terça-feira, 9 de março de 2010

Brasília em dois tempos.

1º. TEMPO: Quando fui convidado a participar de um programa de capacitação no Japão, na década de 80, não podia imaginar como aquela experiência iria marcar e acompanhar minha vida até os dias atuais. Logo que retornei, criava-se no Recife a Associação Nordestina de ex-Bolsistas e Estagiários no Japão – ANBEJ, destinada a reunir pessoas que de algum modo, seja como bolsistas, estagiários, convidados oficiais do Governo Japonês para visitar o país do sol nascente para, juntas, contribuir com a difusão da cultura nipônica e promover o intercambio técnico - cientifico na sociedade regional, desde o Ceará à Bahia. Faço parte dessa Entidade desde seus primórdios até hoje e atualmente, por bondade dos meus pares, exerço o cargo de presidente.
Nesta condição tenho tido oportunidades interessantíssimas de interagir com ex-bolsistas locais, figuras extraordinárias do corpo diplomático japonês acreditado no Brasil, corporações de cooperação internacional japonesas e representantes de outras 11 associações congêneres espalhadas pelo Brasil.
Anualmente, com apoio do governo japonês, representantes dessas onze associações se reúnem em Brasília, na própria Embaixada Japonesa, para tratar de desenhar um programa de trabalho conjunto, visando manter sempre acesa a chama da amizade e os programas de intercambio nas diferentes regiões brasileiras. Além disso, periodicamente os japoneses promovem um Encontro Latino-Americano e do Caribe, numa determinada cidade da região.
Neste 2010, dois encontros foram programados: o primeiro, o Encontro Nacional, aconteceu no último sábado, em Brasília, e foi coroado de êxito com a criação de um Conselho Brasileiro das Associações de Ex-Bolsistas no Brasil, reunindo as onze associações e o segundo vai acontecer na cidade de Bogotá (capital da Colômbia) nos próximos dias 18, 19 e 20, reunindo representantes de associações desta região. Representando a Anbej estive presente em Brasília e irei a Bogotá.
Disso tudo, uma palavra de elogio à competência dos japoneses na política de intercambio com o mundo. Historicamente o Japão era um país introvertido. Um país cujas fronteiras eram determinadas pelo mar e isto era tudo. Aliás, um mar de muitas ilhas e um povo com uma quase aversão a estrangeiros. Somente no século 20 e particularmente após a Grande Guerra o país, na esteira da reconstrução, se internacionalizou e ao abrir suas portas montou o mais forte programa de intercambio que tenho conhecimento. Milhares de pessoas já se submeteram e se submetem a programas competentes de capacitação, dentro e fora do Japão, com colaboração de outros governos. Milhões de humanos, em inúmeras nações, se beneficiam da ajuda humanitária japonesa, particularmente na área da saúde e educação. Tenho prazer de contribuir com este esforço, há 25 anos.
2º. TEMPO: Circulando em Brasília, neste fim de semana, tive a curiosidade de investigar junto aos nativos com os quais conversei, entre esses os motoristas de taxis e garçons, como andavam os preparativos na cidade para festejar o aniversário de 50 Anos, no próximo 21 de abril. A opinião geral é de que a coisa pode ser um fiasco. Havia, ano atrás, uma grande expectativa quanto a esses festejos. Mas, os escândalos políticos recentes, a prisão do Governador Arruda e as renuncias dos seus substitutos, deixou o Distrito Federal tecnicamente acéfalo e sem condições de administrar a vida que corre e, muito menos, festejos de cinqüentenário. A cidade passava por uma limpeza geral, para o grande dia. A Catedral que está sendo restaurada, continua empanada até hoje. Já devia estar pronta. O Palácio do Planalto idem. O Presidente Lula anda apressando, mas, todas as obras estão atrasadas e, segundo dizem, somente um milagre pode deixá-las prontas a tempo. Incrível. Na esplanada dos Ministérios vi uns circos armados. O taxista não soube dizer de que se tratava. Um panorama feio. Pelo menos, eu achei. Gosto muito de Brasília, admiro suas linhas arquitetônicas e tenho orgulho de mostrar mundo afora seus cartões postais. A situação que vi me entristece. É testemunho do despautério política que reina neste país. Precisamos mudar a cabeça desse povão e mostrar o caminho da retidão e vergonha. E isto aí é um colossal desafio.
NOTA: Foto do Google Imagens

2 comentários:

mozetic disse...

Amigo Girley Nipo Brazileiro.
Quem sabe com o sucesso dos eventos de integração das associações, principalmente no campo da educação não consigamos plantar alguns princípios da milenar cultura.
Banzai!

Baiano da Nigeria disse...

Prezado Girley, suas sempre sabias palavras me fazem pensar o seguinte: e se tudo estivesse lindo e maravilhoso em Brasilia? Se os mensalões do PT, do PSDB, do DEM, entre outros escandalos, não tivessem vindo à tona? E, se os corruptos e corruptores tivessem se mantido como virgens vestais, longe dos escandalos? E se as obras, turbinadas a propinas, estivessem prontas e, aparentemente, bonitas? Não seriamos nós um bando de Alices no país das maravilhas (e maracutaias)? Acredite, é melhor um aniversário feio mas consciente, do que mais uma festa de arromba que acaba arrombando nossos sangrados bolsos de contribuintes.
Abraços Nigerianos
Baiano da Nigeria