terça-feira, 6 de abril de 2010

Salvemos a CHESF

Êpa! Êpa! Olhe o Nordeste mais uma vez sendo marginalizado, pela administração federal, por conta da incurável miopia (ou cegueira?) em relação às coisas da Região. Pois é... Querem, porque querem apagar, de vez, o imenso esforço político regional que se produziu, no século passado, para se construir uma estrutura ágil e, sobretudo, eficiente, com vistas a tirar a Região do renitente estado de pobreza e subdesenvolvimento. Pensando bem, estão implodindo, de um em um, os pilares dessa estrutura.
Em 2001, foi a desmontagem da SUDENE, pelo Governo FHC, que de modos inequívoco e irreparável abalou as estruturas administrativas regionais. Agora, investem contra a Companhia Hidrelétrica do São Francisco - CHESF.
No caso da SUDENE, a desculpa foi de que a entidade, ao longo da sua existência, se desviou do seu projeto inicial, transformando-se num antro de corrupção, dirigida por políticos ambiciosos e ávidos por roubar e desviar verbas públicas. Mas, viram somente um lado da moeda, porque, até hoje, ninguém pode negar o papel fundamental, eu disse fundamental, que a agencia regional desempenhou na defesa dos interesses e do desenvolvimento regional. Esqueceram dos tempos da construção de um Novo Nordeste, num colossal canteiro de obras. Sem a SUDENE não estaríamos vivendo os dias de euforia e desenvolvimento que hoje vivemos. A história irá julgar melhor do que eu, porque, afinal, sou uma cria histórica da Casa. A SUDENE não foi, apenas, 34/18 e Finor, motivadores da extinção. Foi muito mais do que isto. Isto não pode ser negado! E, esse “faz de conta” de SUDENE que Lula, numa jogada politiqueira, pensa que recriou, na prática, não existe!
Mas, o assunto hoje não é SUDENE e sim o estúpido esvaziamento que se processa na CHESF.
A Companhia Hidroelétrica do São Francisco, além de inaugurar uma fase histórica da produção de energia elétrica limpa e natural neste país, com base no uso racional das parcas disponibilidades hídricas locais, dotou o Nordeste da fundamental infra-estrutura energética, necessária ao seu desenvolvimento. Fez parte, de forma concreta, da construção estruturalista de desenvolvimento regional, ainda na remota década de quarenta, no Governo Vargas. Foi constituída em 1948 e de lá para cá só rendeu progresso e renda. Nunca se ouviu falar de dificuldades e sim de crescimento e lucros.
A estratégia do Governo Federal, neste momento, pressionado pelo PMDB governista e liderado por Sarney, que há muito tempo manda e desmanda no Ministério das Minas e Energia, é concentrar - para racionalizar a administração dos cofres públicos - na Eletrobrás todo o poder de gerenciar os resultados e recursos para o setor elétrico nacional, tirando das geradoras e distribuidoras de energia, entre as quais a Chesf, a autonomia de gerir os resultados das suas próprias receitas, que passam a ser administradas pela estatal acima citada. Vai ser uma festa!
Ora, minha gente, estamos falando da maior geradora de energia elétrica do Brasil (dados de 2007), com 10.737.798 kW, operadora de dez usinas hidreletricas e uma termelétrica. Somente em Xingó a maior do sistema da Chesf o poder de geração é de 3.162 MW. (Vide foto a seguir). Para quem entende do “tricot” isso é muita energia e uma inesgotável fonte de renda, que enche os olhos de qualquer governo guloso. Resumo da ópera: vão esvaziar a nossa Chesf, inclusive apagando o nome dela do portal, dando maior visibilidade à marca da Eletrobrás. E o dinheiro gerado? Ah! Vai para um saco único, certamente sem fundo, na sede da estatal, no Rio de Janeiro, debaixo dos atentos olhos gordos do Palácio do Planalto e do “imperador” do Maranhão.
Onde estão nossos autênticos representantes políticos? Como pode o PT, que se diz defensor dos fracos e oprimidos, deixar acontecer uma desgraça dessas? Tenha dó... A Chesf não pode perder sua autonomia e deixar de administrar os recursos que gera. Lutemos contra essa estratégia espúria. Salvemos nosso patrimônio.
NOTA: Foto do Google Imagens

11 comentários:

EDUARDO MOTA disse...

ghdhdhhddhh
jkkisjdj
ploki


TESTE

Paula Gonçalves disse...

Girley,
além de toda estrutura já comentada por você, não podemos esquecer que a Chesf hoje é uma das empresas que mais investem em cultura e projetos sociais e ambientais no Nordeste.
É lamentável este esvaziamento.

Orlando Chalegre disse...

Prezado Girley:

Mais uma vez comento sobre o assunto abordado por vc e mais uma vez venho concordar com sua opinião, haja vista ser um Chesfiano desde 1977, hoje reintegrado à mesma após 18 anos de luta pelo cumprimento da lei que anistiou os demitidos do governo Collor, porém gostaria de aproveitar a oportunidade de colocar neste espaço que vc nos proporciona, meu lamento no que diz respeito às manifestações que ora acontecem em defesa da manutenção da autonomia da nossa querida CHESF, pois elas apesar de justas estão chegando tarde demais.

É do conhecimento de muitos que esse processo estava por acontecer, não obstante as declarações do Chesfiano presidente da Eletrobrás desmentindo-as.

Políticos, Sindicalistas, Imprensa e os Próprios chesfianos tinham conhecimento das mudanças que eram articuladas em Brasília.

Resta-nos apelar para nossa tão imortal esperança e pedir ao Grande Arquiteto do Universo que ilumine as mentes daqueles que têm o poder de reverter esta situação.

Aqui em Curitiba onde me encontro trabalhando como Chesfiano à disposição do TRT 9ª Região estou acompanhando o andamento desse processo torcendo pelo exito da reversão do mesmo.

Um grande abraço do amigo

Orlando Chalegre

Giovanni Scandura disse...

Parabéns, grande GIRLEY: vc fez a sua parte!!
Abraços
Giovanni Scandura

BALANÇO DE UMA VIDA disse...

É isto ai meu caro companheiro Girley, você conhece o caminho das pedras, vivendo com a Chesf, tendo bastante autoridade para protestar e impedir outra sude-nada. Parece que tratam as coisas importantes do Brasil, com se fose aquela história de uma familia pobre, que começou a fazer o projeto do burrinho que ia nascer e o filho ia logo dizendo o burrinho é meu e, foi querendo se montar antes que ele nascesse e o pai reclamando, dizia: sai de cima do burrinho se não ele morre, malvado...

Baiano da Nigeria disse...

Girley
O que vai ocorrer com a CHESF já está acontecendo. O poder decisorio dela é uma miragem. Tudo vem da Eletrobras.
Em segundo lugar, minha fonte lá me disse que a CHESF caminha para o enfraquecimento por uma questão tecnica. O potencial hidreletrico do Sao Francisco so comporta, talvez, mais uma hidreletrica de medio porte. Para a CHESF aumentar suas receitas no futuro, precisa ampliar seu parque de geração/transmissão de energia eletrica para outras fontes tipo eolica, solar, e nuclear.
Para que essa ampliação ocorra, uma das formas mais viaveis será atraves da ampliação de poder que uma marca unica chamada ELETROBRAS poderá conseguir.
Assim sendo, essa defesa da CHESF, embora compreensivel do ponto de vista do regionalismo festeiro-eleitoral e do sentimentalismo petista. Abraçar a CHESF dependendo de onde aconteca, pode ater dar choque!!!
Enfim, ao mesmo tempo que essa celeuma acontece, atraves da ELETROBRAS, a CHESF vai construir e operar um hidreletrica na Nicaragua internacionalizando-se pela primeira vez em seus 62 anos de vida. Ora, se fosse para enfraquecer, isso jamais ocorreria, não achas??
Abraços Nigerianos!!!
Baiano da Nigeria

Daniel Breda disse...

Prezado Girley,

Parabéns por mais uma postagem pontual e precisa. Esta deveria ir para O Globo, Folha de SP e afins!

Devo discordar, como é o tom da discussão, do respeitável colega Baiano da Nigéria, no que tange à idéia de que a elisão do nome CHESF fortalece a empresa no desenvolvimento de novas fontes energéticas além da hidrelétrica. E acredito que o último comentário corrobora exatamente a minha discordância: se a marca CHESF é forte o suficiente para internacionalizar-se, porque não o seria para diversificar-se?

A bandeira da Chesf não é petista, psdobista ou eleitoreira. Ela é legítima no sentido de um projeto de descentralização do processo de desenvolvimento deste país.

Um forte abraço!

Daniel Breda

Beta Marinho disse...

Parabens Girley
Fiquei muito contentedo com o Salvemos a Chesf. Afinal de contas ela é um Simbolo Mitico para nós nordestinos.
Beta Marinho
Abraços,
Beta

Anônimo disse...

Girley Mais uma vez você faz um gol. Acabaram com a SUDENE, que, como v. diz não era somente o FINOR, mas as pessoas não sabem ou fingem não saber que a SUDENE instalou e estruturou, por todo o NE, programas e projetos nas áreas de educação,saúde,recursos naturais,transporte,treinamento,eletrificação,planej.urbano,agropecuária, abastecimento e muitos mais. Agora é a Chesf. É lamentável, mas o pior vem por aí com um paulistano na presidência. "Se correr o bico pega, se ficar o bicho come" Que fazer? Leony

Leony Muniz disse...

Girley
Mais uma vez você faz um gol. Acabaram com a SUDENE, que, como v. diz não era somente o FINOR, mas as pessoas não sabem ou fingem não saber que a SUDENE instalou e estruturou, por todo o NE, programas e projetos nas áreas de educação,saúde,recursos naturais,transporte,treinamento,eletrificação,planej.urbano,agropecuária, abastecimento e muitos mais. Agora é a Chesf. É lamentável, mas o pior vem por aí com um paulistano na presidência. "Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come" Que fazer?
Leony Muniz

Anônimo disse...

Caro Girgley, bom dia!
A minha impressão sobre o esvaziamento da CHESF, perdendo a sua autonomia para Eletrobrás, não seria o inicio do processo de privatização da mesma?
Quando FHC tentou privatizá-la houve uma forte reação e o projeto foi arquivado.
Com o novo modelo, em breve, a Eletrobrás daria iniciaria o processo que nós pudéssemos nada fazer.
É o que penso.
José Mário