quarta-feira, 24 de março de 2010

Uma surpresa chamada Colômbia

A Colômbia tem, ao longo dos tempos, estado raramente entre os destinos turísticos dos brasileiros e, vai ver, para a grande parte dos turistas internacionais. O belo país andino desgastou-se muito, nas últimas décadas, face à onda do narcotráfico, seqüestros e violência da guerrilha organizada pelas FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Mesmo assim, voltei, pela terceira vez, a esse belo país e, particularmente, à capital, Bogotá, onde estive por cinco dias, na semana que passou. Tive um motivo especial: fui representar a Associação Nordestina dos ex-Bolsistas e Estagiários no Japão - Anbej, numa reunião das associações da América Latina e Caribe, ali realizada.
A chegada a Bogotá, de hoje, surpreende pela estrutura urbana bem tratada e em meio a parques e jardins. Um cartão postal, para os visitantes. Beleza e limpeza urbana são características que se repetem pelas avenidas que levam ao centro da cidade. Com uma temperatura media abaixo dos 15ºC, numa altitude de 2.600 m. acima do nível do mar e 6 milhões de habitantes, Bogotá impressiona à primeira vista, mesmo ao visitante reincidente, como é o meu caso..
Para minha surpresa encontrei, depois de, aproximadamente, vinte e cinco anos, uma cidade modernizada e ampliada. O Governo vem dando prioridade à segurança e os projetos de modernização da estrutura urbana alavancaram a cidade para um patamar onde se encontram as principais metrópoles da America do Sul. Em certas áreas lembrei-me de Santiago do Chile, noutras de Buenos Aires, mais adiante de algumas cidades brasileiras. É uma cidade extremamente policiada e um povo unido em busca da paz e de provar que vivem bem e em segurança. Em todas as rodas sociais e lugares por onde passei notei que há uma verdadeira obsessão em provar que o país é seguro e que, inclusive, a capital Bogotá é mais segura do que outras metrópoles sul-americanas, entre as quais, logo são citadas, o Rio de Janeiro, São Paulo e a cidade do México. Pude observar, altas horas, pessoas solitárias circulando, aparentemente sem temor, em ruas e avenidas, coisa que não se pode fazer nas principais cidades brasileiras. Naturalmente que não deixam de recomendar cautela. Mas, sai bem impressionado. O Governo de Álvaro Uribe vem fazendo um duro combate à insegurança em geral, assaltos e seqüestros. Não raramente se depara com duplas de policiais militares armados em pontos estratégicos da cidade. Causa surpresa ao primeiro instante, mas, depois se torna comum e compreensível.
Um detalhe especial merece ser lembrado: a acolhida e simpatia daquela gente. Por todo lado há sempre um rosto que se abre com um sorriso de boas vindas e prazer explicito por servir. “Mucho gusto” (muito prazer) é o que mais se ouve.
O sistema de transporte coletivo aos moldes de Curitiba (leia-se Jaime Lerner) que foi implantado na cidade, na virada do milênio, faz imenso sucesso e enche de orgulho o bogotano em geral. Denomina-se de Transmilênio e circula com imensos ônibus articulados, com estações também vistosas e que contrasta com os antigos coletivos, pequenos e coloridos, ainda em circulação por áreas onde o novo sistema não tenha chegado. Os colombianos fazem questão de lembrar que o novo sistema é do modelo brasileiro. E, por falar em Brasil, notei outra presença marcante no cenário colombiano que são postos da rede Petrobrás, que ostentam as cores verde e amarelo, símbolo brasileiro, nas principais vias da cidade de Bogotá e, segundo me disseram, em outras importantes cidades do país.
Percorrer a cidade no seu preservado centro histórico – um mergulho na história da colonização espanhola – ou nas zonas modernas se constitui numa seqüência de boas surpresas. Come-se muito bem na Colômbia. Haja fartura. As porções servidas nos restaurantes são sempre generosas e nesses cinco dias, digamos que, fui submetido a um verdadeiro “tratamento de engorda”. Impossível não se render à deliciosa cozinha colombiana, marcada pela mistura da cozinha crioula (vide foto do Tamal, uma especie de cuscuz paulista cozido envolto por uma folha de bananeira) e a sofisticação da cozinha internacional. Colômbia, uma grata surpresa. NOTA: Fotos do Google Imagens e do Blogueiro

domingo, 14 de março de 2010

Recife e Olinda mais velhas.

Recife e Olinda comemoraram juntas, esta semana, seus 473 e 475 anos, respectivamente, de existência. Muitas festas se espalharam pelas duas cidades irmãs. Nas ladeiras de Olinda o frevo acordou a população com direito a cobertura de TV em rede nacional. No Recife, a festa rolou até o fim de semana, com shows no Marco Zero da cidade. Houve também bolos gigantes, com tantos quilos quanto os anos de comemoração. Foi bolo para dar e vender, como dizia minha finada mãe. Certamente que não sobrou nada, porque gente que gosta de bolo e gente com fome é o que não falta nas duas cidades.
Mas, uma coisa – em meio a essas comemorações – assusta e chama a atenção mesmo a do mais alienado dos transeuntes: o abandono em que se encontram Recife e Olinda. A capital é de dar dó. Por acaso, tive que circular na zona central na noite do aniversário. Fiquei mais uma vez abismado com a sujeira reinante nas ruas centrais. A pessoa tem dificuldade de transitar, com as calçadas tomadas de lixos e até sem espaço para estacionar um veiculo. É certo que essa sujeira é ocasionada pela população ignorante, que, sem respeito algum, jogo de qualquer forma seus descartados, sem pensar como cidadão. Mas, é certo também que falta uma providencia mais efetiva da Prefeitura da capital, em prover os principais pontos do centro de coletores de lixo e de pessoal preparado para administrar a sujeira. Acredito que uma "brigada" de garis de prontidão às dezoito horas seria uma boa providencia. E, é claro que um grande programa de educação e penalidades. Isto mesmo, penalidades, sobretudo, para aquelas lojas que sem a menor cerimônia despejam seus descartáveis – montanhas de caixas vazias, plásticos e isopores – nas próprias calçadas. Cidade limpa teria sido a melhor forma de comemorar os 473 anos de existência do Recife. Bem que a Prefeitura poderia criar a figura do fiscal sujeira, aos moldes dos fiscais da CTTU, que, aliás, andam ávidos por multar – muitas vezes sem justificativa – os motoristas, quase sempre transtornados com o outro lado do caos que é o transito da cidade. Dizem que os fiscais do transito ganham bom percentual sobre as multas aplicadas. Aí, estamos roubados!
Em Olinda a situação é um pouco diferente da capital, embora tenha lá seus imensos problemas. A cidade também tem suas sujeirinhas. Isto numa maneira de dizer, porque a sujeira de lá é outro atentado à saúde publica. Aquele Alto da Sé precisa de uma fiscalização mais atenta para a falta de higiene dos barraqueiros que produzem suas tapiocas e outros acepipes típicos. A lavagem dos copos é de arrepiar, em bacias imundas, a sujeira das panelas, quase sempre de alumínio (que perigo!), e os entornos dos “arranjos de cozinha” são de espantar qualquer turista mais cauteloso. Em qualquer outro lugar do mundo (falo do civilizado) aquilo ali já não existiria, há muito tempo. Adoro tapioca, cervejinha gelada, caipirinhas da vida, carne de sol com macaxeira e outras comidas típicas... mas, no Alto da Sé, tô fora! O lamentável é que aquilo poderia ser mesmo o forte da programação de Olinda. Bom, para muitos bem que é... paciência.
Se falarmos do patrimônio história da Marim dos Caetés, a coisa assume outro padrão de irresponsabilidade. Tem jóias preciosas da arte barroca caindo aos pedaços, infestadas de cupins e infiltrações perenes. Parece que as restaurações vão sendo sempre postergadas – por falta de verbas ou por relaxamento mesmo – e para a restauração de um ou outro elemento do patrimônio histórico pode ser tarde demais. Falei desse mesmo assunto numa outra postagem, ano passado, quando tomei conhecimento de uma igreja secular desabando, após fortes chuvas. É um caso concreto de relaxamento, porque goteiras e infiltrações podem ser sanadas logo que descobertas. Isto, eu considero crime contra a cidade patrimônio da humanidade. Irresponsabilidade em mais alto grau.
Pois é, sou daqueles que antes de promover festanças e apagar velinhas dos bolos de aniversário limpa a casa, descarta o lixo e recebe os convidados com certeza de que eles vão se sentir bem no ambiente. Os ambientes de Recife (este eu conferi) e Olinda (provavelmente) não foram preparados para as festas desta semana.
NOTA: Sem fotos ilustrativas, por uma questão de higiene.

terça-feira, 9 de março de 2010

Brasília em dois tempos.

1º. TEMPO: Quando fui convidado a participar de um programa de capacitação no Japão, na década de 80, não podia imaginar como aquela experiência iria marcar e acompanhar minha vida até os dias atuais. Logo que retornei, criava-se no Recife a Associação Nordestina de ex-Bolsistas e Estagiários no Japão – ANBEJ, destinada a reunir pessoas que de algum modo, seja como bolsistas, estagiários, convidados oficiais do Governo Japonês para visitar o país do sol nascente para, juntas, contribuir com a difusão da cultura nipônica e promover o intercambio técnico - cientifico na sociedade regional, desde o Ceará à Bahia. Faço parte dessa Entidade desde seus primórdios até hoje e atualmente, por bondade dos meus pares, exerço o cargo de presidente.
Nesta condição tenho tido oportunidades interessantíssimas de interagir com ex-bolsistas locais, figuras extraordinárias do corpo diplomático japonês acreditado no Brasil, corporações de cooperação internacional japonesas e representantes de outras 11 associações congêneres espalhadas pelo Brasil.
Anualmente, com apoio do governo japonês, representantes dessas onze associações se reúnem em Brasília, na própria Embaixada Japonesa, para tratar de desenhar um programa de trabalho conjunto, visando manter sempre acesa a chama da amizade e os programas de intercambio nas diferentes regiões brasileiras. Além disso, periodicamente os japoneses promovem um Encontro Latino-Americano e do Caribe, numa determinada cidade da região.
Neste 2010, dois encontros foram programados: o primeiro, o Encontro Nacional, aconteceu no último sábado, em Brasília, e foi coroado de êxito com a criação de um Conselho Brasileiro das Associações de Ex-Bolsistas no Brasil, reunindo as onze associações e o segundo vai acontecer na cidade de Bogotá (capital da Colômbia) nos próximos dias 18, 19 e 20, reunindo representantes de associações desta região. Representando a Anbej estive presente em Brasília e irei a Bogotá.
Disso tudo, uma palavra de elogio à competência dos japoneses na política de intercambio com o mundo. Historicamente o Japão era um país introvertido. Um país cujas fronteiras eram determinadas pelo mar e isto era tudo. Aliás, um mar de muitas ilhas e um povo com uma quase aversão a estrangeiros. Somente no século 20 e particularmente após a Grande Guerra o país, na esteira da reconstrução, se internacionalizou e ao abrir suas portas montou o mais forte programa de intercambio que tenho conhecimento. Milhares de pessoas já se submeteram e se submetem a programas competentes de capacitação, dentro e fora do Japão, com colaboração de outros governos. Milhões de humanos, em inúmeras nações, se beneficiam da ajuda humanitária japonesa, particularmente na área da saúde e educação. Tenho prazer de contribuir com este esforço, há 25 anos.
2º. TEMPO: Circulando em Brasília, neste fim de semana, tive a curiosidade de investigar junto aos nativos com os quais conversei, entre esses os motoristas de taxis e garçons, como andavam os preparativos na cidade para festejar o aniversário de 50 Anos, no próximo 21 de abril. A opinião geral é de que a coisa pode ser um fiasco. Havia, ano atrás, uma grande expectativa quanto a esses festejos. Mas, os escândalos políticos recentes, a prisão do Governador Arruda e as renuncias dos seus substitutos, deixou o Distrito Federal tecnicamente acéfalo e sem condições de administrar a vida que corre e, muito menos, festejos de cinqüentenário. A cidade passava por uma limpeza geral, para o grande dia. A Catedral que está sendo restaurada, continua empanada até hoje. Já devia estar pronta. O Palácio do Planalto idem. O Presidente Lula anda apressando, mas, todas as obras estão atrasadas e, segundo dizem, somente um milagre pode deixá-las prontas a tempo. Incrível. Na esplanada dos Ministérios vi uns circos armados. O taxista não soube dizer de que se tratava. Um panorama feio. Pelo menos, eu achei. Gosto muito de Brasília, admiro suas linhas arquitetônicas e tenho orgulho de mostrar mundo afora seus cartões postais. A situação que vi me entristece. É testemunho do despautério política que reina neste país. Precisamos mudar a cabeça desse povão e mostrar o caminho da retidão e vergonha. E isto aí é um colossal desafio.
NOTA: Foto do Google Imagens

quarta-feira, 3 de março de 2010

Natureza Madrasta

Há pouco menos de sessenta dias acompanhamos com pesar e horror as cenas de vida e morte, decorrente de um forte terremoto que destruiu o Haiti. O mundo se voltou para o pequenino país caribenho, até então desconhecido para meio mundo, mas entrando em evidencia pelas manchetes mundiais.
Sem que houvesse tempo de “juntarmos os cacos” e “virarmos a página” da tragédia haitiana, outro terremoto – de maior intensidade – abala as estruturas do Chile, no sábado passado (27.02.2010), deixando com fraturas expostas um país em franco progresso e cheio de brilhantes de projetos. Andei por lá, ano passado, e deixei registrado, neste Blog do GB, as melhores impressões sobre uma terra e nação hospitaleira, de quadro natural exuberante e diversificado, um país em crescimento econômico e social, motivo de orgulha para América do Sul.
Passei um fim de semana abalado, como fiquei no caso do Haiti, pensando nos grandes amigos que tenho por lá e na gente que sofreu o desastre, particularmente os que vivem próximo ao epicentro, região da cidade de Concepción. As fotos, filmes e comentários, mostrados na TV, somente aumentavam o estresse, ao tempo em que não, completavam-se contatos, por telefone, com os conhecidos chilenos.
Não vou me ater a relatos sobre o que ocorre de lá para cá, no Chile, porque isto a mídia nacional e internacional o faz com melhores condições do que um pobre blogueiro como eu. Ao invés disso, atrevo-me a expressar minhas reflexões em torno da fragilidade do ser humano diante dos rigorosos caprichos da natureza. Caprichos que jamais dominaremos. Por que no Haiti? E, por que o Chile? Tanto mar e tantas terras desertas para isso ocorrer, meu Deus! Por que essa fúria, Mãe Terra?
Tem coisa mais preocupante do que ler na imprensa internacional relatos sobre as constatações dos cientistas da NASA (Agencia Espacial Norte-Americana) de que esse forte terremoto no Chile pode ter movido e reduzido o eixo da Terra, alterando sua rotação? Ainda não sabem em quantos centímetros o referido eixo foi reduzido. Mas, lembram que noutro terremoto, o da Sumatra, em 2004, também violento, a redução foi de 7 centímetros. Embora possa parecer insignificante, quem garante que essa redução não pode afetar o equilíbrio geral da nossa estrovenga terrestre. Sete centímetros num dia, outros tantos, ou mais, hoje e não se sabe quantos amanhã, pode resultar num tremendo desastre fatal. Ah! tem outra coisa: os cientistas garantem que o terremoto do fim de semana passado encurtou a duração dos dias. Olhe lá... Segundo essas “feras” da NASA, um dia na Terra passou a ter 1,26 milissegundos – um microssegundo é a milionésima parte de um segundo – a menos. Nada, não é mesmo? Para nós, leigos no assunto. Para eles pode ser uma coisa gravíssima.
Se vovó fosse viva diria logo: “são sinais dos tempos, meu netinho!” e arrematava com o famoso clichê: “estamos a caminho do fim do mundo”. Aliás, sempre aparece um profeta anunciando o fim do mundo, para um dia tal, do mês tal, etc. e tal. Há pouco tempo, já agendaram para 2012.
Mas, meus amigos, o mundo vai durar por muito tempo, creio eu. O que causa preocupação é saber que tipo mundo será este. Nos meus delirios e lendo essa história da redução e deslocamento do eixo que sustenta a Terra, imagino o apocalipse que pode ocorrer, em decorrência de tantas catástrofes. Chuvas e enchentes inusitadas, calor abrasador, nevascas desproporcionais e inesperadas, grandes terremotos, tsunamis, são fenômenos que já fazem parte do dia-a-dia dos humanos. Naturalmente que muitos podem explicar a situação com a tese do aquecimento global. Mas, os terremotos também entram nessa dança?
São, falando simplesmente, caprichos da natureza. Uma natureza madrasta, isso sim. Por enquanto, sejamos solidários e socorramos haitianos e chilenos. Eles são os enteados do momento.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Carpe Diem porteño

Sempre que estou fora do Brasil faço questão de visitar os mercados públicos, museus e bairros fora do circuito turístico das cidades que visito. É uma forma de conhecer melhor a cultura e jeito de ser dos nativos. Nessa recente viagem que fiz à Argentina, não foi diferente. Tirei um bom tempo para ver coisas do gênero e, como sempre, com bom proveito.
Destaco, para inicio de conversa, minha visita ao Mercado de San Telmo, na parte histórica da cidade. É muito interessante ver a gente comum escolhendo e pesando carnes e pescados, frutas, verduras e legumes conhecidos ou outros desconhecidas pelas nossas bandas. O que é isto? Como se chama e como se come? Que gosto tem? Que fruto é este? É doce ou azedo? São perguntas que provocam uma conversa maior e, desse modo, fico sabendo mais dessa gente que sempre admiro. Não demora muita e eclode um papo, de modo geral com queixas sobre as crises, o governo e a carestia. É engraçado, porque os temas mudam apenas de endereço. Não raro surgem os que manifestam admiração ao Brasil. Penso que, às vezes, por amabilidade e outras por real convicção. “A Argentina será mais bem sucedida na hora que se dedicar à produção agropecuária e deixar o setor industrial a cargo do Brasil”, ouvi de um deles. Na opinião desse argentino, a indústria local está quebrada e não se deu conta. Não sei não... Acho que seja um exagero. De todo modo, vou acompanhar e conferir.
Mas, sensacional mesmo, no Mercado de San Telmo, foi visitar a área de antiguidades. Fui atraído, por exemplo, por um serviço para servir caviar. Coisa relativamente nova mas, interessante. Não me lembro de haver visto algum antes. Como caviar com torradas, como entorno de algum petisco ou prato. Em conchas e colheradas nunca provei. Tenho prá mim que deve ser meio enjoado. Coisa para nórdicos europeus ou russos. De origem alemã, o tal serviço estava exposto à venda. Não indaguei o preço, mas fotografei para publicar neste blog. Vide foto a seguir. A profusão de antiguidades e velharias, também, é de encher os olhos para quem gosta e cata essas coisas, como é o meu caso. Valeu a visita àquele Mercado. Outra visita importante foi a que fizemos – eu e meus familiares – ao Museu de Arte Latino-Americano de Buenos Aires – MALBA. Localizado no elegante bairro de Palermo, cercado de palácios e mansões suntuosas do inicio do século passado e parques bem tratados, tem linhas de arquitetura contemporânea e uma estrutura funcional confortável e despojada, facilitando aos que o visitam.
Atualmente, Andy Warhol, o excêntrico Mr. America, tem seus trabalhos expostos atraindo uma multidão. Filas constantes e muito “trânsito” nas galerias. Como não faz muito meu gênero minha passagem, nessa sessão, foi mais rápida. Ao contrário disto, me detive muito mais nas galerias do acervo da Casa. Parei e contemplei os quadros de Frida Kalo e seu Diego Rivera, dos brasileiros de Di Cavalcanti, Portinari, Cícero Dias e contemplei devagar a tela Abaporu, da brasileira Tarsila do Amaral, uma jóia de 1928, preservada em vitrine blindada. Vide foto ao lado. Um dos meus favoritos artistas latino-americanos, o colombiano Botero, está, também, presente no Malba com suas costumeiras figuras humanas super arredondadas e que fazem tanto sucesso mundo afora. Magnífico. Visitar o MALBA é programa obrigatório em Buenos Aires.
Mas, nessa do meu carpe diem (aproveitar o momento) porteño, algo me chamou a atenção: o culto ao tango. É impressionante como o argentino preserva e difunde seu tradicional ritmo, com amor e paixão, eu diria. É quase uma “religião”. Velhos e jovens se entregam a essa paixão, resultando em exibições em plena rua ou parque, atraindo multidões no entorno. Dançado, cantado ou executado ao som de um bandoneón, haja tango por todos os lados. Não deixe de ver o filminho que fiz, no final da postagem! Conversando com um jovem argentino (meu sobrinho de coração) soube que o jovem que sabe “bailar el tango” faz o maior sucesso e, inclusive, facilita suas conquistas amorosas. Por isso, não são raros os salões e casas noturnas dedicadas ao ritmo e freqüentadas por jovens. Achei o máximo, esse envolvimento das novas gerações, porque é a melhor forma de preservar a cultura. Tem escolas de tango espalhadas pela cidade inteira. Aí, meu lamento: onde encontrar uma escola de frevo no Recife? Lembro, apenas, de uma rara na Avenida Norte e, que tenho prá mim, vive aos “trancos e barrancos” e sem adeptos. Pobre da nossa cultura.
NOTA: Foto e video do Blogueiro

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Respirando bons ares, em Buenos Aires

Voltar a Buenos Aires, a bela capital da Argentina, é sempre um prazer renovado. É isto que sinto após uma temporada, nesses últimos dez dias, praquelas bandas, junto com minha família. Um passeio a cinco e reunindo a tropa, quase toda. A familia que viaja unida, permanece unida!
Cada vez que ando por lá me convenço que não é à toa que o portenho se orgulha de dizer que vive na Paris da América do Sul. Não tem uma Torre Eiffel, é verdade. Mas, tem o emblemático Obelisco, no coração da cidade, diante do qual todo mundo para e posa para uma foto. Vide a do meu filho José Antonio, ao lado.
Realmente, o clima reinante, a dinâmica da vida bonaerense, a arquitetura da cidade, os cafés e bares, a sofisticação dos bons restaurantes, as vitrines, o metrô, os parques e avenidas, o formato do comércio e, enfim, o jeitão orgulhoso e garboso do povo, lembra em tudo a Paris que conheci há mais de trinta aninhos. Sim, porque a paisagem parisiense que vi, nos últimos anos, é bem diferente, dada à massa africana que por lá se instalou e vem provocando sérios prejuízos a cidade. Opinião pessoal, é claro. Mas, isto é tema para outra ocasião, porque hoje o assunto é Buenos Aires.
Neste verão a capital argentina estava mais quente do que o normal e isto levou o povo às ruas até altas horas, criando um ambiente de festa sem fim, reforçada pela presença de verdadeira invasão de brasileiros. Bares, praças e cafés fervilhavam de clientes e encontrar local para baixar era um desafio. As casas de shows, particularmente as de tango, andaram nesse período do carnaval, sem carnaval por lá, com as lotações esgotadas. Tentamos uma dessas, no sábado e, para minha surpresa, as reservas haviam sido encerradas na quinta-feira. Isto dá uma idéia, do que ocorria.
Contudo, como sou “macaco velho” naquela praça e assessorado por amigos nativos não ficamos sem ter o que fazer. Claro que em melhor qualidade e longe do circuito turístico. Fomos parar, naquele sábado, inicialmente em Palermo Hollywood – centro de diversões da moda – e depois num pólo de diversões agitado e, sobretudo bonito, na localidade de Las Cañitas, próximo ao famosíssimo Hipódromo de Palermo, de onde saímos às quatro da manhã. Gente bonita, muita champagne sendo consumida nas mesinhas e sofás, nas calçadas, e uma alegria sem limite. Vide fotos, a seguir.
Com dez dias de férias ficou fácil rever os principais pontos da cidade: Plaza de Mayo, Casa Rosada, Avenida de Mayo, Congreso, o imperdível Puerto Madero, a Calle Florida com suas vitrines tentadoras, o sofisticado bairro da Recoleta, o tradicional bairro de San Telmo, com sua estonteante feira dominical de antiguidades, La Boca e Caminito, as avenidas de Palermo, que merecem ser percorridas com vagar e olhos bem atentos aos palácios e palacetes, no melhor estilo francês, além do monumental parque. E ainda sobrou tempo para ir ao distante subúrbio do Delta do Tigre, cheio de atrações, entre os quais o belo passeio de bateau-mouche, que fizemos, como sempre fazemos, aonde? Em Paris, claro!
Claro que um dos pontos altos da nossa viagem foi nosso tour pelos belos restaurantes portenhos – o Real está valendo um pouco mais do que o dobro de cada Peso, o que facilitou nossa vida – para saborear a insuperável carne argentina, particularmente o famoso bife chorizo, regada aos Malbec somente produzidos pelas adegas argentinas. Meus dois filhos, verdadeiros touros, não deixaram escapar uma única vez. O sabor que eles saboreavam ficava estampado nos semblantes de prazer gustativo dos dois. Eu, que consumo pouca carne vermelha, nesses últimos tempos, me divertia ao contemplá-los naquelas quase orgias gastronômicas. Comeram como se, cada vez, fosse a última das últimas vezes na vida. Benzadeus!
Foram dez dias de bons ares e muito prazer em Buenos Aires. Uma viagem que, quando acaba, dá vontade de voltar. Voltaremos!
NOTA: Fotos do blogueiro

domingo, 7 de fevereiro de 2010

MONUMENTAL SANDICE

Eu até que tentei, mas não resisti... Tenho que voltar ao assunto da semana passada, embora que, infelizmente, de forma ampliada: além do frevo, querem acabar com o verdadeiro carnaval pernambucano.
Através de comentários no próprio Blog, pessoalmente, por email ou telefone recebi inúmeras manifestações de concordância com minha postagem da semana passada.
A semana passou e as coisas ficaram mais claras quanto ao desrespeito às raízes históricas do nosso carnaval, tido, outrora, como o mais autêntico, democrático e, sobretudo, mais animado. O melhor carnaval do mundo, orgulho de todos os pernambucanos. Cresci ouvindo isto, meu Deus! O que vejo hoje é uma total negação ao passado. Povo sem história preservada é povo sem futuro.
Para minha tristeza, aliás, revolta, li, no Diário de Pernambuco, de ontem 06/02/10, uma matéria sob o titulo: Samba seduz Pernambuco. Constatei que a coisa já vai muito além da irresponsabilidade e, de fato, estamos diante de um caso de pura alienação. Os “inocentes” de plantão, nos governos municipal e estadual, nem de longe têm idéia do mau que estão cometendo à sociedade pernambucana. Tai no que dá eleger pessoas sem a devida bagagem cultural para dirigir os destinos da cidade e do estado.
Os jovens que estão descobrindo o carnaval agora vão levar para o resto da vida a idéia de que o carnaval de Pernambuco é feito a base de samba, de pagode, de um estranho samba funkeado, axé e outras baboseiras que só combinam bem noutras paragens, e não no Recife. Repito: estão cometendo a maior irresponsabilidade da história cultural desta cidade e deste estado.
O Zeca Pagodinho estranhou o convite, comentou com Lenine que não sabia cantar musica de carnaval, mas assim mesmo vem. Sendo um profissional como é, vem, dá seu recado, bota uma grana boa no bolso e o resto que se dane. Agora, eu pergunto: quem não estranha vendo Lecy Brandão, Dudu Nobre, a filha de Martinho da Vila e até a veterana Elza Soares, ela que, aliás, vem com a novidade do samba funkeado, atuando como animadores da folia do Recife, a capital do frevo e do maracatu? Tenha dó!
A comunidade intelectual – não me incluo nela, digo logo – já se manifesta contra essa loucura (multi)cultural. Segundo o Diário de Pernambuco, o presidente da Comissão Pernambucana do Folclore e professor da UFRPE, Roberto Benjamim, acha que sem dúvida nenhuma, isso descaracteriza o carnaval pernambucano. “Trouxeram a idéia equivocada de criação de um carnaval multicultural, quando nosso carnaval sempre foi multicultural na variedade das suas tradições. A presença desses nomes ditos ‘consagrados’ pode ter a significação de natureza econômica”, arrematou inteligentemente o referido presidente. Gostei foi muito do “de natureza econômica”. Lembrei-me logo do episódio do show de Sandy e Junior, que, segundo dizem, teve uma “profunda natureza econômica”. O historiador Leonardo Dantas foi mais incisivo e “meteu o dedo no centro da ferida”, ao afirmar que “Temos vida própria. Garanto que nenhum artista do Rio de Janeiro movimente mais que Alceu Valença”. É isso mesmo! Mas, para pensar assim é preciso ter são juízo, ser pernambucano de fato e conhecer o mínimo da história e cultura da terra de Joaquim Nabuco, Gilberto Freire, Pinto Ferreira, Mario Melo, Assenso Ferreira, Capiba, Nelson Ferreira e muitos outros valores, esquecidos pelos plantonistas do poder. Um pouco de leitura, e somente um pouco, já daria para o gasto.
Diante dessa monumental sandice, não canso de perguntar: onde estão os ditos conselhos de cultura municipal e estadual? São ouvidos? Que acham dessa doidera? Ou fazem um papel de faz de conta? Tenho (humildemente) dito.
NOTA: Em sinal de protesto, não adiciono fotos.

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...