sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Farmácias e Pharmácias

...então, não tive outra opção, a não ser correr a procura de uma farmácia, onde encontrar um medicamento eficaz. A gripe era fortíssima. Acontece que comprar um remédio em Lisboa não foi uma coisa fácil. Tomei um taxi e pedi que me levasse ao Shopping Amoreiras, num bairro nobre da capital portuguesa. Chegado lá, pedi no balcão de informações a indicação de onde se localizava a farmácia mais próxima daquele ponto, naquele centro de compras. A mocinha, digo a rapariga (como convém praquelas bandas), surpresa com meu pedido, responde: “mas estamos num Centro de Compras, xinhore. Aqui não são vendidos medicamentos. Cá só se vendem moda, electrônicos, objectos para presentes... guloseimas... As farmácias estão todas fora. A mais próxima está a três quadras adiante, seguindo a direita.” Mais surpreso do que ela, disparei: “mas, três quadras! Tudo isto?” “Xim sinhore. Há outra, 500 metros após. Cá em Portugal, as farmácias distam, sempre, essa distância regulamentar uma d´outra!”. Com essa resposta e com aquele sotaque lusitano, minha dor de cabeça aumentou e o mal-estar se ampliou.
Vejam que coisa curiosa. Aqui no Brasil é tão diferente. Eu, pessoalmente, quando vou comprar medicamentos, procurar uma área em que haja um conglomerado de estabelecimentos. Se não tem o que procuro numa, certamente terá na de junto. Coitados dos portugueses.
Coitados virgula... eles respeitam uma recomendação da Organização Mundial de Saúde – OMS de que deve haver uma distancia de 500 metros entre uma farmácia e outra. Não me pergunte sobre a lógica dessa coisa. Assim, os portugueses estão corretos, como outros devem seguir esta recomendação. Nós é que somos diferentes de tudo. Como não há rigor para nada, neste país, a coisa rola de qualquer modo e conforme a ganância dos comerciantes. Afinal, o que vem a ser uma recomendação internacional? Nada! Apenas uma recomendação. Fiquei sabendo disso tudo, esta semana, lendo num jornal do Recife matéria muito interessante a respeito do número de farmácias funcionando no Brasil. São 72.480 estabelecimentos comerciais do gênero, para 191 milhões de habitantes. Tem o dobro do que recomenda a OMS, que é de uma drogaria para cada 8 a 10 mil pessoas. Em Pernambuco, por exemplo, são 3.300 farmácias. Tem mais farmácias do que padarias e escolas de ensino médio públicas e privadas. Vejam só, são 2.900 padarias e 1.110 escolas no estado inteiro. Pelo visto, negociar remédios é mais interessante do que com alimentos e educação. Acho que tem muito mais doentes do que se imagina.
Segundo a reportagem, a Pesquisa constatou que existe no Recife uma drogaria para cada 2.617 pessoas. Isto é o triplo do que recomenda a OMS. Segundo o Sindicato dos Proprietários de Farmácias, 900 farmácias seria suficiente para atender a população recifense. Que jeito?
Ah, antes de terminar! Já ia esquecendo de arrematar minha historia, em Portugal: encontrei, sim, uma farmácia naquela tarde de primavera portuguesa. Na verdade fui bater a porta de uma Pharmácia. Pelo que vi, um estabelecimento secular. Uma beleza! Antiga, mobília austera, azulejada de azul e branco. Coisa, certamente, de várias gerações. E o que ocorreu, então, foi uma cena muito gozada: o pharmacêutico abriu-me a porta, ao toque de uma campainha, usava um pince-nez dourado, estava embalado numa bata imaculadamente branca, que ia ao rés do chão e, cheio de salamaleques, me perguntou: “Ah! Assim que o Xinhore está constipado?”“ Sim estou.” “ E o xinhore prefere um medicamento em drágeas ou vai querer logo a aplicação de uma pica?” Nem preciso dizer qual foi a minha escolha. Tá doido? Garrei das drágeas, paguei-as depressa e, mais depressa ainda, sai da Pharmácia, rindo de morrer. Acontece cada coisa comigo. A farmácia era uma pharmácia, mas, o remédio era moderníssimo. Fabricado na Alemanha. Foi eficaz. Fiquei bom em 24 horas.


Nota: Fotos obtidas no Google Imagens.

3 comentários:

Potiguara Ernesto / Carmen Veiga disse...

Aqui no Brasil tambem temos leis proibindo comércio numa certa distância. Se algum dia vier a Camaragibe, vc vai ver um CEMEC (Hospital) ao lado de um mercado público, é proibido? É, mas eles mesmos, os homens da lei, fazem vista grossa. Padaria tambem tem que ter essa distancia, mas não tem.É falta de lei? Claro que não.As farmácias antigamente, vendia remédio para curar alguma doença, hoje é só pra eles viverem,aí empurram similares, que são remedios que não servem pra nada.

Abraço

Susana González disse...

Tu inquietud por explicar situaciones es increíble, pues nos abre una serie de expectativas, para cuestionarnos como vivimos el resto de los latinoamericanos, que te aseguro nada diferente a tu país. Somos otra raza muy diferente, no cabe duda.

Besos

ladjane Conolly Gomes disse...

Nenhum Presidente tentou pra valer diminuir o lucro dos fármacos que são excessivos em quantidade para o mesmo problema e excessivo o lucro até de vitaminas e analgésicos, basta observar o preço do LAFEPE e HEBRON (Nossos) e com pouca divulgação e pontos de venda. Eu por mim faz muito que resfriado é: dente de alho em rodelas finas com mel de abelha legítimo, clarinho e deliciosos, rico em sais minerais, aumentam as defesas orgânicas e sempre resolve em tres ou menos dias. Algum repouso se o vírus é potente.Dois filhos começam a adotar com sucesso, este remédio antigo, dar ao corpo condição e tirar o mal estar com antialérgico. L. Conolly