segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Brasil, Bom de Bola

Na sexta-feira passada o gran-circo esportivo mundial, da próxima década, bateu seu segundo martelo com as cores auriverdes do Brasil: Copa de Futebol, em 2014 e Jogos Olímpicos, em 2016. Posso estar enganado, mas tenho a sensação de que é “muita areia para o caminhão brasileiro”. Tomara que dê tudo certinho.
Peraí, peraí! Não quero que me considerem pessimista! Pelo contrário, estou feliz com tudo isto e torcendo para que façamos tudo direitinho. Até, fiquei emocionado com o resultado da escolha do Rio. O que aconteceu em Copenhague foi bonito e tocante. Um espetáculo bem processado, o chororô do pessoal, a começar por Lula e Pelé, o povo comemorando nas areias de Copacabana, aquele bandeirão de não sei quantos metros quadrados, foi um apelo e tanto. Claro que mexeu com a emoção do brasileiro, inclusive os que trazem Brasileiro, no sobrenome. Essa coisa de ser a primeira cidade da América do Sul a realizar uma Olimpíada, o prestigio internacional que confere ao Brasil... Sei lá... tantas emoções... Acho até que deviam ter combinado com Roberto Carlos, para fazer o fundo musical. Cairia como uma luva, porque ele sabe saculejar a emoção brasileira, como poucos.
Mas, “martelo batido e ponta virada”, a verdade é que tem muito que ser feito, em pouco tempo, e muita grana vai ter que correr. Desafio colossal!
Recentemente, comentei sobre as minhas preocupações com a megalomania do Governo de Pernambuco, que pretende construir uma cidade da Copa. Hoje, é a do Brasil que me preocupa. Haja dinheiro para preparar este país para os dois mega eventos esportivos. Os maiores do planeta. Ouvi falar em algo mais de R$ 28,0 Bilhões somente para a preparação do Rio, até 2016. Fora o que vai ser gasto com a Copa, no próprio Rio e no resto do país, que não é pouco.
Tem uma coisa importante a ser destacada: esta escolha vai provocar uma mudança radical, em boa hora, para a Cidade Maravilhosa, que não anda essas maravilhas todas. Tenho ido por lá com alguma freqüência e noto a crescente decadência. Desde que deixou de ser a capital do país, que deixou de ser o centro bancário nacional, a Bolsa de Valores perdeu o prestigio, cedendo lugar à Bovespa (SP), os Ministérios da República e grandes repartições federais foram transferidas para Brasília, a cidade perdeu sua importância e com isto o prestigio.
Espero que aconteça no Rio, o que aconteceu noutras cidades que foram sede de outras Olimpíadas. Foi o caso de Barcelona, na Espanha. A cidade mudou de cara. Foi totalmente repaginada, áreas antigas, antes deterioradas, foram revitalizadas e o que resultou foi uma cidade nova, mais atrativa e melhor preparada para receber um fluxo turístico, que, a partir de então, se tornou mais intenso. Tudo que serviu de infra-estrutura para os jogos olímpicos teve utilidade pós-evento.
Se em Barcelona as coisas saíram nos conformes, o mesmo não ocorreu em Atenas ou Montreal. Segundo relatos oficiais, na Grécia a situação foi muito difícil. Por lá as coisas degringolaram e quando se aproximou a realização dos jogos havia estádios e estruturas incompletas. Os jogos foram abertos em meio a um canteiro de obras. Os gastos se multiplicaram por conta dos arranjos e improvisos de última hora. Já Montreal (Canadá) passou por uma situação também difícil. Embora tenham preparado a estrutura a tempo, o Governo administrou percalços na conta dos investimentos. Segundo se comenta até hoje, terminou com um rombo de arromba nos cofres públicos.
São exemplos que podem deixar em alerta, nosotros brasileiros. São investimentos muito altos. A Veja que circulou neste fim de semana trás imagens tiradas das pranchetas (Vide exemplo, na Foto) mostrando o que se pretende fazer, para deixar a Cidade, digamos que Maravilhosa, para receber os atletas e os milhares de turistas. É um baita desafio, para ser enfrentado nos próximos sete anos. Uma coisa, muito lembrada ultimamente, é realizar Jogos Pan-Americanos e a outra é realizar uma Olimpíada, que tem por principio suplantar as que antecederam. Pensando no que fez a rica China, em 2008, com irretocáveis estrutura e organização e outra, na Inglaterra, que vamos ver em 2012, faz sentido ficar de olhos abertos.
Bom mesmo é que esse circo (ciclo) esportivo vai provocar, além de um superaquecimento da indústria da construção civil neste país, a geração de muitos empregos, um movimento turístico sem precedentes e muitas outras atividades que envolvem esses certames. Resta esperar que gestores honestos (?) sejam escolhidos para tocar cada obra e que os tribunais de contas não os percam de vista.
Vai ser uma década de festas esportivas, à moda brasileira. É o Brasil, bom de bola, embora que nem tudo seja bola...

Foto obtida no Google Imagens

5 comentários:

Potiguara Ernesto / Carmen Veiga disse...

Eu, não vejo nem a copa nem as olimpíadas com bons olhos. Não confio em políticos nem na fiscalização do povo brasileiro, esse não sabe usar a força que tem.Infelismente tudo que envolve político acaba em desvio, o povo aponta os desvios e tudo acaba em nada, eles(os políticos) riem, zombam do povo.

Ana Maria disse...

Girley, meu amigo, provavelmente serei uma das poucas que não fiquei alegre com a escolha do Rio para sediar as Olimpiadas. Claro que não é porque não seja patriota, até pelo contrário, é justamente meu sentimento de patriotismo a patria e solidariedade aos menos favorecidos que me faz sentir assim. Você já pensou no rombo que vai ocorrer no uso da verba prevista para fins que nada tem a ver com o próposito da mesma? Um país que tem um presidente do Senado ilustrando a capa de um lívro intitulado "Honoráveis Bandidos" já oferece uma idéia da "seriedade" com que esse dinheiro será tratado. Vamos ver! ana maria menezes

Jorge Morandi disse...

Caro Girley:
Acabo de ver que has incluido en tu blog un homenaje a Mercedes Sosa. Desde el domingo a la noche cuando me enteré de la noticia, no puedo evitar que me brote una lágrima cada vez que me acuerdo de la querida Negra. Fueron muchos años (casi cuarenta) en los que su voz y su presencia acompañaron la vida de toda nuestra generación. Desde la rebelde juventud de los '70, cuando nos identificábamos con su compromiso social y con su lucha por la libertad, hasta esta postmodernidad vertiginosa y mercantilista, sobre la que ella tendió su dulce manto de armonía, de memoria, y de valorización de muchas cosas que parecían perdidas. Nos acompañó en momentos de angustia y de zozobra; estuvo con nosotros en los tiempos difíciles; nos ayudó a levantarnos despues de la tragedia de la dictadura; y nos enseñó que la estética de la música no pasa por un género musical, sino por una actitud ante la vida.
Desde que aparecieron sus últimos discos (Cantora 1 y 2), que recomiendo fervorosamente, siempre pensé que era su despedida; su obra´póstuma. Lo que nunca pensé es que se iría tan rápido, sin ni siquera tener el tiempo suficiente para recibir de vuelta el amor y la admiración de su público, en gratitud a una obra construida con tanto cariño, solidaridad y sacrificio (varias veces tuvo que suspender la producción de las grabaciones a causa de su enfermedad). Lamenté no estar en Argentina para vivir ese momento acompañado por los afectos que también le admiraban y le querían bien. Aquí, desde España, "mergulhei" en periódicos argentinos para tener noticias de su funeral y estar más cerca del triste acontecimiento. Preparé un "file" con un conjunto de notas periodísticas, que adjunto a este mensaje, para que le des el uso que creas conveniente.
Muy buena tu última postagem sobre Rio 2016.
Jorge Morandi

Brasil Empreende disse...

Ola visitei seu blog e gostei muito e gostaria de convidar para acessar o meu também e conferir a postagem: “Brasil: o “País do Momento", e do outro lado…” Estamos realizando, também, enquetes e gostaríamos de contar com o voto de vocês.
Sua visita será um grande prazer para nós.
Acesse: www.brasilempreende.blogspot.com
Atenciosamente,
Sebastião Santos.

Restony de Alencar Ribeiro disse...

Caro amigo Girley, Realmente para nosso lúcido diagnóstico do cenário de investimentos responsável para 2014 e 2016, precisamos nos desligar da emoção; tradicionalmente os nossos Governos são essencialmente políticos, e pouco executivos empreendedores, logo toda esta dinheirama suscita uma forte dúvida quanto ao seu critério de aplicação, distribuição e controle, nossas licitações são lentas, e por muitas vezes direcionadas, e o risco é de que criemos elefantes brancos como parque aquáticos, estádios, arenas, etc, e as questões de fundo que possam beneficiar o conjunto da sociedade, como infra-estrutura urbana, segurança, modal de transporte, acessibilidade, etc, simplesmente não passem de perfumaria e fiquemos com uma herança maldita para nossos netos. Sds Restony