domingo, 24 de maio de 2009

São Paulo: um Exercício de Paciência

Viver numa megalópole é um desafio... muitas vezes prazerosos e, por vezes, desgastantes. Digo sempre que sou um urbanóide confesso. Gosto das grandes cidades. Talvez, porque acho bom circular como uma figura comum e não ser reconhecido. Faço, com prazer, longas caminhadas e procuro sempre observar o comportamento da gente, do transito e da cultura em geral.
Talvez por isso, ao contrário de muita gente, eu gosto muito de ir a São Paulo, a maior metrópole brasileira. Acabo de regressar de mais uma dessas visitas, que me tomou cinco dias dessa semana que termina.
Comecei falando de desafio, prazer e desgastes. É isso mesmo. Viver São Paulo é um pouco de cada uma dessas coisas. É preciso saber viver cada situação. É o tipo de cidade que você gosta ou desgosta. Não cabe um meio termo. Eu, simplesmente, gosto.
Cada vez parece ser uma vez diferente. A cidade instiga o visitante para que olhe sempre por um novo prisma, um novo ângulo, uma nova imagem, que, aliás, sempre aparece. Nesses cinco dias observei coisas bem comuns na vida do paulistano, senão vejamos.A primeira coisa que me ocorre comentar é o desafio do trânsito. Perde-se muito tempo nos deslocamentos urbanos. Esses dias, acho que na sexta-feira, sintonizei uma estação de radio que transmite um tal de radar do transito, para conferir a situação e saber dos pontos críticos e dos engarrafamentos da hora, que chegavam a marca dos 160 km., por todos os lados da capital. Bendito radar, porque orientado por ele, fugi de alguns trechos críticos e consegui chegar a tempo num compromisso.
Vencido o desafio do transito, outra cena interessante testemunhei num estabelecimento industrial que visitei, nos arredores da cidade, à margem de uma rodovia importante. A visita havia sido agendada previamente por um amigo, que acompanhei – cliente da empresa – com o diretor principal da fábrica. Fomos muito bem recebidos, com direito a brinde de luxo na saída, mas, uma coisa deixou-me surpreso: durante 40 minutos conversamos, sem que ele fizesse a gentileza de convidar para uma mesa. De pé, na entrada do seu gabinete, numa boa. Desenvolveram-se inúmeros temas, inclusive de negócios. Ambas as partes mostravam-se interessadas em cada ponto discutido e o clima era de perfeito entrosamento. Lá pelas tantas, quando algumas coisas pareciam estar acertadas, o dito diretor convidou-nos para um café. De pé, claro! Depois do cafezinho esperto, fomos convidados a fazer um tour pelo chão da fábrica. E, aí então é que não tínhamos, mesmo, de nos sentar. O estabelecimento é novíssimo. Uma beleza de instalações. Deu gosto de ver. Lindíssimo. No final de visita, guiada por um outro diretor, passamos por uma ala com oito salas de reunião! Moderníssimas, equipadíssimas e confortaveíssimas! Quase não acreditei que havia salas de reunião por ali. Moral do episódio: paulista não perde tempo com reuniões cheias de trololós infindáveis. Conversa comprida, nunca. Com ele é pei-pei ou buft-buft. Por isso, se diz que São Paulo anda correndo e nunca pára! Quando voltei para o carro, achei ótimo sentar... um alivio.
O dia de trabalho termina e, outra vez, o transito vira um caos. Não fosse o radar da estação de rádio, outra vez também, e não sabíamos a razão de tantos engarrafamentos. Ao volante do meu veiculo locado, espero, espero, espero... o transito fluir. Meu amigo no assento ao lado, cansa, dorme, ronca e acorda assustado com o próprio ronco. Meio dormido, meio que acordado, pergunta: “onde estamos? que foi que aconteceu? o que é isto?” Minha resposta: “É São Paulo, meu caro! Durma”. É preciso paciência. Se estiver de carona, sente sono, mesmo. Como há sempre uma novidade pela frente, eis que surge um vendedor, em meio a muitos outros, oferecendo pipocas, vestindo uma camisa do Sport Club do Recife. Abro a janela, olho bem nele, ele corre e vai me dizendo que está fresquinha e crocante, “somente R$ 1,00, Doutor”. Minha resposta é com o grito de guerra do casá, casá, a turma é mesmo boa... Ele logo entendeu que estava diante de um pernambucano. Vibrante me disse que era rubro-negro até a alma, recifense, fugido da Favela do Rato, tentando vencer no frio da São Paulo e escapando da policia que, a toda hora, dá carreiras nos ambulantes da Avenida Tiradentes. Vida de imigrante nordestino... São muitos por lá.
A noite cai, o clima fica bem agradável, na casa dos 17ºC, e chega a hora de procurar uma restaurante para jantar. É o que não falta e só dá dos bons. Como o restaurante escolhido está em São Paulo, tem fila de espera. Outro exercício de paciência. “Os senhores vão esperar pelo menos meia hora. Aguardem ali, no bar. Aproveitem tomem um aperitivo” disse a recepcionista, com maior tranquilidade. Meia hora, não é nada.
A gente espera... a gente observa... a gente degusta um bom prato e a gente faz negócios. Ah! a gente, também, compra, a preços bons, de um tudo que deseja consumir. São Paulo é o paraíso das compras. Adoro São Paulo.
Visite São Paulo. Mas, vá com boa vontade e paciência. Faça este exercício. E, cá pra nós, leve dinheiro, viu!
Nota: Foto obtida no Google Imagens

sábado, 16 de maio de 2009

COMEMORANDO O INCABÍVEL

Eu já havia iniciado um comentário critico sobre a situação da violência urbana no Recife, quando notei que, na mesma ocasião, festejavam os dois anos do programa Pacto pela Vida, do Governo estadual. Isto foi no inicio desta semana. Propaganda em jornais, sessão especial na Assembléia Legislativa do estado e outras comemorações mais.
Surpreso com um “foguetório” incabível, fui buscar explicações nas matérias e estatísticas publicadas.
Lembrando que Recife já foi “eleita”, poucos anos atrás, a cidade mais violenta do Brasil, a primeira coisa que me ocorreu foi passar pela Rua Joaquim Nabuco, bairro das Graças, no Recife, e conferir o contador de homicídios – imenso painel luminoso que informa, sem pena e de forma constrangedora, o número de assassinatos cometidos no estado de Pernambuco, no ano, mês, semana e dia – maneira estranha, fria e chocante de chamar a atenção publica para um dos mais aberrantes problemas sociais do Recife, Pernambuco e do Brasil. Aquela contagem lá, não pára de crescer. Observo-o sempre de modo incrédulo.

Por outro lado, descobri um dado estarrecedor: no primeiro trimestre deste ano foram cometidos 1.238 assassinatos, em Pernambuco. E, veja bem, são dados da Secretaria de Defesa Social do Estado. Isto representa quase 5% a mais do que o mesmo período, no ano de 2006. O mesmo informe dá conta que o mês passado foi o mais violento do ano com 473 execuções. E o Governo que aí está garante que a coisa está melhorando e que a situação é bem melhor do que a do governo passado. Futricas políticas. Sei não... Deus que me livre, e a minha família, de uma dessas tragédias.
Fruto de uma impunidade desmedida, os assassinatos são cometidos a toda hora, em todos os espaços e sem ter nem para quê. Dolorosa situação para uma sociedade que, cada vez mais, prefere viver “aprisionada” em casa, temendo sair com qualquer que seja o propósito, temendo não retornar. Hoje em dia, sair à noite é, para mim, um dos maiores sacrifício. Tenho medo, sim.
Na prática nossa policia tem se revelado incapaz, insuficiente e, particularmente, incompetente. Os investimentos, que dizem são feitos, parecem ser sempre insuficientes e não conseguem mudar a situação. É uma calamidade. Assaltos são cometidos a toda hora, muitos são latrocínios, assassinatos nos âmbitos domésticos e sem motivos concretos, estupros seguidos de assassinatos, infanticídios bárbaros, enfim uma violência desmedida e crescente. É verdade que se trata de um problema nacional, mas no Recife o problema aparenta ser insolúvel. É demais.
Por tudo isso, acho um desplante desse Governo promover uma comemoração dos dois anos de sucesso do citado programa. Melhor seria calar. Para que comemorar em Palácio, se na praça a violência impera?
Minhas criticas poderiam ter ficado por aqui. Mas, acontece que duas coisas me surpreenderam e abalaram no decorrer da semana. Merecem ser registradas, para ilustrar minha revolta. A primeira, aconteceu no auge das comemorações do Pacto, foi o bárbaro assassinato do jovem Igor Siqueira Duque, em pleno meio dia, numa das avenidas mais movimentada da cidade. Jovem de 28 anos, cheio de vida e projetos, ex-colega do meu filho, na escola secundária. Igor voltava do trabalho para casa e, a menos de 500 metros do seu destino, teve a vida roubada com uma bala mortífera no pescoço. Os assassinos fugiram e só Deus sabe o paradeiro. Dizem que a policia anda no encalço dos dois. Como o rapaz era filho de uma juíza de Direito, pode ser que a coisa tenha resultado. Foi uma coisa muito triste e muito próxima de nós. Para mim, que tenho um filho na faixa etário de Igor, é um verdadeiro sufoco ver meu filho sair de casa para trabalhar, se divertir ou qualquer outra coisa. Peço a Deus que o proteja e louvo-O quando o vejo de volta.
A outra coisa que me deixou revoltado, desanimado e profundamente decepcionado foi a matéria de ontem do jornal britânico The Independent, denunciando a matança de seres humanos no Recife. Isto é péssimo! Para mim que tenho orgulho de falar sobre as belezas e atrativos turísticos do meu estado e da minha cidade, nas minhas andanças mundo afora, foi como uma ducha bem gelada. Estremeci e enchi-me de tristeza. O jornalista Evan Williams chamou o Recife de “capital brasileira dos assassinatos”. O repórter passou pelo Recife, impressionou-se com a situação local e destacou no jornal londrino o número absurdo de assassinatos, o perfil das vitimas e, o pior, a participação de frios policiais em grupos de extermínios. É de lascar... Ah! Fez, também, um registro para o estranho painel, no meio da cidade, que indica o número de assassinatos, por freqüências.
Meus amigos, sinceramente, é certo comemorar esse tal de Pacto pela Vida, no meio de tantas barbaridades? Melhor seria trabalhar em silencio e não gastar dinheiro publico com propaganda enganosa, incluindo participação de ator global. Pobre Recife...
Nota: Foto obtida no Google Imagens

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Attenzione, i brasiliani sono prossimi!

Com pouco mais de vinte anos de idade fui, pela primeira vez, à Europa. Em Florença, na Itália, assisti a uma cena inesquecível: integrante de um grupo grande de brasileiros, em excursão pelo Velho Mundo, ao entrarmos no famoso Mercado da Palha, local de grande atração turística, houve como um corre-corre dos comerciantes. Ouvi claramente de uma velhota: Attenzione, i brasiliani sono prossimi! Traduzindo: Atenção, os brasileiros estão chegando! Surpreso com aquele vexame, perguntei ao Senhor Barros, nosso guia português, a razão daquela coisa. A resposta: “Muitos brasileiros que visitam este mercado roubam mercadorias dos comerciantes”. Aquilo foi como um soco na boca do meu estômago. Todas as vezes que voltei por lá, lembro desse episódio. Digamos que, virou trauma.
Esta é uma das coisas que jamais compreenderei. Fico muito incomodado com essa fama de ladrão do brasileiro. É impressionante. Que DNA mais desgraçado!
O tempo passou e, de fato, as coisas, a meu ver, não mudam. Em pleno século 21, o Brasil assiste, diariamente, ao vivo e a cores da TV, o progresso da gatunagem. E parece que agora está como nunca. Ou mais divulgado, talvez. A toda hora, aparecem ladrões vindos de todas as classes sociais. Com gravatas, sem gravatas, sem camisa ou vestido, homem, mulher, crianças, cínicos, disfarçados, tranqüilos e serenos, como se nada houvessem feito.
Pior é que o modelo maior está lá em cima. Misturado com os três poderes! Haja vista para episódios como mensalão, sangue-suga, farra de passagens aéreas, operações satiagraha e castelo de areia, dólares na cueca, depósitos nos paraísos fiscais, caixa 2, superfaturamento de obras, propinas, tocos, saldo de campanha, além dos “fichinhas” que são os assaltos a bancos e ao cidadão indefeso, roubos pela internet, seqüestros, batedor de carteira e muitas outras modalidades. Todo dia aparece uma nova. A zorra é tão grande que já tem ladrão roubando ladrão, que corre na Policia para registrar um BO e é “convidado a ser hóspede” lá mesmo, atrás das grades.

Francamente, é uma lástima viver num ambiente desse. A coisa parece que está, mesmo, no sangue. Facilitou, o sujeito é roubado. A coisa já, digamos, ficou banal!
Outro dia, minha empregada, há dez anos, toda confiante enquanto servindo meu café da manhã, teve a petulância de declarar que “acha bonito o pobre roubar do mais rico”. Dei um pulo na cadeira, passei-lhe um especial e ameacei demiti-la. Ela ficou sem jeito, gaguejou, pulou de um lado pra outro e tentou se “explicar melhor”. Não adiantou, a besteira havia sido cometida. Não demiti, mas ando com a “pulga atrás da orelha!” Coçaaaaando...
Mesmo saturado, habituado e cansado de acompanhar a bandalheira do patropi, fiquei pasmo com o noticiário de ontem, sobre as fraudes no Bolsa-Família. Foi demais... Imagine que, como se não bastasse o fato de que o Governo venha consolidando uma sociedade paternalista, quando “dá o peixe, ao invés de ensinar a pescar”, o Programa de Combate à Pobreza anda alimentando – como pobres necessitados – um bando de ladrões, nos quatro cantos do país. Ficou provado em auditoria. Uma vergooooonha.
O Tribunal de Contas da União publicou, ontem, um relatório que traça o perfil da indecência do brasileiro comum. Uma verdadeira praga! Os benefícios do Bolsa-Familia foram pagos a 577 políticos eleitos nas eleições de 2004 e 2006, fora mais 39.937 suplentes; 3.791 mortos; 106.329 proprietários de automóveis, caminhões, tratores ou motos e mais de 1 Milhão de famílias com renda acima do permitido. Resultado é que 312.021 famílias estão recebendo ilegalmente recursos do Programa, dando um prejuízo mensal, aos cofres da União, no montante de 26,5 Milhões de Reais. Não é um abuso? Abuso não, é uma tragédia. E pensar que somos nós, os contribuintes idiotas, que pagamos essa pouca vergonha, é de matar do coração.
Tem jeito não. Eu cresci vendo meu pai reclamar da ladroeira que assolava o país. Ele me dizia que não alcançaria o país de vergonha que sonhava. Ficava para a minha geração... Coitado, que ilusão! Eu não tenho esperança nem para os tempos dos meus netos. Do jeito que a coisa vai, a farra vai, ainda, muito longe.
Nossa fama, no Mercado da Palha de Florença, dificilmente vai se apagar. Passará de geração à geração de comerciantes. Curioso foi que, em 2005, visitando o mesmo Mercado, junto com minha esposa, tomamos conhecimento, por um comerciante ítalo-brasileiro local, do episódio do ladrão político preso no aeroporto de São Paulo, com os dólares na cueca. Aquilo foi demais, para mim. Diga mesmo, não foi uma ironia?
NOTA: Charge obtida no Google Imagens

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Quem vê cara, não vê coração. Nem voz...

Ela entrou no palco toda desengonçada. Pelo andar parecia que usava um par de sapatos apertados, cabelo desgrenhado, vestido démodé e, para completar, bem feiosa, se comparada aos padrões de beleza vigentes.
Na entrevista de praxe, foi descontraída com os jurados e, em poucos instantes, mostrou-se, praticamente, como sendo uma figura meio alienada. Teve a tranqüilidade de confessar a idade de 47 anos e, incrível e sem necessidade, declarou que nunca havia sido beijada. Uma graça.
O público não lhe dava crédito e levava a coisa em meio a uma pândega. O júri, este, cumprindo seu papel, parecia que fazia uma caridade.
Diante de uma platéia imensa e certa de que seria apenas mais uma calouro inexpressiva, a britânica Susan Boyle teve sua chance de dizer porque encarou aquele desafio, de um dos mais importantes, quiçá o mais importante, programas de calouros do mundo.
Autorizada a cantar, a mulher feia e sem charme, abalou! Aos primeiros instantes de interpretação a platéia parou, o júri caiu na real e uma belíssima voz se revelava ao mundo da música. O auditório “desabou” em aplausos e o júri ficou atônito.
Susan é escocesa e se tornou uma celebridade mundial em 11 de abril passado no reality show Britain’s Got Talent, cantando “I Dreamed a Dream”, sucesso do musical “Os Miseráveis”.
O choque que ela provocou, com um contraste gritante entre a primeira impressão e a voz que soltou foi, certamente, o maior acontecimento artístico do mundo, em abril de 2009. Inesquecível. A imagem desajeitada, com uma voz sublime correu o mundo em menos de 24 horas. Simon Cowell, um chato de galochas, pernóstico, tipo sabetudo e famoso por seus julgamentos implacáveis, tanto na Inglaterra, quanto nos Estados Unidos, mostrou-se profundamente surpreso com o que via, a ponto de propor rapidinho (ele é uma águia) um contrato de exclusividade com a figura. No projeto de Cowell constam gravações de CDs e filmes. Um filme contando a vida de Susan. Comenta-se que Demi Morre vai viver Susan na tela.
Descobri no Google (ele sabe de tudo!) que ela é a caçula de uma família de dez filhos, que teve dificuldades ao nascer, inclusive falta de oxigênio que casou danos cerebrais, durante o parto. Tida como uma pessoa com dificuldades de aprendizagem, abandou os estudos e foi trabalhar na cozinha de um colégio. Encasquetou a idéia de ser cantora depois de ir aos teatros assistir cantores profissionais. Teve lições de canto com um tal de Fred O’Neil.
Quando o pai de Susan morreu, os irmãos abandonaram a casa, deixando a limitada irmã caçula cuidando da mãe doente, que veio a falecer em 2007. Sozinha, ela vive até hoje na casinha da família, de quatro cômodos. Ela e um gatinho de estimação. No leito de morte, a mãe foi sua maior incentivadora para assumir a carreira de cantora e foi o que influenciou sua inscrição no Britain’s Got Talent.
Susan é uma desempregada e, por isto, não param de surgir oportunidades de ganhar muito dinheiro. Um gaiato, produtor de filmes pornôs, se apressou em oferecer a oportunidade de Susan “unir o útil ao agradável”: participar de um dos seus filmes, no qual seria beijada muitas vezes e, inclusive, perderia a virgindade. Cachê de quase R$ 4 Milhões. Haja dinheiro! Mas, ela não aceitou. Já pensou, perder uma grana preta dessas?
Interessante mesmo foi que, depois de vitoriosa, Susan explodiu com uma declaração curta e correta: “Eu sabia o que eles estavam pensando, mas por que isto me preocuparia se eu sei cantar? Não é um concurso de beleza”.
Quando Susan terminou de cantar, uma jurada do programa, Amanda Holden, foi taxatixa: “Eu estou tão chocada porque todos estavam contra você. Eu vejo que nós fomos arrogantes, e você nos deu a maior lição que precisávamos. Só gostaria de dizer que foi um privilégio escutar você aqui”.
Pois é. O que mais me chama a atenção nisso tudo é o fato de que o mundo não valoriza a beleza interna das pessoas. Só olha para sua aparência externa. Desengonçada e feia, uma pessoa nem sempre tem uma chance. Susan foi uma exceção.
Conheço muitas pessoas, principalmente mulheres, feias e sem charme, que merecem meu respeito e minha amizade porque é nelas onde mais encontro essências e substancias preciosas. Valorizo a “embalagem”, é claro, mas dou muito mais valor no que essas pessoas sacam de dentro dos seus Eus e me oferecem, sem cobranças, por amizade pura, coisa rara neste mundo de concorrências desonestas e selvagens.
Moral da história: “Quem vê cara, não vê coração”. Nem voz!

NOTA: Foto obtido no Google Imagens e não deixe de ver um dos filminho inseridos no Blog. Veja em cima, a direita.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Se correr o bicho pega, se ficar o bispo come!

Tenho acompanhado essa história do bispo/presidente do Paraguai, Fernando Lugo, que teve de assumir publicamente, semana passada, a paternidade de uma criança de dois anos de idade, fruto de uma aventura amorosa com uma jovem correligionária e, logo a seguir, na última segunda feira, enfrentar a aparição de mais um filhinho, que vivia encoberto e já com seis aninhos. Êita bicho bom de cantada... Acho que na volta dele é: “se correr o bicho pega, se ficar o bispo come”. Bom de papo, bom de cama e de comícios. Derrubou uma oligarquia de 36 anos. É mole...
A situação do Papá Lugo não teria nenhuma repercussão se o cara não fosse um sacerdote, bispo licenciado da Igreja Católica paraguaia e, por cima, o Presidente da República. Nessas circunstancias a coisa é grave e, como não poderia deixar de ser, o bicho pegou o bispo.
Vejam que situação vexatória: o homem é bispo (da Província de San Pedro) e passa ferro na fiel que foi pedir ajuda para solucionar um problema que tinha com o ex-companheiro, do qual havia engravidado e dado à luz a uma menina. Foi em busca de solução e arranjou mais encrenca. O resultado da “conversa” e do “conselho” do pastor foi outro bucho, que desembuchado recebeu o bíblico nome de Lucas. O garoto recebeu assistência financeira de Papá Lugo até que completou os dois anos de idade, quando caiu no esquecimento de papito que, agora, nem atende ao telefone da mãe do garoto e, por conta disso, e vingança pesada da mulher seduzida, se vê em palpos de aranha para explicar ao mundo essa outra travessura de alcova. Ela vive na pobreza, vende detergente caseiro nas portas da periferia de Cuidad del Este, fronteira com Foz do Iguaçu, no Brasil.
É isto aí gente. Estamos diante de mais um, entre os milhares, dos casos de sacerdotes católicos que não conseguem respeitar as regras rígidas do celibato.
Esta história vem de longe. Desde o Século V que a coisa rola, sem que, contudo, tenha sido seguida de maneira rígida. Muitíssimo depois, somente no Século XVI, que no Concílio de Trento (1545-1563) estabeleceu-se definitivamente o celibato sacerdotal obrigatório. Na ocasião a Igreja de Roma teve que tomar atitudes severas para acabar com a gandaia que reinava entre os seus sacerdotes. Descobri nas minhas pesquisas que, antes disso, durante certo Concilio em Costanza(não encontrei a data), na Alemanha, 700 prostitutas foram convocadas para atender sexualmente aos bispos ali reunidos. Assim... naturalmente, sem que houvesse qualquer tipo de restrição ou condenação. Numa nice... Outra coisa que estimulou a decisão de Trento foi a clara intenção de dar uma resposta à recente Reforma Protestante que permitia, e, inclusive, promovia os casamentos dos seus sacerdotes. Quer saber mais? Clique, por exemplo, em: http://forum.cifraclub.terra.com.br/forum/11/120170/ . Vale à pena uma espiada.
O celibato é uma grande hipocrisia e tem sido constantemente combatido e discutido nos concílios ou encontros similares da Igreja Católica, sem que haja algum progresso, não obstante os inúmeros movimentos católicos de renovação em defesa da sua abolição. Bento XVI, o atual papa, já deu seu veredicto sobre o assunto: o celibato é necessário. Que jeito...
O resultado dessa posição radical e retrógrada está explodindo, a cada dia e nos quatro cantos do mundo, através dos Lugos irresponsáveis, por pervertidos sexuais que molestam menores, ou ainda nos escândalos homossexuais intra-muros dos mosteiros e conventos católicos. Incluindo as freirinhas. É. Elas são bem danadinhas, também.
Estudei em colégios dirigidos por padres e irmãos católicos e lembro das figuras que, visivelmente, negavam ao mandamento do celibato. Muitos tiveram a coragem de largar as batinas, casar e constituir famílias. Outros continuavam na “clandestinidade” e outros mais eram homossexuais, cujas peripécias eram comentadas “a boca miúda” pela estudantada fofoqueira e reprimida da época. Pense na fuxicada dos corredores.
Na verdade, deve ser muito difícil para o sacerdote ou uma freira – um ser comum, de carne, osso e sistema nervoso – viver podado dos fortes instintos sexuais. É o tipo da coisa incontrolável. Imagine o seminarista, jovem e indefeso, no explodir dos hormônios da juventude, ver-se obrigado a “segurar a barra”. Coitado... Não tem saída. E o pior: na dúvida e na hora do “pega pra capar” ou dá ou desce. Imagino que deve imperar a lei do mais forte, num tipo de “guerra é guerra...” Uma lástima. Haja hipocrisia.
A meu ver, isso devia ser visto de modo mais atual. A Igreja Católica ganharia muitíssimo com uma mudança dessa regra obsoleta. O mundo mudou e a Igreja congelou!
Seria tão mais fácil flexibilizar aos poucos, restringindo o celibato aos voluntários e, quem sabe, aos aspirantes a cargos mais graduados (cônegos, bispos, arcebispos, cardeais, papa). Quem não tivesse essas aspirações poderia fazer sua vidinha particular, constituir suas famílias e verem-se livres das manobras escusas de alcovas, das condenações e ser um bom sacerdote. Isto reduziria muitíssimo os escândalos de seduções "donjuanescas", pedofilia, homossexualismo, orgias monásticas e qualquer tipo de peripécias sexuais. Como conseqüência positiva, aumentaria as vocações sacerdotais e faria nascer uma Igreja mais humana. E, por esse caminho, Lugo não estaria nessas dificuldades, que já põem em risco sua trajetória política de imenso significado histórico para o Paraguai. Não condeno o bispo. Ele pode ser, até, um mau caráter! Mas foi humano.
Notas: 1. Eu sou católico! 2. A charge foi colhida no Google Imagens

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Uma Questão de Ótica

Estou no meio de uma semana com uma agenda pesada. Quase sem tempo para o Blog, embora que assuntos não faltem. De todo modo, ocorre-me, hoje, comentar uma coisa que acho interessante: o choque de enfoques entre O Caminho das Índias x Quem quer ser milionário?
Algumas ocasiões, quando chego a tempo em casa, acompanhando minha esposa, me posto diante da televisão e assisto ao folhetim das oito, da TV Globo. Fico admirado com a exuberância e qualidade da produção, além de fazer idéia do investimento pesado da emissora, que se revela competente, entre outras coisas, na riqueza do cenário, guarda-roupa e locações deslumbrantes. Os atores são excelentes, embora que sem caras de indianos, salvo a protagonista, que tem biótipo próprio para o caso. Mas, minha bronca maior é que, no final das contas, mostra uma Índia, a meu ver, muito artificial. Quase irreal. A exuberância dos ambientes mostrados e os costumes retratados na novela, segundo alguns críticos, inclusive indianos radicados no Brasil, transmitem imagens de um passado remoto indiano. Parece que a coisa já é bem diferente.
A divisão social em castas, ainda pode existir, principalmente no interior, mas, nas grandes cidades, a sociedade mudou bastante, devido ao desenvolvimento econômico, a integração do país ao mundo globalizado, que, aliás, o coloca entre aqueles que estão prestes a fazer parte do clube das potências econômicas modernas, junto com China, Rússia e Brasil. Os quatro, juntos, formam o denominado bloco econômico do BRIC, uma referencia às iniciais dos nomes destes quatro países.
Por sorte, e para que tenhamos a chance de saber melhor sobre a realidade indiana, chegou às telas dos cinemas brasileiros o filme Quem quer ser milionário?, o qual tive o maior interesse de assistir, recentemente. Premiada com o Oscar de melhor filme, a produção de Bollywood (a Hollywood indiana, situada em Bombay, atual Mumbai) retrata, de modo mais realista, uma Índia atualizada e mais verdadeira.
A Índia é um país rico em tradições, história e cultura milenar e, certamente, o lugar do planeta onde o misticismo é mais intenso. Destino de meio mundo que deseja se purificar e repensar a vida nos inúmeros ashrans (centros de meditação e recolhimento liderado por um guru) (vide foto ao lado)espalhados pelo seu território, sempre rodeados de uma pobreza sem fim e difícil de ser exterminada.
O filme em questão revela uma nação divida e pontilhado de miséria cruel, como cruelmente foi mostrada a pobreza degradante e real existente no Brasil, em filmes como Cidade de Deus, Tropa de Elite e Carandiru.
Faça o caminho das Índias, com Juliana Paes, se encante com a superprodução global, mas não deixe de assistir a luta pela sobrevivência dos personagens Jamal e Latika, no filme indiano, premiado com oito estatuetas do Oscar.
Nota: Fotos do Google Imagens

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Antigamente, era muito diferente...

Antigamente, era muito diferente... a gente já deixava de ir a escola na 4ª. Feira, ninguém trabalhava, o comércio fechava, porque a partir do meio dia, já começava o retiro espiritual da semana santa. Dali em diante até a sexta feira, outro sinal muito efetivo vinha pelas ondas dos rádios – então muito prestigiados – que só colocavam no ar músicas clássicas e que todo mundo chamava de música fúnebre. Fazia-se um silencio no meio do mundo, que chamava a atenção de nós, meninos irrequietos, loucos que passasse aquela época tão monótona. Claro! Não se podia cantar, gritar ou fazer algazarras. Arengar com um irmão, seria um pecado mortal.
Paralelamente, a minha casa era invadida pelo cheiro do pescado e do bacalhau que era consumido durante três dias. Para acompanhar havia o feijão e o arroz de coco, verdadeiras delícias, completados pelo o bredo, ao molho de coco, também. Naquela época eu não era muito fã de peixe. Achava insuportável ter que fazer a abstinência de carnes vermelhas por três dias seguidos. Era um sacrifício.
Certas horas, havia o capitulo de ir à Igreja. Lembro da cerimônia do lava-pés, da celebração relembrando a instituição da eucaristia e da procissão do Senhor morto. Beatas choravam, com o terço na mão e beijavam o Cristo na cruz. Era um clima de puro féretro.

Apesar da austeridade exigida, havia duas coisas bem profanas e divertidas, que terminavam quebrando o clima pesado do retiro: a noite do serra-velho, acho que na 4ª. Feira e a da malhação do Judas, na 6ª. Feira. Não estou muito seguro desses dias. A primeira até hoje não entendi. Escolhiam um cidadão ou uma cidadã de muita idade e, de modo geral, antipatizado pela comunidade e simulavam sua morte. Munidos de um serrote, roçando numa lata velha, produzindo um barulho desagradável, alta madrugada e, na porta da vitima, tratavam de fazer um inventário e “distribuição” dos bens do “morto” entre os promotores da provocação. Tinha nego que ficava tiririca e reagia, muitas vezes, a fogo. Quando a arma cuspia balas, os “herdeiros” corriam com os pés nas costas. Quanto a história do Judas, lembro que escolhiam um cidadão, malquisto pela comunidade, para ser “julgado”, em praça publica, através da figura de um boneco em tamanho natural. Era a maior desfeita. Os promotores da malhação, muitas vezes, conseguiam, nunca se sabe como, algumas peças de roupas do cara, produziam um boneco recheado de trapos e folhas de bananeira (eu ajudei a fazer um) e penduravam num poste, bem debaixo da luz pública. O sujeito quando via aquele boneco com suas próprias roupas, era capaz de se suicidar. No fim da noite o boneco, digo o Judas, era derrubado e surrado aos gritos da cambada. Neste caso, estava claro, que se fazia uma relação com a figura do Judas, o traidor de Cristo.
Quando, finalmente, chegava o sábado havia uma explosão de alegria. As rádios, em vez de musica fúnebre, atacavam de frevos e marchinhas de sucesso do último carnaval. Os clubes sociais promoviam os chamados bailes de aleluia. Era o maior carnaval do mundo, numa única noite. Aleluia, aleluia, Cristo ressuscitou!
Hoje é tudo muito diferente. Católico de nascença, fico meio desconcertado, quando vejo a programação dos dias da semana santa dos meus filhos, dos filhos dos meus amigos e dos próprios amigos. Definitivamente, acabaram com o clima de retiro e respeito à Paixão de Cristo.
No lugar das chamadas músicas fúnebres, a programação das rádios não muda em nada e se ouvem as costumeiras batidas do rock, os pagodes e sambas, ou coisas parecidas. Nas estâncias de férias, promovem-se monumentais festivais de músicas, nos quais a moçada se esbalda e extravasa seus instintos mais obscenos. Pra começar, as bandas, vejam só, levam nomes muito esquisitos, tais como Biquíni Cavadão, Garota Safada e Calcinha Preta, entre outros. Isto não casa com nada de bom senso, principalmente o religioso. Pense pular ao som da banda de Ivete Sangalo, em plena noite da 6ª. Feira Santa. E comer churrasco de picanha no meio da festa! Acontece, sim. Não é um horror? Se minhas avós, por um milagre que fosse, voltassem ao mundo dos vivos, davam uma marcha à ré e, fazendo o sinal da cruz, deitavam e morriam, outra vez. Eu nem choraria. Conformado, entendia que não lhes restava outra coisa.
Não! Não é saudosismo, nem beatice, nem falso moralismo. É desconforto espiritual. Acho que um retirozinho, uma pausa para meditar, pode fazer muito bem a essa juventude inquieta de hoje.

Nota: Fotos do Google Imagens

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...