sábado, 15 de dezembro de 2012


O ano está findando. Foram doze meses de muitas atividades e, no meu caso e por sorte, acumulando sucessos. O BLOG do GB foi minha “cachaça” predileta. Com doses semanais, sustentou um dos meus melhores passatempos: contato com o público. Cada vez que faço uma publicação fico pensando nos quantos irão lê-la e muitas vezes, dependendo do tema, lembrando de modo especial, algum leitor ou leitora. Nessa dinâmica levo uma vida prazerosa e com boa dose de deleite pessoal, amenizando os naturais estresses da vida atual.
Pensando bem, é uma maneira mágica que os tempos modernos, com suas tecnologias revolucionárias nos oferecem e nos encantam. Essa relação entre blogueiro e leitor – sobretudo com aqueles que com alguma freqüência comentam os artigos publicados – imprime uma satisfação especial sobre meu espírito de homem destes tempos. Fico gratificado ao receber um comentário ou observar o contador de visitas aumentar de forma acelerada, indicando, inclusive, que em algum lugar do planeta e a qualquer hora do dia ou da noite, tem sempre alguém em sintonia com este mortal fincado num ponto oriental do Brasil e da América do Sul. Se a agilidade da comunicação moderna encanta a qualquer um, imagine para um sexagenário ligado na modernidade. É o meu caso.
Enche-me de prazer descobrir que tenho leitores em lugares remotos e poucos conhecidos. Quem não se surpreenderia, no Brasil, ao descobrir que alguém em localidades como St. Kitts e Nevis (É um pais, sim! No Caribe) ou no Brunei (no Oriente) se interessou em ler alguma coisa que escreveu? Eu, pelo menos, fico surpreso. Isto sem falar dos leitores assíduos em países como os Estados Unidos, Rússia e China. Sinceramente, é instigante. Na semana que não escrevo algo, fico me cobrando e imaginando o que podem conjecturar esses leitores. É ou não é uma “cachaça”? Só vivendo a experiência para entender melhor.
Mas, sendo fim de ano, com uma agenda apertada pelos muitos eventos comemorativos, cumpre agradecer aos muitos amigos e amigas que me acompanharam em mais um ano de publicações blogueiras, o 5º de existência do BLOG do GB. Creiam que esse acompanhamento é o maior estímulo que recebo para continuar. Sem essas reações não teria sido tão fácil manter essa freqüência.
Aos que se detiveram um pouco mais e fizeram comentários, àqueles que, sem comentário publicado, fizeram questão de verbalizar a satisfação de receber semanalmente o Blog e comentar uma postagem ou, ainda, os que tiveram dificuldades de registrar um comentário. A todos – sem exceção – meus sinceros agradecimentos e meu desejo de

FELIZ NATAL E VENTUROSO ANO DE 2013.

Que as luzes do Natal encantem nossos olhos durante o ano inteiro e
nos encham de esperanças e bem estar.

NOTA: As imagenss publicadas foram obtidas no Google Imagens


domingo, 2 de dezembro de 2012

Moderno e Antigo de mãos dadas

É admirável como o japonês preserva suas tradições e o patrimônio histórico. Para quem vive num país e, particularmente, numa cidade na qual a história e as tradições culturais são, quase sempre, relegadas a último plano, conferir uma coisa dessas é puro choque, além de aprendizado.
Nesta minha segunda viagem ao Japão fiquei muito atento, observando se, apesar da globalização, persistia o traço cultural do japonês. Acredito que sim e que, muito embora, haja uma geração rebelde e formadora da “tribo” de Harajuku (região da cidade de Tóquio onde os modernosos se encontram aos bandos), ainda será difícil esconder o que há de tradição e história no país do Sol Nascente. Naturalmente que, em se tratando de uma sociedade desenvolvida, economia pujante, tecnologicamente avançada e com nível educacional nas alturas, a modernidade pontifica em todas as frentes, sempre com vistas ao bem estar do ser humano e do universo. É justamente aí que a coisa pega e chama a atenção. As inteligência e criatividade do povo japonês têm sido decisivas e muito felizes nessa tarefa. Quem vai até lá, a busca de modernidade, encontra facilmente, mas recebe extraordinárias lições de respeito ao passado e preservação da história. Moderno e antigo de mãos dadas e em perfeita harmonia. É muito comum circulando na moderna Tóquio e em meio às construções de vanguarda, aparecer um monumento antigo, esmeradamente preservado e exposto a visitação pública.
Alguns se destacam e são pontos de atração turística. Lembro como exemplos: o Asakusajinja Shrine (Templo), encravado um belíssimo parque no bairro de Asakusa. É um local onde o visitante tem obrigação de passar. Além de conhecer um dos mais belos conjuntos de templos religiosos a oportunidade de conhecer e comprar peças artesanais japoneses e degustar as delícias, doces e salgadas, da gastronomia japonesa, num verdadeiro boulevard de lojinhas (vide foto a seguir, inclusive com uma inesperada senhora portando um guarda-chuva com a bandeira brasileira) até que se chega ao local religioso.

A região está sempre fervilhando de turistas. Mas, tem uma coisa, antes de entrar no templo, não pode esquecer-se do ritual de passar na fonte de água benta corrente, para lavar as mãos, a boca e a testa, acreditando que com isso está se livrando dos pecados cometidos por pensamentos, palavras e obras. Vide fotos a seguir. Uma vez livre dos pecados é só entrar no templo e pedir ao Deus Todo Poderoso a proteção desejada. Asakusa é visita obrigatória.


Outra grande atração histórica, em Tóquio, é a belíssima Meiji Jingu, outra Shrine (Templo) encravada no imenso parque de Yoyogi, onde se encontram, também, sem que interfira no site religioso, vários outros equipamentos modernos do Japão, inclusive o parque olímpico de Tóquio, onde ocorreram os Jogos Olímpicos de 1964. A Meiji Jingu fica isolada no imenso parque e é um ambiente mais tranqüilo do que se vê em Asakusa. Não tem o mercado de artesanatos, nem o intenso comércio ao seu redor. Ao contrário disso, é um parque silencioso e lugar próprio para um retiro espiritual, ainda que passageiro. Dia chuvoso e bosque bem úmido, transformou a visita que fiz, nesse novembro passado, numa experiência impar. Vide foto a seguir.
Por fim, um especial destaque para a cidadezinha de Kamakura, afastada cerca de 80km. de Tóquio e abrigando um imenso conjunto de templos e residências, no mais autêntico estilo japonês antigo. O grande destaque desse conjunto vai para a imensa estátua de Buda – a maior, ao ar livre do mundo – construída com uma liga de cobre, bronze e latão, que resulta num verdadeiro espetáculo aos olhos do visitante. (Admire a foto a seguir).
Imponente e impondo respeito esse Buda de Kamakura, também conhecido como o Daibutsu, está sentado em posição de lótus e as mãos formando o gesto de meditação (Dhyani Mudra). Datada de 1252, essa estátua tem 13,35 metros de altura e pesa 93 toneladas. Fica no templo budista de Kotoku-in, nas colinas da cidade. Originalmente ele era abrigado por um templo construído em madeira, que foi destruído por um grande tsunami no século XV. A estátua é oca e permitem a visita no seu interior. Fiz isto pela segunda vez, quinze dias atrás. Fico satisfeito. Penso que ver o Buda de Kamakura é o mesmo que visitar o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro.

NOTAS: O Blogueiro foi ao Japão numa Missão Empresarial, promovida por um Convenio entre BID/CNI/Fiepe e Simmepe.

As fotos são da autoria do Blogueiro.

sábado, 24 de novembro de 2012

Caminhos do Oriente

O caminho é longo e, certos momentos, parece não ter fim. Durante o vôo, céus e oceano se confundem na minha visão, pela janela do avião. Quando não isto, são as nuvens densas e fechadas. As horas passam lentamente, embora que a aeronave seja veloz. Após, mais de meio dia nos ares, terra à vista. Que alivio! Estamos chegando! Lá em baixo o Japão. Logo, logo, aeronave em solo, pé no chão e, outra vez, na Terra do Sol Nascente. O dia da semana? Não é o que diz meu relógio. Mas, o seguinte. E para onde foi o domingo que deixei em Dallas (USA)? Sumiu...
Tóquio, no fim da tarde da segunda-feira, fervilha de gente e muitos veículos. Mas, nada de engarrafamentos. Não, isso não. Admirável a infra-estrutura urbana. O clima de Outono que reina, deixa suas marcas e se prepara para desnudar as árvores dos incontáveis parques e vias da metrópole oriental. Antes, porém, como querendo iludir os humanos, pinta de amarelo, dourado e púrpura cada folha, (Vide foto a seguir) privando o Inverno, que já vem vindo com seus ventos frios, da bela visão que pintou. Pobre Inverno que vai chegar atrasado sem tempo de ver a arte pictórica do irmão Outono.
Interessante registrar que nesta meia estação, quando dá quatro horas da tarde, no Japão, o Sol parece se espreguiçar e deixa que o manto da noite caia mais cedo. São noites imensas e que se arrastam lentamente. No relógio do meu pulso sempre é muito cedo para se dormir.
Poesias repentinas à parte e deslumbramento repaginado (esta foi minha segunda viagem ao Japão), eis que me vi, novamente, nas ruas de Tóquio. Com ocidentais olhos bem abertos fui conferindo nomes, meus velhos conhecidos, como Ginza, Shinjuku, Shibuya, Yoyogi, Asakuza, Ueno, Ishygaia, Harajuku e muitos outros, de bairros da capital japonesa, todos estampados nas placas sinalizadoras de trânsito. A sensação de revisitar é gratificante. Tóquio se apresenta mais moderna do que nunca e brilha aos meus olhos, através da feérica iluminação dos prédios. Os letreiros coloridos e os imensos telões de LCD fazendo seus comerciais encantando o estrangeiro chegado de Pindorama. (Vide fotos a seguir)


Embora amargando uma recessão que já dura mais de dez anos, o japonês parece não se incomodar. Elegantes, super-educados, limpíssimos, solenes para tudo, impressionam a qualquer ocidental. Mesmo para aqueles que já os conhece, como é o meu caso. Convivi com essa gente civilizadíssima, por um período aproximado de três meses, na década de oitenta. Fiz um inesquecível programa de pós-graduação, quando ainda funcionário da SUDENE, que me levou a conhecer o país por inteiro.
Nesta volta, a primeira saída, com companheiros da missão empresarial que me levou ao Oriente, foi ao bairro de Shinjuku, onde vivi na primeira vez. Trata-se de um dos mais dinâmicos e grande centro bancário e comercial da cidade. Local também de imensa estação ferroviária do país. Ali embarca-se em metrôs, trens urbanos e interurbanos, além do Shikansen, o trem bala, para vários destinos, incluindo o aeroporto internacional de Narita, distante aproximadamente 80 km.
Em Shinjuku há de tudo, o lugar tem vida própria, desde grandes magazines aos típicos pequenos comércios japoneses, nos quais de tudo se encontra. Pedi ao taxista que nos deixasse às portas de Kabukisho, um aglomerado de restaurantes, mercado de peixes, casas de jogos da grife japonesa Pachinko, casas de massagem, bares, karaokês, tudo misturado, cada um em espaços mínimos no miolo do bairro. Minha proposta foi de levar meu grupo de amigos para um mergulho imediato no Japão tradicional.



Valeu à pena. Dirverti-me a valer com as caras e bocas de cada um. Diante dos espécimes oferecidos nas lojas de pescados o espanto de alguns era hilário. Nas vitrines dos restaurantes o mesmo ocorria. O menu de um restaurante japonês é, geralmente, exibido em vistosas imitações plásticas e com o preço bem visível.
A propósito, o cheiro de comida no ar levou-nos a procurar uma casa de pasto. Já era hora de abastecer o estomago. Missão difícil foi satisfazer o paladar dos meus amigos. Por mim, entraria numa típica japonesa e devorava uma suculenta soba, um sukiaki ou um tempura, da vida japonesa. Mas, fui solidário e, com eles, adentrei num pretenso restaurante italiano. O resultado não foi dos melhores. Satisfez em parte. A quantidade servida dava pena de ver... comida para pinto. O espaguete à bolonhesa, escolhido por alguns, era um desacato a qualquer italiano. A carne moída, normal nessa opção, além de perdida num molho de tomate picante, só seria bem vista com uma lupa. Nem preciso dizer do quanto isto foi engraçado. A salvação foi a cerveja que tomamos. Claro que existem bons restaurantes em Tóquio e onde se servem porções adequadas. Mas, naquela noite não tivemos outra alternativa. Detalhe: tudo muito caro. Uma vez no Japão, prepare o bolso...
Vou falar mais sobre o Japão na próxima semana e, depois, sobre a Coréia do Sul, por onde também andei.
NOTA: O Blogueiro esteve no Japão e Coréia do Sul participando de uma Missão Empresarial de pernambucanos, promovida através de um convenio entre o BID, CNI, Fiepe e Simmepe.
NOTA 2: As fotos são da autoria do Blogueiro

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A visita de Sandy

É interessante como ocorrem certas coincidências na vida de uma pessoa. Neste momento, em que escrevo esta postagem, deveria estar em Nova York aproveitando um fim de semana e conferindo as atrações da metrópole do mundo. Seria uma passagem rápida, pausa para um longo percurso até Tóquio, um dos meus destinos na Ásia. De repente um furacão passa antes de mim e faz os estragos que assistimos, ao vivo e a cores, pela TV. Estou cabreiro com essa coisa. Os caprichos da natureza têm me perseguido nesses últimos três anos: primeiro, em 2010, foi um vulcão vomitando fogo e cinzas, de maneira descomunal, na Islândia (nem lembro mais do nome, que é daqueles estrambóticos, escrito só com consoantes), interrompendo o tráfego aéreo nos céus europeus, por vários dias. Eu ia à Alemanha. Não fui... Em 2011, outro vulcão, dessa vez no Chile, imitou o colega islandês e atrapalhou meio mundo, jogou cinzas até na distante Austrália e atrapalhando minha ida a Buenos Aires para um evento técnico. Agora vem o furacão Sandy (Bela foto a seguir) e corta meu barato. Tô cabreiro, sim. Começo a achar que tenho um “pé frio”.
Realmente, este mundo anda mesmo virado. Não faltou quem dissesse que está mesmo para se acabar. Será? E o pior é que tem gente que entrou nessa e vem se preparando espiritualmente. Por outro lado, houve um sujeito exótico, sendo entrevistado na CNN, afirmando que aquela catástrofe em Nova York pode não ser coisa boa, mas, de algum modo é divertido porque quebra a rotina. Já pensou? “O mundo desabando” e o cara gozando o repórter e os telespectadores. Isso, tranqüilo e aparentemente bom da cabeça.
Pois é, eu havia montada uma agenda básica, incluindo assistir ao musical do Homem Aranha (na Broadway), a sensação do momento, e aí vem Sandy (sozinha, sem Júnior... desculpe...) e faz aquele estrago. Na verdade, eu só estaria de passagem pela cidade, mas, fico lamentando por essa frustração. Refiz minha trajetória e agora minha parada será Miami, que não chega a ser uma das minhas preferências nos States. Parto no sábado.
Resmungando, numa conversa com uma amiga, queixei-me da pouca sorte que tenho tido. Falei do “meu pé frio” e ela – sem perceber – terminou por me alertar para uma verdade, ao me assegurar que, ao contrário, meu pé é “bem quente” por não haver sido pego de surpresa em estando na cidade atingida. Aquilo me bateu de frente e, diante da TV, assistindo ao noticiário sobre a tragédia causada pelo Sandy comecei a dar razão para minha amiga. O que eu faria se houvesse sido surpreendido em plena viagem com aquela confusão? Perguntei a mim mesmo. A costa Leste da América, a região Nordeste mais precisamente, está com milhões de pessoas desabrigadas, sem comida, sem luz, sem transporte público, comunicação, sem nada.
É curioso como a natureza em revolta trata a todos por igual. Não escolhe hora, nem local. Nem rico ou pobre. Chega sem cerimônias, se espalha da forma que lhe convém e não mede conseqüências. Digamos que ela é fria e cruel no trato da população. E, pelo visto é cega! A situação é grave e inédita. Aliás, fiquei bem impressionado com a declaração de outro homem, na TV, que considerou o quadro, desta semana, mais difícil do que no episódio de 11 de setembro, que apesar de ultra violento, ficou restrito a uma localidade, enquanto que o furacão se espalhou de forma incontrolável, soprando forte, derramando tempestades e inundando o mundo. Naturalmente que a coisa se reveste de maior gravidade devido ao fato de ser Nova York a “vitima”. Numa cidade de menor porte as conseqüências e noticias teria outra conotação.
Ainda bem que tudo passa nesta vida. Sandy vai passar e eu vou seguir viagem sem lhe dar importância.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens


domingo, 28 de outubro de 2012

APAGÃO


...e quando a noite chegava meu avô mandava um encarregado ligar o motor gerador de energia e as luzes brilhavam dentro de casa. O ploc-ploc do motor, no fundo da propriedade, dava um “fundo sonoro” rotineiro que somente silenciava às dez da noite, quando, segundo os costumes locais, era hora de dormir. Era uma rotina de vida bem comum da minha infância (ôxente, neste caso, faz muito tempo não!), em Fazenda Nova (180km. distante do Recife), e que, de modo geral, se repetia nas comunidades interioranas do Nordeste. Aliás, do Brasil. À medida que nos afastávamos do Recife a energia elétrica ia rareando e entravamos nas brenhas, onde gozei férias deliciosas. Mesmo assim, sem energia elétrica contínua, vivia-se feliz e tranquilamente  Lembro a graça que era ouvir rádio ligado a uma bateria de automóvel e a geladeira 
alimentada por querosene. Prá que mais? Quando o motor era desligado e o breu se instalava, acendíamos candeeiros ou velas e corríamos para cama. Felizes, que só!
A chegada da energia gerada pela Hidroelétrica de Paulo Afonso, para acender e mover o Nordeste se constituiu no maior acontecimento da segunda metade do século passado. O mundo se transformou e ninguém pode mais dispensar a eletricidade.
Na quinta feira passada, quando um apagão afetou metade do Brasil, incluindo o Nordeste, (vide mapa lá em baixo) relembrei com um quê de saudade, aqueles dias da infância, misturado a um estado de perplexidade. Como não tenho candeeiros nem esses modernos focos de luz à bateria, recorri a uma vela tirada de uma decoração da casa.Quando a energia caiu, pouco antes da meia-noite, eu estava a caminho do aeroporto para levar meus filhos para um embarque. No meio da escuridão vi-me ameaçado pela insegurança que reina no Recife. É nessas horas que os malandros caem em campo. A sorte foi que os semáforos funcionaram muito bem alimentados por baterias duráveis. O aeroporto se constituiu numa ilha iluminada graças a um gerador próprio. Ainda bem,  porque as aeronaves que se dirigiam ao Recife tinham como aterrissar. Na estação de passageiros, porém, o clima era de desordem. Uma fila descomunal de pessoas que aguardavam a volta da energia para pagar o estacionamento ensaiava um tumulto e dava o tom do desmantelo. Diante do tumulto a saída foi liberada e naquela noite – enquanto durou o apagão – ninguém pagou estacionamento. A empresa tomou prejuízo enorme. Veja, a seguir, o panorama do Recife na noite fatídica. Ainda bem que era noite de lua.
O exemplo do estacionamento do aeroporto é insignificante se comparado a outros serviços prejudicados e espalhados pela Região. Quantos bares e restaurantes fecharam antes da hora e tomaram prejuízo? Quantas cirurgias, inclusive as de emergência, deixaram de ser feitas. Mortes podem ocorrer numa hora dessas. Quantas indústrias pararam suas produções e foram obrigadas a rodar jornadas extras. Quanto isto e quanto aquilo? Veja o mapa da escuridão, a seguir.

Num mundo movido pela força elétrica, o Brasil parece não ter ciência dessa referência e terminou relegando a segundo plano o trato adequado ao seu sistema de geração de energia. Faltou planejamento, faltam investimentos, falta manutenção das redes e do sistema nacional de interligação. É o que se comenta. Hoje, até mesmo o Governo espera placidamente que ocorra um apagão a qualquer momento e qualquer lugar do país. Haja irresponsabilidade... Semana passada, por exemplo, fiquei pasmo ao ouvir falar de que o final da novela da TV (Avenida Brasil) poderia provocar um apagão dada a demanda de energia que provocaria. Achei aquilo incrível. Montou-se uma prontidão e o problema não ocorreu.
No caso do apagão de 5ª. Feira, “foi uma coisa improvável” afirmou o Ministro das Minas e Energia. Como improvável? Que tropeço desse cidadão! Depois, constatou-se que foi um curto circuito num ramal entre o Maranhão e Tocantins. Um curto por falta, seguramente, de manutenção! Mas, já falaram em boicote armado pela oposição. Vejam só, já querem politizar o problema. D. Dilma foi Ministra da pasta e deve estar “comendo um galo” porque não foi previdente. Te vira presidenta! Dê duro nessa frente.
Agora, que dá medo disso ocorrer em tempo de Copa do Mundo ou Olimpíada, isso dá... As cassandras, aliás, estão soltas torcendo por isso! Deus nos livre dessa vergonha.  
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

 

domingo, 21 de outubro de 2012

Avenida Brasil

Impossível não comentar o recente fenômeno da teledramaturgia brasileira, Avenida Brasil, novela levada ao ar pela Rede Globo de televisão, durante mais de meio ano.
Pelo visto, algo de novo ocorreu com este folhetim global. Vi que a trama apresentada pelo jovem autor, João Emanuel Carneiro, trouxe novidades para o telespectador brasileiro. Como novidade, neste caso, é coisa sempre bem vinda, o sucesso foi gerado. Naturalmente que me refiro à novidade com qualidade.
Acho que o telespectador brasileiro já andava cansado das tramas com argumentos batidos e repetidos clichês e com contextos sociais que eram focados, quase sempre voltados à vida glamorosa da Classe A, nas grandes metrópoles nacionais. Quando não isto, eram os hábitos e costumes regionais, principalmente os nordestinos. Dessa vez o foco principal mudou para a classe suburbana e, neste caso, o da periferia carioca que, sempre retrata uma síntese da sociedade suburbana do país como um todo. De cenários em grandes salões e requintadas moradias, apareceu o de um lixão, chocando no primeiro momento. Fora isto, teve futebol e jogadores, cachaça, mesa de bilhar, pagode, retirante nordestina bem sucedida, alpinistas sociais, “marias chuteiras”, “periguetes”, finalmente, um mix de personagens bem comuns na vida de periferia e no meio do povão brasileiro que é, aliás, o grande público para os folhetins televisivos.
Além dessa novidade, o talento do autor levou a que, ao fechar a maioria dos episódios, houvesse sempre um estimulo ou suspense para que o espectador voltasse à frente da TV na noite seguinte. Foi bastante inteligente. Admirável como o cara soube criar situações inesperadas envolvendo alguns personagens, com mudanças bruscas de atitudes e comportamentos, tanto na trama central, quanto nas secundárias, capazes de surpreender o publico. Mais ainda: quando todo mundo achava que não havia mais nada a ser descoberto o noveleiro criava situações que prolongavam a história. Houve um momento que parecia não ter fim. Estratégia nova.
Perversidade e humanismo se misturaram de modo incrivelmente inédito, nesta novela. A personagem Carminha (Adriana Esteves) tanto representava uma megera, quanto repentinamente aparecia de mãe, esposa e dona de casa exemplar e, muitas vezes, foi vista pelo telespectador como vítima. E terminou assim! A Nina (Débora Falabela) foi outro personagem que confundiu o publico, oscilando, em vários momentos, entre mocinha vingativa, pela qual todos torciam, e vilã. O que dizer da Lucinda (Vera Holtz), acolhendo garotos abandonados no lixão? O Tufão (Murilo Benicio), coitado, um corno/pateta adorável e, ao mesmo tempo, irritante. O que dizer do excelente ator que é Marcos Caruso, no papel de Leleco? Incrível como um paulistano nascido no elegante Itaim Bibi, pode se transformar num autêntico suburbano carioca. E tantos outros. Belo elenco
E no apagar das luzes, quem diria que as maiores rivais – Carminha e Nina – terminariam selando a paz? Acho que, tramando essas situações, digamos que bem humanas, o autor cravou o sucesso que sustentou até o último instante.
O fato é que a novela terminou sendo um fenômeno de audiência. O último capítulo levado neste fim de semana (19-20/10/12) virou noticia no mundo inteiro. Uma coisa inacreditável. Não pude entender direito. Os grandes jornais do mundo inteiro terminaram por fazer referência a este fenômeno da televisão brasileira, tendo em vista a mobilização nacional para não perder a exibição do último capítulo. Foi tão mobilizador, quanto qualquer jogo do Brasil em Copa do Mundo. Estouro de audiência. Estou falando de veículos tipo Financial Times, Washington Post, Revista Forbes, The Guardian (este destacando, inclusive, que a presidente da Republica cancelou viagens e ajustou sua agenda para não perder esse capitulo final). Vide foto a seguir. Além
destes, uma infinidade de outros jornais na América Latina, Europa e até na remota Austrália noticiaram o fenômeno televisivo tupiniquim. Confesso que fico intrigado com esse flash da vida brasileira. Sim, porque isto não passa de um flash! Espocou e fim. Logo, logo o público já se envolve com outro folhetim, seja qual for a trama e o cenário e Avenida Brasil será somente uma grande artéria urbana do Rio de Janeiro.
Interessante que, mesmo muito antes desse final badalado, algumas coisas foram observadas no dia-a-dia dos brasileiros. Por exemplo, o figurino da personagem de Carminha ganhou o mundo e promoveu, por exemplo, uma super venda de uma bolsa de uma determinada grife (Michael Kors) nas lojas do ramo no Brasil e em outras praças do estrangeiro. Toda “dondoca” ou “patricinha” transformou em sonho de consumo possuir uma dessas bolsas. Em Nova York, o gerente da loja da grife preparou vendedoras para atender as brasileiras e, muito curioso, perguntou a uma repórter de TV “Who is Carminha?”. Este é o chamado poder da mídia. Mas, não foi somente a bolsa, o automóvel da marca contratada para o merchandising também virou moda nas endinheiradas. De Buenos Aires, um jovem teve a curiosidade de perguntar: “O que é Carminha?”. Uma graça.
Enquanto isso, fico aqui alimentando a esperança de que o Brasil se destaque mais noutras dimensões do cenário internacional. Não temos, por exemplo, um Prêmio Nobel! Onde estão nossos autores escritores ou cientistas?
NOTA: Foto obtida no Google Imagens.




domingo, 14 de outubro de 2012

Votar ou Não Votar, eis a questão

Lembro da festa que se fazia nos dias de eleições em tempos da redemocratização do Brasil. O povo ia às ruas empunhando bandeiras, cartazes e festejando seus candidatos de forma declarada e em alto e bom tom. De fato, havia motivos para comemorações porque todos curtiam o prazer de exercer o direito de votar e escolher seus governantes. O tempo passou e, com ele, parece haver se esvaído aquele entusiasmo de outrora. Nas eleições da semana passada, para citar o exemplo mais recente, parei para observar o movimento e terminei constatando um povo aparentemente apático, a caminho das sessões eleitorais, muitos deles cabisbaixos e apressados. Era um desfile quase que silencioso. Isto em locais onde ocorriam, normalmente, grandes concentrações de militantes aguerridos que se punham, estrategicamente, a incentivar o eleitor, sobretudo aqueles indecisos. Entendo que a proibição da chamada “boca de urna” tenha inibido muita gente, porém, o movimento do trânsito, bandeirolas e bandeiradas praticamente foram deixados para trás. Era uma grande festa, já não é mais. Pelo menos nas grandes cidades.
No balanço do pleito da semana passada, para renovação das câmaras municipais e prefeitos, dados divulgados pelos tribunais eleitorais dão conta de números surpreendentes no que tange à soma dos votos em branco, nulos e de abstenções. Foram muitos os brasileiros que resolveram não comparecer às sessões eleitorais: 16,41% deles não se abalaram por cumprir com o dever cívico. Isto significa 22,7 milhões de pessoas. É muita gente. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral nas eleições de 2008, esse percentual foi de 14,5%.
Em Pernambuco, na semana passada, o percentual foi ligeiramente menor, 16,28% e significou 1,06 milhões de eleitores. Também é muita coisa.
Mas, o que mais chamou a atenção em Pernambuco foram alguns resultados na Capital e em Olinda. Imagine que no Recife o número dos votos nulos, em branco e de abstenções, 283.279, superou o de votos válidos atribuídos ao segundo colocado para o cargo de Prefeito do Recife, Daniel Coelho, que só obteve  
245.120 votos. Na vizinha Olinda, a coisa ainda se mostrou pior porque os brancos, nulos e abstenções somaram 105.056 e foi mais do que o número de votos dados ao Prefeito vencedor, Renildo Calheiros, que se elegeu com 102.295 votos. Indiscutivelmente, tem algo a ser analisado, principalmente lembrando que, no Brasil, votar é obrigatório para todo cidadão e cidadã com idade entre 18 e 70 anos.
Vários motivos podem ser considerados para este resultado. O primeiro que ocorre analisar é a questão do voto obrigatório. As novas gerações são arredias a tudo quanto venha com o rótulo de obrigatório. Muitos são os movimentos que pregam a queda dessa obrigatoriedade. “No Brasil não cola mais essa manobra eleitoral. É coisa do passado, quando o país vivia buscando o rumo à uma democracia plena. Obrigar é um esquema antidemocrático”. Foi o que ouvi de um jovem. Argumentou que ao cidadão deve ser reservado o direito de escolher ou não. Ele me garantiu que tirou o titulo de eleitor por necessidade burocrática, mas que só votou uma vez. Normalmente justifica o voto por onde aproveita o dia para o lazer ou já pagou a multa por não votar. Ainda fez gozação com o valor cobrado, que julgou irrisório. Atualmente é de apenas R$ 3,50. Equivale a uma passagem de ônibus urbano. Pensando bem, é um estimulo para quem quer protestar, quem não quer enfrentar fila, chuva ou sol quente. Além de ser cômodo para quem aproveita o dia e se manda para um ponto distante da sua sessão eleitoral para curtir um dolce far niente.
Outro motivo, este mais forte, é o descrédito da classe política e sua interminável lista de corruptos cadastrados. O atual julgamento do Processo Mensalão tem exposto, de modo escancarado, a qualidade de políticos brasileiros que enganaram o povo, a Nação e o Mundo. Isto, francamente, é um desencanto para quem almeja um país sério e politicamente desenvolvido. A turma jovem de hoje arrasa na critica e na contestação.
Além do que, se analisarmos os pífios progressos sociais (Educação, Saúde, Segurança, etc.) decorrentes das ações desses mandatários recentes, pouca coisa provocará entusiasmo no eleitorado. Ao invés disso, gera revolta. O resultado é voto em branco, nulo ou, simplesmente, a abstenção.
Esses dias vi dois grafites, em velhos prédios do Recife Antigo, que retratam bem essa situação. Fotografei especialmente para ilustrar esta postagem do Blog. Confira você mesmo. Votar ou não votar, eis a questão do futuro.
NOTA: Fotos da autoria do próprio Blogueiro 

A História se Repete

Há histórias que atravessam os séculos sem perder a capacidade de nos fazer pensar. Ali Babá e os Quarenta Ladrões é uma delas. Lembro-me co...