domingo, 26 de setembro de 2010

CARGA PESADA

Eu havia feito o propósito de não falar de eleições, políticos e candidatos, por sentir um desgaste muito grande ocupando meu tempo com essa palhaçada que, mais uma vez, se espalhou no país. Mas, é impossível ficar mudo diante de tantas barbaridades. Pelo menos para mim, que sou, no final das contas, um animal racional e com fortes sentimentos políticos. Seria negar minha natureza. Violentar-me-ia.
Meu voto será consciente em três de outubro e estou seguro disso. O mesmo não penso sobre a maioria dos brasileiros. Dá pena de ver a alienação da pobre gente do meu país. Tiro pela secretária doméstica que tenho na minha casa. Esta manhã ela confessou que está achando muito difícil para votar neste ano. “Tem que marcar cinco números, Doutor. É isso mesmo? Não botaram número demais, dessa vez? E o Senhor já viu que tem um que é bem grandão...” Isto para uma pobre coitada, analfabeta, que vive aqui na minha casa, escutando tudo que se fala e vendo o guia eleitoral gratuito. No dia da eleição ela vai à seção eleitoral, desenha o nome dela e entra na cabine eleitoral indevassável. Lá dentro, muito ancha, marca qualquer coisa e no final diz orgulhosa que votou em Lula. Coitada nem sabe que ele não é candidato. Pode ser um voto perdido. Imagino, também, os tristes (ou felizes, quem sabe?) que são eleitores nas brenhas do sertão nordestino ou perdidos na Amazônia. Voltam para casa dizendo que votou em Getúlio Vargas. Acredite que tem. Não é piada e quem me falou isto foi um conhecido amazonense. Claro que tem alguém digitando um voto ao seu bel prazer e interesse, no lugar do alienado portador de uma titulo eleitoral, se aproveitando da ignorância do eleitor. É muita patifaria. Ou melhor, um processo eleitoral inadequado ao país.
Outra coisa me deixa profundamente irritado, neste cenário, é ouvir as promessas desses cínicos candidatos, repetindo as mesmas promessas dos candidatos das eleições passadas. Aliás, pensando bem, acho que, à luz das promessas atuais, seja qual for o eleito, o Brasil vai cair em boas mãos. As promessas são parecidí-i-i-i-i-íssimas. Já notaram? Até Marina, mesmo com a verdura que vende, não deixa de bater nas teclas comuns. Quero ver cumpri-las. É tudo conversa mole, minha gente. Tolo é quem vai atrás dessas baboseiras eleitorais.
As mais “divertidas” são as promessas da reforma fiscal e reforma política. Faz-me rir. Vou morrer e não vejo essas promessas serem cumpridas. E, olha, que são as mais velhas e a mais necessárias para o bem da nação. Eu disse nação! A candidata do Lula bate no peito e diz solenemente “EU (ela adora usar a primeira pessoa) prometo fazer uma reforma tributária, porque não dá mais para continuar com uma carga tão pesada”. Tenho a sensação de assistir a um programa de humor. Negro, é claro.
Neste fim de semana, que termina hoje, fui à bela Maceió, capital de Alagoas. (Foto a seguir) Cumpri dois compromissos sociais, marcados por dois casamentos. Nessas comemorações o mais comum é que – com um uísque a mais – os convivas logo se exaltem e começem a “fazer campanha”. Saí convencido e decepcionado, claro, de que muitos alagoanos perderam a memória e vão eleger Fernando Collor de Mello, governador do estado. Pode uma coisa dessas? É impressionante. Agora, tem uma coisa, a maioria das vezes o argumento mais forte é de que Lula e seus comparsas deixaram Collor no “chinelo”. Que o ex-presidente alagoano não soube fazer a coisa bem-feita e roubou pouco. É doloroso ouvir estas coisas. Resta saber se estão dando outra chance ao collorido para ele retornar e fazer uma “administração” bem-feita. Não vou negar que me ri a valer dessa alienação coletiva. Bom, as festas de bodas, das quais participei, ficaram bem divertidas.
Se a reforma tributária é necessária, a política é fundamental. Acho que antes da tributária deve vir a política. É preciso mais seriedade dos nossos legisladores para entender o que fazer na hora de detonar o Custo Brasil. D. Dilma tem razão quando diz que a carga é pesada. Difilcil é ter certeza de que ela tenha consciencia desse peso.
NOTA: Fotos do Google imagens

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

São Paulo: o Brasil Grande

O destino São Paulo está com muita frequência na minha agenda de viagens. A negócios ou por motivos particulares ando sempre praquelas bandas. Foi o que ocorreu na semana passada.
O poeta já disse que a Paulicéia é desvairada (louca, alucinante, delirante) e olha que, em certos momentos, parece mesmo uma loucura. Mas, no final das contas, tudo dá certo e termina num misto de prazer e estresse. Prazer pelo sem numero de atrações que a cidade oferece e estresse por conta, por exemplo, do trânsito caótico, das hordas de motoqueiros desembestados no tráfego infernal, das distancias a serem percorridas, da perda de tempo para se cumprir um simples compromisso e, ainda, a carestia de vida, que somente eles, os paulistas, conseguem administrar. Sobretudo no setor de serviços, ao qual temos de nos submeter.
Ficamos (eu estava acompanhado da minha família) por lá nove dias, mas voltei com a sensação e haver passado menos. O tempo corre muito rápido, quando se enfrenta muita coisa para fazer e as logísticas são complicadas. Assim mesmo, deu para curtir a grandiosidade da metrópole.
Para nos livrar de rodizio de placas (na cidade de São Paulo é rotina) de veículos em circulação e, também, para explorar a paisagem interiorana do estado – que é belíssima – tomamos rumos em dois diferentes roteiros: um na direção do interior e outro no sentido do litoral.
No primeiro, fomos almoçar, no feriado do sete de setembro, na divertida cidade de Itu, que tem a fama de ter tudo em tamanho exagerado, devida a um comediante da TV e capitalizada pelo municipio, com fins turisticos. Deu certo, sim Senhor. A cidade é pequena, com no máximo 170 mil habitantes, descendentes de imigrantes portugueses, italianos e japoneses. Tem também nordestinos migrantes. É uma das mais antigas do estado, com 400 anos de fundada, belissima arquitetura colonial (vide foto a seguir) e historicamente importante porque deu forte

contribuição à fundação da Republica no Brasil. Outro destaque da cidade é o fato de ter sido, durante muito tempo, a mais rica do estado, por ser local de residência de muitos barões do café e autoridades importantes do País. Comer por lá tem que ser no Bar do Alemão Steiner, famoso por servir um Filé à Parmegiana, vendido por metro! Come-se bem e ao melhor estilo ituano, isto é, tudo grande. Vale à pena conferir.

Depois de Itu, subimos a Serra da Mantiqueira e fomos rever a bela cidade de Campos do Jordão. Passamos uma noite de frio intenso (3ºC) à base de uma boa fondue de queijo e vinhos chilenos, para esquentar a alma e o corpo. Era meio de semana e encontramos a cidade mais tranquila, com o comércio atendendo bem, a paisagem mais visível, dado ao pequeno número de visitantes. O cenário é de puro aspecto suíço. Vide foto acima. A gente agasalhada pelo frio e a este acostumada revela um tipo de sociedade diferente, no portar, no trato e nas relações com o visitante. Nada da descontração das cidades litorâneas. Os jardins, bosques e cascatas, complementados pela arquitetura, estilo também suíço, resulta num cenário de grande beleza e distinto do nosso padrão tropicaliente nordestino É muito interessante observar essa vida diferente das altitudes paulistas.
E, por fim, descemos a fantástica Rodovia dos Imigrantes, que liga São Paulo à baixada Santista, indo parar no balneário da Riviera de São Lourenço onde passamos o último fim de semana. Local sofisticado padrão Classe A-ltíssiiiiimo e paisagem digna de ser comparada, competitivamente, com os melhores balneários caribenhos ou do Mediterrâneo. Show de bola.
Constatação final: é interessante observar como o estado de São Paulo consegue reunir tantas e tão diversificadas atrações, atraindo, assim, levas de brasileiros das mais distintas regiões na busca de novas paisagens, negócios dinâmicos, vida cultural, infraestrutura e serviços diferenciados, cosmopolitismo, num mix que faz a maior diferença. É ali que fica o Brasil Grande, sem nada a dever à outras localidades no mundo afora.

NOTA: Foto de Itu é do Blogueiro e as de Campos do Jordão e Imigrantes são do Google Imagens

sábado, 28 de agosto de 2010

Mãos na Maçaneta

Quando alguém me disse, há poucos dias, que no Brasil de hoje se assalta, rouba, estupra por esporte, naturalmente, fiquei revoltado com a teoria. Se for mesmo por esporte a situação é pior do que se fala ou ouve falar.
Digo isto porque a matéria publicada na imprensa do Recife, esta semana, sobre uma quadrilha de ladrões que conseguiu entrar f-a-c-i-l-m-e-n-t-e em apartamentos de luxo no Recife e noutras capitais nordestinas é de estarrecer.
Segundo o noticiário o trio de ladrões – casal jovem e bem parecido, mais uma parceira – é paulista da capital, são pessoas de classe média alta, vivem bem instalados, em bairro nobilíssimo, vida normal e bem arranjada, família linda, filhos bem cuidados e em escolas particulares de alto nível e carro importado de categoria e modelo recente. Vejam só que escândalo.
Pensado no que me disseram sobre essa “modalidade esportiva”, tudo leva a crer, portanto, que se trata de gente que a p a r e n t e m e n t e rouba e assalta, mesmo, por diversão. Será mesmo? Ou vivem bem, apenas, por conta do produto dos assaltos? Doença? Seria um grupo de cleptomaníacos anônimos em franca recaída? São perguntas que não oferecem respostas imediatas.
O mais engraçado é que a matéria no Diário de Pernambuco destaca algumas características inusitadas, amadoras ou ingênuas, desses gatunos. Por exemplo, entravam nos prédios de luxo, engabelando os porteiros, passando por parentes ou amigos de moradores, sem armas, sem máscaras ou qualquer tipo de violência e encarando as câmeras de segurança dos prédios. Ou seja, tranqüilos e relaxados. Com uma chave mestra – essa invenção é de lascar – e informações preciosas, entravam e faziam a feira. Somente na casa de um magistrado estadual levaram uma fortuna em jóias, divisas estrangeiras, objetos de arte e de valor, entre outros itens. As vítimas estavam viajando e eles deviam saber. Entravam e saiam sem que ninguém percebesse e da mesma forma que abriam, fechavam a porta e se mandavam. Acontece que a desconcentração e tranqüilidade era de tal ordem que nem mesmo se preocupavam em apagar as impressões digitais. Quanto amadorismo... E foi por aí que caíram nas mãos da policia técnica de Pernambuco. Quer dizer, foram pegos com as mãos na maçaneta. Trabalho perfeito. Digitais registradas e jogadas numa rede nacional de investigações, os engraçadinhos foram localizados e capturados na capital paulista. Precisa ver a cara do rapagão bonitão e da mocinha charmosa sendo levados aos cárceres pernambucanos.
Sei não, mas eu acho que, esses paulistanos larápios ou cleptomaníacos, sei lá, fazem parte de uma grande legião de sulistas, principalmente paulistas, que subestima a inteligência nordestina e acha, entre outras coisas, que pode chegar aqui e passar a mão no que quiser e a coisa fica por isso mesmo. Gente que pensa que aqui não é Brasil ou se trata de uma sub-raça. Já conheci muitos dessa laia. Mas, peraí, preciso dizer que gosto muito de São Paulo, já vivi algum tempo por lá e sempre que posso volto e curto muito. Tenho familares e tenho, também, grandes amigos paulistas. Inteligentes e gente, é claro!
Vejam a que ponto chegamos: essa gente, digo esse trio, vivia para cima e para baixo, voando de São Paulo para algumas capitais nordestinas, agindo sem dar bandeira e vitimando de modo inusitado pessoas de bem, ricas e, por fim, atônitas com tamanho requinte, é claro, do tipo de assalto que sofreram. Imagine a pessoa regressar de uma viagem, abrir normalmente sua casa e dar de cara com um desmantelo descomunal e sentir falta de itens importantes do seu patrimônio.
Estamos, como diziam os mais velhos, “no mato sem cachorro”. Não tem policia, porteiro, morador, vizinho, zelador, serviçal fofoqueira (afe! tem demais!) que desconfie de uma parada dessas.
Tomara que a polícia estadual dê o trato adequado a esses “atletas” amadores do roubo e que sirva de lição para uma possível escola, dessa categoria esportiva, que tem como sede a cidade de São Paulo.

domingo, 22 de agosto de 2010

Descaso Inaceitável

Neste final de semana estive na simpática e acolhedora cidade de João Pessoa. Ao tomar a estrada BR-101, que liga o Recife à capital paraibana tive a idéia de que iria trafegar numa rodovia duplicada e segura, tendo em vista que, quando fiz este mesmo percurso, pela última vez, há quatro anos, eu disse quatro anos, os trabalhos de construção estavam iniciados e aparentemente adiantados.
Para minha surpresa, tive que trafegar numa espantosa parafernália rodoviária, com precária sinalização, muitos trechos em construção, alternados por outros construídos, em quantidade ainda a desejar, se considerarmos o tempo que se tem desde o inicio das obras.
Chegar a João Pessoa e de lá retornar se transformou num suplicio, dadas as oportunidades de insegurança e perigo que experimentei. Ocorre que além dos buracos, dos inúmeros desvios, o entra e sai em pista dupla e o tráfego intenso, chovia muito, o que tornava a situação mais difícil ainda. Isto, sem falar na notável quantidade de veículos em transito e dos mais diferentes portes.
Tudo bem se pensarmos que, em se tratando de uma estrada em obras, a coisa não poderia ser muito diferente. Contudo, o que mais me impressionou foi o atraso das obras dessa duplicação da estrada, tão bazofiada nos discursos dos governantes de plantão. É de lascar conviver com tanta fanfarrice. Não tenho mais paciência...
Ora, minha gente, a BR-101, em particular nesse trecho entre Recife e João Pessoa sempre foi uma artéria de intenso movimento, notadamente com ônibus de passageiros e caminhões de carga, transportando mercadorias entre as duas capitais ou como passagem estratégica para outras praças, entre as quais Natal, capital do Rio Grande do Norte. É bom lembrar que na Região Metropolitana do Recife se concentra uma boa quantidade de Centrais de Distribuição de Mercadorias, de onde se efetua o transbordo de produtos para praças menores da Região.
A situação descrita desse trecho da BR-101 pode, de modo claro, ser tomado como um bom exemplo da situação caótica na qual se encontra o sistema rodoviário deste país. Toda semana vê-se pelo menos uma reportagem na TV mostrando as barbaridades registradas nas estradas do Brasil. Mortes e prejuízos materiais engrossam, cada vez mais, uma lamentável estatística de atraso e descaso com o transporte rodoviário, que, no final das contas, é o modal mais comum do país. Aliás, um erro de decisão política, nos meados do século passado. Não se admite que um país das dimensões brasileiras não se disponha de um bom sistema de transporte ferroviário, como o que se observa em outros países, como os europeus, a Índia, o Japão e tantas outros, digamos, mais inteligentes.
Agora, preste atenção, caro leitor ou leitora, à propaganda eleitoral desta atual campanha e tente ver alguma proposta voltada a resolver este caos. Eu ainda não vi nada dessa ordem. Nem mesmo quando se fala de melhorar a infra-estrutura. Fala-se de portos, aeroportos e até de um trem bala para um número de privilegiados sulistas, mas, rodovias parece ser coisa secundária. Só que, como o transporte rodoviário é o tipo básico, não dá para ser coisa secundária. Isto é um descaso inaceitável. É ou não é?

sábado, 14 de agosto de 2010

Metidos a Ricos

Esta semana ouvi um interessante comentário do jornalista Carlos Alberto Sardemberg chamando a atenção dos brasileiros para um fato no mínimo curioso: a novíssima seleção brasileira jogou contra a dos Estados Unidos num estádio de futebol, ainda não inaugurado, na cidade de Nova Jersey, numa partida amistosa. O Brasil ganhou e começou assim a Era Mano Menezes. Mas, o mais interessante foi o comentário sobre a moderna praça de esportes, com os mais sofisticados recursos de que se tem conhecimento, construído pela iniciativa privada, numa parceria entre dois times de futebol importantes e tidos como ferrenhos rivais. Vejam que coisa mais civilizada e lógica: dois “inimigos” nos gramados unem-se para, com inteligência empresarial, construir um novo estádio, necessário à prática esportiva. Coisa do tipo: inimigos, inimigos... mas, negócios à parte! Quando isso aconteceria no Brasil?
Nesta mesma semana, assisti, numa entrevista pela televisão, um dirigente do Sport Clube do Recife anunciar, para breve, a implosão do atual estádio da Ilha do Retiro para dar lugar a uma arena esportiva moderna e à altura do torcedor exigente destes atuais tempos.
Com perplexidade vejo, pela imprensa, o Governo do Estado divulgando o inicio da construção do que chama de Cidade da Copa. Fico espantando com tanta irracionalidade governamental. Um investimento que, no final das contas, não vai sair por menos de Um Bilhão de Reais, deixando os que gozam de sã consciência, neste velho Pernambuco, abismados com tamanho absurdo. Ora, meus caros leitores e leitoras, como se admite que um estado, pobre como o nosso, venha dispender tão vultosa soma de escassos recursos financeiros numa obra fadada ao abandono?
Já falei disso, neste mesmo espaço, ano passado quando o projeto foi bombasticamente anunciado (vide foto da maquete, a seguir) dando meu palpite que o tal estádio vai se transformar num campinho de peladas inexpressívas, à medida que nossos clubes têm seus próprios estádios e não pretendem aposentá-los. Ao contrário, querem modernizá-los ou construir novos.
Em Manaus, no ano passado, ouvi o protesto de um motorista de taxi com o anúncio da implosão de um estádio, creio que municipal, inaugurado há poucos anos e com todos os pré-requisitos para uma rápida reforma ou mesmo uma “maquiagem”. Em Salvador a Fonte Nova já está sendo derrubada, para dar lugar a uma Nova Fonte Nova, esta justificável porque não tinha jeito, a Fonte Nova estava velha e caindo aos pedaços, provocando acidentes fatais. O Maracanã vai passar por uma reforma esperta e muito cara. Quanto dinheiro publico, meu Deus... No meio disso tudo, temos um bom exemplo, apenas, em São Paulo, onde o governo estadual “bateu o martelo” e disse não à gastança em estádios com verbas públicas.
Diante disso tudo, fico assustado com o desperdício de dinheiro que vai rolar neste país. Impossível não concluir que muito nego vai encher os bolsos, para se sustentar o resto da vida e as dos seus descendentes. No prejuízo fica a sociedade passiva e alienada, que não vai ter dinheiro para assistir nem uma partida de jogos da Copa e contemplará, anos depois, um “elefante branco” nas brenhas suburbanas do Recife. Ao mesmo tempo, claro, continuará sem segurança, educação, transporte público digno, saúde publica e outras coisinhas mais prioritárias, necessárias à construção de uma sociedade sadia e feliz.
Sem querer correr o risco de pensar pequeno, acho que o povo brasileiro não pode ficar alheio e engessado diante dessa farra financeira e das roubalheiras que se projetam sob a égide de Copa e Olímpiadas.
Em Pernambuco caberia, isto sim, uma parceria do tipo PPP (Parceria Publico Privada) com algum clube local para a reforma de um dos estádios existentes na cidade e não esse absurdo que começam construir. Ganharia o Clube parceiro, os torcedores, a sociedade e o Governo, que pouparia um bom dinheiro redirecionando-o para outras áreas carentes, incluindo, por exemplo, a infraestrutura viária da capital e de circulação intermunicipal necessária para o sucesso da Copa.
Segundo Sardemberg os americanos são uns "pobres coitados" e nós é que somos os ricos. Para mim, somos Metidos a Ricos.
Nota: Foto obtida no Google Imagens

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Você acha isso certo?

Até eu mesmo, caindo na “cultura do conformismo geral” disse a um amigo pelo telefone “é assim mesmo...” referindo-me à estressante situação do assalto do qual fui vitimado, semana passada.
Pensando bem, “é assim mesmo” coisa nenhuma. Não podemos nos conformar com um estado de insegurança tão gritante e desesperador (desesperador, quer dizer, sem esperar, sem esperança).
O brasileiro de hoje, acha “normal” uma pessoa ser assaltada e ter todos seus pertences levados por um marginal ou um bando desses. O que é isso minha gente?
Eu ando chocado com as reações das pessoas que me atendem na policia, no banco, nas operadoras de cartões de credito. É incrível, como a coisa virou uma rotina na vida brasileira.
No banco a gerente de relacionamento, me disse: “ah! O senhor também foi sorteado!” Veja bem meu caro leitor, que a palavra sorteado vem de SORTE. Desde quando ser assaltado significa ter sorte? Vôte, esse tipo de sorte eu não desejo a ninguém.
Nas administradoras dos cartões de crédito, já existe um número especifico para atender os clientes assaltados. Meu Deus, que miséria! E o pior é que se percebe que as pessoas que atendem já estão tão habituadas a essa rotina, que choca. Curioso, perguntei quantas pessoas eram atendidas nesse tipo de situação, por dia. A mocinha, no outro lado da linha, me assegurou que era uma após outra. Fiquei horrorizado com a reposta, enquanto ela engatou uma perguntinha prosaica: “Mas, o senhor está bonzinho?” No ato, respondi: “O que você acha minha filha?” É danado, o cara sai de um assalto, se tremendo, pressão arterial lá em cima, preocupado em bloquear os cartões de crédito da vida e ouve uma pergunta dessas... Depois fiquei pensando mais ponderadamente que ela podia querer ser gentil e, quem sabe estava “festejando” um cliente que saiu vivo da aventura e que vai continuar consumindo. Mas, até chegar a esta conclusão tive que amargar maus momentos.
Uma amiguinha do meu filho encontrou-me, dia seguinte ao episódio e, a me ver, foi perguntando: “Tudo bem Tio?” Acho que com uma cara de espanto respondi: “Bem mesmo, não. Meu filho não lhe contou o que sofri, ontem?” A resposta foi: “Ah! Contou... mas, tá tudo bem, fora isso?”. Atente, caro leitor ou leitora, para o “fora isso”. Acho que é tão banal ser assaltado que as pessoas não ligam mais para o fato.
Sinceramente, estou desolado com tudo que rodeia essa coisa. É ou não é desesperador? Para mim, é!
Não acho certa essa pusilanimidade coletiva, nacional. Algo tem de ser feito. Embora que eu não saiba por onde começar. É problema para o Governo. Governo...ah! meu Deus!
Cada um que sai de casa, esposa, filha, filho, nora, genro, é quase um pânico. No meu caso, nem é bom falar. Ando espiando para cada lado. Comprar pão gostoso já não é mais prioridade. Ir ao Banco é outra preocupação. Entrar no supermercado mais uma agonia. Um motoqueiro usando capacete ao meu lado, no transito, é estresse extremo.
O assalto virou rotina. Alguém me disse que é "modalidade esportiva" para alguns indivíduos. Um amigo acha que, como brasileiro é festeiro, logo mais vai se adotar o hábito de dar uma festa quando se sair ileso de um desses “eventos”. Cada amigo leva uma bebida ou um prato, já que o festejado está liso, leso e louco. Liso de grana, leso devido ao choque e louco de raiva. Serve para relaxar o amigo assaltado. O idealizador, contudo, lembrou que o pior é que, como é rotina, pode acontecer comemoração todo dia. Humor negro!
Mas, voltando ao “algo tem de ser feito”, temos que assumir uma postura de cobrança e rigor, com nossos governantes. A segurança é uma coisa garantida pela Constituição. Temos uma oportunidade de viabilizar uma melhoria na nossa qualidade de vida. Uma política social de vergonha tem que nascer neste país. Mudemos nossos administradores, em Outubro próximo. Esta bandalheira não pode continuar.
Você acha certo confirmar esses administradores de hoje, que declaradamente legislam em favor dos bandidos? Pelo amor de Deus, me diga se você acha isso certo? Acorda Brasil!
NOTA: Sem ilustrações em sinal de protesto.

PARA ESQUENTAR O DEBATE, RESPONDA A ENQUETE DO BLOG, ACIMA A DIREITA.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Uma pedra no meio do caminho

... aí, embora muito cansado pelo intenso dia de trabalho, pedi ao meu filho para dar uma paradinha na padaria, onde compraria alguns itens para o jantar, em seguida.
Apressado, desci do carro e adentrei na delicatessen favorita, na Avenida Rosa e Silva, zona nobre do Recife. Empurrei a porta de vidro e dei de cara com dois senhores deitados rostos colodos ao chão. “Ôxente! Quequi vocês estão fazendo aí, deitados na passagem?” perguntei intrigado. A resposta foi cruel, veio pelas costas na forma de um revólver e gritos ameaçadores do tipo: “É um assalto, passa a carteira e o celular!!!! Vai seu p....!!!!!” Incrédulo, com a “ficha enganchada, sem cair de imediato”, fui acuado e começando a enxergar, devido aos berros do primeiro ladrão, secundado por outro mais agitado, ainda. Graças a Deus entendi que estava inserido em mais uma cena do banal quotidiano brasileiro. Diante de tudo, não tendo o que fazer e "morrendo" de medo de tomar um tiro na testa, entreguei meu iPhone 3G, da Apple contendo preciosos arquivos e a minha carteira recheada de identificações, cartões de crédito, fotos dos meus amados familiares e, aproximadamente, duzentas pilas em espécie.
Os assaltantes saíram correndo. Aliás, sumiram no meio do mundo deixando uma multidão congelada – era hora do rush, todo mundo voltando para casa e o engarrafamento de sempre – a ver tudo na maior passividade. Incrível! Embora ordenado a deitar no chão do estabelecimento comercial, não cheguei a fazê-lo, porque os meliantes se escafederam açodadamente, deixando as vítimas em estado de choque a se erguer lentamente. Olhei prumladoepruoutro, marquei retirada, entrei esbaforido no meu carro, ordenando partida ao filho no volante. “Que foi que houve? Tá todo mundo saindo adoidado, daí de dentro...” referindo-se à retirada dos ladrões. Expliquei o ocorrido e meu ingênuo herdeiro deu partida em velocidade, ameaçando perseguir os larápios. “Qual nada rapaz, larga de valentia... baixa essa bola” argumentei estressado, claro, mas buscando controlar a situação. Puro arroubo da juventude! "Tudo que eu entreguei já era... o importante é que estou vivo!" esbravejei. E de quebra perguntei: “Qual foi o melhor: sair daqui inteiro ao seu lado ou você ter que me enterrar amanhã, com uma bala na testa?”
Na noite passada, lembrei-me de Drumond porque tropecei numa pedra no meio do caminho. Uma “pedra” em forma de indesejado assalto. Só lembrando: “No meio do caminho tinha uma pedra/tinha uma pedra no meio do caminho/tinha uma pedra no meio do caminho/tinha uma pedra” .
O danado é que a gente ouve falar que é comum, que todo mundo já foi assaltado e que não devemos nos surpreender caso sejamos apanhados. Mas, é duro viver a situação. Por que eu? Trabalho, contribuo para o desenvolvimento do país, pago meus impostos em dia, tenho uma vida regrada e solidária com a Pátria e com os compatriotas, sigo na risca os ditames da Constituição, faço caridades, amo ao próximo como a mim mesmo e, ainda assim, tenho que me sujeitar a coisas dessa natureza. Natureza perversa, meu Deus! Tudo por lamentável falha da gestão social da Nação: falta de educação, de saúde coletiva, inclusive mental, de formação profissional, de meios de vida dignos, de investimentos produtivos e geração de empregos. Temos uma terra rica, cheia de potencialidades e mal aproveitadas.
Outro dia, a proposito da insegurança reinante, cheguei a dizer que havia perdido a esperança e fui criticado. Mas, como alimentar esperança, sendo covardemente atingido no que mais sagrado existe que é a privacidade, o direito à propriedade, o de ir e vir e, até, de viver?
Outubro vem por aí e, novamente, a sociedade vai cobrar providencias aos postulantes a cargos eletivos. Vai ouvir promessas entusiasmantes e, depois, quando novembro chegar, vai reiniciar outro longo período, de quatro anos de espera, para se encher de novas promessas... inúteis.
Resta apenas pedir proteção aos santos e arcanjos. A Deus por fim, para que Ele vá retirando as pedras do caminho. No meio do caminho você sempre pode encontrar uma pedra. No meio do caminho...ontem, eu tive uma pedreira.
NOTA: Foto colhida no Google Imagens

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...