sábado, 23 de fevereiro de 2013

Império do Consumo


Fugi do carnaval do Recife, outra vez. Quando amanheceu o sábado e o Galo da Madrugada botoupracantar nas ruas da cidade, eu voava para bem distante. Dessa vez fui bater em Nova York. Troquei o calor sufocante dos trópicos pelo frio e a neve do inverno no Hemisfério Norte.
Encontrei Nova York vestida de branco, tal qual uma noiva, depois de uma nevasca, um dia antes. Temi, inclusive, com uma frustração de vôo, que felizmente não ocorreu e, aliás, não seria a primeira vez. Vide as fotos a seguir com uma penitente sofrendo com a baixa temperatura, na primeira. Detalhe: quando a neve derrete fica  a maior sujeira. Trabalho dobrado para a Prefeitura.

A primeira grande impressão é conferir o imenso poder de atração que aquela cidade exerce sobre o imaginário dos turistas do mundo inteiro. Desembarcar no aeroporto JFK é cair num formigueiro humano. Aviões e mais aviões aterrissam, a cada minuto, despejando gente de todas as partes do mundo. Árabes, africanos, orientais, indianos, hispânicos, ocidentais comuns – todos a caráter – se misturam num mosaico de raças e nacionalidades, com o mesmo objetivo de adentrar nos domínios de Tio Sam e curtir as atrações que a chamada Terra da Liberdade oferece. Somente na fila da imigração fiquei, dessa vez, por duas horas e dez minutos. Cá prá nós, depois de dez horas de vôo, desde São Paulo é um verdadeiro exercício de paciência. Mas, não é só em N. York. Observei que ocorre em qualquer aeroporto de entrada dos Estados Unidos. Recordo que, nesses últimos 90 dias, desembarquei três vezes nos States, em três diferentes aeroportos (Miami, Los Angeles e Nova York) e em todos sofri a maçada da burocracia. Sempre acho que são poucos os guichês com agentes de fronteiras.
A cidade de Nova York não chega a ser uma bela cidade. Opinião pessoal. Gosto sim de chegar lá. Mas, aquele amontoado de edifícios não se constitui em nenhum conjunto de especial beleza. Até porque os que ostentam beleza arquitetônica não são relativamente muitos. As ruas não são arborizadas e não fosse o Central Park a cidade se resumiria a uma selva de pedras com raras manchas de beleza por conta das poucas praças ou pequenos parques. É diferente de se chegar a Paris ou no Rio de Janeiro. O que mais atrai na chamada Big Apple é, sem dúvida, a dinâmica do seu intenso comércio – as vitrines das grandes lojas enchem a vista do visitante – a imensa gama de opções da gastronomia cosmopolita, os museus e o showbiz da Broadway e arredores. Não tem quem resista a esses atributos. 
Caminhar na 5ª. Avenida, por exemplo, é prazeroso e faz bem à cútis e à alma, segundo amiga minha. Parar numa vitrine, entrar numa loja de departamentos, admirar o lay-out, o colorido, subir e descer as escadas rolantes... nem precisa comprar. Basta observar a gente que circula e a beleza dos produtos expostos. É um tipo de lazer. Depois disso, entrar num dos inúmeros cafés, pedir um – em geral ruim – sentar, pagar para isto e continuar observando a fauna circulante. Mulheres lindas, sobretudo embaladas para enfrentar o frio. Cavalheiros elegantíssimos. WiFi? Em todo lugar e de graça! Aí, é só pegar o Iphone ou  Ipad e se comunicar com o mundo e com a gente de casa. Oi! Tudo bem? Tás aonde? Em Olinda? O carnaval aí tá bom? Eu? Tô em Nova York, tomano um cafezinho... ruim, visse... Mas, é na 5ª. Avenida, né?. Que nada. Ôxente, tô falano por skype e a Internet aqui é de graça em todo lugar. Né bom?Xau, visse. Te amo!  Disponibilzar o Wifi faz parte da estrategia de atrair o cliente. Nisso, o café já esfriou, o tempo passou e ninguém manda você se levantar. Lugar quentinho e o frio torando lá fora... (Foto a seguir)
Nessa temporada, vi brasileiros por todo lado em Nova York. Os tupiniquins estão fazendo a festa dos americanos. Quando se entra num hotel, restaurante ou numa loja, os balconistas logo reconhecem e vão soltando: Brasileiro! Obrigado, de nada! É uma graça. O negócio é agradar a quem pode comprar e os brasileiros estão “queimando dólares”. Não compram de uma peça. Perguntam o preço e pedem logo duas. Os aviões de volta vêm pesados de tantas malas. Na verdade Nova York está preparada para receber não somente os consumidores brasileiros, mas do mundo inteiro. A dinâmica é extraordinária, a concorrência é galopante a tal ponto de derrubar os preços de forma inacreditável. Nesta estação de inverno liquidam o que sobrou do verão e outono passados. É exatamente o que brasileiros e a grande maioria busca. Os preços chegam a ter 70% de desconto. No caso dos brazucas é “mãonaroda” porque os produtos de grife, importados de lá, chegam cá pela hora da morte. Haja consumo. Diante desse cenário fico crente de que os Estados Unidos da América são, na prática, o Império do Consumo.

NOTA: Fotos da autoria do Blogueiro

      



       

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Orgulho de ser Pernambucano

O carnaval está aí, novamente. E o Brasil continua sendo o império da folia. Neste país, comumente se diz que o ano só começa depois do carnaval. Tem gente que leva isso a sério e faz o maior “corpo mole” até passar o tríduo momesco, que, por sinal, já deixou de ser tríduo para virar bimestre. Janeiro e Fevereiro são meses quase que perdidos. Pode ser bom para quem faz a vida com a folia. Mas que o país perde alguma coisa com isto, me parece claro.
De fato, carnaval é bom demais para quem tem resistência e vontade para deixar rolar. Já fiz muito disso. Mas, eram outros tempos. Hoje a coisa é mais gigantesca, violenta em certas horas, virou um grande negócio comercial e uma forma bem elástica para quem governa meter a mão na chave do cofre e tirar uma casquinha. Às vezes um cascão...
O carnaval do passado – há 30 ou 40 anos – era mais autêntico e, principalmente, correto com as tradições locais. Os festejos de Pernambuco sempre foram tidos como sendo os melhores e maiores do Brasil. Bairrismo, é claro. Coisa de pernambucano. Contudo, é de se considerar que havia alguma razão, dadas a animação reinante e o cuidado com os valores da terra. Claro que entendo que sempre se pode melhorar e inovar em tudo por tudo. Mas, fazer vista grossa ao abandono das tradições, não se admite. É o que observo nos anos recentes. Andam importando musicas e ritmos alienígenas e marginalizando os valores locais, com a mais completa tranquilidade. O famigerado Recifolia – extinto, graças a Deus – formou uma geração ligada num tal de Axémusic, que pode ser bom na Bahia, mas frustrou a divulgação da musica pernambucana. Tenha dó...
Pernambuco é de uma riqueza monumental, em termos de ritmos. Segundo estudiosos do assunto, existem aproximadamente 40 diferentes, contando com as variações de batuques, maracatus e frevos. O estado tem sido laboratório de muitos pesquisadores, sociólogos e antropólogos estrangeiros que aportaram nos nossos costados, ávidos por ver de perto e estudar o som e o passo rasgado do frevo, o batuque do maracatu, a dança ritmada dos cabocolinhos, o rufar dos tambores, entre outras manifestações típicas de Pernambuco. Lembro-me da norte-americana Katarina Real (1927-2006), que de tão fascinada por tudo, montou no Recife, entre os anos 60 e 70, sua segunda moradia. Divulgou o nosso carnaval e, particularmente, o maracatu nos quatro cantos do mundo.
O que se vê hoje é um escracho geral e a sabotagem das nossas tradições. Tem coisa mais idiota do que trazer artistas do sudeste e do exterior para animar um carnaval que, na sua essência, é a própria animação? Só mesmo sendo coisa da PTrália que deu as ordens durante doze anos. Falta total de conhecimento da cultura local. Também pudera... não podia ser de outra forma. A ignorância é chave da decadência cultural. Recuso-me a vivenciar uma farsa dessa magnitude. Nos últimos tempos, a cada carnaval me mando para bem distante. Não faço falta alguma, sei muito bem. Mas me preservo de testemunhar este blefe cultural.
Poré,m, como as coisas mudam e há sempre um fila andando, espero agora algo corretivo dessa nova administração municipal. Tenho prá mim que a equipe tem consciência da insensatez. Neste carnaval dizem que ainda não foi possível mudar a estratégia. Vou aguardar o próximo ano. Espero que não convidem Preta Gil, que, segundo li na imprensa, fez um show horrendo e pornográfico, no Bal Masquê (pobre Bal Masquê, quem te viu e quem te vê), nem Jorge Ben Jó que morgou a festa do Baile Municipal, deste ano, e tomou uma vaia. Claro! Esses artistas podem ser bons noutros contextos. Respeito todos eles. Mas, para animar o carnaval do Recife? Isto é o que chamo de piada de mau-gosto. Burrice explicita. Quem tem ideia desse tipo, devia ser convidado a um curso intensivo de sociologia, antropologia e ler sobre cultura pernambucana.
Saudosismo? Que nada! Fidelidade às tradições locais. É assim que se faz em qualquer sociedade civilizada. Trazer valores de fora é ser colonizado. Claudias e Ivetes? Outra hora, o ano inteiro se presta para elas. Tudo isso, sem falar nos cachês superfaturados. Mas, isso é assunto para o Tribunal de Contas do Estado. Tenho orgulho de ser pernambucano.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Domingo sombrio. Semana triste

O Brasil continua chocado com esse triste episódio, da semana passada, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Impossível calar diante de um quadro tão trágico. Quantas carreiras profissionais de sucesso e sonhos dourados foram frustradas, num abrir e piscar de olhos deslumbrados com a beleza de uma bengala flamejante de um sinalizador. Que asneira, meu Deus! Que bengala inoportuna... Eles eram tão jovens, tão alegres e cheios de esperanças. Que dor...
Como pai atento a tudo que diz respeito a um filho ou filha, fico estarrecido somente em pensar no sofrimento e desolação dos pais e mães de família que perderam seus filhos vitimados naquela fatídica noite, dentro daquele alçapão denominado de Kiss (beijo em inglês). Que ironia. Que beijo cruel.
Houve momentos que, mesmo a distancia, fui tomado de emoção e tremi, no conforto da minha poltrona e diante da TV, que, mesmo precisando informar, terminou por pegar de surpresa o mais frio dos telespectadores. Foi um domingo sombrio, num verão de sol brilhante e causticante, seguido de uma semana de tristeza e muito pesar. Um Brasil de luto às vésperas da sua festa maior, que é o carnaval.
No passar das horas, cheguei à conclusão que isso poderia acontecer em muitos outros lugares deste Brasil afora, inclusive aqui no Recife. Essas casas noturnas, em geral, são arranjos de espaços mal planejados e abertos a qualquer preço para atrair a juventude ávida por diversão noturna. Mesmo as classificadas como de primeira linha não fogem ao modelo mal engendrado e, conforme relato de um antigo promotor desse tipo de diversão, não pode ser totalmente segura porque o material utilizado na montagem, nas instalações elétricas, mobiliário e a parafernália dos equipamentos de som e luz levam quase toda grana do investimento inicial e, quando chega a vez do item segurança, a coisa é tratada de forma marginal e a toque de caixa. Por isso que dá no que deu em Santa Maria. Para completar, as autoridades responsáveis pela vistoria e emissão do alvará de funcionamento exercem seus papéis de formas relapsa e irresponsável, muitos são os que recebem “tocos” e fazem vista grossa para as irregularidades. A Kiss, por exemplo, estava com alvará vencido desde o ano passado. Pior, teve, anteriormente, um alvará fajuto já que, conforme se constatou depois da tragédia, a casa tinha um lay-out totalmente inadequado e, sobretudo, inseguro: uma única e estreita porta, servindo para entrada ou saída e inviável para vazão de mais de 1.000 pessoas, numa situação de emergência. Um crime! Estou atento para ver o resultado das investigações e saber quem vai ser punido. Não pode ficar por isso mesmo.
Resumo da ópera: este aí, minha gente, é o retrato vivo da estúpida cultura brasileira do jeitinho e que induz a não se dar a devida importância aos princípios de responsabilidade civil e governamental, urbanidade, convivência social, respeito ao próximo, profissionalismo, ética, educação enfim, entre outros itens, todos úteis a um ambiente social sadio e uma sociedade civilizada.
Durante a semana, pela imprensa local, soube da descoberta de inúmeras irregularidades em casas noturnas do Recife. Alguns locais já foram sumariamente interditados. Repete-se a velha história de que “no Brasil só fecha a porta depois de roubado”. Até quando, no nosso mundinho, ficaremos sempre a espera de uma tragédia para que sejam adotadas medidas de segurança que, aliás, já são formalmente determinadas por lei e ordens?
Que Deus nos livre de dramas dessa ordem, daqui para frente, e que proteja essas famílias dilaceradas pelas irreparáveis perdas que sofreram.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens.






sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

E agora Brasil?

Quando em novembro de 2009 a revista The Economist abriu espaço privilegiado, com uma matéria da capa, prevendo que o Brasil, na forma em que estava crescendo, logo, logo, estaria ocupando um lugar de destaque no rank das maiores economias do mundo, fiz, entusiasmado, uma postagem comentando o fato, lido por muitos. A surpresa foi que a revista declarava – com certa facilidade – que o país suplantaria a Inglaterra e a França e seria a 5ª. economia do mundo. Não fiz propriamente uma analise mas, isso sim, um comentário sobre a matéria publicada pela prestigiadíssima revista inglesa. Vide essa postagem clicando em: http://gbrazileiro.blogspot.com/2009/11/brasil-potencia-economica.html
Passados pouco mais de três anos, e há poucos dias, os ingleses ao que parece revisaram aquela opinião e “baixaram o pau” nas cabeças de D. Dilma e na do “durável e sempre cordato” Ministro da Fazenda, Guido Mantega, alertando que a economia brasileira anda patinando, com crescimento pífio em 2012, em decorrência de erros cometidos pela equipe econômica. Quando comparado com as economias, de vizinhos latino-americanos, entre os quais o México, a Colômbia e o Peru, bem como países companheiros do BRIC, o que se constata é a projeção de um quadro preocupante. Sugeriram, até, a demissão de Mantega! D. Dilma reagiu, claro. Esses ingleses aprontam cada uma... Afinal, como lembrou J. R. Guzzo, na Veja da semana passada, “o que diz um jornalista do reino de Sua Majestade Elizabeth II, vale mais do que dizem os outros”. A desculpa das autoridades brasileiras de que o mundo desenvolvido (Estados Unidos e Europa) continua mergulhado na crise que eclodiu em 2008, afetando a economia brasileira não vem colando. Até porque os que estão crescendo tãonemaí para as crises. E agora D. Dilma? E agora, Brasil?
A situação realmente é bem sombria. Tem um tom de déjà vu que assusta qualquer cara mais consciente. Quer ver uma coisa? Essa manobra pouco recomendável de compor, na marra, o superávit primário ideal de 2012, na ótica do Governo, foi lamentável e fortemente criticada, pelos analistas ingleses. Omitiram despesas de infraestrutura, anteciparam dividendos de estatais, e meteram a mão no fundo soberano! Foi uma vergonha, para um país que prometia muito mais.
Por outro lado, observa-se que ao segurar, por tantos anos, o preço da gasolina e induzirem ao congelamento o transporte publico das grandes metrópoles, como manobra eleitoreira de outubro passado, criou uma bolha de dificuldades que vai estourar a qualquer momento. Congelamento de preços? Voltamos a 1986?
É de se reconhecer que algumas medidas adotadas são bem vindas. A taxa básica de juros foi derrubada e isto foi saudado com entusiasmo por todos. Facilitou muito a vida do empresário investidor quando na busca de financiamentos. As taxas praticadas no País eram extorsivas e completamente destoantes das praticadas no mundo civilizado. Mas essa coisa tem seus limites e isto está claro no recado dado pelo BACEN esta semana. Medo danado da inflação. E olha que o dragão está despertando...
E o que se dizer sobre a interferência no Banco Central e a visível “manipulação” na taxa cambial? Será que essas atitudes estão no rumo certo? Um Banco Central independente de verdade e uma taxa de cambio flutuante parece haver dado mais certo. O Real desvalorizado pode ter dado mais fôlego aos exportadores mas, em compensação, cutucou o dragão porque ainda somos dependentes de muitas matérias primas e produtos acabados comprados no exterior. O setor Industrial já vem se ressentido. Empresário que pretenda investir numa modernização e precise de máquina ou equipamento importado vai amargar dificuldades. A Confederação Nacional da Indústria - CNI publicou, nesta semana que termina hoje, o resultado de um estudo que revela uma considerável alta do Índice do Custo Industrial (ICI), que foi de 8,1% no terceiro trimestre de 2012, comparado com o mesmo período do ano anterior.
Vi no noticiário da TV, na noite desta 6ª. Feira (25.01.13), que o Fórum Econômico Mundial, reunido em Davos, na Suíça, critica o desempenho econômico do Brasil, taxando-o de inaceitável. O mundo inteiro esperava mais, claro!
Este quadro, além de preocupante, é decepcionante. Será que o que foi construído a duras penas no passado recente vai ser destruído em dois tempos?









sábado, 19 de janeiro de 2013

Competência Oriental

Se me surpreendi em Seul, mais ainda fiquei no interior da Coréia do Sul. Cumprindo a programação da missão empresarial, na qual estive incluído, desloquei-me com o grupo (12 pessoas do setor empresarial de Pernambuco, focando no segmento da Construção Naval) para o extremo sudeste do país, centrando na cidade de Busan (também conhecida por Pusan).  Distante da capital, cerca de 800 km. O meio de transporte que escolhemos foi o trem bala dos sul-coreanos. Um primor de trajetória, feita em pouco mais de três horas. Inacreditável se pensarmos que do Recife a Salvador ou Fortaleza com distâncias idênticas, ainda se leva, pelo menos, meio dia de viagem, por rodovias precárias.
A ideia de todos da comitiva era a de que iríamos chegar a uma cidade industrial – afinal, ali se encontra o pólo naval do país, o maior construtor de navios do mundo atual – poluída e de aspecto pesado, habitada por trabalhadores metalúrgicos, ocupados dia e noite, num afã de vencer na vida a todo custo e levar o país adiante. Ambiente lúdico nenhum. Afinal de contas, um lugar que só ouvimos falar ao preparar aquela programação de visitas. Em suma, outra surpresa nos pegou de cheio, porque Busan, uma imensa cidade de 4 milhões de habitantes, desde o primeiro momento se revelou como um lugar de extraordinária beleza, banhada pelas águas do Mar do Japão e com belíssimas praias, que a transforma num dos mais prestigiados balneários daquela região asiática. É, inclusive, uma das quatro cidades do mundo mais requisitadas para sediar congressos, seminários e feiras, excluídas as capitais de países. O movimento turístico é surpreendente e os incontáveis hotéis de luxo plantados, sobretudo, na praia de Haeundae, onde nos hospedamos, chama a atenção para quem, como eu, fui até lá para garimpar negócios com os coreanos. A estrutura urbana é sensacional e o skyline, com linhas futuristas é arrebatador, aos olhos do visitante. Vide fotos a seguir. 


O comércio é vibrante e, só para resumir, manifestando minha grande admiração, fui encontrar, nessa cidade tão pouco conhecida no nosso meio de mundo ocidental, a maior loja de departamentos do mundo, a Shinsegae, certificada pelo Guiness Book. Vide fotos a seguir. Ou seja, outra grande surpresa sul-coreana.



Se, como cidade, Busan surpreende, de incrível é como classifico a pujança da indústria naval encontrada em sites nos seus arredores. Tivemos oportunidade de visitar os maiores estaleiros do país, quiçá do mundo: Hyundai, Samsung e STX, embora sabendo que haja outros, de menor porte, no país. Neste aspecto, a Coréia do Sul é imbatível. Não e à toa que se tornaram os mais competentes e primeiros no rank da construção naval mundial. Imagine o que seja colocar ao mar três navios por semana.
O estaleiro da Hyundai, por exemplo, fundado em 1972,  fechou 2012 com entregas de 93 navios! Em 40 anos esse estaleiro já construiu 1.200 embarcações dos mais variados tipos. É um espetáculo de produção. As instalações da empresa ostentam números inacreditáveis: são 11 diques secos, onde trabalham 24 mil empregados. Existem 55 refeitórios, nos quais são consumidas – por dia – 11 toneladas de arroz, 45 bois e 115 porcos. Todas as refeições são produzidas internamente. Nada terceirizado. Haja competência. Trabalham apenas oito horas por dia e os sábados e domingos são de descanso. Férias? 14 dias por ano. Nem é bom comparar com o que se vê no Brasil.
O Samsung, menor do que o Hyundai, pelo menos três vezes, foi outra boa visita que fizemos. Surpreende qualquer visitante, particularmente, se oriundos das bandas do mundo ocidental. Foi fundado em 1974 e tem capacidade de entregar 70 navios por ano, embora estejam construído, no momento, apenas 50, em 7 diques secos, com 20 mil empregados. Lá são construídas 44% das plataformas de petróleo do mundo. Em 2011 tiveram um faturamento de US$ 13,0 Bilhões. Pretende ser o maior do mundo em 2015. Somente de projetistas a empresa mantém 3 mil técnicos. É uma fábula, sem dúvidas. A visão do parque de construções é, certamente, a mais notável dos que visitamos. Vide a foto a seguir.

Outro aspecto a destacar é o que diz respeito ao esmero com o qual esses estaleiros coreanos tratam o entorno das suas plantas. Tudo perfeitamente urbanizado, parques e jardins deslumbrantes, conjuntos residenciais dignos para todos, centros sociais e de esportes para lazer, escolas, hospitais, centros comerciais, enfim, tudo quanto se faz necessário para uma vida digna. A Hyundai mantém, ainda, no seu sitio de produção, um belíssimo hotel da categoria cinco estrelas para receber seus convidados. Vide a foto, a seguir.

Prezado leitor ou leitora, faça suas próprias comparações com o que temos aqui no Brasil. Não chore, por favor! E, indo à Coréia do Sul, não deixe de ir a Busan.

NOTAS:
1. O Blogueiro visitou a Coréia do Sul, compondo uma Missão Empresarial organizada pela CNI/BID/Fiepe-IEL e SIMMEPE.
2. As fotos são da autoria do Blogueiro
   

 

sábado, 12 de janeiro de 2013

Coréia do Sul, uma surpresa

Há uma diferença muito grande entre o que se ouve dizer sobre a Coréia do Sul e o que se pode constatar ao visitá-la. Foi a conclusão que tirei ao passar uma semana naquele agradável país oriental, no mês de novembro passado. Fui numa missão profissional, mas fiz questão de aproveitar em cada minuto a oportunidade, sempre lembrando que é muito raro, para um brasileiro, chegar até lá por puro interesse turístico, o que, por sinal, é um grande equivoco. Hoje percebo que se trata de um país de povo gentil e hospitaleiro vivendo num ambiente alegre, moderno e dinâmico. Indiscutivelmente, uma agradável surpresa.
Acontece que minha idéia era a de encontrar um lugar austero, lúgubre até, e com uma gente sem muita vibração e vivendo de forma pacata e rotineira. Puro engano. Atribuo esta imagem ex-ante aos meus conhecimentos acerca da história do país, sobretudo a mais recente, que remonta à famosa Guerra da Coréia (1950-1953), as instabilidades políticas depois do conflito e a eterna pendenga com os irmãos do Norte.
Seul, a capital do país, é uma cidade monumental. Moderna e vibrante. Infra-estrutura invejável, belas avenidas, construções de linhas arrojadas e espantoso dinamismo. Uma metrópole de primeiríssima linha, particularmente no local onde se situava o Hotel Mercure de Gangnam-Gu, no qual me hospedei, por se tratar de uma região mais nova e super-moderna, onde se concentram escritórios e sedes de muitas multinacionais coreanas e representações de estrangeiras. Surpreende ao desavisado. Vide foto a seguir.
 Veja mais esta outra foto

Ainda no mesmo bairro, o destaque vai para a movimentada Cheongdam Fashion Street, artéria super-movimentada, na tarde de Sábado, repleta de lojas das mais famosas grifes da moda internacional. Muitos jovens circulando, alegres e barulhentos, ao contrário dos japoneses, por exemplo. Os coreanos, assim como os japoneses, são muito ligados nas roupas de grife. Os grandes nomes da moda internacional sabem disso e investem prá valer nessas bandas. Aliás, achei que as sul-coreanas são mais bonitas e elegantes do que suas vizinhas do Japão e China.
Aproveitei o Domingo disponível para um especial tour, não obstante a chuva forte que caiu na capital coreana. Fazia muito frio. Mas, nem por isso, perdi o ânimo de percorrer a cidade, mais a miúde, incluindo a zona histórica, onde se encontram o Keongbok-Gung, que é o Palácio Real, o Museu das Boas Vindas e a residência do Primeiro Ministro, situados na parte Norte da cidade, separada da Sul pelo rio Han, que corta a cidade pelo meio. Vide a foto do Jardim Real, em dia chuvoso e frio, a seguir. Gosto demais desta imagem. Me orgulha, no papel de fotógrafo.
Interessante que, percorrendo o parque do Keongbok-Gun logo vi se tratar de uma cópia em miniatura do palácio imperial da China, aquele situado na monumental Cidade Proibida, em Pequim. É tudo muito semelhante, seja no estilo arquitetônico ou no formato e destinações das dependências que o compõe: local privativo do Rei, alojamentos das incontáveis concubinas (algumas mantidas como “reserva técnica” e sem nunca haver encontrado o monarca), praça de solenidades, alojamentos para assessores diretos, vassalagem e seguranças, gabinete de reuniões, casa da Rainha (Sim, havia uma escolhida e, sobretudo, tolerante com a existência das concubinas), entre muitos outros departamentos. Tudo isso distribuído num imenso e exuberante jardim, que naquela ocasião ostentava todo o esplendor do colorido outonal. Vide fotos.

Assim como no Japão ou na China, os sul-coreanos são muito cuidadosos com o patrimônio histórico que construíram. Contíguo ao parque do Palácio Real, o visitante tem acesso ao Museu das Boas Vindas, que percorri com muita atenção e surpreendi-me com um harmonioso encontro entre o antigo e o moderno. A história do país é contada com peças especialmente selecionadas, dispostas em meio de formas modernas e atrativas, graças aos recursos da moderna tecnologia da informação, muitas delas criadas ou desenvolvidas pelos próprios coreanos. Em alguns pontos a interatividade aproxima o visitante ao fato histórico de modo vibrante e, sobretudo, inteligente.
Afora isso tudo, Seul oferece um imenso leque de boas opções em termos de um fino artesanato, gastronomia sofisticada e comércio de artigos dos mais diversos, especialmente eletrônicos.
Taí, um lugar que dá vontade de voltar.

NOTA: Fotos da autoria do Blogueiro

sábado, 5 de janeiro de 2013

Dois Mil e Treze

O ano começa exigindo uma trégua para descanso, depois de um tempo de festas, comemorações e confraternizações, muito embora fique claro que a roda da vida não pára e que, intrinsecamente, as coisas não mudam em nada. As contas chegam e devem ser pagas, o escritório permanece no mesmo padrão e a árvore de Natal é desmontada e guardada para o próximo tempo do advento. Somente o calendário é que impõe um novo número. Isso, sim, muda e é inexorável. E, como diz o poeta, o “tempo não pára”... Todo ano é sempre assim e faz parte da vida.
O Blog do GB volta a circular, em ritmo lento, mas de olho nos últimos acontecimentos:
Espantoso por exemplo o número de vitimas – todas do sexo feminino – de balas perdidas no Rio de Janeiro, neste período de festas. Fico me perguntando qual o motivo que leva a um sujeito praticar tamanha barbaridade. Mais impressionante é o caso da garotinha, com uma bala na cabeça, que por falta de atendimento médico, veio a falecer porque o neurocirurgião de plantão não compareceu ao hospital naquela noite. Quanta irresponsabilidade! Que tipo de profissional será este? Será que teve sua licença profissional caçada pelo Conselho Regional de Medicina?  Vai ver que não. Parece que foi demitido do serviço publico... Ainda foi pouco.
No mesmo estado Rio de Janeiro, outra vez, populações sofrem em várias áreas devido a uma forte tempestade de verão que deixou milhares sem casa e inúmeros desabrigados, além de mortes. Este é outro problema que parece não ter solução. Pessoas de baixa renda buscam assentamento em locais vulneráveis, como encostas e barrancos, e na primeira grande tempestade perdem tudo, quando não a própria vida. Isso sem falar de pontos onde a infra-estrutura urbana se apresenta desgastada e abandonada, resultando no que vimos pela TV durante esses primeiros dias do ano.

A coisa se torna mais revoltante quando se noticia que o Ministério encarregado pelas ações de prevenção e apoio às populações vitimas de desastres provocados pela natureza aplicou apenas 32% da verba a esse fim destinada, no ano de 2012. Como pode acontecer isso, se já se sabe que há localidades sobejamente conhecidas como áreas de risco e que exigem medidas preventivas? O estado do Rio de Janeiro está saturado dessas catástrofes. Lembro de Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo que, há poucos anos, sofreram as maiores catástrofes, devido às chuvas de verão, e que até hoje ainda penam por mitigar os prejuízos sofridos.
Enquanto isto, no Nordeste a seca arrebenta tudo, castiga o sertanejo e pouco tem sido feito. Pensando bem, nunca se faz! Mesmo porque, de repente, como aconteceu nesta primeira semana do ano, uma neblina qualquer anima a gente, faz o capim reaparecer, o gado se alimenta, o homem se alegra e se enche de esperança, por algum tempo, até que volte a estiagem. Nesse ínterim o Governo fica na dele, fazendo vista grossa e deixando para depois. E esse depois todo mundo já sabe como pode ser.
No Recife, para alegria geral, foi encerrada a Era Petista na Prefeitura da cidade. Foram doze anos de atraso e deterioração da Cidade Maurícia. Renasce a esperança de se viver numa cidade limpa e com gestão competente. Acredito que não será muito fácil para o novo Prefeito porque a desarrumação é grande. Diante do caos instalado, vai ter que trabalhar com afinco para, entre outras coisas, acabar com os vícios e desmandos na máquina governamental, mobilizar esquadrões de trabalhadores para limpar e reorganizar o espaço urbano, tirar os malandros das ruas, dar ordem ao comércio ambulante, acabar com os bares nas vias públicas e largos,  focar na mobilidade, rever as calçadas e passeios públicos e, enfim, preparar a cidade para os grandes eventos que se aproximam, entre os quais a Copa das Confederações e do Mundo. Isto sem falar que estamos a poucos dias do carnaval que, tradicionalmente, atrai turistas na busca por folia. Neste caso, aliás, urge que a nova prefeitura reveja essa palhaçada de carnaval multicultural, cujo objetivo principal foi mascarar a contratação de artistas do sul – sem nenhuma noção do que seja o carnaval pernambucano – com cachês exorbitantes, em detrimento dos valores locais, estes sim, capazes de fazer um carnaval autêntico e que durante a gestão petista foram postos à margem dos folguedos.

NOTA: Foto de área na Baixada Fluminense, esta semana. Obtida no Google Imagens.

     
    

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...