quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Rezar com Fé

1 - A festa acabou... perus, panetones e espumantes fizeram nossas alegrias da semana passada. Tudo extremamente fugaz, mas compatível, com a imediata retomada da vida cotidiana, que, a rigor, nem parou. Nem, ao menos, houve tempo para a cura da ressaca do réveillon e lá estava a vida voando e transmitida ao vivo e a cores pela TV: sai o velho governo, entra o governo novo, embora que com as mesmas caras e a renovação das velhas preocupações pessoais e coletivas, quase todas velhas e repassadas, preocupantes e caras. Promessas batidas e utópicas, pura retórica. Tomadas de per si as promessas são sedutoras. Se concretizadas transformariam as próximas festas de fim de ano em reais acontecimentos.
Pois é, desde o dia primeiro do ano, D. Dilma já manda desde Brasília. O fuxico por lá está grande. PT e PMDB se engalfinham na disputa do poder e, principalmente, pela grana que o contribuinte deposita, a toda hora, nos cofres da Fazenda. Até ameaças já rolam. Querem fazer de bolinha a Presidenta. A probrezinha, que dizem foi boa estudanta, termina, desse jeito, ficando doenta. Opa! terminei criando uma porção de maluquices ao tentar rezar pela gramática dela. Em bom e correto português, toda palavra que termina em ente, fica inalterada para designar qualquer dos dois gêneros. Exemplos: o paciente, a paciente; o doente, a doente; o estudante, a estudante; o presidente, a presidente.
Presidente ou Presidenta o que importa é que ela seja firme na condução do Governo. Os desafios, ela já deve saber, são imensos: com as possibilidades da continuação do crescimento econômico, resta saber como equacionar os cruciais gargalos da atual conjuntura. A infra-estrutura, por exemplo, está capenga e sucateada e a escassez de mão de obra qualificada é incomensurável. Recentemente, ouvi falar num termo novo, e que logo mais vai se tornar corriqueiro, que é o tal do apagão da mão de obra. E é verdade! Aqui em Pernambuco falta pessoal adequado para atender as novas demandas do boom no setor industrial local. Nem motorista de caminhão tem na praça. Estão "importando" do Sul, a peso de ouro. Falta gente qualificada aqui e falta no resto do país. A formação profissional, seja média ou superior, foi tema relegado a um segundo plano pelos governos. Faltam engenheiros no Brasil. Estima-se que as escolas estejam formando menos da metade do que formavam há dez ou quinze anos. Justo num momento em que esse tipo de profissional se torna tão necessário.
Voltando à infra-estrutura a coisa é quase uma calamidade: os aeroportos estão saturados, os portos andam "afogados" diante dos super volumes de carga e descarga. As estradas, meu Deus, nem se fala. Estas já não são quase, e sim verdadeiras calamidades.
Por outro lado, há uma preocupação profunda com as ameaças de volta da inflação, dados os fortes sinais constatados ao final do ano de 2010. E o Dólar? É outra ameaça. A moeda norte-americana perde valor por todo lado, é verdade, mas no Brasil a repercussão pode ser desastrosa. Vamos rezar para D. Dilma acertar no alvo.
2 - Fugindo da overdose televisiva de D. Dilma e percorrendo as ruas do Recife, constatei que este ano a decoração natalina foi mais caprichada. Comparada com as dos anos recentes, foi esplendorosa. Inovaram, com iluminação moderna e colorida. A Avenida Agamenon Magalhães, por exemplo, está muito bonita. Para essa artéria, o ideal é que se conserve a iluminação indireta das árvores numa forma permanente. A cidade merece. Foto a seguir. O bairro do Recife Antigo teve um capricho digno, assim como a Avenida Boa Viagem. Finalmente tomaram vergonha. Quem sabe, agora, esqueçamos a decoração feita de trapos e tiras de plástico azul e encarnado – vergonhoso retrato vivo da roubalheira municipal – assim como as ridículas espadas de Jedai (acho que é assim que se escreve) de um ano mais recente. Agora tem uma coisa imperdoável: faltou uma boa limpeza na cidade, que continua cada vez mais suja. A coisa mais incrível foi que, posicionaram fortes refletores sob as pontes da cidade, deixando o lixo entulhado lá em baixo. Na ponte do Parque Amorim, por exemplo, quando a maré enche, as águas do canal sobem de nível, o lixo bóia e a iluminação feérica dá realce à sujeira. É dose... Uma vergonha. Sujeira, de preferência se limpa. Iluminá-la, nunca. O Recife, então, ficou como aquela mocinha bem maquilada, perfumada e bem vestida, com calçinha e sutiã em deplorável estado de sujeira.
Além de rezar para D. Dilma, lembremos do Prefeito João da Costa, nas nossas orações, rogando que ele acerte no alvo, também. É uma lástima, só nos resta rezar e com muita fé. Que jeito?
NOTA: As fotos foram obtidas no Google imagens.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Mensagem de Fim de Ano.

E lá se vai 2010. Passou rápido, não foi? Não antes, porém, da pausa para a meditação e a renovação de propósitos, com o evento do Natal de Cristo, época propicia para a revisão da vida e das atitudes. Época de agradecer, porque não há nada mais nobre do que saber agradecer!
Nesta última postagem do ano, não quero falar de viagens, de fazer comentários e criticas ou alertas. Já o fiz, no tanto que quis fazer durante o ano.
Foi um ano especial para mim: realizei bons projetos, vivi em harmonia com a família e amigos, viajei muito e, o mais importante, gozei de boa saúde, graças ao meu Pai lá de cima. Agora, com a proximidade do Natal e da Confraternização Universal, é tempo de agradecer.
Começo agradecendo a Deus pelas as oportunidades que me deu em 2010. Sem a força por Ele concedida nada teria sido possível.
Agradeço à minha família – particularmente minha esposa e meus filhos, nora e genro – que me acompanharam e me apoiaram a cada dia e cada hora no desenvolver ações visando ao nosso bem estar, felicidade e enriquecimento espiritual. A eles meus carinhos e muito afeto.
Aos meus amigos – os mais próximos e os lá muito distantes – que fazem da minha vida um carrossel de alegrias e gratas surpresas. A cada um de vocês um beijo no coração e meu pedido de que continuem me estimulando, pessoalmente ou através de mensagens pelo moderno espaço dos eletrônicos cérebros da cibernética. Que me acompanhem no espaço do Blog, lendo, comentando, reagindo e aplaudindo. Criticando, também se sentir vontade.
Falando de aplauso, não posso deixar de agradecer aos “amigos” anônimos que, por vezes, me atacam com criticas pouco airosas, não publicadas, visto que sendo anônimas, não merecem o meu respeito ou consideração. A esses poucos “amigos” meu especial agradecimento, por acessarem o Blog, contribuindo para alimentar a soma da contagem estatística, por me lembrarem que a inveja existe e por me alertarem quanto ao transito social. A eles ou elas, lembro do que dizia Nelson Rodrigues: "toda unanimidade é burra”. Não serei eu capaz de emplacar uma unanimidade. Desse modo, caros "amigos" anônimos, continuem nessa trajetória porque isto deve lhes fazer bem e, é o bem que desejo a vocês.
Aproveito o momento para dividir com vocês, meus estimados leitores, algumas alegrias: no monitoramento do Blog do GB – disponível para cada assinante do Blogspot – tenho constatado imensas e estimulantes surpresas. Jamais imaginei que estes meus escritos fossem lidos em lugares remotos como: Ucrânia, Eslovênia, Rússia, Republica Tcheca, Angola, Holanda, Canadá, Tanzânia, Irlanda, Moçambique e Japão, com notáveis freqüências. Não encontro explicação, por exemplo, para que haja, em apenas um dia de novembro passado, 17 acessos na Rússia. Fora estes, inúmeros são os meus leitores na América Latina e Estados Unidos. Tenho imenso prazer com estes números e agradeço imensamente essas atenções. É o maior estimulo que recebo para continuar escrevendo a cada semana.
O mesmo monitoramento me diz que, entre outros, os temas mais acessados, foram: Hachico: um ícone Japonês ( http://gbrazileiro.blogspot.com/2009/01/hachiko-um-cone-japons.html ) e Isto é um Fim de Mundo (http://gbrazileiro.blogspot.com/2009/07/isto-e-um-fim-de-mundo.html ). São lidos quase que diariamente. Verdadeiros sucessos de leitura.
Resta-me assim, desejar a todos (aos anonimos inclusive) um FELIZ NATAL brilhante de Alegrias e iluminado de Amor. Para 2011, meus desejos são de muito SUCESSO e REALIZAÇÕES. Conto com a atenção de todos vocês declarados ou anonimamente no novo ano. Fiquem com Deus e Cristo menino.

Meu presente de Natal é através do clip, da Globo Nordeste Televisão, no YouTube que você pode acessar clicando no link abaixo. Aconteceu num Shopping Center do Recife. Para os pernambucanos distantes uma forma de matar a saudade e para os demais uma prova da alegria da Terra do Frevo e do Maracatu.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Nosso Gramado é mais Bonito

Popularmente se diz que a gente sempre acha “o gramado do vizinho mais bonito”. É verdade. Incorremos sempre nesse defeito. Eu mesmo, confesso, sou danado para cometer este erro. Explico a razão dessa minha penitência: tenho viajado com muita freqüência nesses últimos três meses. Fui à belíssima China, à Europa e, logo em seguida, circulei pelas cidades de Brasília, Fortaleza, São Paulo e seus arredores, fui a Porto de Galinhas e Maracaípe, aqui em Pernambuco e, no passado fim de semana, estive em Maceió.
Parado, diante da beleza do mar turquesa alagoano – que coisa linda – cheguei à conclusão que, apesar de voar muitas horas, andar muito, encantar-me diante de monumentos milenares ou das pujanças arquitetônicas chinesas, paulistas ou do Planalto Central, termino esquecendo as raras belezas que estão próximas.
Entregando-me ao ar puro da praia do Futuro, em Fortaleza, comendo lagosta e camarão trazido do mar, na hora, (vide a foto a seguir), tentei dar um fora no vendedor de bordados e rendas, aconselhando-o não perder tempo, porque estávamos ali para curtir a praia. O caboco deu uma resposta de desmontar pernambucano: “Doutor, aqui ninguém perde tempo, porque aqui é o paraíso. O senhor já viu se perder tempo num lugar desse? Aqui se ganha tempo e tempo, Doutor, é vida. Veja meus bordados e compre, porque o preço está bom demais”. Minha mulher comprou a toalha e eu fiquei comendo meu camarão com cerveja e matutando com a filosofia popular. Fiquei, conscientemente, curtindo o dito paraíso. Isto mesmo. É lindo e bom demais. Em Porto de Galinhas “atolei o pé na jaca” dos caldinhos pernambucanos, da gastronomia sofisticada do balneário e me senti, outra vez, no Paraíso. Por fim, fui á Maceió e galvanizei-me diante daquele marzão azul turquesa. Que coisa meu Deus! É impressionante. Quanta beleza! E, o bom de tudo, bem pertinho. E aí, pensei: como é bonito o meu “gramado”.
Agora, tenho que fazer algumas ressalvas quanto à estrutura de receptivo ao turista. A beleza é natural, é verdade, mas não se pode dizer que vem sendo bem capitalizada, que é lamentável. O que nós temos no Nordeste do Brasil desbanca qualquer caribezinho da vida ou qualquer das costas européias. A vantagem destas é que estão super preparadas para receber o visitante. Falta muito para que o Brasil saiba aproveitar suas potencialidades.
Olhando para mar é uma coisa, na praia ou seus arredores, de modo geral, damos de cara com esgotos a céu aberto, animais pastando e o perigo da insegurança nos assombrando. Em alguns lugares, como na Praia do Francês (foto a seguir), em Alagoas, tirando a beleza do mar, achei tudo excessivamente rústico, desorganizado e mal conservado. Um turista mais exigente (quase sempre é) não vai aprovar. Porto de Galinhas, apesar dos recentes investimentos, dos
maravilhosos resorts, restaurantes e comercio sofisticados, precisa ainda de um severo retoque na administração. O ordenamento das atividades precisa ser encarado urgentemente, antes que seja tarde. Porto (foto abaixo) não pode perder o posto de mais bela praia do Brasil, eleita por dez anos consecutivos pela critica especializada. E tem que fazer jus à propaganda que se faz na Europa, notadamente entre os ibéricos.

Os governos precisam – de uma vez por todas – entender a importância do turismo como atividade econômica. Mas, pelo visto, a coisa anda longe do caminho adequado. Fiquei pasmo com a nomeação de certo Senhor Deputado maranhense do PMDB, Pedro Novais, que além de ser um ilustre desconhecido, “pau-mandado” de Sarney, parece que contando com 80 primaveras, vai ser o responsável pela pasta do Turismo, assunto do qual não tem noção, segundo os críticos políticos. Aliás, caro leitor ou leitora, você já viu que horror essa acomodação política que vem pautando o ministério de Dona Dilma? Eu estou assustado.
Mas, não quero me alongar nessas observações criticas, porque hoje o foco é a beleza natural do nosso litoral. O verão está aí, vamos aproveitar e valorizar o que temos, porque nosso gramado é mais bonito.
NOTA: As fotos são da autoria do Blogueiro

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Competitividade declinante

Semana passada, participei, em São Paulo, do 5°. Encontro Nacional da Indústria – ENAI, promovido anualmente pela Confederação Nacional da Indústria – CNI e tido como sendo o maior evento da classe empresarial do setor industrial brasileiro. O tema central, desta vez, foi competitividade. Oportuno e, ao mesmo tempo, preocupante. Durante dois dias os empresários viram-se às voltas em discutir a questão que, há uma década e pouca, ronda as cabeças dos que lidam no setor.
O problema está, há tempos, diagnosticado. Conhecido e discutido. Agora, porém, pende para um plano muito mais delicado, na medida em que o vocábulo desindustrialização passa, com freqüência notável, a fazer parte dos discursos e debates. Pelo visto e do jeito que a coisa vai, o Brasil tende ao desmonte da sua indústria em face dos gargalos impostos pela equivocada ou tênue – bancando um elegante – política de desenvolvimento econômico nacional e a falta de decisão para proceder as reformas estruturais tão esperadas: tributária, previdenciária e politica.
A supervalorização do Real, facilitando a entrada dos importados, a estúpida política tributária, os juros estratosféricos, a infra-estrutura sucateada, a defasagem tecnológica, a falta de mão de obra qualificada, os ineficientes programas de educação e preparação de recursos humanos, entre muito outros em cadeia. Um desespero. Como pode um país com tantas potencialidades, tantas riquezas naturais, um povo cheio de criatividade e inteligência despencar de forma acelerada e conviver com o fantasma da desindustrialização?
Mesmo em São Paulo, mola propulsora do desenvolvimento nacional, já se fala, por exemplo, na falência dos esquemas de logística. Há gargalos diários nos movimentos de cargas, in e out, provocando prejuízos perfeitamente evitados noutras partes do mundo globalizado. Inadmissíveis os engarrafamentos urbanos ou os monstruosos nas rodovias, cargas e descargas impensavelmente demoradas, devido à mão de obra desqualificada e aos equipamentos obsoletos, falta de profissionalismo e responsabilidade dos operadores... Um horror! Atualmente, parece que as coisas se agravam em progressão geométrica. E, vejam que estou falando de São Paulo. E falo pelo que conferi in loco: em setembro fiquei duas horas e meia num engarrafamento no Anel Viário, no sentido Baixada Santista (Porto de Santos), ao volante de um automóvel, sufocado entre imensas e centenas de carretas de carga e uma pancada de outros veículos de passeio. Motivo? Excesso de veículos. Imagine que o referido Anel foi construído para solucionar os congestionamentos e tirar o trânsito de carga pesada da cidade, facilitando o alcance de pontos economicamente importante. Quem sabe, outro anel deve ser pensado. Agora mesmo, na sexta-feira passada (dia 3 de dezembro), vi um engarrafamento descomunal de, segundo a radio sintonizada, 46 quilômetros, na rodovia dos Bandeirantes, sentido interior-capital, em decorrência do atropelamento fatal de um cidadão que trafegava numa motocicleta, as seis da manhã, na marginal do Tietê, entrada da cidade. Morreu no local e o corpo só foi levantado cinco horas depois. Foi tempo suficiente, é claro, para desorganizar o trânsito de chegada à capital paulista, naquela manhã. Faltou competência e responsabilidade da policia de transito e das autoridades de pronto socorro. Em qualquer país civilizado esse problema receberia atenção prioritária e o corpo, após constatação do óbito, seria guindado de helicóptero ou veiculo em uma fire lane (via expressa para servir em casos dessa natureza). Pobre Brasil. E mais pobre ainda fora da locomotiva São Paulo. Faça-se idéia do ocorre noutros estados mais pobres. Como ser competitivo?

Voltando ao Recife, dirigi-me ao aeroporto de Cumbica para pegar um coletivo da Gol/Varig. A estação de passageiros era um pandemônio de gente tentando embarcar. Vôos cancelados, chuvas pesadas, over-books a “dar no pau”, avião atrasado, poltronas apertadas, uma zorra total, em plena noite do domingo. Impotente, restou-me esperar, entregando ao Bom Deus.
A pior, gente, é que o leigo, isto é, a grande maioria, só faz perguntar como será em dias de Copa do Mundo e Olimpíadas, como se isto fosse o mais importante e estrutural. Tem importancia e será um estimulo, é verdade. Mas, será tudo?
Mais incrível, ainda, é que o Governo cacareja, sem parar, sucesso e progresso e os “manés” engolem a corda. Inocentes, coitados. Com pouco, podem chorar pelo fechamento em massa das fábricas e desempregados na rua da amargura. Mês passado, a Philips Eletrônica, em Pernambuco, fechou de vez e passa a trazer da China o que produzia no Recife, com preços 25% mais baratos. 400 desempregados! É a desindustrialização... ou não é? É a falta de competitividade, minha gente. O ENAI cumpriu sua parte, “botando a boca no trombone”. Falta o Governo fazer a dele.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

domingo, 21 de novembro de 2010

Choque de Gestão Neles

Com tantos quilômetros rodados, tantas exposições a sociedades estrangeiras e tendo exercido por longo tempo o magistério superior, fico atento aos movimentos do setor educacional brasileira. Com efeito, sempre que cabe, neste espaço, reclamo, critico e manifesto minhas preocupações com as deficiências e absurdo cometidos.
É indiscutível, creio eu, que sem educação – nos mais distintos níveis e acepções – não pode haver progresso, seja qual for o país. Indiscutível, também, que é no conhecimento que reside a transformação de um povo. Conhecimento bem administrado e de qualidade, é claro.
Lamentando, percebo que é isto que falta neste Brasil do século 21. A redução do analfabetismo já é coisa relativamente superada. Resta muito pouco. Foi problema nas gerações passadas. Muito mais do que isto é preciso investir para formar um Brasil novo e competente, focando de maneira eficaz nas novas gerações com educação de base e profissional.
Difícil vai ser viabilizar. É o que se projeta, diante dos muitos erros que têm sido registrados, ultimamente! Estou entendendo que faltam profissionalismo e responsabilidade na gestão da educação nacional.
Num programa bem administrado, com base numa gestão séria, profissional e atenta não ocorreria esse absurdo de erros na prova do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). O erro do ano passado foi esquecido! Não lembraram que estavam jogando com uma imensa legião de jovens – foram milhões e milhões – que estressados e ansiosos entraram, de corpo e alma, na aventura de investir na construção do futuro que, diga-se de passagem, é o futuro da própria nação. Era preciso que levassem mais a sério a contratação e severo acompanhamento da gráfica a qual foi entregue a missão de imprimir e encadernar as provas e por, por fim, esqueceram de zelar pelo nome do Governo que investe milhões e busca se firmar como competente. Sinceramente, é muita incompetência. Uma vergonha que atravessou fronteiras.
Mas, o pior é que as coisas não desandam apenas sob os olhos do Governo Federal. Ultimamente coisas absurdas são trazidas ao conhecimento público, exigindo reivindicações, repulsas e providências corretivas. Tudo a meu ver, repito, por conta da falha de gestão publica. Tem coisa mais estúpida do que a proposta de banir das lições e bibliotecas escolares a obra de Monteiro Lobato, sob a alegação de que o tratamento dado ao personagem da Tia Benta é politicamente incorreto, com preconceito racial. Olha, gente, eu sou frontalmente contra a qualquer tipo de preconceito, mas, que as coisas estão assumindo contornos exacerbados, estão sim. Lobato faz parte da clássica literatura infantil do Brasil. Talvez seja o escritor de melhor quilate no gênero. O Sitio do Pica-Pau Amarelo não pode desaparecer do imaginário das nossas crianças. Tomara que essa estupidez seja sufocada pelas cabeças inteligentes que venham discutir essa burrice.
Ao mesmo tempo, andaram distribuindo, na rede pública, uma coletânea com Os Cem melhores Contos Brasileiros do Século, entre os quais o intitulado “Obscenidades para uma Dona de Casa”, de Ignácio Loyola Brandão, contando a história de uma mulher casada que recebe cartas anônimas de um homem. Trechos do tipo: “os bicos dos teus seios saltam desses mamilos marrons procurando minha boca enlouquecida... É capaz de trair um amigo por uma trepada”. Não é uma parada dura? A obra foi recolhida. Mas, muitos jovens guardam a sete chaves. O que foi distribuido ficou por isso mesmo. E foram muitos!
Outra coisa inacreditável que tomei conhecimento pela imprensa foi o escândalo registrado em Curitiba, recentemente: numa rotineira prova, aplicada em 170 escolas publicas, para alunos de idade média de 6 anos, uma gravura apresentava a figura de um fazendeiro, alimentando galinhas, com o órgão sexual avantajado e destacado na figura. As galinhas, por outro lado, apareciam com os olhos esbugalhados e sugerindo desejo de manter relação sexual com o tal fazendeiro. A coisa constrangeu de modo coletivo o professorado municipal curitibano e um rolo tremendo se instalou à cata dos responsáveis. Imagine que a ilustração, da autoria de um tal de Dan Collins, foi tirada da revista pornô norte-americana Hustler. Faltou ou não faltou profissionalismo e responsabilidade?
Outro escândalo foi a investigação policial instaurada sobre uma festinha de comemoração de formatura de ensino médio, jovens de 16 e 17 anos, em Minas Gerais, animada com strippers. Vi num jornal, deste fim de semana, que o show da festinha ficou por conta de um cidadão vestido de militar que aos poucos se despiu, ficando apenas de cueca e dançou coladinho com uma das concluintes em intenso êxtase. Em seguida, para agradar aos marmanjos, foi a vez de uma dançarina que tirou a fantasia que usava, ficou seminua e teve o corpo beijado, por inteiro, por um dos formandos. No epílogo do show a dançarina teve a calcinha arrancada por um outro jovem, digamos, mais testosteronizado. Imagine a cena. Um segurança “salvou” a dançarina do quase estupro publico.
Agora, eu pergunto: falta ou não falta rigor nessa gestão da educação? Aonde vamos parar se essa coisa cresce mais, ainda?
Hoje os jovens não vêm o professor com respeito, a polidez e o asseio não são avaliados, tiraram a música, os trabalhos manuais e o civismo da grade curricular. O resultado está aí. Isto, sem falar da falta de educação doméstica! Doloroso!
Tomara que D. Dilma esteja atenta para essas barbaridades e imprima um urgente choque de gestão.
NOTA: Qualquer ilustração para esta postagem seria lastimável. Não coloco nada.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Mergulho na História

Ir à China e não visitar Pequim (também conhecida por Beijing) é melhor não ir. Foi uma das melhores lições de história que já tive na vida. Mesmo diante da modernidade que a cidade apresenta no seu todo é impressionante a preservação das zonas antigas levando o visitante a uma aventura inesquecível, mesmo considerando os fortes e rigorosos traços da China contemporânea, isto é, um país comunista.
Pequim é uma imensa metrópole. Não tem o tamanho de Xangai, mas revela, por toda parte, uma dinâmica especial, com características próprias de capital de um grande país. Espantoso

lembrar, por exemplo, que a cidade é cortada ao meio por uma imensa avenida, em linha reta e com 48 quilômetros de extensão. Sem dúvida, um tremendo indicador de uma superestrutura urbana. Passa pelo meio da Praça da Paz Celestial (Tian’anmen), com inúmeras faixas de rolamento e é palco das grandes paradas militares. Há 20 anos o transito ali era um mar de bicicletas e hoje está ocupada por um tráfego pesado de veículos dos mais distintos portes, dando testemunho da “capitalista” China de hoje. Atravessamos esta avenida, com destino a Cidade Proibida, consciente da sua importância. E, claro, que me lembrei do massacre de 1989. Recordei a imagem do desconhecido que fez parar a fileira de tanques repressivos. Onde andará aquela figura? Perguntei aos meus botões.
A Praça em si é monumental. É considerada a maior praça publica do mundo. Na sua imensidão estão distribuídos estratégicos e belíssimos jardins floridos e é completada por duas descomunais telas de video. Pelos meus cálculos medem 2,00x30,00m, talvez mais do que isto, apresentando magníficas imagens em HD, dos mais importantes cartões postais do país. É impactante. (vide foto a seguir).
Tian’anmen é, também, a porta de entrada para a Cidade Proibida, moradia dos antigos imperadores. Se a praça é impactante, a cidade nem se fala, até porque proporciona um mergulho na história. Vinte séculos de história, preservada e admirada por milhares de turistas, que não param de circular. Palácios, jardins, galerias, templos e tudo quanto se exige de uma organizada cidade imperial. Ali viviam os imperadores, suas centenas de esposas – muitas nunca tocadas pela majestade, mantidas como “reserva técnica” – filhos e uma imensa vassalagem composta de ministros, auxiliares diretos e indiretos, cozinheiros, os naturais e os inevitáveis “cheira-bufas” apaniguados. Fora esses, uma legião de escravos. Muitos escravos, a maioria eunucos. Na cidade existem 999 dormitórios, um número mágico para os chineses. Ali vivia uma sociedade encastelada e cheia de privilégios. Vide fotos a seguir. Do lado de fora, muita pobreza e fome. O resultado dessa situação foi a queda do império, seguida da implantação do regime comunista em 1949. Mas, Pequim (ou Beijing) reserva ao visitante magníficas imagens de cidade moderna com primorosas construções, entre as quais a Cidade Olímpica (Olimpíadas de 2008) e as monumentais avenidas que cortam a cidade em todas as direções. O comércio é vibrante e conveniente para os turistas portando dólares americanos. Pérolas e seda pura fazem a festa para as mulheres vaidosas e causam constantes pânicos aos maridos desavisados.
Num bairro antigo a emoção de mergulhar no quotidiano histórico. Em Nanluoguxiang e Shichahai, por onde andamos, experimentamos a inesquecível sensação de apreciar o dia-a-dia do homem comum chinês, entrando numa residência particular de 150 anos, passando por pequeno centro comercial comunitário e, o melhor de tudo, sendo conduzidos num ciclo-riquixá, coisa muito comum no Oriente. De fato, é muito divertido ser levado por um cidadão pedalando em admirável velocidade entre as ruelas do subúrbio. (Vide foto abaixo e filminho no final da postagem)
Outra coisa incrível foi nossa visita à Feira de comidas exóticas de Pequim. Ali se encontra os mais extravagantes e asquerosos petiscos do planeta: cobra, barata d´água, gafanhotos, cavalo marinho, centopéia, bicho da seda e escorpião são os mais populares. Incrível como a turma baixa a boca e devora tudo com imenso prazer. Para não perder a oportunidade e entrar no clima, arrisquei no bicho-da-seda. Não gostei. Pasmo, vi duas holandesas se deliciando ao experimentar o escorpião frito. Eca... Por fim, e coroando a visita à China, uma esticada até um dos pontos da Muralha da China, a 80Km do centro e Pequim, patrimônio da humanidade, pela UNESCO, e eleita recentemente como uma das sete maravilhas do mundo. Impossível vê-la por completo, em face da sua extensão de 6.700 km, cortando a China de leste a oeste. A muralha serviu originalmente de proteção contra os invasores bárbaros, entre os quais os hunos, e, depois, os povos machus e mongóis, que ainda assim conseguiram invadir o país. Haja história. É emocionante pisar ali. Um frio de lascar. Mas valeu à pena.
A tudo isto eu chamo de mergulho na história. Estive nas raízes da história do Oriente.
NOTAS: 1. Fotos e filminho da autoria do Blogueiro. 2. O Blogueiro esteve na China, entre os representantes do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecanicas e de Material Eletrico de Pernambuco, na Missão Empresarial 2010, da Fecomercio/PE.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Baia Perfumada

Estando em Cantão e dispondo de algum tempo livre (um dia, pelo menos) a melhor pedida é “dar um pulinho” em Hong Kong, distante não mais do que 150Km. Trem, que parece ser o mais comum, automóvel ou ônibus, e rapidamente você alcança a cidade que é lembrada como sendo o Rio de Janeiro do Oriente. Foi exatamente o que fizemos nessa ida à China.
Uma curiosidade é saber que esse nome meio estranho, lembrando muitas vezes o mítico gorila do cinema, King Kong, se traduzido muda de figura porque significa Baia Perfumada. Já pensou que beleza viver num lugar lindíssimo e assim chamado?
A cidade tem características bem especiais: com o tratado que marcou o fim da Guerra do Ópio, em 1842, a Ilha de Hong Kong foi incorporada, como colônia, ao Império Britânico, somente devolvida a Republica Popular da China em 1997, após as negociações políticas entre Londres e Pequim. Mas, tem uma coisa: difícil mesmo foi ajustar a ex-colônia britânica ao regime político-econômico reinante na China de hoje. A solução foi adotar o que terminou se chamando de política de “um país e dois sistemas” para que Hong Kong pudesse administrar os novos tempos. A cidade goza de alto grau de autonomia e é tratada como uma Região Administrativa Especial. Lá tudo é regulado por uma Lei Básica própria, com claras regras político-sociais para todas as áreas, exceto a política externa e a defesa, a cargo de Pequim. E mais, o que é muito importante: pela politica adotada, Hong Kong continuará por 50 anos, após a anexação de 1997, como sendo um centro financeiro internacional, com economia capitalista altamente desenvolvida e uma das mais liberais do mundo. Meu palpite, aliás, é que, passado esse periodo, a Republica Popular da China será totalmente capitalista e o ajuste se dará naturalmente. Aquilo que vi por lá aponta para essa situação. Penso que eles foram muito inteligentes quando estabeleceram esse meio século de carência.
Por enquanto, entrar em Hong Kong é o mesmo que entrar noutro país, ainda que estando na China. Muda a paisagem, com perfil urbano muito ocidental, a moeda corrente deixa de ser o Yuan (RMB) e passa a ser o Dólar de Hong Kong. Em tudo mais a impressão que se tem é a de circular numa grande cidade da Grã Bretanha. Até o volante dos automóveis no lado direito, ônibus com dois pisos e a mão inglesa no trânsito são adotadas na cidade. Ah! Entre a China (Província de Guangdong) e a cidade existe um controle de fronteiras. Para voltar à China o viajante tem que ter outro visto de entrada. E, haja rigor nesse controle de fronteiras. Policiamento praticamente ostensivo.
A cidade é inchada de habitantes, uma das mais densas do planeta, com 7 milhões de almas em apenas 1.054 km², em cerca de 260 de ilhas, baias, praias e montanhas. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), na marca de 0,944, é um dos mais altos, ocupando o 24º. Lugar no rank mundial. Além disso, a cidade é famosa por ser uma das mais verdes da Ásia. De fato, isto chama a atenção do visitante.
O comercio é efervescente. É uma Zona Franca intensa de mercadores e mercadorias que saem e chegam sem parar no movimentado porto da cidade. As ruas de comércio são empestadas de compradores. No sábado, quando estivemos por lá, era difícil circular ou entrar e sair das lojas. Sobretudo as de eletrônicos e vestuário. A euforia e o estresse das pessoas lembram o movimento das compras de última hora, na véspera de Natal, no Brasil.
Mas, certamente é a paisagem natural da cidade que arrebata o turista. Quanta beleza reunida num mesmo sitio. Localizada ao sul do Trópico de Câncer, a cidade é de clima sub-tropical que ajuda ainda mais para compor o cenário deslumbrante. Segundo nosso guia, a cidade desfruta de algo em torno de 2.000 horas de sol por ano.
Um passeio de barco rústico, conduzido com segurança por pescadores, pode ser considerado como sendo um dos mais interessantes programas na cidade. A área serve freqüentemente de locações do cinema. James Bond já fez misérias no meio daquelas ilhotas. Vide foto a seguir. Uma subida ao ponto mais alto da cidade, no pico de um morro, enche a vista de qualquer visitante. Para nós brasileiros é impossível não lembrar o Pão de Açúcar ou Corcovado, no Rio. Em Hong Kong, o panorama é deslumbrante, embora que predomine um verdadeiro paliteiro de altos e arrojados arranha-céus. Eu teria muito mais a dizer, mas, o espaço é pequeno e reconheço que a paciência do leitor tem limites.
Bom, se você tiver uma chance, vá também à Baia Perfumada. A satisfação é garantida.
NOTA: A primeira foto foi tirada do Google Imagens e as demais são da autoria do Blogueiro.

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