quarta-feira, 26 de maio de 2010

Sabatina no Planalto

Não foi um debate. Os organizadores do evento de ontem (25.05.2010), na sede da Confederação Nacional das Indústrias – CNI, em Brasília, preferiram chamar de sabatina. Comemorava-se na ocasião o Dia da Indústria. A troca do formato, de debate para sabatina, foi resultado de uma exigência da equipe de campanha de Dilma Roussef. Com razão, a ex-ministra, em minha opinião, não está preparada para enfrentar um confronto público e diante de uma platéia tão seleta. Mas, dessa ela não vai escapar. Nem que seja na última hora. Eu estava por lá e o que assisti foi uma prévia do que poderá ser a campanha das eleições de outubro próximo: muita emoção. Até porque vai ser mesmo um confronto polarizado entre Dilma e Serra e, sobretudo, disputado taco-a-taco. Pelo menos à luz das pesquisas recentemente publicadas. A CNI convidou os três pré-candidatos à presidência da República: José Serra, Dilma Roussef e Marina Silva. Cada um teve um tempo de 25 minutos para expor suas respectivas plataformas de governo, seguidos de questões previamente preparadas pelos empresários industriais de vários pontos do país. A rigor nenhum deles apresentou plataforma. Os discursos giraram em torno das idéias que norteiam as posições partidárias. A única que disse estar preparando um plano de governo foi Marina. Procurei assistir tudo com a maior das imparcialidades possível, achando que a situação, como hoje se apresenta, exige cautela na escolha.
Dilma Roussef me pareceu uma candidata ainda muito verde, para o embate político ao qual se submete. Sem experiência em urnas e com um discurso batido – só fala em PAC e em feitos do Governo Lula – terminou frustrando a platéia que esperava ouvir propostas. No seu tempo de fala e respostas à questões que lhe foram dirigidas, o que se salvou, como novidade, foi assumir o compromisso de proceder a tão esperada Reforma Tributária e promover uma intensa política de Educação, contemplando não apenas a educação de base, mas também a formação superior e a de doutores, a exemplo da Índia e da Coréia. “Não se admite que, na era do conhecimento, haja tão poucos PHDs para um país, como o Brasil, que tem a pretensão de se tornar em pouco tempo uma das quatro maiores economias do planeta” enfatizou a candidata. Ainda, relativamente, insegura diante do microfone, com baixa verve e recorrendo sem cessar a um roteiro escrito, Dilma não me convenceu.
Depois dela, foi a vez de Serra que surpreendeu com um discurso descontraído, eu até diria em tom carismático e, surpreendentemente simpático. Verdade! Reclamando do formato do evento, porque ele queria o confronto, ou seja, o “bate-rebate” com a candidata do PT, o homem estava muito à vontade. Fez um discurso bem estruturado, inteligente, sem script e cheio de dados tirados da própria memória e análises lógicas pinçadas, uma-a-uma, da “imensa bagagem” que carrega, prova de uma longa vida política. É inequívoco afirmar que o cara deu um show. A platéia vibrou, por exemplo, ao escutar dele, entre outras, as criticas sobre a baixa taxa de investimento que se pratica neste país, o loteamento que se fez dos cargos públicos no Governo Lula e a gastança desmedida da máquina. “Há uma verdadeira obesidade na gestão do Estado” disse Serra, esfregando as mãos e prometendo fazer cortes, sem dó, dessas gorduras. Outra coisa interessante que ouvi dele foi enfatizar a falta de planejamento econômico na gestão de Lula. Acho que foi a primeira vez nesta pré-campanha em que o candidato do PSDB bateu forte. Os recentes resultados de pesquisas podem ter determinado essa nova atitude. Economista cepalino (refere-se à formação que teve na ONU/Cepal, em Santiago do Chile, enquanto refugiado político), especialista em planejamento industrial, Serra falava para uma platéia adequada, isto é, os lideres do setor industrial nacional. Eu só sei que o homem respondeu com segurança todas as perguntas que lhe foram dirigidas e, ao fim do seu tempo, foi aplaudido de pé.
Já era de tarde quando Marina Silva entrou em cena. Simples como ela só, com uma voz mansa e aparentando ternura, a candidata do PV foi uma surpresa para mim. Na verdade, nunca me detive em observá-la. Achei que ela foi arrumada na fala, idéias organizadas e críticas sutis, embora que fortes de conteúdos. Um discurso redondo. Numa tirada de esperança, na sua mensagem final, Marina se saiu com uma máxima: “no primeiro turno a gente vota na escolha do coração e no segundo a gente procura escapar do pior”. Achei ótima. A mulher é filósofa e fala com tom professoral. Ela é professora. Certamente não vai ganhar esta eleição mas, sem dúvida, cumpre um papel importante, que é o de neutralizar, de algum modo, o processo eleitoral polarizado que muitas correntes políticas desejam. E, a propósito disso, ela ainda teve tempo de lamentar a “interdição” de Ciro Gomes, afirmando que o processo seria muito mais rico e mais legitimo. Eu concordo. Gostei da maguinha.
Para finalizar, um palpite pessoal: tenho pra mim que Dilma vai ganhar. O povão vai elegê-la, como se votasse em Lula. Que ocorra o melhor para o Brasil.
Nota: A foto foi tirada do Google Imagens

domingo, 2 de maio de 2010

Celibato, um desafio

Mario Puzo, consagrado escritor romancista, autor da famosa obra contando a história da Família Corleone, levada ao cinema com a serie de filmes O Poderoso Chefão, me surpreendeu com outra obra intitulada de A Família, relatando as aventuras de outro clã, da antiguidade européia, a família Bórgia, cuja sede de ambição e glória a levou ao topo do mundo da época. Li este livro, numa edição de bolso, editado em Portugal, pela Editora Booket (http://www.booket.pt/). Lembrei-me muito dessa leitura, acompanhando o recente desenrolar desconsertante das denúncias de pedofilia e escândalos sexuais no seio da Igreja Católica Romana. O livro relata a trajetória do Cardeal Rodrigo Bórgia (1431-1503), espanhol de Valencia, levado a Roma pelo tio materno, o Papa Calixto III, que o nomeou, aos 25 anos de idade, Cardeal. Rodrigo se tornou de tal modo influente, que em 10 de agosto de 1492 foi eleito Papa, em substituição a Inocêncio VIII, adotando o nome de Alexandre VI (Vide foto ao lado).
Mas, não é da trajetória papal que pretendo falar. Prefiro, neste momento, fazer referencias à vida privada de Alexandre VI, que se notabilizou pelas aventuras amorosas que protagonizou, gerando filhos bastardos, igualmente famosos no mundo da época, entre as quais Lucrécia Bórgia (Vide foto abaixo), cuja história mundana vem sendo lembrada através dos séculos. Fala-se inclusive de que Rodrigo Bórgia, isto é, o Papa Alexandre VI ao avistar a barriga grávida da filha ficou em dúvida se seria seu neto ou seu filho. Um horror essa história.
Espera um pouco, porque tenho que declarar uma coisa: sou católico romano e de muita fé! Vou à missa todo domingo e pratico a religião com fé e solidariedade fraterna. Mas, não posso ficar alheio e deixar de externar minha opinião a respeito dessas barbaridades que se publicam a cada dia. Um desgaste sem limites.
Muito bem, vamos lá. No tempo de Alexandre VI, as coisas eram bem liberais. A história narra que até o Concilio de Trento (1545-63), o clero regular, isto é, o das ordens religiosas, conventos e mosteiros era celibatário. Já o clero secular, o dos padres diocesanos, permitia aos seus sacerdotes o casamento e a constituição de famílias, condição que os deixava em desvantagens junto aos fiéis. Claro, os primeiros eram mais livres e disponíveis para o exercício das funções eclesiásticas. Foi, por isso, que a partir de Trento as coisas mudaram e impuseram o celibato geral. A Igreja Católica do Oriente, porém, até hoje, permite o casamento.
Sinceramente, acho que a Igreja Católica, ao não acompanhar a história, sem se modernizar, vem mantendo uma ordem que, no final das contas, acarreta prejuízos irreparáveis à sua preservação. Fui educado em colégios católicos e lembro-me de passagens incríveis: jovens adolescentes, cursando o colegial, são implacáveis e altamente inconvenientes. À hora do recreio, quase sempre, suscitava um ti-ti-ti e uma risadagem sobre histórias da vida pregressa desse ou daquele Padre ou Irmão. Eram, muitas vezes, histórias cabeludas. Comentado a boca-pequena, mas sempre circulando na estudantada no maior frisson. Claro, eram casos de homossexuais. E isto era a questão. Jovens, hormônios a flor da pele, esse tema virava sucesso num minuto. Recordo do Padre que, a título de orientador educacional, chamava individualmente, para freqüentes entrevistas e, num tom de confissão, investigava sobre meus conhecimentos sobre sexo e até aconselhava o conhecimento mais aprofundado, como o encontro mais intimo com garotas e o prazer da masturbação. Fora do gabinete de orientação pregava a castidade, como forma de se manter em estado de graça. Imagine a confusão gerada na minha cabeça de jovem. Peco ou não peco? Me masturbo ou me contenho. Que dilema. Peco, sim... e depois vou me confessar e comungar. Após muito tempo, encontrei o dito Padre fora da ordem e sem batina, curtindo um vidão.
É doloroso viver reprimido, seja lá do que for. E os instintos do sexo são, vamos e venhamos, clamorosos. É difícil segurar. Quando o jovem é tímido e revela uma insegurança qualquer, se torna presa fácil para os pedófilos de plantão. Por isso, tanta miséria solta no mundo afora.
Sou a favor dos padres livres do celibato, por ser mais humano, sadio e, sobretudo, digno para a perpetuação do catolicismo.
NOTA: Imagens obtidos no Google Imagens.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Arrastei a Mala

O nome é Eyjafjallajökull. Impronunciável. Mas, é com se chama esse vulcão islandês que nesta semana vem tirando o sossego do mundo com sua descomunal nuvem de fumaça e materiais tóxicos se espalhando pelo universo terrestre, particularmente sobre o continente europeu. O mundo parou diante do perigo oferecido pelo fenômeno que não se via há quase 200 anos, quando o dito cujo se manifestou pela última vez. Olha aí, outra vez, a Mãe-Terra se manifestando de modo violento, tema de mais de uma postagem este ano, aqui, no Blog do GB. Há duas semanas comentei que andava ressabiado com este ano de 2010. Hoje, estou ainda mais ressabiado porque fui vitima do problema islando-vulcânico. Neste momento em que escrevo esta postagem deveria estar na cidade de Hannover, na Alemanha , numa viagem de negócios, percorrendo os pavilhões da Feira da Moderna Tecnologia, evento anual daquela cidade alemã. Meu vôo foi cancelado no sábado passado, por conta da fumaceira islandesa. Prejuízo relativamente pequeno. Sou uma insignificante vitima do problema e, sobretudo, feliz porque fui apanhado antes de sair do Brasil. Arrastei a mala para o conforto da minha casa, enquanto milhares de pessoas estão arrastando suas malas, nos aeroportos europeus, sem espaço para pousar e, o pior, sem perspectivas de volta, dado ao fechamento do espaço aéreo do Velho Mundo. Cenas inacreditáveis em situação inédita no mundo moderno.
Diante de coisas dessa ordem, procuro tirar lições e, neste momento, duas reflexões me ocorrem: a primeira é de que esta repentina erupção vulcânica expôs, outra vez e de modo transparente, a fragilidade do ser humano, diante do poder da natureza, que vem sendo sistematicamente agredida pelo mesmo ser humano. Tudo bem, que uma erupção vulcânica, até que minha lógica esteja certa, não tem muito a ver com as agressões à natureza. Mas... sei lá. Que falem os vulcanólogos. Falou-se muito nessa especialidade cientifica, estes últimos dias. Eu nem sabia que eles existiam. Minha segunda reflexão é de que fomos reduzidos a um estado de total inércia, enquanto dependentes de um meio de transporte, até então julgado eficiente e infalível. Pobre coitado do ser humano, tão vaidoso e cheio de sei-tudo e tudo-posso. Ficou sem voar e priu. E agora? Bom, agora, o fato concreto é que a natureza instigou e, com isto, novos inventos devem surgir pela frente. Afinal de contas, as crises catapultam o progresso. Vamos esperar. Quem sabe, no futuro, não tenhamos que arrastar as malas por conta de um vulcão revolto, vomitando fumaça, a milhares de quilômetros distantes.
Se meu prejuízo foi insignificante, porque apenas adiei uma viagem a Europa, tem muito nego chorando os prejuízos que contabiliza, nesses últimos dias. Segundo a IATA (Associação Internacional de transporte Aéreo), essa desordem aérea na Europa vem provocando um prejuízo de, por baixo, Euros 150 milhões por dia, que equivale a “ninharia” de R$ 390 milhões. Quase 7 milhões de passageiros estavam ontem (20.04.10) plantados em 313 aeroportos europeus aguardando a abertura do espaço aéreo. Eu imagino o barraco que está armado nesses aeroportos. Pensem nos banheiros (é um dos itens que logo preocupa) dessas estações. Algumas delas – como a de Lisboa, que é, digamos, bem tímida – devem estar em “petição de miséria”. Não tem manutenção que dê conta. Ainda bem que minha viagem não começou semana passada.
Mas, tem uma coisa: prejuízo de muitos, alegria de outros. Tenho acompanhado o noticiário, por alguns jornais europeus, e vejo que trens, restaurantes, taxis, ônibus, barcos estão faturando como nunca. Vi o caso de uma empresária que se sujeitou a pagar um taxi de Paris a Barcelona e ao fim da corrida, o taxímetro fumengando (como o vulcão!) avisava que a passageira devia pagar Euros 1.646,80. Satisfeita, pagou, afirmando que se houvesse permanecido em Paris, o prejuízo teria sido maior. Outra história que li foi a de um grupo de executivos de uma multinacional que pagou £ 1.200,00 (R$ 3.536,00), por uma corrida de taxi entre Northampton, (Sul da Inglaterra) para Genebra, na Suíça.
Resta-me, agora, esperar a poeira baixar e voltar ao aeroporto para despachar, e não arrastar a mala.
Nota: Fotos do Google Imagens e Boston.com

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Deletando a História

Esta semana li um artigo assinado por Luis Otávio Cavalcanti na revista mensal Algo Mais, lembrando da importância que deve ser dada à preservação do patrimônio histórico de uma cidade ou país. O articulista lembrou, com felicidade, os monumentos históricos de cidades européias, como Paris e Roma, onde a história é contada nos prédios públicos e privados, ruas, praças e parques entre outros similares. Noutra reportagem, da mesma revista, encontrei técnicos e especialistas falando do abandono e descaso com o passado do patrimônio histórico do Recife, Olinda e Pernambuco no seu todo e sugerindo alguma coisa que leve à preservação.
Já falei sobre isto, neste humilde espaço, em varias oportunidades. Mas, como sou um pobre coitado, num oceano de formadores de opinião, termino falando ao léu. Sou, na verdade um enxerido. Tenho consciência disso. Mas, não deixo de exercitar minha cidadania, como posso.
Toda vez que volto de uma viagem ao exterior sinto uma profunda tristeza de ver como nossa história e memória é relegada aos níveis mais inferiores possiveis. Mesmo sabendo que vivemos num país de muitos ignorantes e analfabetos, não se justifica que uma minoria letrada e culta não se preocupe em defender o que herdou da bela história que temos e que poderia ser melhor contada com um patrimônio preservado e exposto debaixo de holofotes. O que temos preservado é muito pouco... E é pouco porque não temos uma política enérgica de preservação, com recursos suficientes, e os governantes – a quem compete administrar com cuidado o patrimônio – são totalmente desinteressados e míopes para esse assunto. Aliás, os que governam, particularmente a “safra” atual, não têm cultura suficiente e nem se esforçam para ter. São uns pobres coitados. Dá dó. Já vi gente de governo pernambucano, em missão oficial, ignorando o que via numa cidade importante da Europa, passando longe das portas dos museus e declarando achar horrível alguns conjuntos arquitetônicos preservados. Para meu espante maior, quando tinha tempo livre, corria às compras. Não me perguntem quando, nem quem.... Só sei que foi uma lástima... Sofri por testemunhar.
Mas, resolvi mesmo fazer esta postagem ao ler no Diário de Pernambuco, de 14/04/10, uma matéria de capa estarrecedora, com o titulo de “História do Estado Vira Pó”. Imagine que “um tesouro da história e cultura de Pernambuco, a casa-grande do Engenho São Bartolomeu, (vide foto da Casa, ainda em pé) construída em 1636, em Jaboatão dos Guararapes, foi inteiramente destruída pelo atual proprietário” certamente revoltado porque o mesmo Diário em reportagem publicada, poucos dias antes, dava conta de que a prefeitura do município manifestava o sadio interesse de tombar o imóvel. Às vezes acontece! Um imóvel de 374 aninhos. Serviu de abrigo para judeus, cristãos-novos e holandeses, fugindo de perseguições, após a derrota no Monte dos Guararapes, no Século 17. O jornal trás grandes fotos na primeira capa, ilustrando o fato. Não sei quem pode ser essa figura abominável, não quero saber e fujo de quem ameaçar declinar o nome desse doente mental. Aliás, doente mental é, até, elogio. O cara é mesmo um imbecil, um desclassificado. Para mim, somente prisão perpétua, daria jeito nele, para não cometer novos crimes desse tipo. Um típico crime de lesa-pátria. Fala-se que a Procuradoria de Justiça vai processá-lo e cobrar a reconstrução da casa-grande destruída. Duvido, porque nessa terra só por milagre coisas desse gênero são corrigidas. Vamos esperar.
Pobre Recife, triste Olinda e coitado do estado de Pernambuco que vêem, a cada dia, o deletar das suas bravas e belas histórias, fruto dos descasos e irresponsabilidade dos ignorantes que ainda grassam nesta terra de meu Deus.
NOTA: A foto foi obtida no Google Imagens.

sábado, 10 de abril de 2010

Desastres de 2010

Ando ressabiado com este ano de 2010. Muitas tragédias e de grandes dimensões. Uma atrás da outra. Desde o réveillon, não param de acontecer. Angra dos Reis, torós renitentes em São Paulo, terremotos no Haiti e Chile, outros pontos mais, mundo afora. E agora o Rio de Janeiro. Haja Deus! Mal tivemos tempo de respirar e eis que, esta semana, um temporal de proporções gigantescas desaba sobre a Cidade Maravilhosa deixando o país inteiro em estado de choque.
Tenho acompanhado atentamente o noticiário e, ao mesmo tempo, me comunicado com familiares ou pessoas amigas, no Rio, que me dão idéia da tragédia. É tudo tão dramático e aterrador, que chega a ser inacreditável. (Vide fotos nesta postagem). Esse desmoronamento, de ontem, do Morro do Bumba (ou Bumbá, não sei bem), em Niterói, é uma coisa comparável a um terremoto. Talvez pior! Pense no que seja catar sobrevivente ou vitimas fatais num terreno molhado e pesado. Sei não.
No ano passado, visitando um estaleiro Ilha do Governador, às margens da Baia da Guanabara, espantei-me com moradias “penduradas” nos morros vizinhos, verdadeiros desafios à lei da gravidade. Escrevi uma postagem, aqui no Blog, intitulada de “Vende-se uma Laje”. O titulo foi tirado de um anúncio que divisei, desde meu ponto de observador, sobre uma construção tosca de, pelo menos, três andares. Não sei como conseguiram levar material de construção àquele ponto do morro. Chega um primeiro, vem e constrói uma moradia, cobre com uma laje, que em seguida é vendida para servir de base para outra moradia e assim por diante. Vi verdadeiros edifícios com mais de cinco pisos. Uma temeridade. Acima dessas precárias construções vem, quase sempre, uma mata virgem que, segundo engenheiros do estaleiro, estão ali plantadas numa tênue camada de terra que numa chuva mais severa vem abaixo provocando imensas tragédias. Isto é o que se chama “viver na corda bamba”. É assim que vive uma boa parcela dos cariocas. Aliás, na maioria, nem são cariocas e sim forasteiros que migram para a Cidade Maravilhosa em busca de um “lugar ao sol”. Nordestinos, tem por todo lado.
Andei escutando algumas entrevistas com especialista cariocas, entre as quais a do, se não me engano, Professor Elton Nascimento, da UFRJ, que garantiu haver trabalhado, há dois anos, numa pesquisa cujos resultados davam contas da fragilidade da estrutura urbana carioca, despreparada para situações calamitosas como a desta semana. Morros e encostas sem a menor segurança, população entregue à sorte, rede de drenagem urbana obsoleta e entupida de lixos, sistema viário saturado pelo fantástico número de veículos circulando, enfim, um ambiente propício ao caos. Ou seja, a tragédia desta semana foi algo anunciado e pouco assimilado pelas autoridades. As recomendações da pesquisa repousam sobre a mesa de algum decisor indeciso de plantão.
Agora, o mais preocupante e que se tornou motivo de críticas nos jornais estrangeiros é o fato de se tratar da cidade sede das Olimpíadas de 2016. A pergunta que não cala, nos quatro cantos do mundo, é: terá o Rio de Janeiro condições de se preparar para os dois eventos mundiais que se aproximam, isto é, Copa do Mundo e Olimpíadas? Vai ser duro...
Mas, saindo do Rio e pensando no Recife, fico imaginando que – maluco como anda o tempo – algo bem dramático pode acontecer por aqui. Deus nos livre de um toró. O Recife, não precisa muito esforço para observar, está despreparado para um inverno pouquinho mais rigoroso. Eu mesmo, que vivo no bairro dos Aflitos, fico aflito quando cai um “pé d´água” mais forte. Não saio de casa. Minha rua alaga, vira um belo curso de águas. Talvez para fazer jus ao nome que tem, isto é, Teles Junior, artista famoso pelas marinhas que pintava.
Tem uma coisa, não é somente nos Aflitos que o recifense fica aflito. Tem aflição por todo lado da cidade. Avenidas importantes e de tráfego intenso se transformam em verdadeiras raias olímpicas para canoagem. Na Agamenon Magalhães, espinha dorsal da região metropolitana, o desafio é manter o veículo na pista de rolamento e se livrar de cair no canal central. Outras avenidas ficam, igualmente, intransitáveis. (Vide essa última foto, de uma chuvarada recente) Nem quero pensar nos morros. Deus que proteja essa gente infeliz, que, de tola, vota nos incompetentes que não limpam a cidade, não protege as populações dos alagados, não salva os que vivem em condições subumanas e acham que dando a Bolsa Família já é o bastante.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens, todas desta semana no Rio de Janeiro.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Salvemos a CHESF

Êpa! Êpa! Olhe o Nordeste mais uma vez sendo marginalizado, pela administração federal, por conta da incurável miopia (ou cegueira?) em relação às coisas da Região. Pois é... Querem, porque querem apagar, de vez, o imenso esforço político regional que se produziu, no século passado, para se construir uma estrutura ágil e, sobretudo, eficiente, com vistas a tirar a Região do renitente estado de pobreza e subdesenvolvimento. Pensando bem, estão implodindo, de um em um, os pilares dessa estrutura.
Em 2001, foi a desmontagem da SUDENE, pelo Governo FHC, que de modos inequívoco e irreparável abalou as estruturas administrativas regionais. Agora, investem contra a Companhia Hidrelétrica do São Francisco - CHESF.
No caso da SUDENE, a desculpa foi de que a entidade, ao longo da sua existência, se desviou do seu projeto inicial, transformando-se num antro de corrupção, dirigida por políticos ambiciosos e ávidos por roubar e desviar verbas públicas. Mas, viram somente um lado da moeda, porque, até hoje, ninguém pode negar o papel fundamental, eu disse fundamental, que a agencia regional desempenhou na defesa dos interesses e do desenvolvimento regional. Esqueceram dos tempos da construção de um Novo Nordeste, num colossal canteiro de obras. Sem a SUDENE não estaríamos vivendo os dias de euforia e desenvolvimento que hoje vivemos. A história irá julgar melhor do que eu, porque, afinal, sou uma cria histórica da Casa. A SUDENE não foi, apenas, 34/18 e Finor, motivadores da extinção. Foi muito mais do que isto. Isto não pode ser negado! E, esse “faz de conta” de SUDENE que Lula, numa jogada politiqueira, pensa que recriou, na prática, não existe!
Mas, o assunto hoje não é SUDENE e sim o estúpido esvaziamento que se processa na CHESF.
A Companhia Hidroelétrica do São Francisco, além de inaugurar uma fase histórica da produção de energia elétrica limpa e natural neste país, com base no uso racional das parcas disponibilidades hídricas locais, dotou o Nordeste da fundamental infra-estrutura energética, necessária ao seu desenvolvimento. Fez parte, de forma concreta, da construção estruturalista de desenvolvimento regional, ainda na remota década de quarenta, no Governo Vargas. Foi constituída em 1948 e de lá para cá só rendeu progresso e renda. Nunca se ouviu falar de dificuldades e sim de crescimento e lucros.
A estratégia do Governo Federal, neste momento, pressionado pelo PMDB governista e liderado por Sarney, que há muito tempo manda e desmanda no Ministério das Minas e Energia, é concentrar - para racionalizar a administração dos cofres públicos - na Eletrobrás todo o poder de gerenciar os resultados e recursos para o setor elétrico nacional, tirando das geradoras e distribuidoras de energia, entre as quais a Chesf, a autonomia de gerir os resultados das suas próprias receitas, que passam a ser administradas pela estatal acima citada. Vai ser uma festa!
Ora, minha gente, estamos falando da maior geradora de energia elétrica do Brasil (dados de 2007), com 10.737.798 kW, operadora de dez usinas hidreletricas e uma termelétrica. Somente em Xingó a maior do sistema da Chesf o poder de geração é de 3.162 MW. (Vide foto a seguir). Para quem entende do “tricot” isso é muita energia e uma inesgotável fonte de renda, que enche os olhos de qualquer governo guloso. Resumo da ópera: vão esvaziar a nossa Chesf, inclusive apagando o nome dela do portal, dando maior visibilidade à marca da Eletrobrás. E o dinheiro gerado? Ah! Vai para um saco único, certamente sem fundo, na sede da estatal, no Rio de Janeiro, debaixo dos atentos olhos gordos do Palácio do Planalto e do “imperador” do Maranhão.
Onde estão nossos autênticos representantes políticos? Como pode o PT, que se diz defensor dos fracos e oprimidos, deixar acontecer uma desgraça dessas? Tenha dó... A Chesf não pode perder sua autonomia e deixar de administrar os recursos que gera. Lutemos contra essa estratégia espúria. Salvemos nosso patrimônio.
NOTA: Foto do Google Imagens

domingo, 28 de março de 2010

Imagens Colombianas, ainda.

Ainda estou sob efeito das imagens colombianas que guardei, em decorrência da viagem a Colômbia, na semana passada. Muitas coisas poderiam ser lembradas neste Blog. Mas, o espaço seria exíguo. De todo modo, sinto-me instigado a falar de três coisas que me deixaram extasiado nessa ida a Bogotá:
1 – Catedral de Sal de Zipaquirá: Na década de 70 estive pela primeira vez na Colômbia e logo me convidaram para conhecer a Catedral de Sal de Zipaquirá ( pequena cidade, distante 50 kms. ao Norte de Bogotá). Aquilo me pareceu, na época, uma coisa fantástica. Primeiro eu imaginava que sal só era retirado do mar (sal marinho) e nunca das entranhas da Terra. Numa imensa montanha de sal, os indígenas locais, os muiscas, retiravam o chamado sal da terra desde a época colonial. No século 20, nas cavernas resultantes da extração de milhões de toneladas de sal para consumo humano e industrial, os mineiros resolveram instalar um templo católico. A original que conheci, inaugurado em 1954, foi desativado em 1990 por se mostrar insegura aos fiéis e
visitantes, devido aos efeitos erosivos das muitas infiltrações que surgiram ao longo dos tempos. Para substituir a antiga catedral o governo colombiano resolveu investir pesado na construção de uma nova, mais segura e mais atrativa, como uma grande atração turistica. De fato, conseguiram fazer algo surpreendente. Inaugurada em 1995, a nova igreja causa imenso impacto ao visitante. A galeria, hoje existente, escavada na montanha conduz o fiel/turista por uma Via Crucis, escavada na montanha de sal, imprimindo emoção a cada uma das quatorze estações. O final do percurso, sempre adentrando ao subsolo, leva à nave central da Catedral dominada por imensa cruz de 16 metros de altura e 10 de braços. A maior cruz subterrânea do mundo, diz orgulho o guia da visitação. Situada a 180 metros de profundidade a referida nave tem capacidade de receber 10.000 pessoas. Vide fotos.
2 – Museu do Ouro: Esta é outra atração imperdível para quem visita a capital colombiana. Nas instalações do Banco da Republica, na zona central de Bogotá, o visitante vai encontrar uma das mais fabulosas coleções, cerca de 38.000 peças indígenas pré-colombianos – em puro ouro – guardados numa verdadeira caixa forte e vigiadas as vinte e quatro horas do dia. Os muiscas, da nação dos chibchas, que habitavam a região da Colômbia, antes da chegada dos espanhóis, eram exímios artesãos do ouro e legaram ao mundo moderno essa maravilha que pode ser vista no museu de Bogotá. Vide foto. 3 – A terceira grande atração, que destaco em Bogotá, e que tive o prazer de visitar, fica por conta do Museu Botero. Fernando Botero é, sem duvida, o maior expoente das artes plásticas contemporânea da Colômbia. Nascido em 1932, em Medelín, Botero se notabilizou, no mundo inteiro, pelas figuras rotundas que passou às imensas telas e esculpiu em mármore negro ou branco. Instalado num anexo do Museu Nacional, nas antigas dependências da Casa da Moeda da Colômbia, no centro histórico de Bogotá, o Museu Botero guarda as mais importantes obras do pintor/escultor, encantando a todos que chegam até lá. Por amor ao povo e à pátria colombiana Fernando Botero adotou uma estratégia inteligentíssima ao trocar suas obras, quando requeridas por museus e galerias internacionais, por obras de pintores ou escultores famosos, acumulando-as numa coleção particular, depois expostas no próprio Museu Botero. O resultado é que ao visitar esse museu que leva seu nome o visitante tem a oportunidade de ver obras de outros monstros sagrados das artes plásticas mundial. Entre os muitos que vi, lembro das obras de Picasso, Salvador Dali, Renoir, Monet e Degas.
Nota: Fotos do Blogueiro.

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...