O X da
questão agora é projetar o que vem depois. Como será o amanhã? Que o mundo será
outro todos nós sabemos. A reviravolta que a pandemia causou na
humanidade é coisa sem precedentes. Não foi a peste negra (1346-1353), nem a
gripe espanhola (1918-20) que abalaram no bastante as estruturas da sociedade da época.
Esta de agora, sim. Pudera, o mundo é outro completamente diferente de um século
atrás. Ou vários séculos atrás. Hoje é tudo muito diferente, graças aos avanços
tecnológicos e a dinâmica de relações internacionais que se instalaram ao longo
dos últimos cem anos. As especulações,
além de muitas, são todas muito discutíveis. E somente a experiência é que vai nos permitir conferir.
Fala-se muito e é verdade que o mundo vai girar, com mais intensidade, em torno das atividades virtuais. As pessoas estão em proporções significativas aderindo às ações via internet e a pandemia, com as quarentenas impostas, serviu de um grande exercício em massa. Não que seja uma novidade, mas, antes disso, era algo parcial. Nem todo mundo estava disposto a adotar.
Já o homeoffice é outra coisa que se ouve
muito nesses dias de quarentena. Ouve-se dizer que algumas companhias vão
adotar praticamente tudo que seja possível a ser exercido à distância. Acredito
que em muitos países isto será viável e, pensando bem, já é praticado com concreta normalidade. Aliás,
as grandes corporações, mundo afora, fazem uso da chamada Intranet o que amplia consideravelmente a produtividade, que é coisa sempre perseguida. Pequenas
empresas já descobriram as vantagens disso. Contudo, em se tratando de trabalho
em casa é impossível não discutir essa estratégia em sendo aplicada no Brasil. Tenho
dúvidas a respeito do comprometimento pessoal de cada indivíduo em face da
cultura brazuca. Infelizmente. Creio que será preciso um longo aprendizado
para cumprir horários, formatar um completo ambiente de trabalho doméstico,
saber distinguir as obrigações profissionais das particulares, administrar com inteligência
os efeitos das eventuais e naturais instabilidades emocionais e, enfim, comprovar
a dedicação e competência para encarar o homeoffice. Rigorosos sistemas de avaliação terão que ser adotados. Destaco, entretanto, que nada é impossível. Até porque existe brasileiros sérios. Tomara que tenhamos sucesso.
Fala-se muito e é verdade que o mundo vai girar, com mais intensidade, em torno das atividades virtuais. As pessoas estão em proporções significativas aderindo às ações via internet e a pandemia, com as quarentenas impostas, serviu de um grande exercício em massa. Não que seja uma novidade, mas, antes disso, era algo parcial. Nem todo mundo estava disposto a adotar.
Ocorre que conviver com esse mundo virtual é preciso habilidade, confiança e, sobretudo
condições econômicas diferenciadas. Além de instrução educacional básica. Nem todo
mundo dispõe de um equipamento que o coloque na vanguarda dessa modernidade. Estima-se
que somente um quarto dos brasileiros dispõe de um aparato de comunicação pela
internet. Assim sendo, portanto, essa coisa exigirá de muitas medidas politico-institucionais, embora
seja uma condição difícil e incapaz de atingir de pronto a parcela mais pobre da
sociedade. Nesse contexto se destacam duas vertentes bem evidentes: O Ensino a Distância - EAD e o HomeOffice.
O EAD é sem dúvidas
uma das estratégias mais inteligentes para a formação profissional. Discute-se,
contudo, qual o alvo a ser atingido por esse formato de ensino. Há categorias
de profissão em que o ensino presencial é fundamental. Ninguém se forma, por exemplo,em Medicina num curso de EAD. Salvo quando numa especialização, mas, para
formação básica? Duvido. O mesmo se aplica ao Odontólogo, e assim por diante. Muitas
são outras profissões que podemos incluir neste contexto.
Vamos torcer que a sistemática se desenvolva em categorias de profissão, como as da área de humanas.
Ouço falar
de casos em que, durante a atual quarentena, jovens e até crianças de escola primária estão
recebendo lições, orientações e tarefas, pela Internet, com ajuda de um tablet ou smartcelulares. Não duvido. Mas, além de entender se tratar de uma
emergência extrema, duas preocupações brotam à minha mente: a primeira é que
essa alternativa seja coisa passageira, entendendo que a escola presencial
sempre exerceu e exercerá um fundamental papel de formação social dos jovens e crianças,
dados os intercâmbios com seus companheiros em sala de aula e no ambiente
escolar como um todo. Sem esquecer, ainda, que o(a) Professor(a) foi capacitado para atentamente reagir às emoções e atenções do
alunado. O mestre escola é o agente estimulador e avaliador do progresso de cada indivíduo. A
segunda preocupação é que os jovens e crianças incluídos nas classes D, E, F e
outras que existam, essas que vivem nas favelas, beiras dos canais e alagados das metrópoles
brasileiras – sombrios intestinos urbanos – não terão essa alternativa e
ficarão, inexoravelmente, condenados a compor os futuros contingente de desqualificados profissionalmente a
perambular nos semáforos das ruas e avenidas a mendigar o pão de cada dia. É assustador... Eis aí um
formidável desafio, no pós-pandemia, para nossos governantes geralmente desarticulados e despreparados para exercer o papel que lhes foi conferido.
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Home Office, uma tendência cada vez mais usada. |
Enfim, são
muitos os novos jeitos de viver que se desenham. Acredito que os costumes amáveis de
cumprimentos sociais, por exemplo, vão ter que mudar. Beijinhos e abraços
emotivos serão revistos. Costumes de assepsias e limpeza urbana, idem. Frequentar ambientes de alta concorrência e alta-rotatividade de público, como os centros de compras, estádios de futebol, universidades, entre muitos outros, terão que ser revistos. Impossível
explorar esse terreno num exíguo espaço de um
post. Fica aí minha provocação. O amanhã que nos espera é que é o X da questão. Quem
viver, verá.
4 comentários:
Caro Girley
Não creio nessa mudança.
Quero acordar, colocar meu terno e gravata, me dirigir até meu escritório, dar duas voltas na chave, abrir minha sala .........
Ah que delícia!!!!!
Amanhã, amigo, estaremos todos mortos. Essa a verdade mais incontestável. Abraços fraternos. Belo texto. Parabéns.
Querido professor e amigo, parabéns pelo exuberante post que deveria ser emoldurado e pendurado em todas as paredes do Brasil.
Como sempre, concordo com cada letra nele. Porém, o assustador para mim, é que mais da metade da população mundial não tem condições de entrar nesse admirável mundo novo!! O homeoffice, o EAD, a Internet in general são atributos de uma geração pós-milênio que não chegará a outros jovens e condições sub-humanas.
O que vejo acontecer é a descartabilidade do gênero humano em larga escala.
Que esse novo mundo vem por aí, não tenho dúvida! Mas que ainda não vimos todas as consequências dele, também não tenho dúvidas!!
Muito bom Girley, mas confesso que estou preocupado com o nosso amanhã. Grande abraço!
Mauro Falcão.
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