quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Nosso Gramado é mais Bonito

Popularmente se diz que a gente sempre acha “o gramado do vizinho mais bonito”. É verdade. Incorremos sempre nesse defeito. Eu mesmo, confesso, sou danado para cometer este erro. Explico a razão dessa minha penitência: tenho viajado com muita freqüência nesses últimos três meses. Fui à belíssima China, à Europa e, logo em seguida, circulei pelas cidades de Brasília, Fortaleza, São Paulo e seus arredores, fui a Porto de Galinhas e Maracaípe, aqui em Pernambuco e, no passado fim de semana, estive em Maceió.
Parado, diante da beleza do mar turquesa alagoano – que coisa linda – cheguei à conclusão que, apesar de voar muitas horas, andar muito, encantar-me diante de monumentos milenares ou das pujanças arquitetônicas chinesas, paulistas ou do Planalto Central, termino esquecendo as raras belezas que estão próximas.
Entregando-me ao ar puro da praia do Futuro, em Fortaleza, comendo lagosta e camarão trazido do mar, na hora, (vide a foto a seguir), tentei dar um fora no vendedor de bordados e rendas, aconselhando-o não perder tempo, porque estávamos ali para curtir a praia. O caboco deu uma resposta de desmontar pernambucano: “Doutor, aqui ninguém perde tempo, porque aqui é o paraíso. O senhor já viu se perder tempo num lugar desse? Aqui se ganha tempo e tempo, Doutor, é vida. Veja meus bordados e compre, porque o preço está bom demais”. Minha mulher comprou a toalha e eu fiquei comendo meu camarão com cerveja e matutando com a filosofia popular. Fiquei, conscientemente, curtindo o dito paraíso. Isto mesmo. É lindo e bom demais. Em Porto de Galinhas “atolei o pé na jaca” dos caldinhos pernambucanos, da gastronomia sofisticada do balneário e me senti, outra vez, no Paraíso. Por fim, fui á Maceió e galvanizei-me diante daquele marzão azul turquesa. Que coisa meu Deus! É impressionante. Quanta beleza! E, o bom de tudo, bem pertinho. E aí, pensei: como é bonito o meu “gramado”.
Agora, tenho que fazer algumas ressalvas quanto à estrutura de receptivo ao turista. A beleza é natural, é verdade, mas não se pode dizer que vem sendo bem capitalizada, que é lamentável. O que nós temos no Nordeste do Brasil desbanca qualquer caribezinho da vida ou qualquer das costas européias. A vantagem destas é que estão super preparadas para receber o visitante. Falta muito para que o Brasil saiba aproveitar suas potencialidades.
Olhando para mar é uma coisa, na praia ou seus arredores, de modo geral, damos de cara com esgotos a céu aberto, animais pastando e o perigo da insegurança nos assombrando. Em alguns lugares, como na Praia do Francês (foto a seguir), em Alagoas, tirando a beleza do mar, achei tudo excessivamente rústico, desorganizado e mal conservado. Um turista mais exigente (quase sempre é) não vai aprovar. Porto de Galinhas, apesar dos recentes investimentos, dos
maravilhosos resorts, restaurantes e comercio sofisticados, precisa ainda de um severo retoque na administração. O ordenamento das atividades precisa ser encarado urgentemente, antes que seja tarde. Porto (foto abaixo) não pode perder o posto de mais bela praia do Brasil, eleita por dez anos consecutivos pela critica especializada. E tem que fazer jus à propaganda que se faz na Europa, notadamente entre os ibéricos.

Os governos precisam – de uma vez por todas – entender a importância do turismo como atividade econômica. Mas, pelo visto, a coisa anda longe do caminho adequado. Fiquei pasmo com a nomeação de certo Senhor Deputado maranhense do PMDB, Pedro Novais, que além de ser um ilustre desconhecido, “pau-mandado” de Sarney, parece que contando com 80 primaveras, vai ser o responsável pela pasta do Turismo, assunto do qual não tem noção, segundo os críticos políticos. Aliás, caro leitor ou leitora, você já viu que horror essa acomodação política que vem pautando o ministério de Dona Dilma? Eu estou assustado.
Mas, não quero me alongar nessas observações criticas, porque hoje o foco é a beleza natural do nosso litoral. O verão está aí, vamos aproveitar e valorizar o que temos, porque nosso gramado é mais bonito.
NOTA: As fotos são da autoria do Blogueiro

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Competitividade declinante

Semana passada, participei, em São Paulo, do 5°. Encontro Nacional da Indústria – ENAI, promovido anualmente pela Confederação Nacional da Indústria – CNI e tido como sendo o maior evento da classe empresarial do setor industrial brasileiro. O tema central, desta vez, foi competitividade. Oportuno e, ao mesmo tempo, preocupante. Durante dois dias os empresários viram-se às voltas em discutir a questão que, há uma década e pouca, ronda as cabeças dos que lidam no setor.
O problema está, há tempos, diagnosticado. Conhecido e discutido. Agora, porém, pende para um plano muito mais delicado, na medida em que o vocábulo desindustrialização passa, com freqüência notável, a fazer parte dos discursos e debates. Pelo visto e do jeito que a coisa vai, o Brasil tende ao desmonte da sua indústria em face dos gargalos impostos pela equivocada ou tênue – bancando um elegante – política de desenvolvimento econômico nacional e a falta de decisão para proceder as reformas estruturais tão esperadas: tributária, previdenciária e politica.
A supervalorização do Real, facilitando a entrada dos importados, a estúpida política tributária, os juros estratosféricos, a infra-estrutura sucateada, a defasagem tecnológica, a falta de mão de obra qualificada, os ineficientes programas de educação e preparação de recursos humanos, entre muito outros em cadeia. Um desespero. Como pode um país com tantas potencialidades, tantas riquezas naturais, um povo cheio de criatividade e inteligência despencar de forma acelerada e conviver com o fantasma da desindustrialização?
Mesmo em São Paulo, mola propulsora do desenvolvimento nacional, já se fala, por exemplo, na falência dos esquemas de logística. Há gargalos diários nos movimentos de cargas, in e out, provocando prejuízos perfeitamente evitados noutras partes do mundo globalizado. Inadmissíveis os engarrafamentos urbanos ou os monstruosos nas rodovias, cargas e descargas impensavelmente demoradas, devido à mão de obra desqualificada e aos equipamentos obsoletos, falta de profissionalismo e responsabilidade dos operadores... Um horror! Atualmente, parece que as coisas se agravam em progressão geométrica. E, vejam que estou falando de São Paulo. E falo pelo que conferi in loco: em setembro fiquei duas horas e meia num engarrafamento no Anel Viário, no sentido Baixada Santista (Porto de Santos), ao volante de um automóvel, sufocado entre imensas e centenas de carretas de carga e uma pancada de outros veículos de passeio. Motivo? Excesso de veículos. Imagine que o referido Anel foi construído para solucionar os congestionamentos e tirar o trânsito de carga pesada da cidade, facilitando o alcance de pontos economicamente importante. Quem sabe, outro anel deve ser pensado. Agora mesmo, na sexta-feira passada (dia 3 de dezembro), vi um engarrafamento descomunal de, segundo a radio sintonizada, 46 quilômetros, na rodovia dos Bandeirantes, sentido interior-capital, em decorrência do atropelamento fatal de um cidadão que trafegava numa motocicleta, as seis da manhã, na marginal do Tietê, entrada da cidade. Morreu no local e o corpo só foi levantado cinco horas depois. Foi tempo suficiente, é claro, para desorganizar o trânsito de chegada à capital paulista, naquela manhã. Faltou competência e responsabilidade da policia de transito e das autoridades de pronto socorro. Em qualquer país civilizado esse problema receberia atenção prioritária e o corpo, após constatação do óbito, seria guindado de helicóptero ou veiculo em uma fire lane (via expressa para servir em casos dessa natureza). Pobre Brasil. E mais pobre ainda fora da locomotiva São Paulo. Faça-se idéia do ocorre noutros estados mais pobres. Como ser competitivo?

Voltando ao Recife, dirigi-me ao aeroporto de Cumbica para pegar um coletivo da Gol/Varig. A estação de passageiros era um pandemônio de gente tentando embarcar. Vôos cancelados, chuvas pesadas, over-books a “dar no pau”, avião atrasado, poltronas apertadas, uma zorra total, em plena noite do domingo. Impotente, restou-me esperar, entregando ao Bom Deus.
A pior, gente, é que o leigo, isto é, a grande maioria, só faz perguntar como será em dias de Copa do Mundo e Olimpíadas, como se isto fosse o mais importante e estrutural. Tem importancia e será um estimulo, é verdade. Mas, será tudo?
Mais incrível, ainda, é que o Governo cacareja, sem parar, sucesso e progresso e os “manés” engolem a corda. Inocentes, coitados. Com pouco, podem chorar pelo fechamento em massa das fábricas e desempregados na rua da amargura. Mês passado, a Philips Eletrônica, em Pernambuco, fechou de vez e passa a trazer da China o que produzia no Recife, com preços 25% mais baratos. 400 desempregados! É a desindustrialização... ou não é? É a falta de competitividade, minha gente. O ENAI cumpriu sua parte, “botando a boca no trombone”. Falta o Governo fazer a dele.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

domingo, 21 de novembro de 2010

Choque de Gestão Neles

Com tantos quilômetros rodados, tantas exposições a sociedades estrangeiras e tendo exercido por longo tempo o magistério superior, fico atento aos movimentos do setor educacional brasileira. Com efeito, sempre que cabe, neste espaço, reclamo, critico e manifesto minhas preocupações com as deficiências e absurdo cometidos.
É indiscutível, creio eu, que sem educação – nos mais distintos níveis e acepções – não pode haver progresso, seja qual for o país. Indiscutível, também, que é no conhecimento que reside a transformação de um povo. Conhecimento bem administrado e de qualidade, é claro.
Lamentando, percebo que é isto que falta neste Brasil do século 21. A redução do analfabetismo já é coisa relativamente superada. Resta muito pouco. Foi problema nas gerações passadas. Muito mais do que isto é preciso investir para formar um Brasil novo e competente, focando de maneira eficaz nas novas gerações com educação de base e profissional.
Difícil vai ser viabilizar. É o que se projeta, diante dos muitos erros que têm sido registrados, ultimamente! Estou entendendo que faltam profissionalismo e responsabilidade na gestão da educação nacional.
Num programa bem administrado, com base numa gestão séria, profissional e atenta não ocorreria esse absurdo de erros na prova do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). O erro do ano passado foi esquecido! Não lembraram que estavam jogando com uma imensa legião de jovens – foram milhões e milhões – que estressados e ansiosos entraram, de corpo e alma, na aventura de investir na construção do futuro que, diga-se de passagem, é o futuro da própria nação. Era preciso que levassem mais a sério a contratação e severo acompanhamento da gráfica a qual foi entregue a missão de imprimir e encadernar as provas e por, por fim, esqueceram de zelar pelo nome do Governo que investe milhões e busca se firmar como competente. Sinceramente, é muita incompetência. Uma vergonha que atravessou fronteiras.
Mas, o pior é que as coisas não desandam apenas sob os olhos do Governo Federal. Ultimamente coisas absurdas são trazidas ao conhecimento público, exigindo reivindicações, repulsas e providências corretivas. Tudo a meu ver, repito, por conta da falha de gestão publica. Tem coisa mais estúpida do que a proposta de banir das lições e bibliotecas escolares a obra de Monteiro Lobato, sob a alegação de que o tratamento dado ao personagem da Tia Benta é politicamente incorreto, com preconceito racial. Olha, gente, eu sou frontalmente contra a qualquer tipo de preconceito, mas, que as coisas estão assumindo contornos exacerbados, estão sim. Lobato faz parte da clássica literatura infantil do Brasil. Talvez seja o escritor de melhor quilate no gênero. O Sitio do Pica-Pau Amarelo não pode desaparecer do imaginário das nossas crianças. Tomara que essa estupidez seja sufocada pelas cabeças inteligentes que venham discutir essa burrice.
Ao mesmo tempo, andaram distribuindo, na rede pública, uma coletânea com Os Cem melhores Contos Brasileiros do Século, entre os quais o intitulado “Obscenidades para uma Dona de Casa”, de Ignácio Loyola Brandão, contando a história de uma mulher casada que recebe cartas anônimas de um homem. Trechos do tipo: “os bicos dos teus seios saltam desses mamilos marrons procurando minha boca enlouquecida... É capaz de trair um amigo por uma trepada”. Não é uma parada dura? A obra foi recolhida. Mas, muitos jovens guardam a sete chaves. O que foi distribuido ficou por isso mesmo. E foram muitos!
Outra coisa inacreditável que tomei conhecimento pela imprensa foi o escândalo registrado em Curitiba, recentemente: numa rotineira prova, aplicada em 170 escolas publicas, para alunos de idade média de 6 anos, uma gravura apresentava a figura de um fazendeiro, alimentando galinhas, com o órgão sexual avantajado e destacado na figura. As galinhas, por outro lado, apareciam com os olhos esbugalhados e sugerindo desejo de manter relação sexual com o tal fazendeiro. A coisa constrangeu de modo coletivo o professorado municipal curitibano e um rolo tremendo se instalou à cata dos responsáveis. Imagine que a ilustração, da autoria de um tal de Dan Collins, foi tirada da revista pornô norte-americana Hustler. Faltou ou não faltou profissionalismo e responsabilidade?
Outro escândalo foi a investigação policial instaurada sobre uma festinha de comemoração de formatura de ensino médio, jovens de 16 e 17 anos, em Minas Gerais, animada com strippers. Vi num jornal, deste fim de semana, que o show da festinha ficou por conta de um cidadão vestido de militar que aos poucos se despiu, ficando apenas de cueca e dançou coladinho com uma das concluintes em intenso êxtase. Em seguida, para agradar aos marmanjos, foi a vez de uma dançarina que tirou a fantasia que usava, ficou seminua e teve o corpo beijado, por inteiro, por um dos formandos. No epílogo do show a dançarina teve a calcinha arrancada por um outro jovem, digamos, mais testosteronizado. Imagine a cena. Um segurança “salvou” a dançarina do quase estupro publico.
Agora, eu pergunto: falta ou não falta rigor nessa gestão da educação? Aonde vamos parar se essa coisa cresce mais, ainda?
Hoje os jovens não vêm o professor com respeito, a polidez e o asseio não são avaliados, tiraram a música, os trabalhos manuais e o civismo da grade curricular. O resultado está aí. Isto, sem falar da falta de educação doméstica! Doloroso!
Tomara que D. Dilma esteja atenta para essas barbaridades e imprima um urgente choque de gestão.
NOTA: Qualquer ilustração para esta postagem seria lastimável. Não coloco nada.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Mergulho na História

Ir à China e não visitar Pequim (também conhecida por Beijing) é melhor não ir. Foi uma das melhores lições de história que já tive na vida. Mesmo diante da modernidade que a cidade apresenta no seu todo é impressionante a preservação das zonas antigas levando o visitante a uma aventura inesquecível, mesmo considerando os fortes e rigorosos traços da China contemporânea, isto é, um país comunista.
Pequim é uma imensa metrópole. Não tem o tamanho de Xangai, mas revela, por toda parte, uma dinâmica especial, com características próprias de capital de um grande país. Espantoso

lembrar, por exemplo, que a cidade é cortada ao meio por uma imensa avenida, em linha reta e com 48 quilômetros de extensão. Sem dúvida, um tremendo indicador de uma superestrutura urbana. Passa pelo meio da Praça da Paz Celestial (Tian’anmen), com inúmeras faixas de rolamento e é palco das grandes paradas militares. Há 20 anos o transito ali era um mar de bicicletas e hoje está ocupada por um tráfego pesado de veículos dos mais distintos portes, dando testemunho da “capitalista” China de hoje. Atravessamos esta avenida, com destino a Cidade Proibida, consciente da sua importância. E, claro, que me lembrei do massacre de 1989. Recordei a imagem do desconhecido que fez parar a fileira de tanques repressivos. Onde andará aquela figura? Perguntei aos meus botões.
A Praça em si é monumental. É considerada a maior praça publica do mundo. Na sua imensidão estão distribuídos estratégicos e belíssimos jardins floridos e é completada por duas descomunais telas de video. Pelos meus cálculos medem 2,00x30,00m, talvez mais do que isto, apresentando magníficas imagens em HD, dos mais importantes cartões postais do país. É impactante. (vide foto a seguir).
Tian’anmen é, também, a porta de entrada para a Cidade Proibida, moradia dos antigos imperadores. Se a praça é impactante, a cidade nem se fala, até porque proporciona um mergulho na história. Vinte séculos de história, preservada e admirada por milhares de turistas, que não param de circular. Palácios, jardins, galerias, templos e tudo quanto se exige de uma organizada cidade imperial. Ali viviam os imperadores, suas centenas de esposas – muitas nunca tocadas pela majestade, mantidas como “reserva técnica” – filhos e uma imensa vassalagem composta de ministros, auxiliares diretos e indiretos, cozinheiros, os naturais e os inevitáveis “cheira-bufas” apaniguados. Fora esses, uma legião de escravos. Muitos escravos, a maioria eunucos. Na cidade existem 999 dormitórios, um número mágico para os chineses. Ali vivia uma sociedade encastelada e cheia de privilégios. Vide fotos a seguir. Do lado de fora, muita pobreza e fome. O resultado dessa situação foi a queda do império, seguida da implantação do regime comunista em 1949. Mas, Pequim (ou Beijing) reserva ao visitante magníficas imagens de cidade moderna com primorosas construções, entre as quais a Cidade Olímpica (Olimpíadas de 2008) e as monumentais avenidas que cortam a cidade em todas as direções. O comércio é vibrante e conveniente para os turistas portando dólares americanos. Pérolas e seda pura fazem a festa para as mulheres vaidosas e causam constantes pânicos aos maridos desavisados.
Num bairro antigo a emoção de mergulhar no quotidiano histórico. Em Nanluoguxiang e Shichahai, por onde andamos, experimentamos a inesquecível sensação de apreciar o dia-a-dia do homem comum chinês, entrando numa residência particular de 150 anos, passando por pequeno centro comercial comunitário e, o melhor de tudo, sendo conduzidos num ciclo-riquixá, coisa muito comum no Oriente. De fato, é muito divertido ser levado por um cidadão pedalando em admirável velocidade entre as ruelas do subúrbio. (Vide foto abaixo e filminho no final da postagem)
Outra coisa incrível foi nossa visita à Feira de comidas exóticas de Pequim. Ali se encontra os mais extravagantes e asquerosos petiscos do planeta: cobra, barata d´água, gafanhotos, cavalo marinho, centopéia, bicho da seda e escorpião são os mais populares. Incrível como a turma baixa a boca e devora tudo com imenso prazer. Para não perder a oportunidade e entrar no clima, arrisquei no bicho-da-seda. Não gostei. Pasmo, vi duas holandesas se deliciando ao experimentar o escorpião frito. Eca... Por fim, e coroando a visita à China, uma esticada até um dos pontos da Muralha da China, a 80Km do centro e Pequim, patrimônio da humanidade, pela UNESCO, e eleita recentemente como uma das sete maravilhas do mundo. Impossível vê-la por completo, em face da sua extensão de 6.700 km, cortando a China de leste a oeste. A muralha serviu originalmente de proteção contra os invasores bárbaros, entre os quais os hunos, e, depois, os povos machus e mongóis, que ainda assim conseguiram invadir o país. Haja história. É emocionante pisar ali. Um frio de lascar. Mas valeu à pena.
A tudo isto eu chamo de mergulho na história. Estive nas raízes da história do Oriente.
NOTAS: 1. Fotos e filminho da autoria do Blogueiro. 2. O Blogueiro esteve na China, entre os representantes do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecanicas e de Material Eletrico de Pernambuco, na Missão Empresarial 2010, da Fecomercio/PE.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Baia Perfumada

Estando em Cantão e dispondo de algum tempo livre (um dia, pelo menos) a melhor pedida é “dar um pulinho” em Hong Kong, distante não mais do que 150Km. Trem, que parece ser o mais comum, automóvel ou ônibus, e rapidamente você alcança a cidade que é lembrada como sendo o Rio de Janeiro do Oriente. Foi exatamente o que fizemos nessa ida à China.
Uma curiosidade é saber que esse nome meio estranho, lembrando muitas vezes o mítico gorila do cinema, King Kong, se traduzido muda de figura porque significa Baia Perfumada. Já pensou que beleza viver num lugar lindíssimo e assim chamado?
A cidade tem características bem especiais: com o tratado que marcou o fim da Guerra do Ópio, em 1842, a Ilha de Hong Kong foi incorporada, como colônia, ao Império Britânico, somente devolvida a Republica Popular da China em 1997, após as negociações políticas entre Londres e Pequim. Mas, tem uma coisa: difícil mesmo foi ajustar a ex-colônia britânica ao regime político-econômico reinante na China de hoje. A solução foi adotar o que terminou se chamando de política de “um país e dois sistemas” para que Hong Kong pudesse administrar os novos tempos. A cidade goza de alto grau de autonomia e é tratada como uma Região Administrativa Especial. Lá tudo é regulado por uma Lei Básica própria, com claras regras político-sociais para todas as áreas, exceto a política externa e a defesa, a cargo de Pequim. E mais, o que é muito importante: pela politica adotada, Hong Kong continuará por 50 anos, após a anexação de 1997, como sendo um centro financeiro internacional, com economia capitalista altamente desenvolvida e uma das mais liberais do mundo. Meu palpite, aliás, é que, passado esse periodo, a Republica Popular da China será totalmente capitalista e o ajuste se dará naturalmente. Aquilo que vi por lá aponta para essa situação. Penso que eles foram muito inteligentes quando estabeleceram esse meio século de carência.
Por enquanto, entrar em Hong Kong é o mesmo que entrar noutro país, ainda que estando na China. Muda a paisagem, com perfil urbano muito ocidental, a moeda corrente deixa de ser o Yuan (RMB) e passa a ser o Dólar de Hong Kong. Em tudo mais a impressão que se tem é a de circular numa grande cidade da Grã Bretanha. Até o volante dos automóveis no lado direito, ônibus com dois pisos e a mão inglesa no trânsito são adotadas na cidade. Ah! Entre a China (Província de Guangdong) e a cidade existe um controle de fronteiras. Para voltar à China o viajante tem que ter outro visto de entrada. E, haja rigor nesse controle de fronteiras. Policiamento praticamente ostensivo.
A cidade é inchada de habitantes, uma das mais densas do planeta, com 7 milhões de almas em apenas 1.054 km², em cerca de 260 de ilhas, baias, praias e montanhas. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), na marca de 0,944, é um dos mais altos, ocupando o 24º. Lugar no rank mundial. Além disso, a cidade é famosa por ser uma das mais verdes da Ásia. De fato, isto chama a atenção do visitante.
O comercio é efervescente. É uma Zona Franca intensa de mercadores e mercadorias que saem e chegam sem parar no movimentado porto da cidade. As ruas de comércio são empestadas de compradores. No sábado, quando estivemos por lá, era difícil circular ou entrar e sair das lojas. Sobretudo as de eletrônicos e vestuário. A euforia e o estresse das pessoas lembram o movimento das compras de última hora, na véspera de Natal, no Brasil.
Mas, certamente é a paisagem natural da cidade que arrebata o turista. Quanta beleza reunida num mesmo sitio. Localizada ao sul do Trópico de Câncer, a cidade é de clima sub-tropical que ajuda ainda mais para compor o cenário deslumbrante. Segundo nosso guia, a cidade desfruta de algo em torno de 2.000 horas de sol por ano.
Um passeio de barco rústico, conduzido com segurança por pescadores, pode ser considerado como sendo um dos mais interessantes programas na cidade. A área serve freqüentemente de locações do cinema. James Bond já fez misérias no meio daquelas ilhotas. Vide foto a seguir. Uma subida ao ponto mais alto da cidade, no pico de um morro, enche a vista de qualquer visitante. Para nós brasileiros é impossível não lembrar o Pão de Açúcar ou Corcovado, no Rio. Em Hong Kong, o panorama é deslumbrante, embora que predomine um verdadeiro paliteiro de altos e arrojados arranha-céus. Eu teria muito mais a dizer, mas, o espaço é pequeno e reconheço que a paciência do leitor tem limites.
Bom, se você tiver uma chance, vá também à Baia Perfumada. A satisfação é garantida.
NOTA: A primeira foto foi tirada do Google Imagens e as demais são da autoria do Blogueiro.

domingo, 7 de novembro de 2010

CANTÃO

Deixando Xangai, tomamos o rumo de Cantão ou Guangzhou, em chinês, no sul da China, capital da Província de Guandong. É, para minha surpresa, uma cidade enorme, contando com quase 6 milhões de habitantes. Ou seja, outra metrópole, desse “planeta” chinês que percorri. Um detalhe interessante: Guangzhou é a cidade irmã do Recife, na China. Lá os pernambucanos são recebidos de modo fidalgo. Por quem sabe, é claro! Descobri que Guangzhou é historicamente um importante porto no Rio das Pérolas e faz parte do Império Chinês desde o Século 3 a.C. Na Idade Média, os cantonenses já comercializavam, habilmente, com indianos e árabes. De lá saiam as melhores sedas, porcelanas e chás do Oriente. A partir de 1511, os portugueses entraram no negócio e monopolizaram o comercio local, para atender a crescente demanda dos ocidentais europeus pelos produtos do Oriente. Nos séculos 17 e 18 as coisas ficaram nas mãos de ingleses, franceses e holandeses, como era de se esperar. Na metade do século 19, depois da chamada Guerra do Ópio, conflito armado entre ingleses e chineses, pelo mando dos negócios de Cantão, o comércio da região deixou de ser restrito, sendo estabelecida uma concessão franco-britânica entre 1856 e 1946.
Com tanta história comercial, pode-se imaginar o que se respira nessa região chinesa. O comercio está no DNA dos cantonenses, que pode explicar o que ocorre, por lá, a cada semestre: a maior feira de exportação-importação, do mundo atual. A cada Primavera e cada Outono os chineses de Cantão recebem – no seu monumental centro de exposições – (vide fotos a seguir) compradores e vendedores do mundo inteiro e lançam as novidades de seus produtos, realizando os maiores negócios de que se tem notícia, no novo e globalizado mundo do século 21. O resultado aparece
nos milhões de lojinhas de importados da China, nos mais distantes pontos do mundo. No Brasil, todo grotão tem sua lojinha de R$ 1,99. É uma verdadeira praga. O mundo se incomoda com essa capilaridade dos comerciantes chineses, bem como com seus representantes, e busca atenuar a concorrência, sem poupar críticas e protestos. E os chineses, aparentemente, não estão nem aí... querem é vender. Salve-se quem puder. Para eles, não interessa o cambio artificial, o dumping que se revela nas transações correntes com o exterior ou os salários escorchantes que são praticados, reduzindo incrivelmente os custos da produção. A ordem é exportar e vender a superprodução, a quem chegar. Aliás, na prática, em grosso ou no varejo, é difícil se livrar de um vendedor chinês. No caso do varejo, basta você olhar para o vendedor ou para o produto. A partir daí, o cliente está “condenado” a sair carregado de sacolas. Muitas vezes compra o desejado e o que não queria levar. Com um detalhe a favorecer: pechinche! Chega a ser cômico. Houve um momento em que paguei somente 10% do valor inicialmente cobrado. Uma atenção, porém, e certamente a mais importante é que o interessado tem que ficar de olho na qualidade do produto. Eles estão com uma campanha cerrada pela melhoria da qualidade e para desfazer a fama da produção falha, mas, a coisa ainda é real e um verdadeiro dilema para o comprador.
Guangzhou se prepara para sediar, proximamente a edição dos Jogos Asiáticos (equivalente aos nossos Jogos Pan Americanos), razão pela qual a cidade foi repaginada, com avenidas arrumadas e limpas, jardins exuberantes, edifícios suntuosos e de arquitetura arrojada, magníficos hotéis e shoppings com alusões decorativas e um novo aeroporto que causa inveja, até mesmo a outros da própria China. Imagine um aeroporto com quase 150 portões de embarque. Todos com pontes, inclusive. Nosso grupo, por exemplo, embarcou no portão 146, ao deixar a cidade. Até alcançar o portão de embarque o viajante recebe uma última provocação comercial das sensacionais lojas da estação (vide foto acima). O movimento daquele aeroporto salta aos olhos de qualquer um. Mesmo se tratando de China.
Outra coisa que me impressionou foi observar que o acesso a esse aeroporto é uma imensa via, com quatro pistas de cada lado, e jardins coloridos em todo o percurso. Os chineses capricham, prá valer, no item ajardinamento. Alguém, surpreso com tanta beleza, comparou o caminho do aeroporto de Cantão como sendo o caminho para Shangrilá (denominação atribuída ao escritor inglês James Hilton, em 1925, para um lugar paradisíaco nas montanhas do Himalaia).
NOTAS: Fotos do Blogueiro. Informações históricas retiradas da Wikipedia

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Xangai, a Metrópole

Antes de começar a conversa de hoje, preciso ressaltar - para alguns leitores - que o fato de me impressionar com a China que visitei e voltar encantado com tudo quanto vi, não quer dizer que concordo com as regras político-sociais vigente naquele país. Deve ser muito difícil viver onde não existe liberdade de expressão, controle sobre a família, inúmeras limitações impostas ao cidadão comum, como os escorchantes esquemas de remuneração da mão-de-obra, pobreza urbana e rural, desequilíbrios inter-regionais gritantes e, em fim, tudo quanto difere aquele país dos que vivem o mundo democrático.
Contudo, é impossível não enxergar e exaltar, entre muitas outras coisas, a pujança econômica, a dinâmica do mercado interno, o arrojo tecnológico, a ousadia da construção civil e a preservação de valores históricos devidamente harmonizados com o modernismo. Como na postagem anterior, é difícil explicar o que acontece ali. Eu não saberia dizer o que existe na China. Indiscutivelmente se trata de uma experiência única de regime comunista mixado com capitalismo, dentro de certos limites bem delineados... sei não. É complicado tentar explicar essa coisa. O futuro é que vai revelar a realidade.

Andando em Xangai o visitante esquece tudo isto e experimenta a sensação de respirar o mais autentico dos capitalismos. Sinceramente, nunca vi tantas mega-lojas das grifes mais badaladas do mundo. São verdadeiros assombros. Nada que normalmente vemos em Paris, Londres ou Nova York, onde, segundo me recordo, as grifes têm lojas menos portentosas do que as que mantêm na China. E isto é um sintoma concreto de capitalismo. Sei lá, talvez os imóveis comerciais sejam mais baratos na terra de Mao, enquanto que, por outro lado, as políticas fiscais e trabalhistas beneficiam mais o capital do que o trabalho. A verdade é que a coisa surpreende, é claro. Eu, por exemplo, “dei um nó no juízo” e, até hoje, não consegui desamarrar. Essa China é um laboratório de arromba.
A exuberância de Xangai é uma coisa incrível. Segundo nosso guia local, a cidade mudou de cara nesses quase trinta anos de abertura. A chegada do capital estrangeiro, aliado à fantástica poupança do país transformou a cidade numa metrópole sem comparação, mundo afora. As antigas vilas de casas populares, sobradinhos padronizados do passado, dão lugar a arranha-céus espetaculares, que vêm, rapidamente, mudando o perfil de uma das maiores cidades chinesas. Os centros Comercial e Administrativo-Financeiro ali implantados, em meio a uma urbanização irretocável, composta de imensas e largas avenidas, pontes, vias elevadas e viadutos, tudo devidamente ajardinado e bem cuidado, é de encantar qualquer visitante. O aeroporto é o melhor cartão de visitas. É arrojado e funcional, amplo e luminoso. Primoroso. Certamente que tudo isso vem exigindo muita grana e isto é o que não falta na China de hoje.
O turismo vem se destacando, também, como uma das importantes fontes de renda da cidade. E não se trata, necessariamente, de turista estrangeiro, que não chega a ser tanto, em termos relativos. A grande massa dos turistas é composta dos próprios chineses que, ao contrário do passado, tem agora mais dinheiro no bolso e podem se deslocar mais livremente internamente. A Prefeitura de Xangai não perdeu tempo e implantou uma agressiva política de atração turística, que vem proporcionando o aparecimento de suntuosos hotéis, restaurantes de cardápios internacionais, além de equipamentos de lazer de primeiríssima linha. Ninguém que visite Xangai, por exemplo, pode sair de lá sem fazer um passeio de barco no Rio Huangpu, preferencialmente à noite, quando a cidade se ilumina de maneira multicolorida e cinematograficamente. É deslumbrante! O governo incentiva com a redução de 50% do custo da energia consumida e o resultado é puro sucesso. Pude notar que, na prática, parece haver uma verdadeira disputa para ver quem ilumina melhor e de modo mais bonito o seu edifício. Eu nunca vi uma coisa daquelas. Vide as fotos da postagem. Aliás, passando por Paris na volta (ficamos três dias por lá, tentando neutralizar o jet-lag que qualquer pessoa sofre, nessas mudanças bruscas de fuso horário) foi inevitável comparar e concluir que o titulo de Cidade-Luz, embora emblemático, pode ser uma coisa do passado para a capital francesa. Xangai bem que merece este titulo, neste inicio de século 21. Este ano, inclusive, a cidade teve um motivo bem maior para se engalanar e receber o turista, por conta da ExpoXangai 2010, a feira mundial do qüinqüênio. Eu estive por lá e depois comentarei sobre o que vi.

NOTAS: 1 - Fotos são da autoria do Blogueiro 2- O Blogueiro foi à China, entre os representantes do Sindicato das Indústrias Metalurgicas, Macanicas e de Material Elétrico de Pernambuco - SIMMEPE e compondo uma Missão Empresarial de Pernambuco, organizada pela FECOMERCIO/PE.

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