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domingo, 14 de outubro de 2012

Votar ou Não Votar, eis a questão

Lembro da festa que se fazia nos dias de eleições em tempos da redemocratização do Brasil. O povo ia às ruas empunhando bandeiras, cartazes e festejando seus candidatos de forma declarada e em alto e bom tom. De fato, havia motivos para comemorações porque todos curtiam o prazer de exercer o direito de votar e escolher seus governantes. O tempo passou e, com ele, parece haver se esvaído aquele entusiasmo de outrora. Nas eleições da semana passada, para citar o exemplo mais recente, parei para observar o movimento e terminei constatando um povo aparentemente apático, a caminho das sessões eleitorais, muitos deles cabisbaixos e apressados. Era um desfile quase que silencioso. Isto em locais onde ocorriam, normalmente, grandes concentrações de militantes aguerridos que se punham, estrategicamente, a incentivar o eleitor, sobretudo aqueles indecisos. Entendo que a proibição da chamada “boca de urna” tenha inibido muita gente, porém, o movimento do trânsito, bandeirolas e bandeiradas praticamente foram deixados para trás. Era uma grande festa, já não é mais. Pelo menos nas grandes cidades.
No balanço do pleito da semana passada, para renovação das câmaras municipais e prefeitos, dados divulgados pelos tribunais eleitorais dão conta de números surpreendentes no que tange à soma dos votos em branco, nulos e de abstenções. Foram muitos os brasileiros que resolveram não comparecer às sessões eleitorais: 16,41% deles não se abalaram por cumprir com o dever cívico. Isto significa 22,7 milhões de pessoas. É muita gente. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral nas eleições de 2008, esse percentual foi de 14,5%.
Em Pernambuco, na semana passada, o percentual foi ligeiramente menor, 16,28% e significou 1,06 milhões de eleitores. Também é muita coisa.
Mas, o que mais chamou a atenção em Pernambuco foram alguns resultados na Capital e em Olinda. Imagine que no Recife o número dos votos nulos, em branco e de abstenções, 283.279, superou o de votos válidos atribuídos ao segundo colocado para o cargo de Prefeito do Recife, Daniel Coelho, que só obteve  
245.120 votos. Na vizinha Olinda, a coisa ainda se mostrou pior porque os brancos, nulos e abstenções somaram 105.056 e foi mais do que o número de votos dados ao Prefeito vencedor, Renildo Calheiros, que se elegeu com 102.295 votos. Indiscutivelmente, tem algo a ser analisado, principalmente lembrando que, no Brasil, votar é obrigatório para todo cidadão e cidadã com idade entre 18 e 70 anos.
Vários motivos podem ser considerados para este resultado. O primeiro que ocorre analisar é a questão do voto obrigatório. As novas gerações são arredias a tudo quanto venha com o rótulo de obrigatório. Muitos são os movimentos que pregam a queda dessa obrigatoriedade. “No Brasil não cola mais essa manobra eleitoral. É coisa do passado, quando o país vivia buscando o rumo à uma democracia plena. Obrigar é um esquema antidemocrático”. Foi o que ouvi de um jovem. Argumentou que ao cidadão deve ser reservado o direito de escolher ou não. Ele me garantiu que tirou o titulo de eleitor por necessidade burocrática, mas que só votou uma vez. Normalmente justifica o voto por onde aproveita o dia para o lazer ou já pagou a multa por não votar. Ainda fez gozação com o valor cobrado, que julgou irrisório. Atualmente é de apenas R$ 3,50. Equivale a uma passagem de ônibus urbano. Pensando bem, é um estimulo para quem quer protestar, quem não quer enfrentar fila, chuva ou sol quente. Além de ser cômodo para quem aproveita o dia e se manda para um ponto distante da sua sessão eleitoral para curtir um dolce far niente.
Outro motivo, este mais forte, é o descrédito da classe política e sua interminável lista de corruptos cadastrados. O atual julgamento do Processo Mensalão tem exposto, de modo escancarado, a qualidade de políticos brasileiros que enganaram o povo, a Nação e o Mundo. Isto, francamente, é um desencanto para quem almeja um país sério e politicamente desenvolvido. A turma jovem de hoje arrasa na critica e na contestação.
Além do que, se analisarmos os pífios progressos sociais (Educação, Saúde, Segurança, etc.) decorrentes das ações desses mandatários recentes, pouca coisa provocará entusiasmo no eleitorado. Ao invés disso, gera revolta. O resultado é voto em branco, nulo ou, simplesmente, a abstenção.
Esses dias vi dois grafites, em velhos prédios do Recife Antigo, que retratam bem essa situação. Fotografei especialmente para ilustrar esta postagem do Blog. Confira você mesmo. Votar ou não votar, eis a questão do futuro.
NOTA: Fotos da autoria do próprio Blogueiro 

domingo, 12 de agosto de 2012

Recife pede socorro, vote certo

Sexta-Feira passada, anteontem, perdi aproximadamente três horas no caótico trânsito do Recife. Temo que esteja cada vez mais distante o dia em que possamos circular com o mínimo de tranqüilidade e fluidez na nossa metrópole. Houve ocasiões em que comparei a situação com o que vejo em São Paulo, onde só se fala em dezenas e centenas de quilômetros e quilômetros de engarrafamentos diários no trânsito. Contudo, guardando as devidas proporções e considerando a estrutura urbana da capital paulista, o recifense padece de situações bem mais graves. Para complicar o quadro, faltam ao recifense mais educação, disciplina e habilidade no manejo dos seus veículos. Cá prá nós, tem muito motorista “barbeiro” nesta cidade. Uma mudança qualquer no transito – tentando solucionar gargalos – termina provocando, muitas vezes, problemas maiores. Foi o caso recente da adoção do binário Estrada do Arraial-Estrada do Encanamento. Aquela região está na maior balbúrdia. Tem motorista que não sabendo, ainda, das mudanças, termina provocando o maior transtorno. As linhas de ônibus ainda não conseguiram se atualizar para o novo circuito. Foi uma sexta-feira negra pelas bandas do Parnamirim. Mas, não foi somente por lá! Pela rádio fui sendo informado dos entraves nas zonas Sul e Oeste, nas saídas da cidade (Brs 101 e 232), Avenidas Agamenon Magalhães, Domingos Ferreira e Imbiribeira, ou seja, o Recife inteiro. Um caos... E o povo entrando em polvorosa.
Mas, enquanto parado ou em marcha lenta, vi “desfilar” aos meus olhos uma infinidade de placas de propaganda eleitoral – que já emporcalham a cidade – (Vide foto acima) de candidatos a vereador ou prefeito da capital que, francamente, tem caras pelas quais não dou nada... Digo, não me inspiram a mínima confiança. Muitos são daqueles que se candidatam por esporte. Tem sim, esse tipo de gaiato! Lembro de um, funcionário da SUDENE (onde fiz minha carreira profissional) que se candidatava a algum cargo, de dois em dois anos, para ter licença do trabalho por um longo período. Era um preguiçoso profissional acobertado pela legislação eleitoral. Não se via nem sombra da campanha do sujeito. Coisas de Brasil.
Na pratica, tenho a certeza de que a esmagadora maioria desses candidatos a vereadores e muitos dos candidatos a Prefeito são pessoas desprovidas das noções básicas dos papeis dos cargos que postulam. Não têm noção do que vão fazer, não sabem o que vem ser uma ideologia partidária, desconhecem o modelo político nacional vigente, não sabem o que seja a ética na política e, enfim, não sabem de nada. Somente uma coisa eles sabem: que vão embolsar uma grana preta todo mês e... “os eleitores que se explodam”, no dizer do humorista famoso. Mas, tem uma coisa, isto não ocorre somente no Recife. Todo mundo sabe que isto é uma praga nacional. É uma lástima.
Agora, se a questão, contudo, fosse apenas o trânsito caótico, ainda restaria a esperança de que aparecesse um engenheiro de transito ou um especialista qualquer nesta área e que, com autoridade técnica, encontrasse um modelo de mobilidade adequado a esta cidade antiga e mal planejada. O danado é que outros problemas se multiplicam em progressão geométrica e os edis – vereadores e prefeitos – de plantão só sabem administrar as futricas politiqueiras, interessados em não apagar o fogo que aquece as suas sardinhas, já cozidas há muito tempo. A recente arenga nas hostes petista recifense é o melhor exemplo dessa pouca vergonha. O Recife precisa urgente de um trato digno. Está pedindo socorro. As recentes administrações assumiram um compromisso sem ter a noção do que assumiram. Mobilidade, limpeza, segurança, saúde e educação para as populações mais pobres, transporte publico digno e disciplinado, requalificação de artérias urbanas, hoje inviabilizadas, mas, de grande valia para a dinâmica da Urbe, (como as Avenidas Guararapes e Conde da Boa Vista), criar vias especificas, com faixas prioritárias, destinadas a circulação de veículos com quatro ou mais passageiros, como acontece em Sydney, na Austrália, tirar veículos das ruas (rodízio de placas e estacionamentos proibidos), requalificar e restaurar áreas de interesse turístico, para atender as demandas crescentes, iluminar a cidade, hoje às escuras e propiciando a malandragem e insegurança. Tudo isto, entre outras coisas que uma boa equipe técnica vai identificar facilmente. A cidade precisa de um choque de gestão, porque a que está aí não sabe o que é isto. O Recife pede socorro e o eleitor tem a responsabilidade de saber escolher. Vote certo e teremos uma chance de melhorar.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens 

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...