio”, frisou. Segundo ele, existem, hoje, 411 bugres circulando naquelas praias ao preço médio de R$250,00 para um programa de quatro horas de duração. Cada veículo comporta no máximo quatro passageiros. Uma associação controla e regula o movimento.
Para muitos, também, são ofertados passeios de jangada ou lancha. Neste caso o preço é discutido na hora e a depender do percurso. O passeio nas piscinas naturais é imperdível. Na maré baixa os peixinhos e a vegetação marinha são as grandes atrações. Por outro lado, se o freguês desejar pode contratar um helicóptero para um voo de 10 minutos e apreciar do alto o movimento. O preço é discutido na hora. Sem dúvidas, aquilo lá é um “laboratório” de economia criativa. A turma “se vira nos trinta” e faz meios de vida das formas mais inusitada. Bordados, crochês, pinturas, bijuterias, artigos de couro e plásticos, vendedores de artigos xing-ling coloridos e eletrônicos, bebidas, bolos e doces artesanais entre um infinito número de artigos. É notável a criatividade da gente que vive na redondeza. E por falar em criatividade, confesso que algo tolo, mas bem bolado apareceu do nada no nosso tour. De repente o gaúcho “emburacou” com o bugre num areal, parando a seguir, num coqueiral, onde apresentou a mais recente invenção local: o “drone-humano”. A NASA precisa, urgente, vir conhecer. (Fotos a seguir)
Intrigado, fui conferir a novidade. Um rapazola sobe no coqueiro e se aloja numa cadeirinha tosca, por ele arranjada. Outro fica embaixo contratando o serviço de fotografar, lá de cima, a pose do “penitente” demandante de uma foto do alto. Daí, a explicação de “drone-humano”. Uma sacola, com uma cordinha corre numa roldana levando o celular do freguês até o “fotógrafo”, de prontidão lá em cima, e tome fotos. Preço do serviço R$ 10,00 por meia dúzia de fotos. Nada mais criativo do que isso! Não faltam clientes. E forma filas. Fico entusiasmado com tanta criatividade da nossa gente. Acho que morre de fome quem for preguiçoso ou débil mental. Com tantos bons ventos a coisa parece progredir. Inclusive, adeus Covid19. NOTA: Fotos de Arquivo Pessoal do Blogueiro

domingo, 9 de abril de 2023

Havia mais Respeito

Na quarta feira à tarde o mundo parecia parar. Os dias denominados de santos, à época, eram respeitados e seguidos à risca das liturgias religiosas. Católicos, protestantes, umbandistas e coirmãos cristãos se recolhiam às orações e meditações recomendadas pelos seus respectivos preceitos. Escolas e colégios eram fechados durante a semana da paixão. As estações de rádio só transmitiam músicas sacras. As mães de família dedicavam horas a fio, em pregações aos seus filhos e filhas. O jejum e a abstinência de carnes vermelhas eram rigorosamente obedecidos. O comércio fechava as portas e, até, os cinemas só abriam se exibissem fitas da Paixão de Cristo, muitas das quais antigas e tecnicamente artesanais. Algumas ainda da época do cinema mudo que, sem outra opção, eram as exibidas. Ninguém matava e ninguém morria, salvo por morte natural. Lava-Pés e procissões da Via Sacra e do Senhor Morto se multiplicavam... Bom, sem dúvidas, havia mais respeito. Essa comilança de chocolates, em formato de ovos, só apareceu muito depois.
Recolhendo meu retrovisor da vida, observo com grandes surpresas o comportamento social da atualidade, cada vez mais distante dos velhos e bons costumes. Não se trata de saudosismo, mas, certamentealguma incapacidade de assimilar o que para muitos representa avanço ou progresso sociopolítico. Confesso que, ainda, me surpreendo com o fato de que já não se sabe mais o que significa “dia santo”. Para todos os efeitos, e oficialmente, é feriado. Estado laico e sociedade laica. Sou católico de berço e isso é difícil. A ideia de uma Santa Semana passa longe e despercebida. Atualmente, apenas a sexta-feira é, digamos que, “respeitada” e o fim de semana termina sendo intitulado de feriadão. O comercio abre, os cinemas exibem o que os produtores impõem e a festa urbana rola nas 24 horas. Este ano, inclusive, houve jogo de futebol valendo como semifinal do campeonato de futebol, aqui em Pernambuco. Quem diria? Em muitas praças da capital e do interior do estado shows são oferecidos ao público com cantores irreverentes e alheios ao significado religioso da data. Faço ideia da alienação do que seja uma apresentação pública de uma banda denominada de Calcinha Preta, na noite da sexta-feira Santa, para um público eufórico e se achando privilegiado. É preciso viver o tanto que já vivi para fazer esse tipo de observação. A História nos garante que a falta de valores morais e de formação socioeducativa (comum no Brasil de hoje) mais disciplinada resulta em esgarçamentos contínuos do tecido social, gerador, por sua vez, de episódios irreparáveis e comprometedores para o futuro de um povo. Os exemplos estão a olhos nus, no dia-a-dia daqui, dali e d’acolá. Um desses ocorreu, justamente, nesta ex-semana santa que, para mim e muito outros, chocou e marcou com sangue de inocentes a antiga quarta-feira guardada com respeito. Refiro-me ao revoltante caso do desalmado sujeito (não consigo considerá-lo como cidadão) que num surto de ira e loucura, invade uma creche, pulando o muro, na cidade de Blumenau, no estado de Santa Catarina, e a golpes de machadinhas nos crâneos, assassina quatro inocentes criancinhas – três meninos e uma menina – entre 4 e 7 anos. As vitimas curtiam o recreio no parquinho da creche. Segundo noticiário, todos quatro eram filhos únicos de jovens pais. Outros inocentes foram feridos e levados a um Hospital de Emergência. Naturalmente que não há classificação para um monstro desses. Pai de família e com netinhos em idade de pré-escola, que amam parquinhos, como é o meu caso, resto-me revoltado e com imensa dificuldade de aceitar viver numa sociedade que produz tamanha aberração. Chorei por essas crianças e por esses pais que viram, em minutos, seus sonhos destruídos, seus amores fenecidos e condenados a guardar, para os restos das vidas, uma carga traumática insolúvel. Impossível, também, esquecer o assassinato de uma professora de 70 anos, ao tentar apartar uma briga entre dois colegas, numa escola publica, no Rio de Janeiro. Ela já era aposentada do Estado e resolveu ser voluntária nessa escola de bairro. Tentando estabelecer a paz entre dois jovens estudantes que se engalfinhavam recebeu uma punhalada que a levou ao óbito. Triste ironia. Trocou a merecida aposentadoria para se entregar à morte. Essas ironias podem ser repetidas à luz de modelos alienígenas num país em que dantes Havia mais Respeito. NOTA: Foto obtida no Googles Imagens.

terça-feira, 28 de março de 2023

Impossível Calar

Confesso viver, ultimamente, me esquivando de tomar a “lenga-lenga” politica como pauta para o Blog. Não sei explicar ao certo a razão. Perplexidade ou asco de tudo? Talvez porque na minha idade a paciência não suporta tanta elasticidade como antes. Até gostaria. Quem dera ser um analista político batuta contando com um laboratório tão farto, como vem sendo este país, nos tempos recentes. Resultado é que termino concordando com os que garantem que “o Brasil não é para principiantes”. E eu me acho cada vez mais. Episódios inéditos se sucedem e não dá para sustentar um “tô nem aí”. Estes últimos dias, por exemplo, vi e ouvi coisas indignas para uma nação que tenta se consolidar como respeitável e civilizada. Uma quadrilha de traficantes e bandidos foi desbaratada pela Policia Federal quando se preparava para sequestrar e assassinar um Senador da Republica e respectiva família, numa operação elogiável e celebrada. Ocorre que, Sua Excelência o Presidente da República pôs dúvida na ação. Deu um tiro no pé, claro. Pior, coincidiu com seu discurso de ódio confirmado às vésperas de que só estaria satisfeito “quando fodesse" com o referido Senador. Além de indecoroso, Sua Excelência manchou a liturgia imposta pelo cargo e, de quebra, desmoralizou a competente Policia Federal e o Ministério da Justiça. Francamente. Recordo que, se o antecessor usasse desse linguajar chulo a “cambada” caia em cima sem dó. Mais curioso mesmo foi o relativo silencio e o amenizado da mídia que se diz imparcial. Impossível calar. Nesse interim, Sua Excelência cai doente, cancela viagem milionária à China e provoca o maior rebuliço nos “cheira-bufas” que iriam participar da excursão. Gozados, mesmo, são os chamados memes que circulam nas redes sociais. Alguns, inclusive, desumanos. Mas, quem manda ser Sua Excelência. Nessa confusão, um Plano de Governo para tirar o país do caos político-econômico, que seria fundamental, não foi anunciado, até agora, a quase 100 dias de governo. Fala-se num tal de arcabouço fiscal como uma panaceia de tudo que está por vir. Pelo visto o mais importante é furar o teto de gastos. E facilitar a ordem de torrar nossa grana. Impossível calar.
Outra coisa indecorosa e divulgada esses dias foi o fato da Câmara Federal doar R$ 40,0 Mil a cada novo deputado como ajuda de custo para proceder a uma mudança de residência para Brasília. Acho até graça. O mesmo para os que não se reelegeram. Pior do que isso é que os 280 que se reelegeram vão receber (e não precisam se mudar) as duas cotas. Uma “brincadeira” que somará a bagatela de R$ 40,0 Milhões aos cofres públicos. Quantas escolas, unidades de saúde, habitações, entre outros equipamentos sociais seriam possiveis? Bom, enquanto a grana rola solta para esses privilegiados, os presidentes das duas casas do Congresso se "comem" desavergonhadamente disputando o poder na discussão das Medidas Provisórias estocadas. Impossível calar. Agora, para fechar o despautério que assola Brasília, o mais incrível é ver Dilma Rousseff, expulsa do Palácio do Planalto por improbidade administrativo-financeira, ser entronizada na presidência do Banco dos BRICS recebendo um salário mensal de R$ 220.000,00. Parece piada. De mau gosto, claro. Só é menos ruim porque mandaram ela pra China. Vai morar em Shangai. Quisera ser um mosquito e assistir essa Senhora despachando em cima da bufunfa que vai faturar, até 2025. Fora a outra que recebe aqui. Coisa pouco intragável visto que foi impedida de governar. Coisas de Brasil! Impossível calar. Pena que Juca Chaves foi transferido para o andar superior, no sábado passado. Fará uma falta danada diante de tantos motes. . E a pobreza nacional? Ah! Isso é um pequeno detalhe, necessário, apenas, para sustentação do “poder”. Impossível calar.

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...