quinta-feira, 18 de maio de 2023

O Poder da Música

Nunca vi ou ouvi falar de alguém que não goste de música. Relaxante ou trepidante há sempre quem admire um bom som, um ritmo bem sustentado ou uma bela melodia. Os efeitos sobre o cérebro humano são indiscutíveis. É notório que uma musica lenta e calma tem poderes relaxantes, enquanto um ritmo e batida fortes são capazes de acelerar os batimentos cardíacos de um individuo. Nos dias de hoje até o modernoso funk, que me perdoem alguns, tem seu espaço garantido. O mais admirável, contudo, é que, independente do gênero, ouvir uma música faz bem a outros seres vivos, cravando o fato de que “assim como os humanos, também são as criaturas”. O poder da musica é, seguramente, ilimitado. Recordo que, certa feita, integrando uma missão empresarial à Itália, visitei um abatedouro industrial de grande porte, na cidade de Téramo, Região do Abruzzo (Costa Adriática), dedicada ao fornecimento de carne de frangos a uma multinacional de fast-food. Percorrendo as dependências da empresa, o que mais me chamou atenção foi o local onde as aves vivas são recebidas dos inúmeros avicultores e postas em tempo de espera para o abate. Vi-me diante de um grande galpão, com gaiolas de chão a teto, temperatura e luminosidade controladas e música ambiente (na ocasião, salvo engano, ouvia-se uma sinfonia de Beethoven). Sim, musica de qualidade e tranquilizante. Eram milhares de aves que, segundo nosso anfitrião, relaxavam após um trajeto muitas vezes agitado. Relaxando por dois ou três dias antes da degola. O processo de abate começa com a degola de cada ave seguida da deplumagem e esquartejamento, conforme encomenda. Sai sensibilizado e mais consciente sobre o poder da música.
Outro episodio que me deixou igualmente tocado foi observar uma cadela, que atendia pelo nome de Bolinha, visível amante da boa música, que todas as noites do Festival Virtuosi de Música Erudita, em Gravatá (PE), se postava, sem qualquer cerimonia, no palco e aos pés do regente, apreciando as execuções musicais que se desenrolavam na cena. Algo enternecedor e inesquecível. Mas, a coisa não ocorre somente no reino animal. Li, recentemente, numa revista especializada em vitivinicultura que muitas são as vinícolas que “utilizam música para melhorar o crescimento e o amadurecimento das uvas, agir em favor da fermentação e até aprimorar o sabor do vinho.” (Natalia Hein, Revista Wine, Nº 152, Agosto de 2022). A reportagem faz referencias a estudos que garantem os efeitos sobre as produções em vários países, inclusive no Brasil. Na Serra Gaúcha, onde se encontra o maior polo vinícola do país, algumas produtoras já adotam o uso da música nos seus processos produtivos com tangíveis resultados. Segundo a reportagem da Wine, a Luiz Argenta (luizaragenta.com.br), “é adepta da filosofia de que a vibração e a frequência das canções são capazes de alterar as moléculas do vinho, o que ajuda a aprimorar a qualidade dele e suavizar ou marcar os sabores conforme a fermentação”. Ali é bem comum se ouvir Mozart ou Vivaldi, assim como composições de Tom Jobim e Chico Buarque. No Vale do Colchágua, do Chile, a Viñas Montes – tida como a quinta melhor vinícola do mundo pela World´s Best Wineyards Awards 2021 – já aplica a musica na sua produção desde 2004.
E na Itália, em Montalcino, na Toscana, berço de consagradas denominações de vinhos, entre os quais o famoso Brunello, a música é usada em várias vinícolas. Quem visita a região pode observar as inúmeras caixas de som voltadas para os parreirais sempre emitindo um som favorável. (Vide foto a seguir) Mozart rege o crescimento das imensas vinhas naquelas bandas. O resultado pode ser encontrado nas garrafas distribuídas mundo afora. A reportagem da Wine faz referencia a vinícola Il Paradiso de Frassina (alparadisodifrassina.it) que o leitor pode conferir.
Amante da música desde muito jovem, não vivo sem ela. Acordo e durmo ao som de uma boa composição, preferencialmente uma pagina erudita. NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.

quarta-feira, 10 de maio de 2023

Interior Pujante

Desde meus primeiros anos de vida fui habituado a viver temporadas no interior. Aqui mesmo em Pernambuco. Levado pelos meus pais, de famílias radicadas pras bandas de Caruaru, Brejo da Madre de Deus, Fazenda Nova e Garanhuns. Eventualmente visitávamos parentes noutras cidades mais próximas. Pelo tempo que já vivi, recordo haver acompanhado as transformações urbanas que ocorreram nessas localidades. Algumas, como Caruaru e Garanhuns, por exemplo, se tornaram polos urbanos de intenso dinamismo e resultam em verdadeiras metrópoles interioranas. Foi sobre isto que andei lembrando aos meus filhos que, igualmente, tiveram a mesma felicidade que a mim proporcionaram meus pais. Mais do que isso, procuraram criar condições de moradias temporárias no nosso interland, na intenção de viver momentos de lazer e qualidade de vida diferenciada. Recordo que no último post dediquei-me a analisar o desenvolvimento e o poder de atração da zona litorânea sul do estado. Já na semana passada, tendendo inclusive o feriadão do Dia do Trabalhador, nosso circuito foi pelo interior, centrado nas cidades de Gravatá e Bezerros. É surpreendente observar que nessas cidades não existe a pobreza urbana que se observa no Recife. Raramente ou quase nunca é de se encontrar pedintes ávidos por uma ajuda e maltrapilhos por onde andamos. Parece que não há desemprego. Aliás, afirma-se que em Santa Cruz do Capibaribe e Toritama – cidades centrais do polo de confecções – o cidadão(ã) fica desempregado no máximo por quatro horas. Há sempre um posto disponível em oferta. Um ponto fora da curva, num país de tantos desempregados. Por razões profissionais sempre estive envolvido com essas analises socioeconômicas regionais. Nessa condição, venho, sempre que oportuno, afirmando que o chamado “matuto”, do passado, não existe mais. O progresso infra-estrutural, a comunicação moderna, incluindo o rádio e a televisão, a melhoria das condições de saúde e educação, entre outros fatores, mudaram o perfil do nosso interiorano. Mais “pracianas”, como se dizia antigamente, nossa gente interiorana transita com desenvoltura, bem informada e com especial forma no trato com os visitantes. É notável a maneira e o porte do balconista, dos garçons nos restaurantes e dos que recepcionam em equipamentos turísticos. E, a proposito de turismo, ressalto, a seguir, alguns pontos por onde estive nessas caminhadas e que recomendo para quem pretende subir a serra e aproveitar os ares temperados do planalto agrestino de Pernambuco. Começo por Gravatá. A cidade oferece um dos melhores espaços para se viver momentos de lazer e bem-estar. Além de situada próxima ao Recife (80Km) oferece diferenciado leque de atrações que inclui bela paisagem serrana, bons equipamentos de hospedagens, hotéis fazendas, parque de esportes radicais e arvorismos, comércio atrativo de artesanatos de boa qualidade, restaurantes de primeira linha e com algumas especialidades marcantes (come-se fondue como se na Suíça), movimento artístico musical com temporadas de musica erudita e jazz. A cidade conta com, aproximadamente, duzentos condomínios, de categorias diferenciadas, onde os condôminos relaxam, escapando das turbulências diárias nas grandes cidades. (Fotos a seguir)
Distante pouco mais de 20km de Gravatá (Via BR-232), vem Bezerros, cidade famosa pelo seu carnaval dos papangus (espécie de máscara moldada em papier-marchê) e a aprazível e mais fria localidade da Serra Negra.Vide foto a seguir.
Duas atrações culturais se destacam na cidade: o Centro de Artesanato de Pernambuco, que reúne formidáveis peças da arte popular, numa inteligente exposição, dividida por sub-regiões do estado. São exemplares seletos e representativos do quanto o artesão produz com alma e criatividade. Vide foto a seguir de uma peça de arte figurativa do Alto do Moura de Caruaru, ali exibida.
A outra atração imperdível é a Casa Memorial do mestre em xilogravura J. Borges. Vá com tempo de apreciar uma das mais belas produções do gênero. J.Borges é antigo e tradicional no meio artístico-cultural. Começou produzindo capas para os populares folhetos de cordel, com o tempo aperfeiçoou e hoje tem uma verdadeira Academia de Gravuras com os filhos. Já idoso e curtindo a fama e o que da sua arte resultou o gravador circula no seu espaçoso Memorial numa cadeira de rodas motorizada, distribuindo simpatia e afagos aos visitantes. Vide foto a seguir.
Por fim, ainda em Bezerros, dei um passeio pelos altos da Serra Negra, onde se desfruta de um clima bem mais frio, uma paisagem pitoresca, com belos condomínios e restaurantes agradáveis e de primeira linha. Para quem já viveu o tanto que já vivi, a conclusão é que temos em Pernambuco um Interior Pujante e recheado de atrações para o visitante. NOTA: Fotos do arquivo pessoal e da autoria do Blogueiro, exceto a dos papangus, obtidas no site oficial da ciddae de Bezerros. .

quarta-feira, 26 de abril de 2023

Bons Ventos

Indiscutivelmente já se respiram bons ventos depois da onda de pavor produzida pela Covid-19. Para muitos já se trata de coisa do passado. Durante a semana passada senti mais firmeza ao circular pela região de turismo praiano no litoral sul de Pernambuco, quando tive a sensação de alivio do que seja viver em tempos saudáveis e em clima de alegria.
Apesar de ser pernambucano e viver no Recife, sou um daqueles que não se apressa em curtir as belezas naturais locais. Coisa de quem considera o fato de que, estando tão próxima, a atração esta ao alcance a qualquer hora. O ser humano tem dessas especificidades... Idiossincrasia? Particularidade? Sei lá. No meu caso talvez seja o fato de gostar mais do clima da roça e da serra. Mas, isso é outra coisa e assunto para depois. A verdade é que, acompanhado de familiares mais afeitos às ondas do mar, lá fui eu curtir o verão que ainda se faz presente nessas bandas. Centrado em Porto de Galinhas, o movimento na região é intenso. Resorts, hotéis e pousadas se multiplicam e não chega para quem quer.
Restaurantes e várias sortes de comércios, nem se fala. A própria Porto, Muro Alto, Cupe, Maracaipe, Serrambi, Carneiros entre outras localidades que se estendem pelo vizinho estado de Alagoas, pululam de visitantes dispostos e entregues à exploração das belezas naturais, delicias gastronômicas (Vide foto a sguir), do som musical da terra, da vegetação, do coqueiral, da cor e da fauna do mar e do manguezal, entre outras intermináveis atrações.
Construí este cenário para fazer minhas observações com o viés de economista e pretenso cientista social. Então, lá vai... É fácil e notório perceber a vibração da dinâmica comercial reinante entre os nativos e os agregados migrantes. Conversando com alguns desses pude avaliar o alivio que sentem com o retorno dos visitantes que desembarcam, aos magotes, dos ônibus e coletivos menores à cata do que ver, comprar e comer. Impressiona a multidão que circula numa noite de segunda-feira. Pensando bem, parece ser sempre domingo praquelas bandas. Observando mais de perto pareceu-me claro que existem duas categorias de turistas que visitam a região: a dos mais abastados - muitos estrangeiros - e hospedados nos grandes e monumentais resorts instalados ao longo da costa e os que, em grandes grupos, ocupam pousadas mais econômicas que se multiplicam a cada dia. Para fazer um tour pelas principais praias e pontos de atração contratei um guia num bugre – meio de locomoção muito popular – para ir direto aos pontos atrativos e curtir uma aventura por praias, trilhas, coqueirais, areais e mangues. Apareceu-me, num veiculo meio rodado e vermelho, um gaúcho de Cruz Alta que hoje faz a vida nesse paraíso nordestino. Feliz e contente da vida garantiu-me que virou pernambucano e nem ousa pensar de voltar para o sul. “Quando muito a passeio”, frisou. Segundo ele, existem, hoje, 411 bugres circulando naquelas praias ao preço médio de R$250,00 para um programa de quatro horas de duração. Cada veículo comporta no máximo quatro passageiros. Uma associação controla e regula o movimento.
Para muitos, também, são ofertados passeios de jangada ou lancha. Neste caso o preço é discutido na hora e a depender do percurso. O passeio nas piscinas naturais é imperdível. Na maré baixa os peixinhos e a vegetação marinha são as grandes atrações. Por outro lado, se o freguês desejar pode contratar um helicóptero para um voo de 10 minutos e apreciar do alto o movimento. O preço é discutido na hora. Sem dúvidas, aquilo lá é um “laboratório” de economia criativa. A turma “se vira nos trinta” e faz meios de vida das formas mais inusitada. Bordados, crochês, pinturas, bijuterias, artigos de couro e plásticos, vendedores de artigos xing-ling coloridos e eletrônicos, bebidas, bolos e doces artesanais entre um infinito número de artigos. É notável a criatividade da gente que vive na redondeza. E por falar em criatividade, confesso que algo tolo, mas bem bolado apareceu do nada no nosso tour. De repente o gaúcho “emburacou” com o bugre num areal, parando a seguir, num coqueiral, onde apresentou a mais recente invenção local: o “drone-humano”. A NASA precisa, urgente, vir conhecer. (Fotos a seguir)
Intrigado, fui conferir a novidade. Um rapazola sobe no coqueiro e se aloja numa cadeirinha tosca, por ele arranjada. Outro fica embaixo contratando o serviço de fotografar, lá de cima, a pose do “penitente” demandante de uma foto do alto. Daí, a explicação de “drone-humano”. Uma sacola, com uma cordinha corre numa roldana levando o celular do freguês até o “fotógrafo”, de prontidão lá em cima, e tome fotos. Preço do serviço R$ 10,00 por meia dúzia de fotos. Nada mais criativo do que isso! Não faltam clientes. E forma filas. Fico entusiasmado com tanta criatividade da nossa gente. Acho que morre de fome quem for preguiçoso ou débil mental. Com tantos bons ventos a coisa parece progredir. Inclusive, adeus Covid19. NOTA: Fotos de Arquivo Pessoal do Blogueiro

domingo, 9 de abril de 2023

Havia mais Respeito

Na quarta feira à tarde o mundo parecia parar. Os dias denominados de santos, à época, eram respeitados e seguidos à risca das liturgias religiosas. Católicos, protestantes, umbandistas e coirmãos cristãos se recolhiam às orações e meditações recomendadas pelos seus respectivos preceitos. Escolas e colégios eram fechados durante a semana da paixão. As estações de rádio só transmitiam músicas sacras. As mães de família dedicavam horas a fio, em pregações aos seus filhos e filhas. O jejum e a abstinência de carnes vermelhas eram rigorosamente obedecidos. O comércio fechava as portas e, até, os cinemas só abriam se exibissem fitas da Paixão de Cristo, muitas das quais antigas e tecnicamente artesanais. Algumas ainda da época do cinema mudo que, sem outra opção, eram as exibidas. Ninguém matava e ninguém morria, salvo por morte natural. Lava-Pés e procissões da Via Sacra e do Senhor Morto se multiplicavam... Bom, sem dúvidas, havia mais respeito. Essa comilança de chocolates, em formato de ovos, só apareceu muito depois.
Recolhendo meu retrovisor da vida, observo com grandes surpresas o comportamento social da atualidade, cada vez mais distante dos velhos e bons costumes. Não se trata de saudosismo, mas, certamentealguma incapacidade de assimilar o que para muitos representa avanço ou progresso sociopolítico. Confesso que, ainda, me surpreendo com o fato de que já não se sabe mais o que significa “dia santo”. Para todos os efeitos, e oficialmente, é feriado. Estado laico e sociedade laica. Sou católico de berço e isso é difícil. A ideia de uma Santa Semana passa longe e despercebida. Atualmente, apenas a sexta-feira é, digamos que, “respeitada” e o fim de semana termina sendo intitulado de feriadão. O comercio abre, os cinemas exibem o que os produtores impõem e a festa urbana rola nas 24 horas. Este ano, inclusive, houve jogo de futebol valendo como semifinal do campeonato de futebol, aqui em Pernambuco. Quem diria? Em muitas praças da capital e do interior do estado shows são oferecidos ao público com cantores irreverentes e alheios ao significado religioso da data. Faço ideia da alienação do que seja uma apresentação pública de uma banda denominada de Calcinha Preta, na noite da sexta-feira Santa, para um público eufórico e se achando privilegiado. É preciso viver o tanto que já vivi para fazer esse tipo de observação. A História nos garante que a falta de valores morais e de formação socioeducativa (comum no Brasil de hoje) mais disciplinada resulta em esgarçamentos contínuos do tecido social, gerador, por sua vez, de episódios irreparáveis e comprometedores para o futuro de um povo. Os exemplos estão a olhos nus, no dia-a-dia daqui, dali e d’acolá. Um desses ocorreu, justamente, nesta ex-semana santa que, para mim e muito outros, chocou e marcou com sangue de inocentes a antiga quarta-feira guardada com respeito. Refiro-me ao revoltante caso do desalmado sujeito (não consigo considerá-lo como cidadão) que num surto de ira e loucura, invade uma creche, pulando o muro, na cidade de Blumenau, no estado de Santa Catarina, e a golpes de machadinhas nos crâneos, assassina quatro inocentes criancinhas – três meninos e uma menina – entre 4 e 7 anos. As vitimas curtiam o recreio no parquinho da creche. Segundo noticiário, todos quatro eram filhos únicos de jovens pais. Outros inocentes foram feridos e levados a um Hospital de Emergência. Naturalmente que não há classificação para um monstro desses. Pai de família e com netinhos em idade de pré-escola, que amam parquinhos, como é o meu caso, resto-me revoltado e com imensa dificuldade de aceitar viver numa sociedade que produz tamanha aberração. Chorei por essas crianças e por esses pais que viram, em minutos, seus sonhos destruídos, seus amores fenecidos e condenados a guardar, para os restos das vidas, uma carga traumática insolúvel. Impossível, também, esquecer o assassinato de uma professora de 70 anos, ao tentar apartar uma briga entre dois colegas, numa escola publica, no Rio de Janeiro. Ela já era aposentada do Estado e resolveu ser voluntária nessa escola de bairro. Tentando estabelecer a paz entre dois jovens estudantes que se engalfinhavam recebeu uma punhalada que a levou ao óbito. Triste ironia. Trocou a merecida aposentadoria para se entregar à morte. Essas ironias podem ser repetidas à luz de modelos alienígenas num país em que dantes Havia mais Respeito. NOTA: Foto obtida no Googles Imagens.

terça-feira, 28 de março de 2023

Impossível Calar

Confesso viver, ultimamente, me esquivando de tomar a “lenga-lenga” politica como pauta para o Blog. Não sei explicar ao certo a razão. Perplexidade ou asco de tudo? Talvez porque na minha idade a paciência não suporta tanta elasticidade como antes. Até gostaria. Quem dera ser um analista político batuta contando com um laboratório tão farto, como vem sendo este país, nos tempos recentes. Resultado é que termino concordando com os que garantem que “o Brasil não é para principiantes”. E eu me acho cada vez mais. Episódios inéditos se sucedem e não dá para sustentar um “tô nem aí”. Estes últimos dias, por exemplo, vi e ouvi coisas indignas para uma nação que tenta se consolidar como respeitável e civilizada. Uma quadrilha de traficantes e bandidos foi desbaratada pela Policia Federal quando se preparava para sequestrar e assassinar um Senador da Republica e respectiva família, numa operação elogiável e celebrada. Ocorre que, Sua Excelência o Presidente da República pôs dúvida na ação. Deu um tiro no pé, claro. Pior, coincidiu com seu discurso de ódio confirmado às vésperas de que só estaria satisfeito “quando fodesse" com o referido Senador. Além de indecoroso, Sua Excelência manchou a liturgia imposta pelo cargo e, de quebra, desmoralizou a competente Policia Federal e o Ministério da Justiça. Francamente. Recordo que, se o antecessor usasse desse linguajar chulo a “cambada” caia em cima sem dó. Mais curioso mesmo foi o relativo silencio e o amenizado da mídia que se diz imparcial. Impossível calar. Nesse interim, Sua Excelência cai doente, cancela viagem milionária à China e provoca o maior rebuliço nos “cheira-bufas” que iriam participar da excursão. Gozados, mesmo, são os chamados memes que circulam nas redes sociais. Alguns, inclusive, desumanos. Mas, quem manda ser Sua Excelência. Nessa confusão, um Plano de Governo para tirar o país do caos político-econômico, que seria fundamental, não foi anunciado, até agora, a quase 100 dias de governo. Fala-se num tal de arcabouço fiscal como uma panaceia de tudo que está por vir. Pelo visto o mais importante é furar o teto de gastos. E facilitar a ordem de torrar nossa grana. Impossível calar.
Outra coisa indecorosa e divulgada esses dias foi o fato da Câmara Federal doar R$ 40,0 Mil a cada novo deputado como ajuda de custo para proceder a uma mudança de residência para Brasília. Acho até graça. O mesmo para os que não se reelegeram. Pior do que isso é que os 280 que se reelegeram vão receber (e não precisam se mudar) as duas cotas. Uma “brincadeira” que somará a bagatela de R$ 40,0 Milhões aos cofres públicos. Quantas escolas, unidades de saúde, habitações, entre outros equipamentos sociais seriam possiveis? Bom, enquanto a grana rola solta para esses privilegiados, os presidentes das duas casas do Congresso se "comem" desavergonhadamente disputando o poder na discussão das Medidas Provisórias estocadas. Impossível calar. Agora, para fechar o despautério que assola Brasília, o mais incrível é ver Dilma Rousseff, expulsa do Palácio do Planalto por improbidade administrativo-financeira, ser entronizada na presidência do Banco dos BRICS recebendo um salário mensal de R$ 220.000,00. Parece piada. De mau gosto, claro. Só é menos ruim porque mandaram ela pra China. Vai morar em Shangai. Quisera ser um mosquito e assistir essa Senhora despachando em cima da bufunfa que vai faturar, até 2025. Fora a outra que recebe aqui. Coisa pouco intragável visto que foi impedida de governar. Coisas de Brasil! Impossível calar. Pena que Juca Chaves foi transferido para o andar superior, no sábado passado. Fará uma falta danada diante de tantos motes. . E a pobreza nacional? Ah! Isso é um pequeno detalhe, necessário, apenas, para sustentação do “poder”. Impossível calar.

sexta-feira, 17 de março de 2023

Aqui ou Acolá

Abro os jornais do dia e vejo a manchete de cara dando conta de que “No mesmo dia, dois casos de violência contra turistas no Centro do Recife” foram registrados, nesta quinta-feira, 16 de março. Lamento obviamente. E busco engrossar a sociedade que clama por segurança no estado e no país. Numa cidade como o Recife, uma das primeiras urbes do país, e que pretende se consolidar como grande polo de atração turística, fatos como estes se tornam logo matéria de capa dos veículos de noticias. E merece, é claro. A informação é base para o desenvolvimento social e o progresso econômico. E, neste caso, indispensável considerar a importância que o Turismo proporciona. Ontem foram turistas argentinos e noutro dia foram alemães. Todos passageiros de transatlânticos de cruzeiros que aportam no Recife, muitas vezes por poucas horas. À primeira vista, a cidade oferece um panorama de indiscutível beleza, com perfis arquitetônicos neoclássicos e quadro natural diferenciado, na área denominada de Recife Antigo e Marco Zero. São atrações que conquistam facilmente qualquer visitante. (Vide foto abaixo). Tudo à mão e a pé. Dalí, não fica difícil atravessar a primeira ponte e adentrar aos velhos bairros de Santo Antônio e São José. São locais de comercio popular e grande movimento ambulante, que igualmente exerce atração ao turista, sobretudo, o mais desavisado. E é por ali que vem residindo perigo. Foi por lá que ocorreram esses recentes episódios. Contudo, embora lamentável, não é coisa somente daqui. A insegurança reside tanto aqui, quanto acolá. Falando assim, não sugiro justificativa, nem desculpas pelo Recife, mas, tentando fazer um paralelo com as experiências vividas. Acontece que o mundo moderno, gerador ilimitado de pobreza, ao tempo em que oferece as facilidades de deslocamentos, sejam migratórios ou turísticos, pode explicar o universal mau dos assaltos.
Já viajei muitas vezes na vida.Não posso reclamar. Quem me conhece pode afirmar. Nas minhas andanças, nos mais distintos propósitos de viagem, sempre estive atento e vigilante com meus pertences e com a minha vida. Nem por isso estive imune das garras dos assaltantes, porque eles estão em toda parte. É lamentável chegar, por exemplos, no Vaticano ou na Basílica do Sacré-Coeur (Paris) e dar de cara com vários avisos de cuidados porque circulam batedores de carteiras. Já fui vitima de assaltante em Buenos Aires, onde fiquei sem dinheiro, passaporte, cartões e credito e pequenos objetos da bolsa a tiracolo. Não faz muito tempo e fui assaltado em Santiago do Chile, onde um sujeito arrancou-me do pescoço, com violência, um cordão de ouro, onde mantenho uma medalha herdada da minha falecida mãe. A medalha foi salva, mas, o cordão foi levado. A propósito, em Santiago, é bem comum um cinto de segurança, em cada cadeira, em bares e restaurantes, para que o cliente mantenha a salvo sua bolsa ou pacote. Em Paris são populares as duplas de golpistas que iludem os turistas para roubá-los. Um deles trata de distrair a vitima, enquanto o segundo dá o bote na bolsa, carteira ou similar. Em Roma, com minha esposa, tivemos que entrar num Hotel do qual nem éramos hospedes para despistar um provável assaltante que nos seguia insistentemente. E, no Marrocos, tive de pedir proteção à policia, numa rodoviária, para me salvar da sanha criminosa de um sujeito que ameaçou degolar-me. Essa vez, foi muito estressante. Faço ideia do pavor que sentiram os turistas assaltados aqui no Recife. Tomara que esses episódios sirvam de alerta às autoridades de plantão. Que a Senhora Governadora no trato de ajustar a máquina da segurança pública determine modo enérgico para a situação do centro da cidade. O Recife é uma cidade bonita e com características históricas a serem tratadas de modo especial e, com justiça, conquistar um lugar de destaque no cenário turístico nacional. NOTA:Foto obtida no Google Imagens.

quinta-feira, 2 de março de 2023

EVOCAÇÃO

O ano vai, de fato, começar. No Brasil é assim. O carnaval passou, os brasileiros se entregaram à folia e extravasaram os desejos reprimidos durante o retiro imposto pela pandemia. Agora é trabalhar. Vi noticias dos milhões de turistas que vieram ao Recife e dos milhões de Reais que o reinado de Momo proporcionou ao mercado local. No meu voluntário retiro carnavalesco recordei os bons tempos que já vivi no Reinado de Momo. Sempre fui muito folião. Questão de berço. Minha família é típica pernambucana e, por conseguinte, amante da folia e do frevo. Recordo que meu carnaval começava sempre ao raiar de cada novo ano. Não perdia as inúmeras previas carnavalescas que, de modo geral, se multiplicavam durante os janeiros e fevereiros da vida. E quando o carnaval se estendia até os primeiros dias de março a farra era dobrada. A coisa era de tal forma que quando a quarta-feira ingrata chegava dava-me uma sensação de vazio e, por vezes, provocava lágrimas. Nada mais natural, depois de boas doses de uísque. Como uma coisa tão divertida e gostosa durava tão pouco? Arroubos de uma juventude dourada e inesquecível. Hoje, quando as coisas não passam de evocação, por deliberação pessoal, fico intrigado e imaginando como pude abdicar dessa tão grande curtição do passado.
Bom... fui do tempo do corso na avenida, do uso do lança-perfume, da transição para o abominável mela-mela e dos saudosos carnavais de salão, nos clubes Internacional e Português, do Recife. Com muito entusiasmo dei boas-vindas ao carnaval das ruas em Olinda e no Velho bairro do Recife e ao Galo da madrugada. Tudo virou algo sem limites. Sinto saudades dos últimos anos ’90 e principio deste Século 21. Daí em diante, nosso carnaval se transformou numa violenta exploração de mercado, difícil de lidar para quem viu e viveu o dantes da folia. As tradicionais manifestações folclóricas – grandes blocos de rua, blocos líricos, troças, ursos, caboclinhos e maracatus, bumba-meu-boi, entre tantos outros – foram perdendo espaço na folia local e sufocados pela infeliz ideia de promoverem um tal de carnaval multicultural que, na verdade, não passa de uma injustificável estratégia de faturar de modos financeiro e eleitoreiro que grassa nas cabeças dos políticos de plantão, sem a mínima noção de que estão assassinando impiedosamente a cultura local. É doloroso perceber que a “prata da casa” está sendo posta à margem e os incentivos outrora a estes reservados vêm sendo carreados para artistas de fora sem qualquer vinculo com nossas tradições. Fiquei pasmo ver que Caetano Veloso veio abrir o nosso Carnaval deste ano de 2023. Nada contra este artista. Pelo contrario sou seu velho apreciador. Mas, por que não Alceu Valença? Outro ano, dentro dessa estratégia equivocada, trouxeram Zeca Pagodinho... Francamente... o próprio artista disparou ao declarar “por que eu, se não entendo de frevo e de carnaval pernambucano”. Queria ver as caras desses promotores desavisados. Caí fora deliberadamente e passei a viajar nesses feriados. Outra coisa que me afasta do carnaval local é que deixou ser uma festa participativa e bailável.Com certa melancolia tomei emprestado ao Maestro Nelson Ferreira este titulo de Evocação para esta postagem, visto que cabe bem para apaziguar meu espirito inquieto diante do que testemunho nos dias de hoje. Sem querer ser saudosista, mas, culturalmente honesto, resta-me, tão somente, que surjam cabeças iluminadas decididas e orientadas que não esqueçam dos lendários Batutas de São José, Vassourinhas, Bloco das Flores, Andaluzas, Pirilampos, Madeira dos Rosarinho e tantos outros e que se monte um Memorial para que sejam preservados os nomes de Felinto, Pedro Salgado, Guilherme, Fenelon, Nelson Ferreia, Zumba, Capiba, Severino Araújo, Claudionor Germano e muitos que estão sendo ignorados pelas gerações recentes. NOTA: Foto de Capiba e Nelson Ferreira (acima) obtida no Google Imagens.

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...