Mostrando postagens com marcador Racismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Racismo. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Fraturas fratricidas

A semana passada não foi nada animadora. O país, praticamente, parou diante de tantos cambalachos políticos. Um presidente na corda bamba; um Congresso buscando se “organizar” para enfrentar uma eleição indireta; protestos e badernas; um Superior Tribunal Eleitoral diante de um formidável desafio de cassar ou não cassar uma chapa eleita, mas, sob suspeita; uma operação saneadora (Lava-jato) e de agrado popular sob a mira destruidora de uma corja de políticos poderosos mas apontados como réus; uma dupla de empresários ladrões livres e soltos confortavelmente em Nova York e, em conseqüência, um povo em estado de perplexidade total. Este é o caldo chamado Brasil que a cada dia fica mais denso e mais assustador.
Noutra ponta, como se tudo acima fosse pouco, eis que surgem vozes preconceituosas maculando a dignidade de irmãos nordestinos taxando-os de gente de segunda categoria e vocacionados à profissão de ladrões. Foi o que ocorreu na Câmara Municipal de Farroupilha (Rio G. do Sul), tendo a vereadora Eleonora Broilo, do PMDB, como protagonista. Durante uma sessão da referida Câmara, essa infeliz brasileira, sem qualquer noção democrática disse, num desastrado aparte: “Primeiro, em relação a nordestino saber fazer política não sei se eu concordo muito. Eu acho que os nordestinos sabem muito bem se unir, sim, para roubar. Eles sabem se unir para ganhar propina. Eu acho que eles sabem se unir para aumentar a corrupção. (...) Talvez eles até não saibam nem falar muito bem, mas sabem roubar que é uma maravilha.”
Eis acima a figura da vereadora gaúcha, Eleonora Broilo
Como que fazendo coro com a desinformada vereadora gaucha, lá em Curitiba (Paraná), outra racista/fascista sulista, que atende pelo nome de Nelma Baldassi, saiu-se com outra infeliz ofensa a seus irmãos nordestinos, aos baianos exatamente, comentando sobre o recente atentado em Manchester (Inglaterra). A idiota (não há outro qualificativo) colocou numa rede social o seguinte disparate: “só lamento que tenha sido em Manchester e não na Bahia. Seria lindo ver aquela gente nojenta e escurinha da Bahia explodindo.” Ora, meu Deus, é inacreditável que isso venha a ocorrer. Não faltaram reações nos quatro cantos do país. Isso é coisa que tem de ser combatida. 
Nelba Baldassi e seu disparatado comentário
Este é um dos dolorosos defeitos de cidadania do brasileiro comum. Há um tremendo e endêmico espírito de preconceito contra os nordestinos. Principalmente por parte dos sudestinos. Em nada podem se julgar melhores do que nós, mas, assim cometem com natural frequência. No primeiro caso acima é flagrante a ignorância dessa vereadora gaúcha ao atribuir, generalizadamente, a pecha de ladrões vocacionados a todo cidadão nascido no Nordeste. A miopia dessa parlamentar é simplesmente indecorosa, ao partir, certamente, do principio de que não existe ladroagem no chamado Sul Maravilha. Ela desconhece ou se faz desconhecer que vem de lá as mais bombásticas das noticias de roubos, propinas e falcatruas do mundo político e empresarial.
Vejo nesses dois episódios exemplos atuais da falta de espírito republicano permeando nossa sociedade. Nisso, aliás, também reside boa parte do desandar político desta Nação.  Entendo que enquanto não houver um equilíbrio sócio-político-econômico nesse “arquipélago” político-administrativo do nosso país, não viveremos uma verdadeira Nação. O Brasil só será um grande país quando houver respeito mutuo entre seus irmãos, independente das origens regionais e suas condições sócio-econômicas. Essas fraturas fratricidas devem sarar com urgência. Leva tempo, já sei. Mas, são necessárias. E, para essas figuras preconceituosas devem ser dados caminhos de correção e punição por se tratar de crime contra o verdadeiro espírito de nacionalidade.  

NOTA: Fotos colhidas no Google Imagens



sábado, 3 de maio de 2014

Racismo Renitente

O tema desta semana é daqueles que insistem em se manter sempre atual: o preconceito racial. É impressionante como o tempo passa, o progresso das nações avança, os movimentos antirracistas se multiplicam, a globalização cresce aproximando nações povos e raças, mas, o mundo não consegue enxergar com naturalidade as diferenças raciais, seja nos seus aspectos físicos ou, principalmente, suas peculiares maneiras de ser, suas inteligências, expertises, hábitos e costumes. O Mundo é racista. O Brasil é um país racista. Em pleno século 21.
Episódios recentes no mundo do futebol têm sido frequentes e ostensivos. Acho que o tipo de ambiente, multidão, ajuda aos agressores agirem de forma anônima. Foi assim com o jogador Tinga, do Cruzeiro, em fevereiro passado, no Peru e, semana passada, na Espanha, com Daniel Alves. Para este atiraram uma banana, sugerindo se tratar de um macaco em campo.  Foto a seguir. Não faz muito tempo assisti, com pesar, no estádio da Ilha do Retiro (Recife) o achincalhamento que faziam com o jogador Carlinhos Bala, quando de posse da bola. A torcida adversária urrava uníssona como um chipanzé, perturbando o jogador. Repugnante.

Conheço e já conheci muitos cidadãos negros. Tenho o maior respeito por essas pessoas. Reconheço nelas suas qualidades, sobretudo nos aspectos inteligência, dignidade, caráter e honestidade. Entre esses, pessoas de condições humildes ou pessoas de graduação superior e bem postas na pirâmide social. Como não admirar o Joaquim Barbosa?
Embora criado e educado numa sociedade racista, descobri logo cedo que os pretos são tão humanos e tão gente quanto eu sou ou outro qualquer  semelhante. Recordo, para inicio de conversa, que meus pais resolveram me matricular  – a mim e meus irmãos – numa escola primária particular, dirigida e por uma família de negras. Eram três professoras respeitadas no nosso bairro. Competentes e rigorosas nos prepararam para vida de forma exímia. Tenho muito que agradecer àquelas negras maravilhosas. Quando Dona D’Lourdes entrava na sala de aula e olhava, a gente se postava em estado de disciplina e respeito. Acredito que o fato de conviver por quatro anos da minha infância, numa sala de aula, tendo como mestra uma mulher negra, inteligente, alta, elegante e dócil me fez aprender a respeitar e admirar os negros na forma que a natureza os fez. Nunca me ocorreu compará-los com qualquer tipo de símio.
Mas, o mais incrível é como essa coisa é arraigada na alma dos povos, inclusive dos brasileiros. Já tive oportunidade de ver dentro de casa um episódio inesquecível: Tereza (nome trocado), uma negra toda prosa, exímia cozinheira que servia na minha casa, preparou-se toda e foi brincar o carnaval, no Galo da Madrugada. Passado o carnaval perguntei: “e então Tereza, pulou muito no carnaval? Arranjou um namorado?” a resposta foi a coisa mais inesperada: “Pular, pulei. Mas, namorado que é bom, não. Só me apareceu um negão arrastando uma asa pro meu lado... dei-lhe um fora daqueles. Quero lá negócio com nêgo.” Espantado, reagi com outra perguntei: “Armaria, e você num gosta de nêgo, não?” Ela foi taxativa: “gosto não, Senhor. De cor basta eu”.  Ela não aceita ser negra. Inclusive, observei que na resposta que me deu, ela não se referiu à própria condição de ser negra e sim ser uma pessoa de cor. Aprendi com ela que o preconceito começa entre os próprios negros. São bem poucos os que manifestam orgulho da sua condição racial. Aliás, a atual secretária doméstica, na minha casa,  “morre”, mas não assume a sua negritude. Ela se diz morena. Negra, jamais.   
No futebol, o que vem acontecendo faz lembrar os primórdios desse esporte no Brasil, que inicialmente era uma modalidade reservada para as elites. Há um caso emblemático ocorrido no Fluminense do Rio de Janeiro. O time do Flu só tinha jogadores de raça branca. Um dia, porém, acharam por bem contratar um mulato bom de bola que, antes de entrar em campo, cobria o rosto com pó-de-arroz para tentar disfarçar sua cor. Quando a partida esquentava o suor do mulato derretia o pó e revelava sua verdadeira cor. Por conta disso as torcidas adversárias passaram a chamar o Fluminense de time pó-de-arroz. E aqui no Recife, os mais antigos dizem que o Clube Náutico Capibaribe, da primeira metade do século 20, não admitia nem jogador, nem sócio negros. Pode uma coisa dessas?
Outra coisa incrível é que faz pouquíssimo tempo que as propagandas e comerciais da TV e revistas, no Brasil, passaram a incluir figuras de modelos negros. Por sinal, belas! Um estrangeiro desavisado que no passado folheasse uma revista brasileira jurava que o país era povoado somente por brancos, quando na verdade é um país com mais da metade da população da raça negra. Atores negros é outra coisa dos últimos vinte anos.
É preciso que haja uma inteligente campanha de base, entre as novas gerações, preparando-as para compor uma sociedade futura mais humana e mais solidária, mostrando que racismo é crime. É preciso, principalmente, um governo capaz e atento para esses aspectos e responsável por construir uma nação civilizada e fiel aos seus valorosos filhos negros. Fim ao Racismo Renitente!


NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.

Supremo Desalento

Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinári...