sábado, 7 de janeiro de 2012

ANO NOVO, VIDA IGUAL

O ano de 2012 chegou saudado com os foguetórios tradicionais, espocar de espumantes, perus, tenders e tudo que se tem direito nestas ocasiões. Quase todo mundo vestiu branco, simbolizando a esperança de entrar num bom tempo.
Engraçado é que Janeiro é, por razões obvias, um mês de preguiça, ressaca e regimes de emagrecimento. O Brasil pára e faz questão de lembrar que o ano só começa mesmo depois do carnaval. A tropicália cai na gandaia do sol de verão e, como num ato coletivo, recarrega as baterias para o que der e vier no resto do ano. Até D. Dilma parou. Foi curtir o verão baiano. Tem ministros nos quatro cantos do globo. Parlamentares, nem se fala... Nem futebol tem! Chega a ser chato...
Mas a novidade deste ano foi a nota extra no meio das festividades: o Brasil é a 6ª. Economia do Mundo. Desbancou o Reino Unido! Já pensou? Tem sujeito (e sujeitas também) que não se contem dentro das calças. De fato, é motivo de júbilo. Antenado nessas coisas, passei por um surto danado de ufanismo. Não vou negar. Mas, logo que “a ficha caiu” fiquei me perguntando como foi feito esse cálculo. Quais as variáveis, meu Deus? E o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) entrou nessa equação? Claro que não...
É lamentável pensar nesse contraste: uma das maiores economias do mundo não consegue distribuir democraticamente a riqueza com sua gente que vive sofrendo sem Educação, Saúde e Segurança dignas, além de outros aparatos coletivos. Gigante pela própria natureza, belo e forte, impávido colosso, na rua Oscar Freire (de São Paulo) e pobre, pobre de marré, marré, nos grotões dos sertões nordestinos e igarapés da Amazônia. Dois mundos num mesmo conjunto nivelado, somente, por cima. Cá prá nós, esta “coisa” exige uma reflexão nacional.
Fugindo das minhas elucubrações ufanofrustrantes, resolvo ligar a TV para me atualizar com o Brasil ressacado e o Mundo de 2012 e eis que só ouço noticias atemorizantes a respeito da crise na Zona do Euro, com o desemprego grassando; dos incêndios na Patagônia chilena, Austrália e Nova Zelândia; inundações no Sudeste asiático e para trazer-me de volta ao clima das ufanofrustrações vejo pela janela da TV as noticias das chuvaradas e novas inundações no Sudeste do País. Sei não, mas, do jeito que vai, algumas cidades de Minas Gerais e estado do Rio vão desaparecer do mapa. Claro! Passado um ano das tragédias de 2011, nada foi feito para proteger aquelas localidades. Dinheiro foi desviado, prefeitos corruptos foram cassados e o povo a clamar socorro. Com as novas torrentes de ano novo, poucos têm esperança de sobreviver. Isto na 6ª. Economia do planeta. Dói prá caramba. Quem viu o que ocorreu no Japão em 11 de março passado e toma conhecimento dos feitos de recuperação tem que se frustrar. E lá, o país é, apenas, a 3ª. Economia do mundo.
Quando vejo esse aguaceiro no Sudeste, ponho minhas “barbas de molho” com o que pode ocorrer nas nossas bandas. Falo da região da Mata Sul de Pernambuco. Esta é uma área sofrida e castigada, todo ano, com as precipitações pluviométricas que São Pedro manda prá lá. A população local, escolada dessas ocorrências, já está em estado de alerta e a boataria se encarrega de predizer torós entre fevereiro e março. Pobre gente! Pobre mesmo porque o que foi prometido em termos de proteção coletiva parece ser, até agora, meros projetos. O dinheiro, dizem que tem e o Ministro Bezerra Coelho garantiu com vontade política ferrenha. Resta saber se as obras já estão aptas a cumprir seus papéis.
Que, ao menos, os governos estadual e municipais preparem a população para esses torós alardeados. Condições técnicas existem. Responsabilidade civil é o que se espera das autoridades.
Eu juro que queria falar com mais otimismo. Sobretudo por ser cidadão da 6ª. Mas, não posso me esforçar além do que minha consciência permite. Por enquanto vou tentando administrar meu ufanofrustrante espírito de brasileiro consciente. O ano é novo, mas, a vida continua a mesma. Nem a 6ª. fez mudar a cara. Essa 6ª, sei não! Vou tentar entrar no clima e deixar rolar.
NOTA: Ilustrações obtidas no Google Imagens

terça-feira, 20 de dezembro de 2011



Eis que chegou, novamente, a época do Natal. 2011 passou bem rápido. O tempo parece girar mais depressa. Não é mesmo? Nestes festejos de Dezembro desejo, aos caríssimos amigos e amigas, que, antes de tudo, lembrem o motivo maior da festa, que é o aniversário do nascimento de Jesus Cristo, e que seus corações se abram aos sentimentos de Paz e Amor. Que os desejos materiais, traduzidos pelas compras desenfreadas, não ofusquem o sentido maior deste tempo do Advento. Reúna sua família, sinta o frescor da alegria de viver, valorize o momento e comemore os 2011 anos Dele. Ao distribuir presentes tenha em mente que está presenteando os filhos e filhas de Jesus Cristo e, desse modo, presenteando a Ele mesmo.

Quando 2012 chegar, reveja seus propósitos, reconsidere os equívocos, perdoe alguém que lhe foi ingrato, trace projetos exeqüíveis, foque nos desejos maiores e construa um futuro seguro e tranqüilo, porque seu futuro é você quem constrói. Ao fim e ao tempo, comemore as experiências adquiridas. Festeje tudo. Se puder, viaje muito. Exponha-se a experiências dignas. Beije e abrace alguém todos os dias. Seja solidário com o próximo e sinta as emoções da aventura de viver, porque viver é muito bom!

O Blog do GB completa – no dia 27 de dezembro – quatro anos de existência. Até agora, foram 222 postagens, lidas por seguidores nos quatro cantos do Planeta. Somente entre Março de 2009 e este fim de ano quase 88.000 acessos foram registrados pelo contador de visitas. Isto é motivo de satisfação para o Blogueiro, cuja intenção inicial era de escrever, apenas, para um grupo de familiares e amigos mais próximos. Estes, porém, gostaram tanto e resolveram distribuir pelas suas respectivas redes de relacionamento resultando num sucesso. Como não existe blogs sem seguidores, ou eventuais leitores, o Blogueiro agradece lisonjeado e espera contar com a mesma atenção em 2012.

FELIZ NATAL

BELÍSSIMO 2012!


Nota: O blog entra em recesso de fim de ano e só volta na primeira semana de 2012.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Educação: o X da questão

A falta de mão de obra qualificada em Pernambuco é, indiscutivelmente, um dos temas mais recorrentes (inclusive aqui neste Blog) quando o assunto é o crescimento econômico do estado. As novas empresas que se instalam já não sabem mais onde buscar pessoal de nível. Localmente, fora do estado e até fora do país são opções que começam a se esgotar. Os nativos não oferecem condições exigidas. Trazer gente de fora sai caríssimo e provoca choques de relacionamento com os locais. Outro dia, visitei uma empresa que trouxe pessoal da sua matriz, na Espanha, para dar conta das encomendas e formar pessoal, em serviço. Os locais não convenciam.
Esse quadro me faz retornar ao X da questão que, não tenho dúvidas, é a Educação. Falo de educação de base. Como falo da formação de especialistas, coisa pouco valorizada pelas autoridades deste País. Como preparar pessoal para atuar num mercado mais exigente se não se dispõe de uma educação formal eficiente. Como preparar pessoal adequado aos novos tempos se nem os professores são formados e bem pagos?
Na semana passada estive hospedado num desses suntuosos resorts do litoral sul do estado. Fiquei desencantado com a qualidade do atendimento. Mais do que isto, fiquei preocupado com a sustentabilidade do empreendimento dado ao baixo padrão dos serviços prestados. Além de falar errado – o Sinhô qué um café compreto ou um menos compreto ? – a demora para receber o café da manhã no bangalô foi interminável. Cobrei duas vezes, depois do pedido feito. Uma hora e dez minutos depois chegou a bandeja com pratos frios e mal-apresentada. Uma coisa dessas causa uma péssima impressão ao turista mais exigente. Aliás, a qualquer deles, porque turista é bicho exigente por natureza. Eu mesmo sou... Falta educação de todos os níveis neste país. Enquanto perdurar este quadro, não haverá progresso. E, pensando bem, nem ordem, no Brasil.
A Veja desta semana traz uma matéria de capa que cai bem, neste ambiente de discussão: A Arma Secreta da China. O grande país oriental, forte candidato a ocupar o lugar de líder na economia mundial, caminha célere para transformar seu quadro de recursos humanos no mais competente possível. Ao contrário da Era Mao, quando até a universidades foram fechadas e ordem era plantar para comer, a China de hoje está formando pessoal de primeira, como se exige para uma sociedade em franco progresso. “O Professor é centro gravitacional de todo o sistema. Pragmatismo, meritocracia, professores bem formados e premiados com dinheiro pelo bom desempenho, estudantes disciplinados e motivados por suas famílias.” Eis a arma secreta dos chineses. Aulas até nos domingos. Lembro que quando estive no Japão (fiquei por lá, quase três meses, fazendo um curso de pós-graduação) me surpreendi com os garotinhos de escola primária indo a escola nos domingos. Maldade? Não! Cultura! É assim que se forma um país e uma sociedade forte. Nesses países asiáticos estudar é coisa séria e envolve a formação de hábitos culturais para o resto da vida. Por exemplo: em cada sala de aula se encontra uma pá e uma vassoura. Terminada a jornada de aulas, os próprios alunos varrem e limpa o ambiente. Serviçais trabalham apenas nas áreas comuns. No Brasil, isso jamais colaria. Aqui, se confunde ordem com autoritarismo e a desordem é entendida como liberalidade. Que pena. É por isso que dificilmente sai uma aula que preste, lembrou a reportagem. Turma do fundão e papos paralelos é comum na escola brasileira (Vide foto). Celulares tocam a toda hora. Esses péssimos hábitos são levados pelos brasileiros pelo resto da vida. Não preservam a limpeza urbana, não respeitam o próximo, nem as autoridades e pregam a anarquia. A matéria da revista semanal observa a realidade chinesa e a compara com a do Brasil. Pobre de nós. Como Pernambuco é Brasil, vai ser preciso muito fervor e ações para que resolvamos a contento nossas atuais carências de recursos humanos qualificados.
Nota: Fotos obtidas no Google Imagens

domingo, 4 de dezembro de 2011

Brasil Caixa 2

O Natal está chegando e outra vez surge a polemica da decoração/iluminação da cidade do Recife. Isso tem sido um problema, a cada ano, porque rolam milhões de Reais e a coisa é sempre a desejar ou eivada de erros e, o pior, lamentáveis “assaltos” aos caixas da municipalidade. Já critiquei, mais de uma vez, essa coisa. Nunca me esqueço dos trapos azuis e encarnados – referindo-se ao folclore do pastoril – que, há alguns anos, penduraram nas árvores da Avenida Agamenon Magalhães (prinicipal da cidade) e pagaram milhões de Reais ao decorador. Cristo não perdoará nunca!
A decoração do ano passado até que mereceu elogios. Estava vistosa e provocava certo impacto visual. No bairro do Recife Antigo ficou correto e digno de admiração. Mas, o que se observa na decoração deste ano, inaugurada nos últimos dias de novembro, além de tímida, deixa muito a desejar. Faltam as guirlandas e arcos de luzes que caracterizam essas ornamentações em qualquer lugar do mundo. Falta quem – com bom gosto e conhecimento do ramo – faça um projeto digno do Recife. Eu era bem jovem e lembro-me da decoração natalina da cidade, na gestão de Augusto Lucena, que era um deslumbre. As pontes foram as vedetes, naquela época, o Capibaribe se enchia de luzes com imagens sugerindo os festejos. Havia competência na administração e menos desvios de verbas.
Minha indignação aumentou, esta semana, quando ouvi uma entrevista da vereadora Priscila Krause, vigilante segura dos desmandos petistas à frente da Prefeitura do Recife, denunciando a armação que está por trás dessa decoraçãozinha natalina de 2011: são R$ 5,0 Milhões! Pelo amor de Deus! Isto é um despautério! É uma grana preta para produzir adereços de reciclados. Uma fortuna – em vista do produto – tirada dos cofres municipais e que certamente farão falta a projetos de investimentos em beneficio da população recifense. De cara logo, ouvi da entrevistada que a metade dessa verba foi arrancada de uma orçada para beneficiar a comunidade de Beberibe (subúrbio recifense) com obras de melhorias urbanas. Ora, aqui prá nós, se assim for, é uma imoralidade. Tirar da verba destinada a melhorar a qualidade de vida da população para produzir penduricalhos natalinos – de gosto estético duvidoso – a titulo de decoração natalina da cidade é um absurdo. Uma cidade como o Recife, carente de melhorias em pavimentação, iluminação publica, esgotos sanitários, galerias pluviais, LIMPEZA, segurança entre outros itens, não pode desperdiçar verbas por menores que sejam. É revoltante.
Naturalmente que não precisa ser especialista, nem calculista, para perceber que aquilo que penduraram nas árvores da Agamenon não custaria essa soma de recursos. Fica claro que a história é a mesma de sempre: alguém vai embolsar a maior parte dessa grana e esse alguém já se sabe quem pode ser. É só lembrar que no próximo ano teremos eleições municipais e mata-se a charada, prontamente.
Infelizmente o nosso eleitor é míope, os nossos vereadores são impotentes nas suas ações e os nossos Tribunais de Contas não sabem conferir. Outro dia, alguém me disse que as tramóias são tão sistemáticas que não dá para conferir todas. Pobres de nós, os contribuintes. Haja impotência civil diante de tanta malandragem. As coisas fluem de maneira descarada e ironizando com quem tem noção da realidade.
Está aí mais uma prova do Brasil Caixa 2.

NOTA: Nada de ilustrações. Não vale á pena.

sábado, 26 de novembro de 2011

Castelo de Areia Europeu

Cresce a preocupação do mundo quanto ao que vem ocorrendo na Europa, nesses últimos tempos. A fragilidade de boa parte das economias da Zona do Euro, incluindo inicialmente Irlanda, Grécia, Portugal e Espanha, já não poupa a Itália e avança célere pelas economias mais sólidas e ricas – França e Alemanha – todas praticamente em crise. Isto acende um sinal de alerta para o resto mundo. Juntando a isso tudo a situação, também difícil, dos Estados Unidos desenha-se um quadro de arrepiar, para a economia mundial.
Acompanhando a situação lembrei-me do livro de Jeremy Rifkin, intitulado de O Sonho Europeu (M.Books, 2005) que li há dois ou três anos, no qual o autor faz uma analise comparativa entre as culturas econômicas norte-americana e européia. Segundo Rifkin, há uma diferença colossal (adjetivo meu) entre esses dois povos. Tudo conforme suas raízes históricas, bem definidas e identificadas. Enquanto os americanos trabalham feito loucos, sem parar, para formar um patrimônio do tipo quanto maior, melhor, o europeu trabalha para alcançar uma vida tranqüila e economicamente segura, dando especial atenção para viver momentos de lazer, repouso e qualidade de vida. Estes pensam, por exemplo, com questões ambientais que lhe darão bem estar e prazer, ao passo que os americanos trabalham, dia e noite se preciso for, não importando o processo pelo qual o sujeito obtenha sua riqueza pessoal, interessando o, e somente o resultado. E conseguem... Foi para isso que ele nasceu, foi assim que ele foi educado e é para isso que ele existe. Ou seja, os americanos vivem para trabalhar e os europeus trabalham para viver. Tive dúvidas quanto a essa tese, à época que li a obra. Conheço norte-americanos que curtem a vida, embora que apóiem as manobras bélico-militares do país, sempre achando que eles são os senhores do mundo moderno e isso é abominável.
O europeu, não. Na Europa o cidadão comum nasce, cresce e se educa numa cultura distinta, que, na prática é formada de um inteligente mix de produzir, acumular e viver. As guerras não fazem parte da cultura deles, mesmo porque de guerras viveram seus antepassados. Hoje em dia, antes de ir à luta, o europeu moderno sempre opta pela negociação diplomática. A vida com lazer, cultura, bem-estar e pouca ostentação é uma tônica daquela gente. Em resumo, Rifkin acha (ou achava) que “a visão européia do futuro vem eclipsando silenciosamente o sonho americano”.
Mas, não é sobre essas diferenças que resolvi escrever hoje, mesmo porque não sou especialista na área. Minha questão nesta postagem está voltada para a atual situação econômica mundial. Há poucos dias comentando uma fala do norte-americano Lawrence Summers (ex-assessor de Clinton e Obama), numa conferencia que assisti em São Paulo, registrei a opinião (dele) de que os governantes europeus estavam muito indecisos nas tomadas de decisão quanto aos problemas da atual economia do continente. Dei razão na hora e vejo que não poderia ser de outra forma, dadas as características ali reinantes. A Europa é formada por um mosaico de imensa diversidade cultural. Os neolatinos diferem imensamente dos germânicos e dos eslavos. O pensar do grego está muito distante do que pensam os anglo-saxões e assim por diante. Ora, como administrar uma comunidade de economias e sociedades estruturalmente diferentes, políticos de padrões diversos e de estados emocionais díspares? Como organizar num único Estado, algo proximo a três dezenas de países com histórias diversas num sonhado Estados Unidos da Europa? O resultado do quadro assim desenhado é esse desencontro de idéias e de decisões que testemunhamos nos dias do hoje.
Desemprego em massa, povo nas ruas protestando e respondendo radicalmente inclusive nas urnas eleitorais é tudo quanto se registra na democrática Europa desse inicio de século resultando numa difícil situação.
Países em crise, além do desemprego crescente, têm baixo consumo das famílias, investimentos reprimidos, importações retraídas, entre outros obstáculos. Acreditar que a situação ficará restrita ao Velho Continente é pura ingenuidade. Para os que, sistematicamente, lhes fornecem produtos e/ou serviços, como o Brasil, a situação pode se complicar em proporções indesejáveis. Temo que o Castelo da União Européia seja de areia e desabe sobre o resto do mundo.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Desafios de Porto de Galinhas

“Porto de Galinhas é uma beleza. Adorei o que vi e a dinâmica da vila. Aquelas piscinas naturais... Gostei do comércio sofisticado, dos bons restaurantes e a hotelaria é de primeira. Mas, o acesso rodoviário e a estrutura urbana ainda são muito fracas...” Foi assim que amigo meu, de São Paulo, comentou sobre sua visita ao mais famoso balneário pernambucano. Dei uma “desculpa de amarelo”, daquelas de quem defende do jeito que pode e até quando não pode. Parto sempre do principio de que turista é sempre exigente. Eu mesmo sou. Infelizmente, tenho a mesma opinião do amigo paulista. E por isso mesmo, fui conferir, in loco, neste feriadão de 15 de novembro. De fato, é uma beleza curtir a paisagem de Porto de Galinhas, com seu mar azul turquesa, suas atrações naturais, as piscinas (vide foto a seguir) os passeios de jangada e bugres e se deliciar com as várias opções de restaurantes. O comércio é simplesmente surpreendente. Ultimamente, inclusive, os lojistas locais têm caprichado na repaginação dos seus estabelecimentos e isso vem dando um novo perfil do centro comercial. O que era uma lojinha acanhada se transformou numa vistosa, atrativa e bem sortida casa de negócios, sem nada a dever dos grandes centros comerciais e, particularmente, de outros balneários no Brasil e no exterior. Está na cara que o dinheiro corre com mais intensidade e negociar em Porto de Galinhas se transformou numa atividade rentável.
Este quadro, pensando bem, já era esperado e muito se deve a dois importantes fatores: primeiro, pela concreta afluência turística, devida ao fato de que Porto vem sendo eleita – há quase dez anos – a mais bela praia do Brasil e, depois disso, a influência do desenvolvimento industrial da região vizinha, centrado no Complexo Industrial Portuário de Suape, a poucos quilometres dali. Executivos de empresa, técnicos graduados e trabalhadores da região foram, naturalmente, atraídos pelas belezas e amenidades do balneário. Muito desses já moram por ali e, por sorte, se livram a cada dia do transito caótico da Região Metropolitana. Junte a esse contigente o dos pernambucanos que mantêm suas casas de veraneio naquele paraíso tropical e pense no que pode acontecer em dias de alta estação. De uma coisa estou certo: o movimento turístico de Pernambuco se concentra naquela região litorânea. Basta uma voltinha pelas principais ruas da Vila e se nota as presenças de forasteiros nacionais e estrangeiros.
Contudo, lembrando meu amigo paulista, é decepcionante fazer a trajetória entre o Recife e Porto de Galinhas. Ele mesmo amargou 3 horas de engarrafamentos, ou seja, o mesmo tempo de vôo entre São Paulo e o Recife. Claro! As vias de acesso – BR-101 e PE-60 – são estradas de fazer vergonha. Ontem (15/11) à noite, ao retornar ao Recife, levei duas horas para um percurso que pode ser feito, no máximo e a baixa velocidade, em 40 minutos.
Outra coisa que deve ser atacada pelas autoridades locais é quanto a inaceitável infra-estrutura sanitária local. É vergonhoso circular pela Vila e respirar o mau odor de esgoto sanitário que sobe das sarjetas e de alguns pontos a céu aberto. Por mais que se entenda que o lugar cresceu de modo acelerado e desordenado, sem tempo de planejar melhor, é impossível aceitar. Do jeito que está, não pode continuar. A Prefeitura de Ipojuca tem que correr contra o tempo e dotar o local de melhor escoamento sanitário e cuidar da limpeza pública. Tem muito lixo nas ruas. Será que os turistas acham engraçadinho jogar copos descartáveis, papéis sujos e outros "bichos" na via pública? Faltam lixeiras? Dinheiro, todo mundo sabe, não falta. É uma prefeitura rica. Pelo visto, faltam competência e agilidade nas ações. Precisam salvar Porto de Galinhas, antes que seja tarde.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

domingo, 6 de novembro de 2011

Competitividade em Debate

Retornando de Buenos Aires ao Recife, na semana passada, fiz uma parada em São Paulo, onde me juntei ao grupo dos dirigentes do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas de Pernambuco (SIMMEPE) e da Fiepe, para participar o 6º. Encontro Nacional da Indústria - ENAI, promoção anual da Confederação Nacional da Indústria – CNI. Esse tipo de encontro criado pelo então Presidente da Confederação, Armando Monteiro Neto, vem se consolidando, ano a ano, como a melhor oportunidade da classe empresarial brasileira, do setor industrial, se encontrar, trocar informações, discutir seus problemas e, por fim, desenhar e propor trajetórias que julguem ideais na defesa dos seus interesses.
Além dos empresários de todos os estados brasileiros, técnicos, pesquisadores, convidados especiais, representantes do Governo e imprensa acompanham, atentamente, cada debate, todos caracterizados por profundo conteúdo. Este ano, a idéia-força foi discutir o Fortalecimento da Competitividade da Indústria Brasileira. Nada mais oportuno, visto que, sendo o Brasil, parte integrante da economia globalizada, cresce a toda hora a falta da capacidade de competir, num mercado dominado por players, cada vez mais agressivos e competitivos.
Os trabalhos, propriamente digo, foram abertos pela conferência do ex-Diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Lawrence Summers, nos Governos de Bill Clinton e no atual, de Barack Obama. Sem, a rigor, apresentar grandes novidades Summers fez um histórico da situação econômica mundial, destacando a crise de 2008, o atual recrudescimento, as possibilidades de salvação dos Estados Unidos, o dilema da União Européia, que, segundo ele, com a indecisão dos governos locais pode arrastar o mundo para uma crise sem precedentes e, por fim, o papel das economias emergentes, principalmente o Brasil, ao qual atribuiu um importante papel, muito embora as necessidades de reformas, todas bem conhecidas, aqui em Pindorama, no dizer de Hugo Caldas.
Na seqüência dos trabalhos, os temas Regime Fiscal, Infraestrutura, Educação e Capacitação Profissional, Meio Ambiente e uma Agenda para a Competitividade Brasileira foram amplamente discutidos, por formadores de opinião, executivos da indústria, especialistas setoriais e representantes de governos, mediados pelos mais abalizados repórteres econômicos da TV brasileira.
Em meio aos debates, lembro bem de alguns pontos conclusivos e que merecem destaques: O Brasil é pouquíssimo competitivo comparado a 13 países diretamente concorrentes, devido a falta e custo da mão de obra capacitada, disponibilidade e alto custo do capital, infraestrutura e logística falhas, peso dos tributos e, claro, a debilidade dos setores da Educação e inovação tecnológica. Não vejo novidades nisso, mas, debatido naquele conjunto toma corpo e maior repercussão. No debate sobre as questões de infraestrutura e do meio ambiente a CNI, através do seu presidente, Robson Andrade, sugeriu mudanças nas regras de licenciamento das obras potencialmente não poluidoras, na tentativa de agilizar a melhoria da estrutura, sem o que a indústria brasileira perderá, cada vez mais, espaço no mercado mundializado.
O Governo Federal esteve representado por dois importantes ministros: Aluisio Mercadante, da Ciência e Tecnologia e Fernando Pimentel do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que deram seus recados oficiais, incensaram D. Dilma, e, em troca, receberam recados do empresariado.
Uma nota cômica num dos intervalos ficou por conta da charge viva, promovida pela Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), com uma figura patética denominada de Impostão: um cidadão caracterizado de gordão, alimentado por polpudos impostos cobrados pelos vários níveis de governo. Na cola dele um personal tranning insistia para ele praticasse exercícios de emagrecimento, entre os quais o desafiador das abdominais. Era uma pandega vê-lo embolar pelo chão. Vide foto. Após dois dias de trabalhos e debates restou a sensação de sucesso e a esperança de que bons resultados sejam colhidos. De parabéns a CNI, as federações de indústria e os sindicatos que são, no final das contas, suportes básicos do Sistema Indústria.


NOTA: A foto á da autoria do Blogueiro, que compôs a Comitiva do SIMMEPE e Fiepe, no Encontro.

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...