segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Brasília: 50 Anos!

Recomendo a excelente edição especial de Veja, sobre os 50 Anos de Brasília, distribuída neste final de semana. O aniversário só vai ocorrer em 21 de abril de 2010, mas essa edição histórica antecipa as comemorações.
O tempo passa e a gente nem sente. Quando Brasília foi inaugurada eu era um adolescente curioso, atrás de novidades e descobrindo o mundo. Lembro bem dos comentários em família e do noticiário freqüente, com os contra e a favor da mudança da capital. JK era criticado e combatido pela aventura de retirar a capital federal do Rio de Janeiro, levando tudo pras brenhas de Goiás. “Aquilo lá nem existem!” ou “É onde Judas perdeu as botas”, ou seja, um lugar remoto, inatingível e fadado ao desprezo. Muita gente dizia que, com pouco tempo, Brasília seria, apenas, uma cidade fantasma.
Lembro, agora e achando engraçado, a revolta que meu pai e alguns amigos manifestavam contra Juscelino pela extravagância que ele cometia em sacrificar o povo, construindo a nova capital, no Planalto Central. “O que vai ser desses jovens, no futuro, com esse país entrando em bancarrota”? Dizia meu pai apontando para mim. Era um terror... E, eu, aprendendo a viver ficava preocupado com a tal de bancarrota. Recolhia-me pensando na bancarrota. Na minha cabeça de jovem inexperiente a bancarrota era o mesmo que o fim do mundo. Depois de explicado o significado do termo, veio outra preocupação atroz: “o Governo está emitindo papel moeda a rodo, sem lastro! Onde que nós vamos parar?”, continuava meu pai, a esbravejar. Eu não entendia... não era economista, ainda! De lastro o que eu conhecia, mesmo, naquela época, era o da minha cama. Meus parentes, no Rio de Janeiro, não acreditavam na mudança. Seria impraticável, era o que pensavam. “Como ele vai poder levar tudo isso para aquele fim de mundo?”
Não adiantou a revolta de meio mundo contra JK. Ele foi em frente e, para surpresa do mundo, inaugurou a nova capital em 21 de abril de 1960, à custa de muito suor e sacrifícios, inclusive, carregando, de maneira audaciosa e dispendiosa, tijolos, ferro e cimento a bordo de aviões. Contingentes consideráveis de brasileiros desocupados, dos mais distintos rincões, acharam emprego nos canteiros de obras, debaixo do sol abrasador e da aridez do cerrado goiano, plantando as bases do novo Brasil.
Homem feito e a caminho dos Estados Unidos, fui surpreendido com uma escala do meu vôo, numa aeronave da Pan American Airline, em Brasília. Isto foi nos idos de 1968. Fiquei curioso para saber o que justificava aquela parada. “Será que, de fato, acontece alguma coisa por aqui?” falei para os meus botões. Desembarcamos e a parada se prolongou por bom tempo. Deu tempo para vislumbrar um imenso descampado, com poucas coisas sinalizando a existência de uma cidade propriamente dita. O barro vermelho, característica da região, imperava e cobria as dependências da rudimentar estação de passageiros – toda em madeira – de uma poeira sem fim. Cada avião que subia ou descia levantava uma nuvem vermelha de um pó insuportável, muito embora a pista fosse pavimentada. Aquilo me fez lembrar os “discursos” intermináveis do meu pai nas horas de refeições ou em rodas de conversas sociais. Depois disso voltei incontáveis vezes à Capital Federal e, hoje, quando vejo Brasília – a Metrópole – lembro da descrença daquela época e admiro o que foi construído. Não há mais poeira vermelha, as casas de governo funcionam de modo consolidado, formou-se uma nova sociedade, com uma nova cultura e o Brasil é maior do que antes, porque dali se irradiou uma moderna forma de ocupação e aproveitamento econômico do rico território nacional. Viva JK, sem sombra de dúvidas, o nosso estadista do século 20. Veja a Veja – Edição Especial. Vale a pena ler e guardar.
NOTA: Foto obtida no Google Imagens

5 comentários:

Adierson Azevedo disse...

Prezado Girley,
Dessa vez, lamentarei discordar mas considero a construcao de Brasilia, bem como o Plano de Metas de JK como o maior responsavel pelo descontrole inflacionario e economico do Brasil e que redundou na nossa enorme divida externa e no golpe militar de 64.
Sabe porque?? Trata-se de uma questao de modelo de desenvolvimento. No Brasil, independentemente de governo, se de direita ou de esquerda, aqui o modelo foi sempre logisticamente errado. Primeiro se constroi o empreendimento e, so depois, se planeja a estrada para chegar la. Construí-la é apenas um detalhe.
Construir Brasilia atraves do embarque de tijolos por aviao, conforme seu blog, foi o maior absurdo que este pais ja viu. Historicamente, estavamos ricos. Acabavamos de sair da Segunda Guerra Mundial com os bolsos cheios de dinheiro, fruto de saldos comerciais com os dois lados em conflito. Eram os Anos Dourados. Aí vem JK com a falsa profecia de 50 anos em 5 e nos deixa como legado 21 anos de escuridao.
A verdade é que ninguem cresce 50 anos em 5. Isso foi malabarismo, bater continencia com o chapeu dos outros. Os militares seguiram o mesmo modelo, pegaram dinheiro emprestado para substituir a poupanca interna que nunca era gerada, dinheiro limpo, fruto da eficiencia mercadologica e do investimento serio na producao.
Veja hoje Suape como cresceu depois dos investimentos em logistica e mobilidade. Está perfeito? Longe disso. Precisa de muito mais.
Brasilia foi o apice de um erro que todos nos pagamos pesado. Um exemplo a nunca mais ser seguido nesse país. Tomara que nao apareçam novos messias com esse tipo de promessa no ano que vem.
Abraços, Adierson Azevedo

Mauro Gomes disse...

Caro Girley,

Li as matérias da Veja e gostei muito. Seu blog veio enriquecer as informações com as impressões e comentários da época.

Mauro Gomes

Ana Maria Menezes disse...

Girley amigo,
Gostei muito dos comentários, concordo plenamente com sua posição de dúvida quando adolescente. Era natural como foi natural para os não tão jovens da época aceitar uma mudança tão drástica. Mas, valeu a pena e acho que a Capital ao se "interiorizar" contribuiu muito para que o pais abri-se um cerco a essa urbanização voltada somente ao litoral do pais. Obrigada pela oportunidade. Ana Maria Menezes

Alberto Bittencourt disse...

Caro Girley
Inicialmente obrigado pelos votos de meu aniversário. Eles muito me sensibilizaram. Quanto a Brasília e os anos dourados de JK, ela é o resultado de uma enorme força de vontade de um homem de visão que acreditava no Brasil grande, que lutou com a arma da palavra fácil e escorreita, contra tudo e contra todos, que nao via obstáculos para concretizar seus objetivos. Ele dizia que governar é abrir estradas e nunca se construiu tantas naquela época. Os males vieram depois. Brasília virou a ilha da fantasia, onde os políticos ignoram a nação e só pensam em desenvolver a si próprios. As mordomias e os gastos públicos aumentaram, dissociados da realidade de um país cujo IDH ainda é muito pobre.
obrigado e abraços
Alberto Bittencourt

Tarciso Calado disse...

Girley,
Excelente Artigo, sôbre os 50 anos de Brasília. PARABENS. Sou Assinante de VEJA, e guardei-a, para o meu Neto de 6 anos PAULO VICTOR. Inclusive, êle deu os primeiros passos da Vida, em Brasília.
Tarciso Calado