domingo, 14 de março de 2010

Recife e Olinda mais velhas.

Recife e Olinda comemoraram juntas, esta semana, seus 473 e 475 anos, respectivamente, de existência. Muitas festas se espalharam pelas duas cidades irmãs. Nas ladeiras de Olinda o frevo acordou a população com direito a cobertura de TV em rede nacional. No Recife, a festa rolou até o fim de semana, com shows no Marco Zero da cidade. Houve também bolos gigantes, com tantos quilos quanto os anos de comemoração. Foi bolo para dar e vender, como dizia minha finada mãe. Certamente que não sobrou nada, porque gente que gosta de bolo e gente com fome é o que não falta nas duas cidades.
Mas, uma coisa – em meio a essas comemorações – assusta e chama a atenção mesmo a do mais alienado dos transeuntes: o abandono em que se encontram Recife e Olinda. A capital é de dar dó. Por acaso, tive que circular na zona central na noite do aniversário. Fiquei mais uma vez abismado com a sujeira reinante nas ruas centrais. A pessoa tem dificuldade de transitar, com as calçadas tomadas de lixos e até sem espaço para estacionar um veiculo. É certo que essa sujeira é ocasionada pela população ignorante, que, sem respeito algum, jogo de qualquer forma seus descartados, sem pensar como cidadão. Mas, é certo também que falta uma providencia mais efetiva da Prefeitura da capital, em prover os principais pontos do centro de coletores de lixo e de pessoal preparado para administrar a sujeira. Acredito que uma "brigada" de garis de prontidão às dezoito horas seria uma boa providencia. E, é claro que um grande programa de educação e penalidades. Isto mesmo, penalidades, sobretudo, para aquelas lojas que sem a menor cerimônia despejam seus descartáveis – montanhas de caixas vazias, plásticos e isopores – nas próprias calçadas. Cidade limpa teria sido a melhor forma de comemorar os 473 anos de existência do Recife. Bem que a Prefeitura poderia criar a figura do fiscal sujeira, aos moldes dos fiscais da CTTU, que, aliás, andam ávidos por multar – muitas vezes sem justificativa – os motoristas, quase sempre transtornados com o outro lado do caos que é o transito da cidade. Dizem que os fiscais do transito ganham bom percentual sobre as multas aplicadas. Aí, estamos roubados!
Em Olinda a situação é um pouco diferente da capital, embora tenha lá seus imensos problemas. A cidade também tem suas sujeirinhas. Isto numa maneira de dizer, porque a sujeira de lá é outro atentado à saúde publica. Aquele Alto da Sé precisa de uma fiscalização mais atenta para a falta de higiene dos barraqueiros que produzem suas tapiocas e outros acepipes típicos. A lavagem dos copos é de arrepiar, em bacias imundas, a sujeira das panelas, quase sempre de alumínio (que perigo!), e os entornos dos “arranjos de cozinha” são de espantar qualquer turista mais cauteloso. Em qualquer outro lugar do mundo (falo do civilizado) aquilo ali já não existiria, há muito tempo. Adoro tapioca, cervejinha gelada, caipirinhas da vida, carne de sol com macaxeira e outras comidas típicas... mas, no Alto da Sé, tô fora! O lamentável é que aquilo poderia ser mesmo o forte da programação de Olinda. Bom, para muitos bem que é... paciência.
Se falarmos do patrimônio história da Marim dos Caetés, a coisa assume outro padrão de irresponsabilidade. Tem jóias preciosas da arte barroca caindo aos pedaços, infestadas de cupins e infiltrações perenes. Parece que as restaurações vão sendo sempre postergadas – por falta de verbas ou por relaxamento mesmo – e para a restauração de um ou outro elemento do patrimônio histórico pode ser tarde demais. Falei desse mesmo assunto numa outra postagem, ano passado, quando tomei conhecimento de uma igreja secular desabando, após fortes chuvas. É um caso concreto de relaxamento, porque goteiras e infiltrações podem ser sanadas logo que descobertas. Isto, eu considero crime contra a cidade patrimônio da humanidade. Irresponsabilidade em mais alto grau.
Pois é, sou daqueles que antes de promover festanças e apagar velinhas dos bolos de aniversário limpa a casa, descarta o lixo e recebe os convidados com certeza de que eles vão se sentir bem no ambiente. Os ambientes de Recife (este eu conferi) e Olinda (provavelmente) não foram preparados para as festas desta semana.
NOTA: Sem fotos ilustrativas, por uma questão de higiene.

8 comentários:

Anônimo disse...

Girley
Você está coberto de razão. Sem defender a prefeitura e já defendendo, existe uma campanha na TV chamando atenção do recifense para não sujar a cidade e as praias.A ruas do centro são varridas 6 vezes ao dia. Como você diz falta uma atitude mais efetiva do poder público, mas o que falta mesmo é educação e não é sómente do pobre. Outro dia, parada em um sinal, na Av. Cons. Aguiar, um rapaz abriu o vidro do seu possante, e tacou um saco de lixo pra fora. Buzinei, fiz sinal de reprovação, ele fez cara feia e partiu. Falta educação doméstica. Nóa aprendiamos em casa como se comportar com urbanidade, hoje os pais deixam esse encargo para as escolas, e não é por aí. Abraços, Leony

Melchiades Montenegro disse...

Olá Girley
Concordo com você em gênero, número e grau.
Participei no sábado anterior ao carnaval, do Bloco "O grito da Véia"
da ong "civitate" pelas ruas nas proximidades do Pátio da Santa Cruz.
Um verdadeiro horror de lixo acumulado nas calçadas.
Gosto muito do seu Blog.
Conheci uma amiga sua, a baiana Maria Sampaio - figura maravilhosa.
abs Melchiades Montenegro

Hugo Caldas disse...

O Recife então virou uma cloaca à céu aberto. Antigamente dizía-se que a única coisa a distinguir Recife e Salvador era o ar inpestado pelo forte cheiro de urina na terra do Dorival.
Agora, ouse dar uma volta pelo centro... Está igual! Ou pior. Hugão

Luciana Altino disse...

Com certeza absoluta tudo o que você disse é verdade e até poderia citar muito mais. Sujeira é o que não falta nas nossas cidades. Olinda é o patrimônio abandonado - talvez porque seja patrimônio só do carnaval! - e Recife também não fica atrás!
Falta EDUCAÇÃO e, evidentemente Governo!

Tereza Braga disse...

Concordo com vc, Girley, sobre a necessidade de faz-se uma faxina nas duas cidades, onde só reluzem, sazonalmente, o Recife Antigo, no Recife e em Olinda, o Sítio Histórico. Dá pena ver e sentir a degradação a que chegaram os bairros de Santo Antonio e da Boa Vista (eepecialmente, no trecho das Ruas Sete de Setembro e do Hospício. E veja que se localiza lá o Teatro do Parque, que foi restaurado.
Tereza Braga

Wilma disse...

Girley,

Vc tem total razão. É uma vergonha andar nas ruas do centro do Recife.Acredite que morro de vergonha quando ando no centro acompanhando alguém de outra cidade! Nossa,fico "bege" e não entendo como é que entra prefeito, sai prefeito e o problema continua o mesmo!!!!
Grande abraço.
Wilma.

maria Regina Pinto Ferreira disse...

Olá Girley!
Estou de pleno acordo com a necessidade da limpeza da nossa cidade. Faxina nela!
MRegina

Anônimo disse...

Caro Girley, Há tempos merecemos que se devolva a graça e o valor devido ao recife antigo, um verdadeiro assassinato com a História deste País, ppor simples falta de prioridade e atitude do Município para com este inestimável patrimônio jogado literalmente às traças!! Abcs, Restony de Alencar