Tenho acompanhado atentamente o noticiário e, ao mesmo tempo, me comunicado com familiares ou pessoas amigas, no Rio, que me dão idéia da tragédia. É tudo tão dramático e aterrador, que chega a ser inacreditável. (Vide fotos nesta postagem). Esse desmoronamento, de ontem, do Morro do Bumba (ou Bumbá, não sei bem), em Niterói, é uma coisa comparável a um terremoto. Talvez pior! Pense no que seja catar sobrevivente ou vitimas fatais num terreno molhado e pesado. Sei não. 
No ano passado, visitando um estaleiro Ilha do Governador, às margens da Baia da Guanabara, espantei-me com moradias “penduradas” nos morros vizinhos, verdadeiros desafios à lei da gravidade. Escrevi uma postagem, aqui no Blog, intitulada de “Vende-se uma Laje”. O titulo foi tirado de um anúncio que divisei, desde meu ponto de observador, sobre uma construção tosca de, pelo menos, três andares. Não sei como conseguiram levar material de construção àquele ponto do morro. Chega um primeiro, vem e constrói uma moradia, cobre com uma laje, que em seguida é vendida para servir de base para outra moradia e assim por diante. Vi verdadeiros edifícios com mais de cinco pisos. Uma temeridade. Acima dessas precárias construções vem, quase sempre, uma mata virgem que, segundo engenheiros do estaleiro, estão ali plantadas numa tênue camada de terra que numa chuva mais severa vem abaixo provocando imensas tragédias. Isto é o que se chama “viver na corda bamba”. É assim que vive uma boa parcela dos cariocas. Aliás, na maioria, nem são cariocas e sim forasteiros que migram para a Cidade Maravilhosa em busca de um “lugar ao sol”. Nordestinos, tem por todo lado.
Andei escutando algumas entrevistas com especialista cariocas, entre as quais a do, se não me engano, Professor Elton Nascimento, da UFRJ, que garantiu haver trabalhado, há dois anos, numa pesquisa cujos resultados davam contas da fragilidade da estrutura urbana carioca, despreparada para situações calamitosas como a desta semana. Morros e encostas sem a menor segurança, população entregue à sorte, rede de drenagem urbana obsoleta e entupida de lixos, sistema viário saturado pelo fantástico número de veículos circulando, enfim, um ambiente propício ao caos. Ou seja, a tragédia desta semana foi algo anunciado e pouco assimilado pelas autoridades. As recomendações da pesquisa repousam sobre a mesa de algum decisor indeciso de plantão.
Agora, o mais preocupante e que se tornou motivo de críticas nos jornais estrangeiros é o fato de se tratar da cidade sede das Olimpíadas de 2016. A pergunta que não cala, nos quatro cantos do mundo, é: terá o Rio de Janeiro condições de se preparar para os dois eventos mundiais que se aproximam, isto é, Copa do Mundo e Olimpíadas? Vai ser duro...
Mas, saindo do Rio e pensando no Recife, fico imaginando que – maluco como anda o tempo – algo bem dramático pode acontecer por aqui. Deus nos livre de um toró. O Recife, não precisa muito esforço para observar, está despreparado para um inverno pouquinho mais rigoroso. Eu mesmo, que vivo no bairro dos Aflitos, fico aflito quando cai um “pé d´água” mais forte. Não saio de casa. Minha rua alaga, vira um belo curso de águas. Talvez para fazer jus ao nome que tem, isto é, Teles Junior, artista famoso pelas marinhas que pintava.
Tem uma coisa, não é somente nos Aflitos que o recifense fica aflito. Tem aflição por todo lado da cidade. Avenidas importantes e de tráfego intenso se transformam em verdadeiras raias olímpicas para canoagem. Na Agamenon Magalhães, espinha dorsal da região metropolitana, o desafio é manter o veículo na pista de rolamento e se livrar de cair no canal central. Outras avenidas ficam, igualmente, intransitáveis. (Vide essa última foto, de uma chuvarada recente) Nem quero pensar nos morros. Deus que proteja essa gente infeliz, que, de tola, vota nos incompetentes que não limpam a cidade, não protege as populações dos alagados, não salva os que vivem em condições subumanas e acham que dando a Bolsa Família já é o bastante. NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens, todas desta semana no Rio de Janeiro.

extremamente policiada e um povo unido em busca da paz e de provar que vivem bem e em segurança. Em todas as rodas sociais e lugares por onde passei notei que há uma verdadeira obsessão em provar que o país é seguro e que, inclusive, a capital Bogotá é mais segura do que outras metrópoles sul-americanas, entre as quais, logo são citadas, o Rio de Janeiro, São Paulo e a cidade do México. Pude observar, altas horas, pessoas solitárias circulando, aparentemente sem temor, em ruas e avenidas, coisa que não se pode fazer nas principais cidades brasileiras. Naturalmente que não deixam de recomendar cautela. Mas, sai bem impressionado. O Governo de Álvaro Uribe vem fazendo um duro combate à insegurança em geral, assaltos e seqüestros. Não raramente se depara com duplas de policiais militares armados em pontos estratégicos da cidade. Causa surpresa ao primeiro instante, mas, depois se torna comum e compreensível.
Lula anda apressando, mas, todas as obras estão atrasadas e, segundo dizem, somente um milagre pode deixá-las prontas a tempo. Incrível. Na esplanada dos Ministérios vi uns circos armados. O taxista não soube dizer de que se tratava. Um panorama feio. Pelo menos, eu achei.