Vejam que coisa curiosa. Aqui no Brasil é tão diferente. Eu, pessoalmente, quando vou comprar medicamentos, procurar uma área em que haja um conglomerado de estabelecimentos. Se não tem o que procuro numa, certamente terá na de junto. Coitados dos portugueses.
Coitados virgula... eles respeitam uma recomendação da Organização Mundial de Saúde – OMS de que deve haver uma distancia de 500 metros entre uma farmácia e outra. Não me pergunte sobre a lógica dessa coisa. Assim, os portugueses estão corretos, como outros devem seguir esta recomendação. Nós é que somos diferentes de tudo. Como não há rigor para nada, neste país, a coisa rola de qualquer modo e conforme a ganância dos comerciantes. Afinal, o que vem a ser uma recomendação internacional? Nada! Apenas uma recomendação. Fiquei sabendo disso tudo, esta semana, lendo num jornal do Recife matéria muito interessante a respeito do número de farmácias funcionando no Brasil. São 72.480 estabelecimentos comerciais do gênero, para 191 milhões de habitantes. Tem o dobro do que recomenda a OMS, que é de uma drogaria para cada 8 a 10 mil pessoas. Em Pernambuco, por exemplo, são 3.300 farmácias. Tem mais farmácias do que padarias e escolas de ensino médio públicas e privadas. Vejam só, são 2.900 padarias e 1.110 escolas no estado inteiro. Pelo visto, negociar remédios é mais interessante do que com alimentos e educação. Acho que tem muito mais doentes do que se imagina.
Segundo a reportagem, a Pesquisa constatou que existe no Recife uma drogaria para cada 2.617 pessoas. Isto é o triplo do que recomenda a OMS. Segundo o Sindicato dos Proprietários de Farmácias, 900 farmácias seria suficiente para atender a população recifense. Que jeito?
Ah, antes de terminar! Já ia esquecendo de arrematar minha historia, em Portugal: encontrei, sim, uma farmácia naquela tarde de primavera portuguesa. Na verdade fui bater a porta de uma Pharmácia. Pelo que vi, um estabelecimento secular. Uma beleza! Antiga, mobília austera, azulejada de azul e branco. Coisa, certamente, de várias gerações. E o que ocorreu, então, foi uma cena muito gozada: o pharmacêutico abriu-me a porta, ao toque de uma campainha, usava um pince-nez dourado, estava embalado numa bata imaculadamente branca, que ia ao rés do chão e, cheio de salamaleques, me perguntou: “Ah! Assim que o Xinhore está constipado?”“ Sim estou.” “ E o xinhore prefere um medicamento em drágeas ou vai querer logo a aplicação de uma pica?” Nem preciso dizer qual foi a minha
escolha. Tá doido? Garrei das drágeas, paguei-as depressa e, mais depressa ainda, sai da Pharmácia, rindo de morrer. Acontece cada coisa comigo. A farmácia era uma pharmácia, mas, o remédio era moderníssimo. Fabricado na Alemanha. Foi eficaz. Fiquei bom em 24 horas.Nota: Fotos obtidas no Google Imagens.







