Talvez por isso, ao contrário de muita gente, eu gosto muito de ir a São Paulo, a maior metrópole brasileira. Acabo de regressar de mais uma dessas visitas, que me tomou cinco dias dessa semana que termina.
Comecei falando de desafio, prazer e desgastes. É isso mesmo. Viver São Paulo é um pouco de cada uma dessas coisas. É preciso saber viver cada situação. É o tipo de cidade que você gosta ou desgosta. Não cabe um meio termo. Eu, simplesmente, gosto.
Cada vez parece ser uma vez diferente. A cidade instiga o visitante para que olhe sempre por um novo prisma, um novo ângulo, uma nova imagem, que, aliás, sempre aparece. Nesses cinco dias observei coisas bem comuns na vida do paulistano, senão vejamos.
A primeira coisa que me ocorre comentar é o desafio do trânsito. Perde-se muito tempo nos deslocamentos urbanos. Esses dias, acho que na sexta-feira, sintonizei uma estação de radio que transmite um tal de radar do transito, para conferir a situação e saber dos pontos críticos e dos engarrafamentos da hora, que chegavam a marca dos 160 km., por todos os lados da capital. Bendito radar, porque orientado por ele, fugi de alguns trechos críticos e consegui chegar a tempo num compromisso.Vencido o desafio do transito, outra cena interessante testemunhei num estabelecimento industrial que visitei, nos arredores da cidade, à margem de uma rodovia importante. A visita havia sido agendada previamente por um amigo, que acompanhei – cliente da empresa – com o diretor principal da fábrica. Fomos muito bem recebidos, com direito a brinde de luxo na saída, mas, uma coisa deixou-me surpreso: durante 40 minutos conversamos, sem que ele fizesse a gentileza de convidar para uma mesa. De pé, na entrada do seu gabinete, numa boa. Desenvolveram-se inúmeros temas, inclusive de negócios. Ambas as partes mostravam-se interessadas em cada ponto discutido e o clima era de perfeito entrosamento. Lá pelas tantas, quando algumas coisas pareciam estar acertadas, o dito diretor convidou-nos para um café. De pé, claro! Depois do cafezinho esperto, fomos convidados a fazer um tour pelo chão da fábrica. E, aí então é que não tínhamos, mesmo, de nos sentar. O estabelecimento é novíssimo. Uma beleza de instalações. Deu gosto de ver. Lindíssimo. No final de visita, guiada por um outro diretor, passamos por uma ala com oito salas de reunião! Moderníssimas, equipadíssimas e confortaveíssimas! Quase não acreditei que havia salas de reunião por ali. Moral do episódio: paulista não perde tempo com reuniões cheias de trololós infindáveis. Conversa comprida, nunca. Com ele é pei-pei ou buft-buft. Por isso, se diz que São Paulo anda correndo e nunca pára! Quando voltei para o carro, achei ótimo sentar... um alivio.
O dia de trabalho termina e, outra vez, o transito vira um caos. Não fosse o radar da estação de rádio, outra vez também, e não sabíamos a razão de tantos engarrafamentos. Ao volante do meu veiculo locado, espero, espero, espero... o transito fluir. Meu amigo no assento ao lado, cansa, dorme, ronca e acorda assustado com o próprio ronco. Meio dormido, meio que acordado, pergunta: “onde estamos? que foi que aconteceu? o que é isto?” Minha resposta: “É São Paulo, meu caro! Durma”. É preciso paciência. Se estiver de carona, sente sono, mesmo. Como há sempre uma novidade pela frente, eis que surge um vendedor, em meio a muitos outros, oferecendo pipocas, vestindo uma camisa do Sport Club do Recife. Abro a janela, olho bem nele, ele corre e vai me dizendo que está fresquinha e crocante, “somente R$ 1,00, Doutor”. Minha resposta é com o grito de guerra do casá, casá, a turma é mesmo boa... Ele logo entendeu que estava diante de um pernambucano. Vibrante me disse que era rubro-negro até a alma, recifense, fugido da Favela do Rato, tentando vencer no frio da São Paulo e escapando da policia que, a toda hora, dá carreiras nos ambulantes da Avenida Tiradentes. Vida de imigrante nordestino... São muitos por lá.
A noite cai, o clima fica bem agradável, na casa dos 17ºC, e chega a hora de procurar uma restaurante para jantar. É o que não falta e só dá dos bons. Como o restaurante escolhido está em São Paulo, tem fila de espera. Outro exercício de paciência. “Os senhores vão esperar pelo menos meia hora. Aguardem ali, no bar. Aproveitem tomem um aperitivo” disse a recepcionista, com maior tranquilidade. Meia hora, não é nada.
A gente espera... a gente observa... a gente degusta um bom prato e a gente faz negócios. Ah! a gente, também, compra, a preços bons, de um tudo que deseja consumir. São Paulo é o paraíso das compras. Adoro São Paulo.
Visite São Paulo. Mas, vá com boa vontade e paciência. Faça este exercício. E, cá pra nós, leve dinheiro, viu!







