quarta-feira, 9 de dezembro de 2020
Duas Topadas
Dois temas me deixaram dividido na escolha da conversa semanal. Como um não pode esperar pelo outro lá vão os dois duma só vez. Dois em Um poderia ser o título do post. Ocupo o espaço da semana fazendo sínteses de duas topadas sócio-políticas neste conturbado mundinho de Pindorama.
A primeira topada ocorreu no Recife, fruto do baixíssimo nível de civilidade e moral dos nativos da Cidade Maurícia, reforçado pela incúria das autoridades municipais de plantão que não se dão aos cuidados de zelar pelo patrimônio cultural da cidade. Desse modo, mercê do abandono, vândalos insanos detonaram, na semana passada (04.12.20), o Parque das Esculturas do Marco Zero da cidade, roubando peças importantes dos monumentos que marcam a passagem do século na capital pernambucana. Eram magnificas peças de arte, produzidas em bronze, destinadas a legar, historicamente, às gerações vindouras, um testemunho do nível cultural que dominava a entrada do Recife no terceiro milênio. Dois expoentes da arte moderna do estado autores das obras que compõem aquele diferenciado logradouro: Francisco Brennand (1927-2019) e Cicero Dias (1907-2003) resultam sendo desrespeitados pelos seus concidadãos e pelas autoridades ineptas. Vide imagens a seguir com a escultura roubada e o espaço vazio. O mais provável é que tenha sido derretida e vendida por quilo.
Eis aí um oportuno momento para voltar ao recorrente tema, aqui no Blog, da falta de formação educacional de base para nossa gente. E não falo das elementares lições do b+a = ba, nem de 2+2=4. Falo sim de formação do indivíduo no seu todo, preparando-o para o viver em sociedade. Falo de educação moral e cívica. Desgraçadamente são disciplinas postas à margem de nossa comum grade pedagógica da escola primária. Segundo a sabedoria popular “é do pequeno que se faz o grande” e neste pobre Brasil não se faz desse modo. Educar para a vida e para ser um cidadão ou cidadã de bem capazes de contribuir com a ordem e o progresso tão propalado no nosso símbolo da Pátria. Educar para que não passemos por momentos tão lastimáveis nos quais administradores permitem apagar História deixando ao abandono nossos patrimônios históricos ou simplesmente destruir propositalmente os símbolos que marcam uma época e um povo.
A segunda topada ocorreu em Brasília: causou-me profunda surpresa e inquietação ao saber que o STF - Supremo Tribunal de Federal tenha levado solenemente ao plenário uma inoportuna discussão sobre a recondução ou não, dos mandatos dos presidentes da Câmara (Rodrigo Maia) e do Senado (Davi Alcolumbre), quando a Constituição é clara e proíbe essa manobra vergonhosa. Por felicidade o placar foi contrario a recondução nos dois casos. 6 x 5 contra Alcolumbre e 7 x 4 contra Maia. Alivio por um lado, mas, tristeza por outro ao concluir que cinco dos supremos magistrados – que se autoproclamam guardiões da Constituição – tenham tentado “quebrar os ovos e empurrar goela abaixo dos brasileiros um indigesto omelete” inconstitucional. Esta questão na verdade devia ter sido rejeitada pelo STF. Isso sim, teria sido mais digno por parte do Poder Judiciário.
Resumo da Ópera: triste do país que tudo e qualquer irrelevante questão – inclusive as reconhecidamente constitucionais – sejam levadas ao julgamento do seu Supremo Poder Constituído, no qual seus integrantes são chegados a dar torpes topadas.
Sem poder fazer qualquer coisa, resta-me renovar meus pedidos ao Divino Supremo para que aplaine nossos caminhos e nos livre de terrenas, ingremes e estúpidas supremas topadas.
NOTA: As imagens ilustrativas forma obtidas no Google Imagens
quarta-feira, 2 de dezembro de 2020
Fim de Jogo
Passado o período eleitoral sinto-me aliviado e, como sempre, alimentando esperanças de que nesses próximos dois anos que nos separam de um próximo pleito o Brasil preserve dignamente o clima de democracia como objetivo de todo(a) cidadão ou cidadã de bom senso. Confesso que no recente pleito, diante da minha ótica pessoal como sendo o basilar por alimentar o jogo politico da célula-mater – município – da Republica, mantive-me afastado de debates e considerações a respeito desse ou daquele candidato ou partido, preferindo me acomodar numa zona de conforto que a idade já permite e, sendo franco, diante dos contornos pouco dignos que foram traçados no município do Recife, em particular.
Impossível, porém, permanecer no aludido conforto e sem dar um pitaco que seja a respeito do processo encerrado no domingo (29.11.20) passado.
A primeira consideração que faço é que, no geral, foi um processo limpo e respeitado por todos, sobretudo pelos derrotados nas urnas. Ressalto que comparando com o recente processo norte-americano, sem discutir, temos motivos de sobra para manifestar orgulho, aplaudir e festejar o que foi realizado em Pindorama.
Como muitos acreditavam não foi a crise sanitária ou a postergação do pleito que reduziu o entusiasmo das campanhas dadas a sede de poder dos aspirantes, sobretudo, aos cargos majoritários. Por outro lado, no entanto, analisando o desenrolar das votações, uma coisa ficou muito clara: o voto obrigatório perde cada vez mais seu real efeito. Uma abstenção que chegou ou ultrapassou a casa dos 30% é algo a ser tomado com um forte recado do eleitorado às autoridades que decidem sobre a Lei Eleitoral. O caso de São Paulo – o maior colégio eleitoral do país – foi emblemático: a soma dos votos brancos e nulos junto com as abstenções - 3,65 Milhões - foi maior do que o total de votos dados ao prefeito eleito, Bruno Covas, que obteve 3,17 Milhões de votos. Claro que isto chama atenção. Aqui no Recife, a candidata do PT, Marília Arraes, com 347.029 votos, também perdeu para o somatório de brancos, nulos e abstenções que, neste caso, somaram 363.029. O Prefeito eleito, João Campos, obteve 445.992 votos, com apenas 82.637 votos a mais do que a soma dos brancos, nulos e abstenção. Interpreto isto como sendo um forte recado do eleitorado brasileiro, que, em grande parte, preferiu aproveitar o dia da votação para curtir uma praia ensolarada, um fim-de-semana na casa de campo ou, ficar em casa bebericando e assistindo um bom filme na TV, sujeito, apenas, pagar uma multa simbólica de R$ 3,50 para justificar a ausência na sessão eleitoral. Aliás, contando com a comodidade do meio eletrônico hoje adotado. Ora, manter a obrigatoriedade de votar pode ser um aspecto importante a ser repensado no Brasil.
Outro pitaco que arrisco é o de considerar que, no domingo passado, o quadro politico do país foi indiscutivelmente redesenhado. Ficou claro que o eleitorado brasileiro lacrou o desejo coletivo de mostrar que a tendência prioritária é do posicionamento de centro-direita. Sem contudo, querer sublinhar o fisiologismo do chamado Centrão. Na verdade, os extremos radicais perderam força e dificilmente vão se recuperar. Observo que os recentes vetores inflexíveis propulsores da polarização esquerda-direita caíram às margens do campo de disputas no fim do jogo. Não foi Bolsonaro, nem Lula e seus Lulopetistas que influenciaram no resultado final da “partida”. Pelo contrário, foram infelizes ao manifestarem apoio por esse ou aquele candidato e receberam pesados trocos. O PT de Lula foi o mais castigado. Não fazer nenhum prefeito nas capitais estaduais deve ter sido duro golpe. Pior foi haver perdido, também, 133 municípios, caindo de 257 para 124. Se o município for de fato como considero a célula-mater do jogo político do país, o PT deixa de contar com essa poderosa máquina. Falando friamente virou um partido em decadência. E os seus partidos aderentes pouco pesam na balança. Tomei conhecimento esses dias que, segundo estimativas publicadas, o outrora brilhante Partido dos Trabalhadores governa apenas 3,64% dos brasileiros. Vamos e venhamos é um percentual irrisório. Sendo tudo isto verdade, temos que abrir os olhos para que os partidos das velhas raposas não roubem nossas preciosas uvas. Que nossas uvas sejam sempre vistas verdes, como na fábula de Esopo, por essas sedentas velhas raposas.
Como democrata encerro o papo de hoje lembrando que, para vigiar as velhas raposas, é preciso que haja uma oposição séria, comprometida e atenta. Que não trabalhem com vistas ao poder e com garras a la Al Capone. Opositores são sempre necessários num regime democrático. Que corrijam as desarrumações que assistimos recentemente. O PT, por exemplo, se esfacelou e para se salvar, inclusive, arrebanhou valores sem seu DNA, como a candidata a prefeita do Recife, Marilia Arraes, que ajudou a detonar o Partido no âmbito local. Passos mal planejados e erros elementares. O desespero leva sempre a imprevistos finais de jogo.
Nota: A foto-ilustração foi obtida no Google Imagens.
quinta-feira, 26 de novembro de 2020
Consciência Negra
Nos dias recentes foram muitos os temas que caíram na pauta do Blog. Tudo muito do domínio publico através da mídia aberta e que por isso mesmo fugindo do escopo que procuro manter nesse papo semanal. As eleições e seus resultados quase sem surpresas, a apuração entremeada de obstáculos técnicos do Superior Tribunal Eleitoral, as campanhas despudoradas de segundos turnos e, como se tudo isso fosse pouco, o avanço do fantasma de uma segunda onda da Covid-19.
Contudo, o que mais chamou a atenção do país, e com forte repercussão internacional, foi o recrudescimento da questão do preconceito racial que corrói a sociedade brasileira devido ao cruel assassinato do cidadão negro, João Alberto (Beto) Freitas, numa loja do supermercado Carrefour, de Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul, aos modos do assassinato de George Floyd, Minnesota USA, (25/05), por motivos ate agora pouco claros. Seguranças brancos e mal capacitados magoaram de graça uma ferida aberta no seio da vida social brasileira e levantaram a revolta nacional, sempre pendente, das hostes que lutam pela igualdade racial em Pindorama. História velha e de profundas raízes plantadas nos tempos coloniais e imposta pelos brancos europeus. É, indiscutivelmente, um traço cultural que sempre requer muitas mudanças no pensamento coletivo das gerações porvir, tanto entre os brancos, como nos meios dos negros.
O prestigio dos negros vem sendo historicamente relegado ao segundo plano no Brasil e são casos relativamente reduzidos àqueles que, de fato, brilharam socialmente. Imagine que tamanho era o desprezo e desprestigio político-social no passado que, segundo alguns pesquisadores, fotografias de antigos presidentes da Republica eram retocadas para branquear suas peles escuras. Nilo Peçanha, Campos Sales, Rodrigues Alves e Washington Luís foram quatro presidentes brasileiros que fizeram questão de esconder seus ancestrais africanos. Depois disso, imagine o que paira sobre o domínio popular.
Com minha experiência de vida, percebo que, em princípio, os próprios negros alimentam o preconceito renitente quando negam, com frequência, a própria cor. Tenho dois casos bem comuns: duas empregadas domésticas na minha casa. Dois tipos de legítimas negras, tipo angolanas, negando a própria raça ao insistirem que eram morenas. Uma delas saiu arrumada e perfumada, num sábado de carnaval, para assistir ao desfile do Galo da Madrugada. Na volta perguntei se havia arranjado um namorado e, como resposta, ouvi algo surpreendente: “só me apareceu um negão arrastando asa pra cima d´eu. Eu lá gosto de nego.” Falava com desembaraço a la Marilyn Monroe.
O caso do assassinato de Beto, em Porto Alegre, coincidiu, por ironia, na véspera das comemorações do Dia Nacional da Consciência Negra, 20 de Novembro (instituído no Brasil desde 2003) com vistas ao combate do preconceito racial no país. Essa chaga social tem se rebatido no ambiente coletivo de modo exacerbado e institutos de pesquisas apontam as disparidades estatísticas entre brancos e negros nos domínios do trabalho, da educação e das paginas de ocorrências policiais. Segundo o IBGE, em 2018, 55,8% da população se declarou preta ou parda (a soma das duas raças resulta nos negros). Por outro lado e no mesmo ano, no estrato dos 10% com maior rendimento per capita, os brancos representavam 70,6%, enquanto os negros eram 27,7%. Entre os 10% de menor rendimento, isso se inverte: 75,2% são negros, e 23,7%, brancos. Além disso, na classe de rendimento mais elevado, apenas 11,9% das pessoas ocupadas em cargos gerenciais eram pretas ou pardas. Entre os brancos esse percentual era de 85,9%.
Não sei se será nos meus tempos, mas vivo a espera de uma sociedade tolerante, justa e solidária entre seus cidadãos, independente da cor da pele. Desde criança tenho apreço às pessoas de cor negra que devo ao fato de haver tido uma excelente professora negra a quem devo minha visão antirracista.
NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens.
quarta-feira, 11 de novembro de 2020
Cores da Democracia
Curioso como o processo eleitoral norte-americano da semana passada empolgou os brasileiros. Acredito que como nunca. A overdose de cobertura televisiva proporcionou um verdadeiro clima de fla-flu. Houve momentos, nos quatro dias de apuração dos votos, em que pairava no ar uma sensação de que o pleito havia sido no próprio Brasil. Bom, sem duvidas que por culpa de Bolsonaro que resolveu montar uma “torcida organizada” pró-Trump. No domingo, contudo, teve que enrolar a bandeira no pau. Por ironia uma bandeira vermelha. E agora, Capitão?
Torcidas à parte, organizada ou não, o que ficou de registro na opinião popular do brasileiro é que o processo lá em Tio Sam é estranho e complexo. Apesar disso e enquanto pernambucano, deliciei-me com a competição no melhor estilo Pastoril: a disputa entre o azul e o encarnado. Trump era a Mestra do cordão encarnado e Biden a Contra-Mestra do azul.
Mas, voltando à questão da opinião popular brasileira, poucos entenderam, em 2016, como Trump havia perdido no voto popular e ganho no Colégio Eleitoral. Ôxente... que escolha mais estranha. Claro! Falar de Colégio Eleitoral traz péssimas recordações aos cidadãos e cidadãs de Pindorama. Mas, passou. Ganhou, estava ganho. O cara assumiu, mandou e desmandou deixando o mundo inteiro arrepiado com a maioria dos passos por ele dados. Deu no que deu, na semana passada. Custa crer que cada Estado norte-americano tem sua própria legislação eleitoral e faz ao “bel prazer”. Não há um padrão! Também não existe um Tribunal Superior Eleitoral que bote ordem na aparente zona e proclame o nome do eleito. O voto não é obrigatório. Mas, desconfio até que, com a elasticidade de prazos e com as formas de sufragar um voto, pode ocorrer que algum cidadão vote mais de uma vez. Basta se registrar em dois estados distintos. Claro que deve haver um meio de controle. Contudo, não fica muito claro para um espectador aqui abaixo da linha do Equador. Por esses e outros pormenores um candidato derrotado questiona o resultado e não para de espernear, como Trump anda fazendo. Naturalmente que a essa altura aplaudo o sistema brasileiro que resolve tudo num dia só. Nisso, pelo menos, somos competentes.
A propósito, estamos nós às portas de um novo processo eleitoral. Domingo (15.11.2020) que vem os eleitores brasileiros se apresentam às sessões eleitorais pra elegerem seus representantes na esfera municipal. Prefeitos e vereadores serão escolhidos para o próximo quadriênio. Conversando recentemente com um amigo, eleitor em Brasília, onde não tem eleições municipais, fizemos uma reflexão acerca do voto tupiniquim e facilmente concluímos que o nosso eleitor de modo geral não sabe votar. Não existe, a rigor, um voto consciente. E voto consciente para meu interlocutor – que concordo – “é um voto desapegado” entendendo ser isto aquele voto sem objetivar vantagens pessoais efêmeras, de ser amigo, ou alguém com qualquer ligação familiar com um político tradicional, cuja família ocupa um posto político desde priscas eras. O voto consciente deve, sim, ter como referencia as carências da coletividade que o rodeia.
Outra coisa que lembramos no nosso “papo cabeça” foi sobre o chamado VOTO ÚTIL. É curioso como muitos optam por votar naquele candidato que ocupa liderança nas pesquisas, ou porque conhece aquele nome, mesmo tendo ouvido algo sobre seu passado inescrupuloso. Esse voto é o VOTO INÚTIL. Por conta dele é que persistem os estados de miséria, fome, desnutrição, analfabetismo e insegurança nos mais diversos rincões do país.
No próximo domingo, então, vote sem medo, de forma consciente e não dê um voto inútil. A Democracia é colorida, mas saiba contribuir harmoniosamente com a paleta das cores.
NOTA: Foto ilustração obtida no Google Imagens
quarta-feira, 4 de novembro de 2020
Vida Segue
O tempo vai passando e a vida segue independente das agruras humanas entregues à pandemia da Covid-19. Ainda bem que o ser humano tem suas particularidades: muitos se conformam, outros se revoltam, muitos se rebelam. Sem que se fale dos que fenecem. Pior, tudo junto e misturado. Tempos difíceis.
Por volta de março, no inicio da crise, o pânico assaltou a todos e, diante do caos instalado, viveu-se um clima de perplexidade e guarda geral. As noticias eram sempre calamitosas. Como a vida segue, acomodações foram ocorrendo, o inimigo mesmo invisível ficou melhor conhecido e, inclusive, mais vulnerável aos choques que lhe aplicaram proporcionando ao mundo uma convivência relativamente pacifica com o assaltante assassino. Curva sobe. Curva se achata. Curva desce e a vida seguindo.
Graças à inteligência dos assaltados aos poucos foram surgindo formas de proteção e maneiras alternativas de viver, enquanto um novo normal se anunciava a toda hora. E a vida seguindo na costumeira velocidade, com uma lua cheia a cada trinta dias e o sol dando as caras cada manhã a distribuir Vitamina D a todos os penitentes. Nem tudo estava perdido para quem se salvou da sanha do assaltante. Por sorte, a mesma inteligência pondo mãos à obra misturam, hoje, elementos libertadores da peste capazes de decretar o tal novo normal. Bem vindas sejam, então, as vacinas salvadoras.
Antes que a salvação chegue e com o passar do tempo, no entanto, prejuízos são contabilizados das mais diferentes naturezas e em todas as dimensões.
Sem que se fale dos indiscutíveis prejuízos econômicos, foquem-se os de fatores emocionais. Os assaltados já não suportam mais as novas alternativas de vida postas em prática a favor do distanciamento social. Daí a busca incontrolável por colocar o pé fora de casa e, na verdade, voltar ao antigo normal. E o novo normal... Existirá mesmo?
Os professores já não toleram a falta de interação física com os alunos, estes se acomodam numa zona de conforto pouco salutar, as crianças da pré-escola já não têm o mesmo desembaraço social de antes, os balconistas do comércio perdem a capacidade de convencer o cliente assustado e sem saber onde colocar as mãos, os idosos se acabrunham num retiro indesejado (foto acima), justo numa fase em que mais desejam liberdade. Adeus parques, adeus lojas movimentadas e florescentes, adeus salas de aula, adeus jardim da infância. Vida segue, dificil, mas segue.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens
terça-feira, 27 de outubro de 2020
Prepare seu Bolso
Embora que não haja, ainda, uma vacina salvadora e já se anuncie uma segunda onda, a Covid-19 continua mostrando ao mundo que não vai deixar barata a sua passagem entre nós. Os altos e baixos pelos quais estamos passando sequer apontam para um horizonte plácido. Além do ilimitado sofrimento humano e da perda de milhões de vidas, o que a essa altura dos acontecimentos se constata é um complexo desmantelo sócio-politico-econômico na maioria das nações. Principalmente nas mais pobres. Indiscutivelmente, um inesperado e inédito desafio para um moderno e relaxado mundo, construído por players inescrupulosos, sem referenciais de solidariedade e sempre ávidos interessados pelas riquezas dos terceiros com seus fatores básicos de produção. Isto sem falar na disputa pela hegemonia politica internacional.
Aqui no Brasil, onde a pandemia atacou sem pena, respira-se hoje um duvidoso clima de alívio da praga e setores de produção começam a se arregimentar para uma retomada de atividades.
Depois de uma parada inesperada e sem perspectivas de voltar ao normal a grande maioria das indústrias cerraram as portas, entraram em quarentena, ficaram aguardando ordens de cima e não pararam de contabilizar seus prejuízos. Tempo difícil.
Para que não se diga que tudo parou registre-se a exceção, embora que em menor escala, das indústrias alimentícias. Estas, aliás, tendo os suportes de dois decisivos pilares: o Agronegócio que garantiu abastecimento e, na verdade, sustentou a Economia e a demanda gerada pelo Auxilio Emergencial do Governo que deu suporte à população mais carente ameaçada de padecer de fome e, sobretudo de Covid.
Nesse clima duvidoso de reabertura algumas coisas saltam aos olhos do produtor industrial, com severas repercussões no lado do consumidor, ao se noticiar a escassez de matérias-primas para que as máquinas botem pra moer. Reclama-se a falta de insumos para as indústrias de material plástico e de papelão que são dois segmentos dinâmicos e que perpassam a maioria dos demais da indústria de transformação. Ora, se tudo exige embalagem como vão se virar os demandantes dessas matérias-primas e desses produtos. Outra falta gritante é a do aço, nas suas diversas apresentações. Imagine faltar aços planos na indústria automobilística, ou na da chamada linha branca. Podem faltar geladeiras, fogões e máquinas em geral. As usinas siderúrgicas apagaram seus altos-fornos e colocá-los de volta toma tempo e alto custo. Vai ser questão de paciência e animação para entender a duvidosa reabertura. E, por cima disso tudo, fazer vista grossa para a propalada segunda onda. A importação de insumos poderia resolver o abastecimento dessas matérias, mas, o dólar nas alturas inibe esse tipo de operação. Na foto a seguir Usiminas (MG)
Aqui em Pernambuco a situação tem eclodido em alguns lados e destacam-se dois ramos industriais que estão às voltas com sérias dificuldades de retomar suas atividades: têxtil/confecções e cimento e seus derivados. No primeiro, cujo Polo formado pelo triangulo Caruaru-Toritama-Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste do estado, os produtores esbarram no desafio de aturar a oferta inelástica das matérias-primas – malhas, tecidos e aviamentos – versus a demanda crescente diante das perspectivas de vendas de fim de ano. A maioria desses materiais é produzida no sul-sudeste e tomam bom tempo, além de custo alto, para chegar ao consumidor intermediário da produção. Já a questão da escassez do cimento no mercado, uma explicação dada é o fato de que as cimenteiras, devido à pandemia, deligaram seus fornos e reaquece-los vem requerendo tempo e alto custo para voltar aos níveis pré-pandemia. Vi recentemente na imprensa de que um saco de cimento vem sendo disputado na tapa. Provavelmente muitos outros ramos industriais sofrem de semelhantes dificuldades revelando que essa retomada não será fácil.
Mas, tudo isso descrito para esboçar um horizonte preocupante para quem estiver na ponta do consumo: nada disso sairá barato. Analistas preveem uma subida da inflação. E faz sentido pensar assim. Quem comprar algum artigo que envolva plástico, papelão, chapa de aço, tecido, botão, linha de coser, cimento, entre outros, vai ter que arcar com o possível alto custo da sua produção e, como é sabido, tudo é sempre repassado ao consumidor final. Desse modo, prepare seu bolso.
NOTA: Fotos ilustrativas obtidas no Google Imagens.
terça-feira, 13 de outubro de 2020
Escolha Certo
Estamos outra vez diante de um pleito eleitoral, como só acontece, a cada dois anos, neste pobre Brasil. Rolam fortunas e discursos inúteis. Agridem as consciências individual e coletiva. Coisa das democracias. Nos tempo de hoje, a campanha do mundo digital ataca até mesmo aqueles ou aquelas que pouco se ligam aos temas da politica partidária. Ou da politica de qualquer outra natureza.
Precisamos estar conscientes de que estas próximas eleições, por serem as locais (municipais) exigem ser encaradas como as mais importantes para o cidadão ou cidadã consciente. Entendo que uma eleição municipal é a fundamentadora da participação democrática de uma nação organizada em termos de liberdade e escolha dos seus dirigentes. Uma escolha popular bem pensada resulta num espaço sólido e com mais resistência para sustentar a sociedade. O brasileiro comum precisa ter em mente que o município é a célula da Federação e é nela que reside a base da cidadania. Não compreendo uma sociedade sã sem um ambiente adequado ao bem-estar, segurança e tranquilidade na sua base espacial. Numa eleição municipal elegem-se, supostamente, chefes de executivo e representantes encarregados de cuidar, de perto, do cidadão e das famílias. Isso me parece ser fundamental. Portanto, uma má escolha – que não raramente ocorre neste país – resulta numa sociedade defeituosa desde sua raiz e incapaz de participar de modo adequado e justo nas escolhas superiores que, em tese, se encarregam de construir um País com ordem e progresso e, por fim, uma Nação forte e consolidada.
Do alto da minha experiência de vida, vejo, outra vez, que corremos o risco de ver saindo vencedores desqualificados e sem maturidade politica – muitos desses conquistando votos por meios desonestos – e, por isso mesmo, desabilitado para liderar ou representar de modo ideal seu povo.
Diante do quadro descrito, caro(a) (e)leitor ou e(leitora) seja exigente na hora da sua escolha. Não se encante com os belos olhos de um(a) candidato(a), com os discursos demagógicos ou com o padrinho que o(a) empurra. Ao invés disso dê um voto seguro, consciente e racional. Tenha em mente a sustentabilidade do coletivo sofrido que habita sua cidade. E nunca esqueça que o Brasil precisa de uma base politica municipal mais digna e disposta a defender com dignidade o porvir nacional.
NOTA: Foto ilustrativa obtida no Google Imagnes
Assinar:
Postagens (Atom)
A História se Repete
Há histórias que atravessam os séculos sem perder a capacidade de nos fazer pensar. Ali Babá e os Quarenta Ladrões é uma delas. Lembro-me co...
-
Q uando eu era menino, ia sempre a Fazenda Nova – onde moravam meus avós e tios – para temporadas, muitas vezes por longo tempo, ao ponto de...
-
D ez filhos, dez irmãos de pai e mãe. Coisa rara, mesmo naqueles anos sessenta. Um time de futebol, diziam os amigos do meu pai, admirados p...
-
Vez por outra aparece na minha página do Facebook ou pelo Whatsapp uma imagem de Ayrton Senna secundando uma das suas mais famosas frase...









