sábado, 10 de abril de 2010

Desastres de 2010

Ando ressabiado com este ano de 2010. Muitas tragédias e de grandes dimensões. Uma atrás da outra. Desde o réveillon, não param de acontecer. Angra dos Reis, torós renitentes em São Paulo, terremotos no Haiti e Chile, outros pontos mais, mundo afora. E agora o Rio de Janeiro. Haja Deus! Mal tivemos tempo de respirar e eis que, esta semana, um temporal de proporções gigantescas desaba sobre a Cidade Maravilhosa deixando o país inteiro em estado de choque.
Tenho acompanhado atentamente o noticiário e, ao mesmo tempo, me comunicado com familiares ou pessoas amigas, no Rio, que me dão idéia da tragédia. É tudo tão dramático e aterrador, que chega a ser inacreditável. (Vide fotos nesta postagem). Esse desmoronamento, de ontem, do Morro do Bumba (ou Bumbá, não sei bem), em Niterói, é uma coisa comparável a um terremoto. Talvez pior! Pense no que seja catar sobrevivente ou vitimas fatais num terreno molhado e pesado. Sei não.
No ano passado, visitando um estaleiro Ilha do Governador, às margens da Baia da Guanabara, espantei-me com moradias “penduradas” nos morros vizinhos, verdadeiros desafios à lei da gravidade. Escrevi uma postagem, aqui no Blog, intitulada de “Vende-se uma Laje”. O titulo foi tirado de um anúncio que divisei, desde meu ponto de observador, sobre uma construção tosca de, pelo menos, três andares. Não sei como conseguiram levar material de construção àquele ponto do morro. Chega um primeiro, vem e constrói uma moradia, cobre com uma laje, que em seguida é vendida para servir de base para outra moradia e assim por diante. Vi verdadeiros edifícios com mais de cinco pisos. Uma temeridade. Acima dessas precárias construções vem, quase sempre, uma mata virgem que, segundo engenheiros do estaleiro, estão ali plantadas numa tênue camada de terra que numa chuva mais severa vem abaixo provocando imensas tragédias. Isto é o que se chama “viver na corda bamba”. É assim que vive uma boa parcela dos cariocas. Aliás, na maioria, nem são cariocas e sim forasteiros que migram para a Cidade Maravilhosa em busca de um “lugar ao sol”. Nordestinos, tem por todo lado.
Andei escutando algumas entrevistas com especialista cariocas, entre as quais a do, se não me engano, Professor Elton Nascimento, da UFRJ, que garantiu haver trabalhado, há dois anos, numa pesquisa cujos resultados davam contas da fragilidade da estrutura urbana carioca, despreparada para situações calamitosas como a desta semana. Morros e encostas sem a menor segurança, população entregue à sorte, rede de drenagem urbana obsoleta e entupida de lixos, sistema viário saturado pelo fantástico número de veículos circulando, enfim, um ambiente propício ao caos. Ou seja, a tragédia desta semana foi algo anunciado e pouco assimilado pelas autoridades. As recomendações da pesquisa repousam sobre a mesa de algum decisor indeciso de plantão.
Agora, o mais preocupante e que se tornou motivo de críticas nos jornais estrangeiros é o fato de se tratar da cidade sede das Olimpíadas de 2016. A pergunta que não cala, nos quatro cantos do mundo, é: terá o Rio de Janeiro condições de se preparar para os dois eventos mundiais que se aproximam, isto é, Copa do Mundo e Olimpíadas? Vai ser duro...
Mas, saindo do Rio e pensando no Recife, fico imaginando que – maluco como anda o tempo – algo bem dramático pode acontecer por aqui. Deus nos livre de um toró. O Recife, não precisa muito esforço para observar, está despreparado para um inverno pouquinho mais rigoroso. Eu mesmo, que vivo no bairro dos Aflitos, fico aflito quando cai um “pé d´água” mais forte. Não saio de casa. Minha rua alaga, vira um belo curso de águas. Talvez para fazer jus ao nome que tem, isto é, Teles Junior, artista famoso pelas marinhas que pintava.
Tem uma coisa, não é somente nos Aflitos que o recifense fica aflito. Tem aflição por todo lado da cidade. Avenidas importantes e de tráfego intenso se transformam em verdadeiras raias olímpicas para canoagem. Na Agamenon Magalhães, espinha dorsal da região metropolitana, o desafio é manter o veículo na pista de rolamento e se livrar de cair no canal central. Outras avenidas ficam, igualmente, intransitáveis. (Vide essa última foto, de uma chuvarada recente) Nem quero pensar nos morros. Deus que proteja essa gente infeliz, que, de tola, vota nos incompetentes que não limpam a cidade, não protege as populações dos alagados, não salva os que vivem em condições subumanas e acham que dando a Bolsa Família já é o bastante.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens, todas desta semana no Rio de Janeiro.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Salvemos a CHESF

Êpa! Êpa! Olhe o Nordeste mais uma vez sendo marginalizado, pela administração federal, por conta da incurável miopia (ou cegueira?) em relação às coisas da Região. Pois é... Querem, porque querem apagar, de vez, o imenso esforço político regional que se produziu, no século passado, para se construir uma estrutura ágil e, sobretudo, eficiente, com vistas a tirar a Região do renitente estado de pobreza e subdesenvolvimento. Pensando bem, estão implodindo, de um em um, os pilares dessa estrutura.
Em 2001, foi a desmontagem da SUDENE, pelo Governo FHC, que de modos inequívoco e irreparável abalou as estruturas administrativas regionais. Agora, investem contra a Companhia Hidrelétrica do São Francisco - CHESF.
No caso da SUDENE, a desculpa foi de que a entidade, ao longo da sua existência, se desviou do seu projeto inicial, transformando-se num antro de corrupção, dirigida por políticos ambiciosos e ávidos por roubar e desviar verbas públicas. Mas, viram somente um lado da moeda, porque, até hoje, ninguém pode negar o papel fundamental, eu disse fundamental, que a agencia regional desempenhou na defesa dos interesses e do desenvolvimento regional. Esqueceram dos tempos da construção de um Novo Nordeste, num colossal canteiro de obras. Sem a SUDENE não estaríamos vivendo os dias de euforia e desenvolvimento que hoje vivemos. A história irá julgar melhor do que eu, porque, afinal, sou uma cria histórica da Casa. A SUDENE não foi, apenas, 34/18 e Finor, motivadores da extinção. Foi muito mais do que isto. Isto não pode ser negado! E, esse “faz de conta” de SUDENE que Lula, numa jogada politiqueira, pensa que recriou, na prática, não existe!
Mas, o assunto hoje não é SUDENE e sim o estúpido esvaziamento que se processa na CHESF.
A Companhia Hidroelétrica do São Francisco, além de inaugurar uma fase histórica da produção de energia elétrica limpa e natural neste país, com base no uso racional das parcas disponibilidades hídricas locais, dotou o Nordeste da fundamental infra-estrutura energética, necessária ao seu desenvolvimento. Fez parte, de forma concreta, da construção estruturalista de desenvolvimento regional, ainda na remota década de quarenta, no Governo Vargas. Foi constituída em 1948 e de lá para cá só rendeu progresso e renda. Nunca se ouviu falar de dificuldades e sim de crescimento e lucros.
A estratégia do Governo Federal, neste momento, pressionado pelo PMDB governista e liderado por Sarney, que há muito tempo manda e desmanda no Ministério das Minas e Energia, é concentrar - para racionalizar a administração dos cofres públicos - na Eletrobrás todo o poder de gerenciar os resultados e recursos para o setor elétrico nacional, tirando das geradoras e distribuidoras de energia, entre as quais a Chesf, a autonomia de gerir os resultados das suas próprias receitas, que passam a ser administradas pela estatal acima citada. Vai ser uma festa!
Ora, minha gente, estamos falando da maior geradora de energia elétrica do Brasil (dados de 2007), com 10.737.798 kW, operadora de dez usinas hidreletricas e uma termelétrica. Somente em Xingó a maior do sistema da Chesf o poder de geração é de 3.162 MW. (Vide foto a seguir). Para quem entende do “tricot” isso é muita energia e uma inesgotável fonte de renda, que enche os olhos de qualquer governo guloso. Resumo da ópera: vão esvaziar a nossa Chesf, inclusive apagando o nome dela do portal, dando maior visibilidade à marca da Eletrobrás. E o dinheiro gerado? Ah! Vai para um saco único, certamente sem fundo, na sede da estatal, no Rio de Janeiro, debaixo dos atentos olhos gordos do Palácio do Planalto e do “imperador” do Maranhão.
Onde estão nossos autênticos representantes políticos? Como pode o PT, que se diz defensor dos fracos e oprimidos, deixar acontecer uma desgraça dessas? Tenha dó... A Chesf não pode perder sua autonomia e deixar de administrar os recursos que gera. Lutemos contra essa estratégia espúria. Salvemos nosso patrimônio.
NOTA: Foto do Google Imagens

domingo, 28 de março de 2010

Imagens Colombianas, ainda.

Ainda estou sob efeito das imagens colombianas que guardei, em decorrência da viagem a Colômbia, na semana passada. Muitas coisas poderiam ser lembradas neste Blog. Mas, o espaço seria exíguo. De todo modo, sinto-me instigado a falar de três coisas que me deixaram extasiado nessa ida a Bogotá:
1 – Catedral de Sal de Zipaquirá: Na década de 70 estive pela primeira vez na Colômbia e logo me convidaram para conhecer a Catedral de Sal de Zipaquirá ( pequena cidade, distante 50 kms. ao Norte de Bogotá). Aquilo me pareceu, na época, uma coisa fantástica. Primeiro eu imaginava que sal só era retirado do mar (sal marinho) e nunca das entranhas da Terra. Numa imensa montanha de sal, os indígenas locais, os muiscas, retiravam o chamado sal da terra desde a época colonial. No século 20, nas cavernas resultantes da extração de milhões de toneladas de sal para consumo humano e industrial, os mineiros resolveram instalar um templo católico. A original que conheci, inaugurado em 1954, foi desativado em 1990 por se mostrar insegura aos fiéis e
visitantes, devido aos efeitos erosivos das muitas infiltrações que surgiram ao longo dos tempos. Para substituir a antiga catedral o governo colombiano resolveu investir pesado na construção de uma nova, mais segura e mais atrativa, como uma grande atração turistica. De fato, conseguiram fazer algo surpreendente. Inaugurada em 1995, a nova igreja causa imenso impacto ao visitante. A galeria, hoje existente, escavada na montanha conduz o fiel/turista por uma Via Crucis, escavada na montanha de sal, imprimindo emoção a cada uma das quatorze estações. O final do percurso, sempre adentrando ao subsolo, leva à nave central da Catedral dominada por imensa cruz de 16 metros de altura e 10 de braços. A maior cruz subterrânea do mundo, diz orgulho o guia da visitação. Situada a 180 metros de profundidade a referida nave tem capacidade de receber 10.000 pessoas. Vide fotos.
2 – Museu do Ouro: Esta é outra atração imperdível para quem visita a capital colombiana. Nas instalações do Banco da Republica, na zona central de Bogotá, o visitante vai encontrar uma das mais fabulosas coleções, cerca de 38.000 peças indígenas pré-colombianos – em puro ouro – guardados numa verdadeira caixa forte e vigiadas as vinte e quatro horas do dia. Os muiscas, da nação dos chibchas, que habitavam a região da Colômbia, antes da chegada dos espanhóis, eram exímios artesãos do ouro e legaram ao mundo moderno essa maravilha que pode ser vista no museu de Bogotá. Vide foto. 3 – A terceira grande atração, que destaco em Bogotá, e que tive o prazer de visitar, fica por conta do Museu Botero. Fernando Botero é, sem duvida, o maior expoente das artes plásticas contemporânea da Colômbia. Nascido em 1932, em Medelín, Botero se notabilizou, no mundo inteiro, pelas figuras rotundas que passou às imensas telas e esculpiu em mármore negro ou branco. Instalado num anexo do Museu Nacional, nas antigas dependências da Casa da Moeda da Colômbia, no centro histórico de Bogotá, o Museu Botero guarda as mais importantes obras do pintor/escultor, encantando a todos que chegam até lá. Por amor ao povo e à pátria colombiana Fernando Botero adotou uma estratégia inteligentíssima ao trocar suas obras, quando requeridas por museus e galerias internacionais, por obras de pintores ou escultores famosos, acumulando-as numa coleção particular, depois expostas no próprio Museu Botero. O resultado é que ao visitar esse museu que leva seu nome o visitante tem a oportunidade de ver obras de outros monstros sagrados das artes plásticas mundial. Entre os muitos que vi, lembro das obras de Picasso, Salvador Dali, Renoir, Monet e Degas.
Nota: Fotos do Blogueiro.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Uma surpresa chamada Colômbia

A Colômbia tem, ao longo dos tempos, estado raramente entre os destinos turísticos dos brasileiros e, vai ver, para a grande parte dos turistas internacionais. O belo país andino desgastou-se muito, nas últimas décadas, face à onda do narcotráfico, seqüestros e violência da guerrilha organizada pelas FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Mesmo assim, voltei, pela terceira vez, a esse belo país e, particularmente, à capital, Bogotá, onde estive por cinco dias, na semana que passou. Tive um motivo especial: fui representar a Associação Nordestina dos ex-Bolsistas e Estagiários no Japão - Anbej, numa reunião das associações da América Latina e Caribe, ali realizada.
A chegada a Bogotá, de hoje, surpreende pela estrutura urbana bem tratada e em meio a parques e jardins. Um cartão postal, para os visitantes. Beleza e limpeza urbana são características que se repetem pelas avenidas que levam ao centro da cidade. Com uma temperatura media abaixo dos 15ºC, numa altitude de 2.600 m. acima do nível do mar e 6 milhões de habitantes, Bogotá impressiona à primeira vista, mesmo ao visitante reincidente, como é o meu caso..
Para minha surpresa encontrei, depois de, aproximadamente, vinte e cinco anos, uma cidade modernizada e ampliada. O Governo vem dando prioridade à segurança e os projetos de modernização da estrutura urbana alavancaram a cidade para um patamar onde se encontram as principais metrópoles da America do Sul. Em certas áreas lembrei-me de Santiago do Chile, noutras de Buenos Aires, mais adiante de algumas cidades brasileiras. É uma cidade extremamente policiada e um povo unido em busca da paz e de provar que vivem bem e em segurança. Em todas as rodas sociais e lugares por onde passei notei que há uma verdadeira obsessão em provar que o país é seguro e que, inclusive, a capital Bogotá é mais segura do que outras metrópoles sul-americanas, entre as quais, logo são citadas, o Rio de Janeiro, São Paulo e a cidade do México. Pude observar, altas horas, pessoas solitárias circulando, aparentemente sem temor, em ruas e avenidas, coisa que não se pode fazer nas principais cidades brasileiras. Naturalmente que não deixam de recomendar cautela. Mas, sai bem impressionado. O Governo de Álvaro Uribe vem fazendo um duro combate à insegurança em geral, assaltos e seqüestros. Não raramente se depara com duplas de policiais militares armados em pontos estratégicos da cidade. Causa surpresa ao primeiro instante, mas, depois se torna comum e compreensível.
Um detalhe especial merece ser lembrado: a acolhida e simpatia daquela gente. Por todo lado há sempre um rosto que se abre com um sorriso de boas vindas e prazer explicito por servir. “Mucho gusto” (muito prazer) é o que mais se ouve.
O sistema de transporte coletivo aos moldes de Curitiba (leia-se Jaime Lerner) que foi implantado na cidade, na virada do milênio, faz imenso sucesso e enche de orgulho o bogotano em geral. Denomina-se de Transmilênio e circula com imensos ônibus articulados, com estações também vistosas e que contrasta com os antigos coletivos, pequenos e coloridos, ainda em circulação por áreas onde o novo sistema não tenha chegado. Os colombianos fazem questão de lembrar que o novo sistema é do modelo brasileiro. E, por falar em Brasil, notei outra presença marcante no cenário colombiano que são postos da rede Petrobrás, que ostentam as cores verde e amarelo, símbolo brasileiro, nas principais vias da cidade de Bogotá e, segundo me disseram, em outras importantes cidades do país.
Percorrer a cidade no seu preservado centro histórico – um mergulho na história da colonização espanhola – ou nas zonas modernas se constitui numa seqüência de boas surpresas. Come-se muito bem na Colômbia. Haja fartura. As porções servidas nos restaurantes são sempre generosas e nesses cinco dias, digamos que, fui submetido a um verdadeiro “tratamento de engorda”. Impossível não se render à deliciosa cozinha colombiana, marcada pela mistura da cozinha crioula (vide foto do Tamal, uma especie de cuscuz paulista cozido envolto por uma folha de bananeira) e a sofisticação da cozinha internacional. Colômbia, uma grata surpresa. NOTA: Fotos do Google Imagens e do Blogueiro

domingo, 14 de março de 2010

Recife e Olinda mais velhas.

Recife e Olinda comemoraram juntas, esta semana, seus 473 e 475 anos, respectivamente, de existência. Muitas festas se espalharam pelas duas cidades irmãs. Nas ladeiras de Olinda o frevo acordou a população com direito a cobertura de TV em rede nacional. No Recife, a festa rolou até o fim de semana, com shows no Marco Zero da cidade. Houve também bolos gigantes, com tantos quilos quanto os anos de comemoração. Foi bolo para dar e vender, como dizia minha finada mãe. Certamente que não sobrou nada, porque gente que gosta de bolo e gente com fome é o que não falta nas duas cidades.
Mas, uma coisa – em meio a essas comemorações – assusta e chama a atenção mesmo a do mais alienado dos transeuntes: o abandono em que se encontram Recife e Olinda. A capital é de dar dó. Por acaso, tive que circular na zona central na noite do aniversário. Fiquei mais uma vez abismado com a sujeira reinante nas ruas centrais. A pessoa tem dificuldade de transitar, com as calçadas tomadas de lixos e até sem espaço para estacionar um veiculo. É certo que essa sujeira é ocasionada pela população ignorante, que, sem respeito algum, jogo de qualquer forma seus descartados, sem pensar como cidadão. Mas, é certo também que falta uma providencia mais efetiva da Prefeitura da capital, em prover os principais pontos do centro de coletores de lixo e de pessoal preparado para administrar a sujeira. Acredito que uma "brigada" de garis de prontidão às dezoito horas seria uma boa providencia. E, é claro que um grande programa de educação e penalidades. Isto mesmo, penalidades, sobretudo, para aquelas lojas que sem a menor cerimônia despejam seus descartáveis – montanhas de caixas vazias, plásticos e isopores – nas próprias calçadas. Cidade limpa teria sido a melhor forma de comemorar os 473 anos de existência do Recife. Bem que a Prefeitura poderia criar a figura do fiscal sujeira, aos moldes dos fiscais da CTTU, que, aliás, andam ávidos por multar – muitas vezes sem justificativa – os motoristas, quase sempre transtornados com o outro lado do caos que é o transito da cidade. Dizem que os fiscais do transito ganham bom percentual sobre as multas aplicadas. Aí, estamos roubados!
Em Olinda a situação é um pouco diferente da capital, embora tenha lá seus imensos problemas. A cidade também tem suas sujeirinhas. Isto numa maneira de dizer, porque a sujeira de lá é outro atentado à saúde publica. Aquele Alto da Sé precisa de uma fiscalização mais atenta para a falta de higiene dos barraqueiros que produzem suas tapiocas e outros acepipes típicos. A lavagem dos copos é de arrepiar, em bacias imundas, a sujeira das panelas, quase sempre de alumínio (que perigo!), e os entornos dos “arranjos de cozinha” são de espantar qualquer turista mais cauteloso. Em qualquer outro lugar do mundo (falo do civilizado) aquilo ali já não existiria, há muito tempo. Adoro tapioca, cervejinha gelada, caipirinhas da vida, carne de sol com macaxeira e outras comidas típicas... mas, no Alto da Sé, tô fora! O lamentável é que aquilo poderia ser mesmo o forte da programação de Olinda. Bom, para muitos bem que é... paciência.
Se falarmos do patrimônio história da Marim dos Caetés, a coisa assume outro padrão de irresponsabilidade. Tem jóias preciosas da arte barroca caindo aos pedaços, infestadas de cupins e infiltrações perenes. Parece que as restaurações vão sendo sempre postergadas – por falta de verbas ou por relaxamento mesmo – e para a restauração de um ou outro elemento do patrimônio histórico pode ser tarde demais. Falei desse mesmo assunto numa outra postagem, ano passado, quando tomei conhecimento de uma igreja secular desabando, após fortes chuvas. É um caso concreto de relaxamento, porque goteiras e infiltrações podem ser sanadas logo que descobertas. Isto, eu considero crime contra a cidade patrimônio da humanidade. Irresponsabilidade em mais alto grau.
Pois é, sou daqueles que antes de promover festanças e apagar velinhas dos bolos de aniversário limpa a casa, descarta o lixo e recebe os convidados com certeza de que eles vão se sentir bem no ambiente. Os ambientes de Recife (este eu conferi) e Olinda (provavelmente) não foram preparados para as festas desta semana.
NOTA: Sem fotos ilustrativas, por uma questão de higiene.

terça-feira, 9 de março de 2010

Brasília em dois tempos.

1º. TEMPO: Quando fui convidado a participar de um programa de capacitação no Japão, na década de 80, não podia imaginar como aquela experiência iria marcar e acompanhar minha vida até os dias atuais. Logo que retornei, criava-se no Recife a Associação Nordestina de ex-Bolsistas e Estagiários no Japão – ANBEJ, destinada a reunir pessoas que de algum modo, seja como bolsistas, estagiários, convidados oficiais do Governo Japonês para visitar o país do sol nascente para, juntas, contribuir com a difusão da cultura nipônica e promover o intercambio técnico - cientifico na sociedade regional, desde o Ceará à Bahia. Faço parte dessa Entidade desde seus primórdios até hoje e atualmente, por bondade dos meus pares, exerço o cargo de presidente.
Nesta condição tenho tido oportunidades interessantíssimas de interagir com ex-bolsistas locais, figuras extraordinárias do corpo diplomático japonês acreditado no Brasil, corporações de cooperação internacional japonesas e representantes de outras 11 associações congêneres espalhadas pelo Brasil.
Anualmente, com apoio do governo japonês, representantes dessas onze associações se reúnem em Brasília, na própria Embaixada Japonesa, para tratar de desenhar um programa de trabalho conjunto, visando manter sempre acesa a chama da amizade e os programas de intercambio nas diferentes regiões brasileiras. Além disso, periodicamente os japoneses promovem um Encontro Latino-Americano e do Caribe, numa determinada cidade da região.
Neste 2010, dois encontros foram programados: o primeiro, o Encontro Nacional, aconteceu no último sábado, em Brasília, e foi coroado de êxito com a criação de um Conselho Brasileiro das Associações de Ex-Bolsistas no Brasil, reunindo as onze associações e o segundo vai acontecer na cidade de Bogotá (capital da Colômbia) nos próximos dias 18, 19 e 20, reunindo representantes de associações desta região. Representando a Anbej estive presente em Brasília e irei a Bogotá.
Disso tudo, uma palavra de elogio à competência dos japoneses na política de intercambio com o mundo. Historicamente o Japão era um país introvertido. Um país cujas fronteiras eram determinadas pelo mar e isto era tudo. Aliás, um mar de muitas ilhas e um povo com uma quase aversão a estrangeiros. Somente no século 20 e particularmente após a Grande Guerra o país, na esteira da reconstrução, se internacionalizou e ao abrir suas portas montou o mais forte programa de intercambio que tenho conhecimento. Milhares de pessoas já se submeteram e se submetem a programas competentes de capacitação, dentro e fora do Japão, com colaboração de outros governos. Milhões de humanos, em inúmeras nações, se beneficiam da ajuda humanitária japonesa, particularmente na área da saúde e educação. Tenho prazer de contribuir com este esforço, há 25 anos.
2º. TEMPO: Circulando em Brasília, neste fim de semana, tive a curiosidade de investigar junto aos nativos com os quais conversei, entre esses os motoristas de taxis e garçons, como andavam os preparativos na cidade para festejar o aniversário de 50 Anos, no próximo 21 de abril. A opinião geral é de que a coisa pode ser um fiasco. Havia, ano atrás, uma grande expectativa quanto a esses festejos. Mas, os escândalos políticos recentes, a prisão do Governador Arruda e as renuncias dos seus substitutos, deixou o Distrito Federal tecnicamente acéfalo e sem condições de administrar a vida que corre e, muito menos, festejos de cinqüentenário. A cidade passava por uma limpeza geral, para o grande dia. A Catedral que está sendo restaurada, continua empanada até hoje. Já devia estar pronta. O Palácio do Planalto idem. O Presidente Lula anda apressando, mas, todas as obras estão atrasadas e, segundo dizem, somente um milagre pode deixá-las prontas a tempo. Incrível. Na esplanada dos Ministérios vi uns circos armados. O taxista não soube dizer de que se tratava. Um panorama feio. Pelo menos, eu achei. Gosto muito de Brasília, admiro suas linhas arquitetônicas e tenho orgulho de mostrar mundo afora seus cartões postais. A situação que vi me entristece. É testemunho do despautério política que reina neste país. Precisamos mudar a cabeça desse povão e mostrar o caminho da retidão e vergonha. E isto aí é um colossal desafio.
NOTA: Foto do Google Imagens

quarta-feira, 3 de março de 2010

Natureza Madrasta

Há pouco menos de sessenta dias acompanhamos com pesar e horror as cenas de vida e morte, decorrente de um forte terremoto que destruiu o Haiti. O mundo se voltou para o pequenino país caribenho, até então desconhecido para meio mundo, mas entrando em evidencia pelas manchetes mundiais.
Sem que houvesse tempo de “juntarmos os cacos” e “virarmos a página” da tragédia haitiana, outro terremoto – de maior intensidade – abala as estruturas do Chile, no sábado passado (27.02.2010), deixando com fraturas expostas um país em franco progresso e cheio de brilhantes de projetos. Andei por lá, ano passado, e deixei registrado, neste Blog do GB, as melhores impressões sobre uma terra e nação hospitaleira, de quadro natural exuberante e diversificado, um país em crescimento econômico e social, motivo de orgulha para América do Sul.
Passei um fim de semana abalado, como fiquei no caso do Haiti, pensando nos grandes amigos que tenho por lá e na gente que sofreu o desastre, particularmente os que vivem próximo ao epicentro, região da cidade de Concepción. As fotos, filmes e comentários, mostrados na TV, somente aumentavam o estresse, ao tempo em que não, completavam-se contatos, por telefone, com os conhecidos chilenos.
Não vou me ater a relatos sobre o que ocorre de lá para cá, no Chile, porque isto a mídia nacional e internacional o faz com melhores condições do que um pobre blogueiro como eu. Ao invés disso, atrevo-me a expressar minhas reflexões em torno da fragilidade do ser humano diante dos rigorosos caprichos da natureza. Caprichos que jamais dominaremos. Por que no Haiti? E, por que o Chile? Tanto mar e tantas terras desertas para isso ocorrer, meu Deus! Por que essa fúria, Mãe Terra?
Tem coisa mais preocupante do que ler na imprensa internacional relatos sobre as constatações dos cientistas da NASA (Agencia Espacial Norte-Americana) de que esse forte terremoto no Chile pode ter movido e reduzido o eixo da Terra, alterando sua rotação? Ainda não sabem em quantos centímetros o referido eixo foi reduzido. Mas, lembram que noutro terremoto, o da Sumatra, em 2004, também violento, a redução foi de 7 centímetros. Embora possa parecer insignificante, quem garante que essa redução não pode afetar o equilíbrio geral da nossa estrovenga terrestre. Sete centímetros num dia, outros tantos, ou mais, hoje e não se sabe quantos amanhã, pode resultar num tremendo desastre fatal. Ah! tem outra coisa: os cientistas garantem que o terremoto do fim de semana passado encurtou a duração dos dias. Olhe lá... Segundo essas “feras” da NASA, um dia na Terra passou a ter 1,26 milissegundos – um microssegundo é a milionésima parte de um segundo – a menos. Nada, não é mesmo? Para nós, leigos no assunto. Para eles pode ser uma coisa gravíssima.
Se vovó fosse viva diria logo: “são sinais dos tempos, meu netinho!” e arrematava com o famoso clichê: “estamos a caminho do fim do mundo”. Aliás, sempre aparece um profeta anunciando o fim do mundo, para um dia tal, do mês tal, etc. e tal. Há pouco tempo, já agendaram para 2012.
Mas, meus amigos, o mundo vai durar por muito tempo, creio eu. O que causa preocupação é saber que tipo mundo será este. Nos meus delirios e lendo essa história da redução e deslocamento do eixo que sustenta a Terra, imagino o apocalipse que pode ocorrer, em decorrência de tantas catástrofes. Chuvas e enchentes inusitadas, calor abrasador, nevascas desproporcionais e inesperadas, grandes terremotos, tsunamis, são fenômenos que já fazem parte do dia-a-dia dos humanos. Naturalmente que muitos podem explicar a situação com a tese do aquecimento global. Mas, os terremotos também entram nessa dança?
São, falando simplesmente, caprichos da natureza. Uma natureza madrasta, isso sim. Por enquanto, sejamos solidários e socorramos haitianos e chilenos. Eles são os enteados do momento.

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...