sábado, 10 de abril de 2010

Desastres de 2010

Ando ressabiado com este ano de 2010. Muitas tragédias e de grandes dimensões. Uma atrás da outra. Desde o réveillon, não param de acontecer. Angra dos Reis, torós renitentes em São Paulo, terremotos no Haiti e Chile, outros pontos mais, mundo afora. E agora o Rio de Janeiro. Haja Deus! Mal tivemos tempo de respirar e eis que, esta semana, um temporal de proporções gigantescas desaba sobre a Cidade Maravilhosa deixando o país inteiro em estado de choque.
Tenho acompanhado atentamente o noticiário e, ao mesmo tempo, me comunicado com familiares ou pessoas amigas, no Rio, que me dão idéia da tragédia. É tudo tão dramático e aterrador, que chega a ser inacreditável. (Vide fotos nesta postagem). Esse desmoronamento, de ontem, do Morro do Bumba (ou Bumbá, não sei bem), em Niterói, é uma coisa comparável a um terremoto. Talvez pior! Pense no que seja catar sobrevivente ou vitimas fatais num terreno molhado e pesado. Sei não.
No ano passado, visitando um estaleiro Ilha do Governador, às margens da Baia da Guanabara, espantei-me com moradias “penduradas” nos morros vizinhos, verdadeiros desafios à lei da gravidade. Escrevi uma postagem, aqui no Blog, intitulada de “Vende-se uma Laje”. O titulo foi tirado de um anúncio que divisei, desde meu ponto de observador, sobre uma construção tosca de, pelo menos, três andares. Não sei como conseguiram levar material de construção àquele ponto do morro. Chega um primeiro, vem e constrói uma moradia, cobre com uma laje, que em seguida é vendida para servir de base para outra moradia e assim por diante. Vi verdadeiros edifícios com mais de cinco pisos. Uma temeridade. Acima dessas precárias construções vem, quase sempre, uma mata virgem que, segundo engenheiros do estaleiro, estão ali plantadas numa tênue camada de terra que numa chuva mais severa vem abaixo provocando imensas tragédias. Isto é o que se chama “viver na corda bamba”. É assim que vive uma boa parcela dos cariocas. Aliás, na maioria, nem são cariocas e sim forasteiros que migram para a Cidade Maravilhosa em busca de um “lugar ao sol”. Nordestinos, tem por todo lado.
Andei escutando algumas entrevistas com especialista cariocas, entre as quais a do, se não me engano, Professor Elton Nascimento, da UFRJ, que garantiu haver trabalhado, há dois anos, numa pesquisa cujos resultados davam contas da fragilidade da estrutura urbana carioca, despreparada para situações calamitosas como a desta semana. Morros e encostas sem a menor segurança, população entregue à sorte, rede de drenagem urbana obsoleta e entupida de lixos, sistema viário saturado pelo fantástico número de veículos circulando, enfim, um ambiente propício ao caos. Ou seja, a tragédia desta semana foi algo anunciado e pouco assimilado pelas autoridades. As recomendações da pesquisa repousam sobre a mesa de algum decisor indeciso de plantão.
Agora, o mais preocupante e que se tornou motivo de críticas nos jornais estrangeiros é o fato de se tratar da cidade sede das Olimpíadas de 2016. A pergunta que não cala, nos quatro cantos do mundo, é: terá o Rio de Janeiro condições de se preparar para os dois eventos mundiais que se aproximam, isto é, Copa do Mundo e Olimpíadas? Vai ser duro...
Mas, saindo do Rio e pensando no Recife, fico imaginando que – maluco como anda o tempo – algo bem dramático pode acontecer por aqui. Deus nos livre de um toró. O Recife, não precisa muito esforço para observar, está despreparado para um inverno pouquinho mais rigoroso. Eu mesmo, que vivo no bairro dos Aflitos, fico aflito quando cai um “pé d´água” mais forte. Não saio de casa. Minha rua alaga, vira um belo curso de águas. Talvez para fazer jus ao nome que tem, isto é, Teles Junior, artista famoso pelas marinhas que pintava.
Tem uma coisa, não é somente nos Aflitos que o recifense fica aflito. Tem aflição por todo lado da cidade. Avenidas importantes e de tráfego intenso se transformam em verdadeiras raias olímpicas para canoagem. Na Agamenon Magalhães, espinha dorsal da região metropolitana, o desafio é manter o veículo na pista de rolamento e se livrar de cair no canal central. Outras avenidas ficam, igualmente, intransitáveis. (Vide essa última foto, de uma chuvarada recente) Nem quero pensar nos morros. Deus que proteja essa gente infeliz, que, de tola, vota nos incompetentes que não limpam a cidade, não protege as populações dos alagados, não salva os que vivem em condições subumanas e acham que dando a Bolsa Família já é o bastante.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens, todas desta semana no Rio de Janeiro.

10 comentários:

Dixie (Venezuela) disse...

Mi gran amigo, lamento mucho lo que pasa con su hermosa ciudad, mis respetosa los fallecidos y sus familiares, tenga mucha confianza en Dios, el todo lo puede, cuida mucho de tu famila, aca los tenemos muy presentes, un gran beso....

Dixie Venezuela......

Don (Jamaica) disse...

Girley,
My sincere sympathies to you and the people of Brazil. Please stay safe and help your people.
We the people of Jamaica share in your sadness and wish your people good health and quick recovery
Don
Sent via BlackBerry.Don

Baiano da Nigéria disse...

Prezado Girley,

Concordo em grau, numero, e genero com suas colocações e preocupações relativas a incidencia de tragedias que vêm ocorrendo no munto em 2010. Porém, concentrando-me na parte final onde voce se refere ao Recife, vejo que, aqui, a tragédia poderia ser evitada. Que ela vai acontecer, mais dia, menos dia, isso vai sim.
Chamo sua atenção para algumas tragedias imperceptiveis ao olho popular.
1. Nossos legislativos, excetuando-se o Senado, são todos ilegitimos, e ninguem se espanta com isso. Nossos deputados e vereadores legislam em causa propria todos os dias, vendem-se em mensalões, e, no final de tudo, fica tudo por isso mesmo. Lembre-se, quando Eneas foi eleito deputado com 1,5 milhão de votos em SP, levou deputados para Brasilia com votações de uns 200 votos. Quem teve 80.000, perdeu. A solução, o voto distrital, ninguem sabe, conhece, e ainda por cima critica sem conhecer!!! Aí, quando os caras criam emendas absurdas, ninguem nota que estão fazendo caixa para a proxima campanha.
2. O limite (hoje) para gastos com pessoal no serviço publico é de 60% das receitas. Isso, porque no ex-governador Joaquim Francisco conseguiu ver aprovada essa lei quando ainda era deputado. Voce já imaginou o que seria de Pernambuco de todas as empresas filiadas ao SIMMEPE gastasse esse limite com pessoal? Faliam todas!! Pra piorar, ainda tem a estabalidade no emprego sob o falso argumento de evitar perseguições. Não sou contras os altos salarios para evitar corrupções mas, veja bem, se salario baixo fosse sinomimo de tendencia à corrupção, nossas empresas privadas seriam um poço de ladroes e corruptos, o que não é verdade.
3. Por ultimo, fui ontem ate Prazeres e tive o desprazer de entrar num engarrafamento absurdo na Estrada da Batalha. O trabalho que está sendo feito alí hà muito é necessário. Mas, não entendo o motivo de não terem feito um desvio antes de fazerem a intervenção, colocando os motoristas em risco, passando pelo meio de uma obra inacabada. O que havia para os carros passarem era um horror. Não havia estradas, só buracos.
Meu amigo, a maior tragedia no Recife, ainda está por vir. Não é culpa do atual prefeito, nem culpo os anteriores. A culpa é de todos nós. Ontem, mais uma vez, vi um sujeito em carrão importado, jogar seu lixo pela janela do carro. Dois estrangeiros que estavam comigo ficaram horrorizados. A Abdias de Carvalho estava limpa e, sua majestade jogou o lixo para os outro apanharem. Desse jeito, apanhamos todos nós!!!
Saudações Nigerianas!!!
Baiano da Nigéria

Girley Brazileiro disse...

Meus caros leitores,
Como falei na postagem, amanheci o dia de hoje (10 de abril) ilhado. Minha rua virou um belo curso d´água. O transito viorou um caos, por pelo menos duas horas. E olhe que a chuva que caiu não foi nehum toró.
A prefeitura precisa, mas, não enxerga nossa situação. E o interessante é que me disseram que o vice-prefeito mora num predio ao lado meu. Se for verdade, acho que o rapaz não tem prestigio na alcadia...
GB

phcosta disse...

Amigo,

Não tenho dúvidas que estamos recebendo sinais. Os mais crédulos dirão que trata-se do fim do mundo, tão alardeado pelos profetas.

Uma coisa, porém é certa. Os maus tratos com a natureza e o descaso das autoridades tornarão nossas cidades cada vez mais inabitáveis, seja pelo trânsito caótico ou pelas intempéries que somos obrigados a conviver.

Sinceramente, não vejo saída senão partir para lugares mais seguros e amenos. Já fiz isso qdo vim morar em Aldeia, porém ainda estou preso ao trabalho na cidade.

Que Deus nos proteja!

Philipe

Restony Alencar disse...

Caro Girley, Há tempos merecemos que se devolva a graça e o valor devido ao recife antigo, um verdadeiro assassinato com a História deste País, ppor simples falta de prioridade e atitude do Município para com este inestimável patrimônio jogado literalmente às traças!! Abcs, Restony de Alencar

Regina Pinto Ferreira disse...

Olá Girley!

A natureza vem respondendo aos constantes ataques do homem ao planeta Terra, em todos os continentes.
Além do mais, os políticos devem aplicar devidamente os impostos recebidos. À propósito, um dos impostos mais caros do mundo.
Isso tem a consequência que estamos assistindo, completamente impotentes. Deus nos ajude.

Maria Regina

Mauro Gomes disse...

Caro Girley,

Termo pela nossa cidade, pois o calor absurdo que tem feito ultimamente pode ser o prenúncio de um inverno ultra rigoroso.

Mauro Gomes

Geraldo Casado disse...

Girley,
Há um livro inglês que chama-se ( The Good die young ) ,-
cujo a estória tem pouco haver com o desastre no Rio de Janeiro, mas o título tem.- Os bons morrem cedo- aquela gente boa, pobre, indefesa, morre de forma trágica,e, pensar que os culpados estão nas coberturas da Vieira Souto.-E veja, não sou comunista.-
O abraço de sempre.-
Geraldo Casado

Maria Regina Pinto Ferreira disse...

Oi Girley:

1. Obrigada pelo registro no Blog.
2. Ainda, sinto uma imensa preocupação com chuvas no Recife. Basta uma manhã com chuva intensa para as ruas ficarem alagadas. Na última perdi a placa do carro. Nem deveria falar em um problema tão pequeno como esse, diante do que já vi na TV. Mas nossas ruas ficam intransitáveis. As nossas galerias são obstruídas.
Espero que o inverno não seja rigoroso na nossa cidade. Deveremos colocar a culpa na chuva, em caso de grande alagamento??? Ou já é hora do poder público iniciar a limpeza na nossa cidade para o próximo inverno?
3. Só resta rezar por um inverno tranquilo no Recife.
Maria Regina.