quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A visita de Sandy

É interessante como ocorrem certas coincidências na vida de uma pessoa. Neste momento, em que escrevo esta postagem, deveria estar em Nova York aproveitando um fim de semana e conferindo as atrações da metrópole do mundo. Seria uma passagem rápida, pausa para um longo percurso até Tóquio, um dos meus destinos na Ásia. De repente um furacão passa antes de mim e faz os estragos que assistimos, ao vivo e a cores, pela TV. Estou cabreiro com essa coisa. Os caprichos da natureza têm me perseguido nesses últimos três anos: primeiro, em 2010, foi um vulcão vomitando fogo e cinzas, de maneira descomunal, na Islândia (nem lembro mais do nome, que é daqueles estrambóticos, escrito só com consoantes), interrompendo o tráfego aéreo nos céus europeus, por vários dias. Eu ia à Alemanha. Não fui... Em 2011, outro vulcão, dessa vez no Chile, imitou o colega islandês e atrapalhou meio mundo, jogou cinzas até na distante Austrália e atrapalhando minha ida a Buenos Aires para um evento técnico. Agora vem o furacão Sandy (Bela foto a seguir) e corta meu barato. Tô cabreiro, sim. Começo a achar que tenho um “pé frio”.
Realmente, este mundo anda mesmo virado. Não faltou quem dissesse que está mesmo para se acabar. Será? E o pior é que tem gente que entrou nessa e vem se preparando espiritualmente. Por outro lado, houve um sujeito exótico, sendo entrevistado na CNN, afirmando que aquela catástrofe em Nova York pode não ser coisa boa, mas, de algum modo é divertido porque quebra a rotina. Já pensou? “O mundo desabando” e o cara gozando o repórter e os telespectadores. Isso, tranqüilo e aparentemente bom da cabeça.
Pois é, eu havia montada uma agenda básica, incluindo assistir ao musical do Homem Aranha (na Broadway), a sensação do momento, e aí vem Sandy (sozinha, sem Júnior... desculpe...) e faz aquele estrago. Na verdade, eu só estaria de passagem pela cidade, mas, fico lamentando por essa frustração. Refiz minha trajetória e agora minha parada será Miami, que não chega a ser uma das minhas preferências nos States. Parto no sábado.
Resmungando, numa conversa com uma amiga, queixei-me da pouca sorte que tenho tido. Falei do “meu pé frio” e ela – sem perceber – terminou por me alertar para uma verdade, ao me assegurar que, ao contrário, meu pé é “bem quente” por não haver sido pego de surpresa em estando na cidade atingida. Aquilo me bateu de frente e, diante da TV, assistindo ao noticiário sobre a tragédia causada pelo Sandy comecei a dar razão para minha amiga. O que eu faria se houvesse sido surpreendido em plena viagem com aquela confusão? Perguntei a mim mesmo. A costa Leste da América, a região Nordeste mais precisamente, está com milhões de pessoas desabrigadas, sem comida, sem luz, sem transporte público, comunicação, sem nada.
É curioso como a natureza em revolta trata a todos por igual. Não escolhe hora, nem local. Nem rico ou pobre. Chega sem cerimônias, se espalha da forma que lhe convém e não mede conseqüências. Digamos que ela é fria e cruel no trato da população. E, pelo visto é cega! A situação é grave e inédita. Aliás, fiquei bem impressionado com a declaração de outro homem, na TV, que considerou o quadro, desta semana, mais difícil do que no episódio de 11 de setembro, que apesar de ultra violento, ficou restrito a uma localidade, enquanto que o furacão se espalhou de forma incontrolável, soprando forte, derramando tempestades e inundando o mundo. Naturalmente que a coisa se reveste de maior gravidade devido ao fato de ser Nova York a “vitima”. Numa cidade de menor porte as conseqüências e noticias teria outra conotação.
Ainda bem que tudo passa nesta vida. Sandy vai passar e eu vou seguir viagem sem lhe dar importância.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens


Um comentário:

Celso Cavalcanti disse...

Caro Girley,
Concordo com a sua amiga, você tem pé-quente e não frio.
Por via das dúvidas, sempre me informe a sua agenda de viagens internacionais com a maior antecedência possível.
Um abraço e boa viagem.
Celso Cavalcanti