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segunda-feira, 6 de setembro de 2021
Pindorama à deriva
Está impossível suportar. Assustador. Notícias alarmantes dão contas de que a Nau Pindorama parece haver perdido o rumo, embora “ao som do mar e à luz do céu profundo”. Os boletins recebidos chegam, a cada dia, mais preocupantes. Já se sabe que o comandante, com claros sinais de sofrer da síndrome da incontinência verbal, não perde uma chance de agitar os passageiros e, ao que se percebe, se diverte girando o leme com impressionantes guinadas. Muitos se divertem como se montados num moderno brinquedo de um parque de diversões. Outros se apavoram e tentam reações “salvadoras”. Nesse quadro de navegação conturbada, muitos “subalternos” hierarquicamente, ousam querer, com “braço forte” tomar o comando. Ninguém se entende na “terra mais garrida” e os passageiros se mostram, cada vez mais, inquietos agarrados aos paus de bandeiras verde-amarelas e vermelhas, aos berros. Vômitos verbais, desaforos e desespero são características nessa rota. Todo mundo fala alto e ninguém escuta a principal mensagem. As ondas se mostram cada vez mais altas. Uma metade dos passageiros na proa e a outra na popa ameaçando se engalfinharem a qualquer momento.
Qualquer semelhança com o “florão da América” não é coincidência. É pura verdade.
Mas, por felicidade há crédulos descendentes de Noé e Cabral postados esperançosos, “às margens plácidas” da Terra de Santa Cruz, clamando por paz e concórdia. Que Deus os escute. Pindorama está muito desgastada. Pode estourar o casco e provocar um desastre indesejado.
Que os céus soprem ventos alísios, comum nessas regiões tropicais, trazendo umidade e chuvinhas capazes de mitigar o calor que esquenta a Nau e ameaça incêndios.
NOTA: A charge ilustrativa foi colhida no Google Iamgens
domingo, 29 de março de 2020
Fogo no Pindorama
Fogo!
Fogo! O prédio está incendiando. Foram gritos alarmantes, de hora pra outra, no
Edifício Pindorama. A Equipe de reportagem do Blog do GB chegou a tempo de
cobrir o espantoso sinistro. O Síndico, um capitão reformado da policia, cheio de
autoridade e incontinência verbal, não se deixou alarmar e tenta acalmar os
moradores dos vinte e sete andares. Pânico e desespero para alguns condôminos,
calma para outros e o fogo comendo o que encontrava de inflamável pela frente.
Numa calma inexplicável, o capitão reuniu sua Brigada de Incêndio, na Administração,
e tenta desenhar estratégias para debelar o fogo. Antes de tudo se interessou
por saber de onde veio essa coisa inesperada. Confusão generalizada, em meio às
várias hipóteses levantadas. Pânico e desentendimentos mis. No calor do debate e do fogo, claro, Dudu, filhinho mimado do
Síndico e sempre no rabo do pai se precipitou afirmando que a origem foi no
apartamento de um chinês, segundo ele, sujinho e que tem hábitos de cozinhar
até ratos pra comer.Bate-boca prá-cá-e-prá-lá e o fogo se
alastrando. Pânico geral num prédio, onde, aliás, ninguém se entende
normalmente e há muito tempo. Esta reportagem calcula que a situação virou uma pandemia,
isto é, um pandemônio. “Fechem as portas e se mantenham dentro das suas
respectivas unidades, enquanto as ações de socorro aparecem. Se as portas
corta-fogo estiverem em ordem, o fogo não se espalha. Fiquem em casa!” Foi
ordem (quase) geral. Resultado: um prédio de 27 andares, todo mundo "enjaulado" e
esperando uma salvação. Coisa de louco. Só Deus nessas horas. é o que todos clamam.
Como
sempre ocorre nesses momentos surgem salvadores da pátria e no Pindorama em chamas
não seria diferente. “Ah! Essa coisa não pode ficar assim! Alguém tem que tomar
uma atitude. Esse Síndico é um banana!”, gritou Dona Dorina, moradora da
cobertura, enquanto improvisava um sistema de mangueiras diretas da sua
piscina, para se proteger. Conhecida como uma figura pedante e cheia de doutos
saberes resolveu mobilizar a oposição do prédio começando pelo vizinho do andar
de baixo, que, a rigor, não sabia por onde começar o trabalho. Oportunista
toda, Dona Dorina aproveitou para fazer campanha para derrubar o Administrador
dos Interesses do Pindorama e postular o cargo de síndica. A esta altura dos acontecimentos, tudo leva a crer que
o tempo se fechou. Perplexidade generalizada. O vizinho de baixo, com um nome
meio estrangeiro que a reportagem não teve tempo de registrar, atendeu ao apelo
da oportunista e se engajou numa campanha insana e, conforme opinião geral, inoportuna, com adesões de outros
vizinhos, a maioria despreparada para enfrentar o incêndio e incapaz de proteger seu
próprio patrimônio. Segundo apurado, incompetentes do tipo “maria-vai-c’as-outras”.
Instalou-se, desse modo, um clima de politicagem barata e insana lembrando a
atual politica exercitada lá no Brasil. Exigiram conversar com o Sindico que, ao
fim, conseguiram. Parece que essas reuniões, por grupo de condôminos, não produziram os reais efeitos necessários. Só se falou em dinheiro! Os condôminos projetaram prejuízos
ilimitados já que impossibilitados de sair de casa para trabalhar o “bicho vai
pegar”. Haja miséria. Em cima de queda, coice. Repartir a parca poupança do Condomínio - o
edifício está precisando de reformas, manutenções de rotinas e melhoramentos - foi
a única “solução” proposta. Por conta disto, o Tesoureiro do Condomínio está
arrancando o restinho de cabelos que tem e fazendo contas de frente pra trás e de trás pra frente.
Somando, multiplicando e, sobretudo, subtraindo. “O dinheiro já é curto e agora
estas labaredas”, desabafou se abanando com a última versão do balanço da Casa. E o fogo se alastrando.
Outra coisa apurada pela reportagem é que um Tio rico do capitão, que mora no estrangeiro, e preocupado com a situação, está prometendo dar uma ajuda. E em dólares bem verdinhos.
Outra coisa apurada pela reportagem é que um Tio rico do capitão, que mora no estrangeiro, e preocupado com a situação, está prometendo dar uma ajuda. E em dólares bem verdinhos.
No
meio dessa balbúrdia, infelizmente, já se registra alguns óbitos. “Pessoal de
idade e portadores de moléstias respiratórias ou similares, de alguns andares, não
estão suportando a fumaceira e já partem para o andar de cima” ouviu-se de
alguma varanda. O andar de cima?
Perguntou alguém na mesa de debates. Pergunta idiota, na opinião da Equipe GB.
Bom,
como se sabe, com fogo não se brinca. A confusão é grande. O clamor é maior e
já tem gente pensando se matar do que ficar engaiolado dentro de casa e morrer
queimado. Falta socorro. Falta atitude. Falta ordem! A situação se torna cada
vez mais indescritível, face às discordâncias e indecisões administrativas.
Ninguém sai para trabalhar e a coisa é do tipo “se sair o fogo queima e se
ficar o fogo torra”.
Tentando
fechar esta edição, a reportagem do Blog conversou com o encarregado pela Higiene
e Saúde do Condomínio que, agora, está conclamando os condôminos na formulação
de uma solução consensual, unindo esforços para lutar contra o inimigo que bate
às portas do prédio e já invade muitas dependências. “Já tem fogo em todos os
andares e se lutarmos juntos, à luz de uma trégua, seremos mais fortes. Política
condominial que fica pra depois! Temos tempo para isto, no futuro. Agora é hora
de salvarmos nossos condôminos e o nosso patrimônio”. Comenta-se que esta
iniciativa, aliás, foi atendendo às súplicas dos condôminos através do Grupo
Pindorama de WhatsApp. Esta reportagem volta a qualquer momento para informar
dignamente seu público.(Reportagem
Blog do GB)
NOTA: Esta “reportagem” é fruto da imaginação de um cidadão em quarentena no Brasil atacado pela Covid-19. Recomenda-se que qualquer semelhança com fatos e personagens reais é pura coincidência.
Foto colhida no Google Imagens, da série Labaredas.
segunda-feira, 1 de julho de 2019
Carapeta Desgovernada.
Está muito difícil viver este Brasil de hoje. Quanto mais se espera Ordem e Progresso, mais sustos são cometidos. Prá quem se expõe
a outras sociedades e percebe, o pouco que seja, da complexidade de governar, chega
a ser desolador. Quando a gente pensa que já viu de tudo, novos episódios
sórdidos pegam de surpresa o cidadão, a cada amanhecer.
Depois de uma pausa de 30 dias, no meio do mundo, fico pasmo com tanta desordem em Pindorama. As tribos não param
de se enfrentar e a Nação rodopia como uma carapêta(*) desgovernada.
Observem que neste cenário estão brotando surpreendentemente pajés ambiciosos, por todo lado. E o mais grave é que nenhum se esforça a contento e no seu devido posto para dar rumo aos interesses da Nação.
A semana que terminou registrou dois exemplos inéditos e inverossímeis. Como pode um sujeito condenado e cumprindo prisão domiciliar (uma regalia de certo modo estranha e pouco entendida por muitos) receber uma permissão judicial para gozar férias de mais de trinta dias, com a família, num resort de cinco estrelas em Aruba, no Caribe? O mais estarrecedor é saber que o tal senador, Acir Gurgacz, (PDT/RO), condenado por crimes contra o sistema financeiro, não demonstrou a menor cerimônia ou sensatez ao requerer tamanha aberração ao Poder Judicial, em Brasília. Ao mesmo tempo, o juiz que concedeu essa permissão vergonhosa não revelou o menor pudor, dignidade e respeito ao poder de julgar que lhe foi outorgado. Só mesmo num país como o nosso. Por sorte - e a tempo de correção - o Ministro Alexandre Moraes, do Supremo Tribunal, revogou a tal autorização, atendendo pedido da Procuradora Geral da Republica, Raquel Dodge. Mesmo que aplaudindo o revés que foi aplicado ao Senador, impedido dessa regalia de tamanho desproposito é de se espantar a que tão baixo nível pode chegar um representante do poder de julgar. Como acreditar na nossa Justiça?
O outro episódio surpreendente ficou por conta do sargento Manoel Silva Rodrigues, da Força Aérea Brasileira, integrante da Comitiva de Apoio ao Presidente Bolsonaro, em viagem oficial ao Japão, para a Reunião do G20, ser flagrado portando em bagagem de mão 39 Kg. de cocaína! Incrível! E na Espanha, quando de escala técnica. Francamente!
Repercussões das mais negativas tomaram conta dos principais veículos de notícias do mundo e nas redes sociais, expondo, ainda mais, a imagem já tão desgastada do Brasil na comunidade internacional. O que passou pela cabeça desse sargentinho? Curioso é saber que se trata de um militar habituado a participar dessas viagens presidenciais, com inúmeras missões durante os Governos Lula, Dilma e Temer. Rodrigues foi apanhado dessa vez, na Espanha, pondo fim, seguramente, à própria carreira, expondo de modo sujo a sempre honrada força aérea que representava e, por fim, criando um transtorno inédito e inaceitável às autoridades governamentais. Perguntas que não calam: como pôde esse sargento embarcar com essa droga? onde estavam as autoridades aeroportuárias que permitiram esse embarque desastroso? Seria mesmo esse sargento uma velha "mula qualificada" no dizer do General Mourão? Como viverá esse traficante no dia-a-dia?
Eita Brasil velho e cheio de tramoias. Precisamos controlar urgentemente essa carapêta.
Observem que neste cenário estão brotando surpreendentemente pajés ambiciosos, por todo lado. E o mais grave é que nenhum se esforça a contento e no seu devido posto para dar rumo aos interesses da Nação.
A semana que terminou registrou dois exemplos inéditos e inverossímeis. Como pode um sujeito condenado e cumprindo prisão domiciliar (uma regalia de certo modo estranha e pouco entendida por muitos) receber uma permissão judicial para gozar férias de mais de trinta dias, com a família, num resort de cinco estrelas em Aruba, no Caribe? O mais estarrecedor é saber que o tal senador, Acir Gurgacz, (PDT/RO), condenado por crimes contra o sistema financeiro, não demonstrou a menor cerimônia ou sensatez ao requerer tamanha aberração ao Poder Judicial, em Brasília. Ao mesmo tempo, o juiz que concedeu essa permissão vergonhosa não revelou o menor pudor, dignidade e respeito ao poder de julgar que lhe foi outorgado. Só mesmo num país como o nosso. Por sorte - e a tempo de correção - o Ministro Alexandre Moraes, do Supremo Tribunal, revogou a tal autorização, atendendo pedido da Procuradora Geral da Republica, Raquel Dodge. Mesmo que aplaudindo o revés que foi aplicado ao Senador, impedido dessa regalia de tamanho desproposito é de se espantar a que tão baixo nível pode chegar um representante do poder de julgar. Como acreditar na nossa Justiça?
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| Olha aí o folgado Senador condenado à prisão e querendo ferias no Caribe. |
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| "Mula Qualificada", no dizer do Vice-Presidente |
Eita Brasil velho e cheio de tramoias. Precisamos controlar urgentemente essa carapêta.
(*) Carapeta (ê). S. f. Piãozinho que
se faz girar com os dedos (Dicionário do Aurélio)
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.
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