terça-feira, 6 de outubro de 2015

Portugal, Uma parada obrigatória

Quando saindo do Recife, em direção à Europa, digo sempre que Portugal é uma parada obrigatória, dados o conforto e a rapidez que nos são oferecidos pela logística aérea. Nem que seja para uma simples conexão.
Para mim, porém, já que parando na “santa terrinha”, por que não se demorar algum tempo?  Não perco as chances de fazer desse modo, como ocorreu recentemente.  Adoro Lisboa. Sempre aprazível e muita tranquila, até porque não se trata de nenhuma metrópole trepidante, quando comparada com outras capitais europeias e porque sempre nos recebe de braços abertos, após sete horas de voo. Desde o desembarque espero respirar a brisa fresca soprada desde o rio Tejo misturada com a do lado de lá do Atlântico. Levado por esses ares, é ganhar o mundo e logo procurar a Avenida da Liberdade – orgulho dos portugueses, por ser a mais larga de Europa – para descer lentamente, da Rotunda do Marques do Pombal até o Largo do Rossio, aproveitando a
sombra das frondosas castanheiras, que nestes fins de setembro já frutificam, numa fantástica explosão da mãe-natureza, espalhando castanhas por todo lado. (foto acima) São aquelas mesmas, que no Natal, compramos, a peso de ouro, para compor nossa mesa natalina. Colhidas pelos populares são vendidas, depois de torradas (o mesmo processo pelo qual torramos nossas castanhas de caju), no centro da cidade, inclusive ao longo da belíssima Rua Augusta, somente para pedestres, cujo calçamento de pedras portuguesas, com certeza,  brilha como se houvesse sido polido com especial cera e gigante enceradeira. Tudo primorosamente limpo. A vontade inicial é de tirar sapatos e meias e pisar com prazer naquela rua, que é visita obrigatória quando estando em Lisboa. Foto a seguir.
Se na Baixa de Lisboa (área central da cidade) campeia a alma lusitana, num cenário de beleza sóbria formado pelos tradicionais sobrados, ao levantarmos a vista nos deparamos com o monumental Castelo de São Jorge, sentinela alerta desde os tempos medievais, no ponto mais alto da cidade. De lá se descortina a melhor visão da capital portuguesa. Isto sem esquecer que para chegar até lá é preciso “pedir passagem” para atravessar os antigos bairros da Alfama e da Mouraria, santuários dos mais belos fados e das mais antigas tascas. Os bondinhos que sobem e descem são transportes ideias para este percurso e uma parada na Catedral e na Igreja de Santo Antonio é grande pedida, sobretudo para os católicos. Vide fotos a seguir.




Se curtir as belezas e o clima lisboeta é gostoso, o mesmo pode ser dito dos interiores portugueses. Adentrar pelas terras de Cabral é ir ao encontro das origens da nossa gente interiorana, da matutice brasileira e da alma hospitaleira e solidária que prevalece lá e cá. O interior de Portugal é uma capitulo a parte de uma viagem dessas.
Dessa vez, com minha esposa, fizemos um percorrido relativamente tradicional, mas, deveras encantador. Começamos pelos arredores de Lisboa, em direção ao litoral e fomos parar no Estoril e Cascais, os mais famosos balneários portugueses. Mas, como não queríamos praias, logo, tomamos o rumo norte para visitar Sintra, uma vila situada na Região Metropolitana de Lisboa e que guarda importantes relíquias da história portuguesa e da Península Ibérica. Por lá passaram os romanos entre os séculos II AC e V DC. Depois vieram os árabes mulçumanos que andaram por lá durante quatro séculos, por volta do século X DC, e deixaram marcas que se conservam até hoje. História, castelos e palácios fazem a festa para os olhos do visitante. A paisagem é sensacional. Para os amantes da fotografia, como é o caso da minha esposa Sonia, é “pano para as mangas”. Foto abaixo.
Era um sábado e a presença de turistas impressionava. Sintra não comportava tantos. Achar um estacionamento no sitio histórico era como um prêmio de loteria. Encantados com as paisagens e com o patrimônio histórico, seguimos adiante porque aquele sábado foi dedicado a percorrer sítios históricos portugueses. Saindo de Sintra, tomamos a direção norte e fomos desbravando terras e paisagens deslumbrantes, trilhando autoestradas e vias secundárias. Paramos em aldeias remotas, travamos conversas divertidíssimas, sentimos de perto a vibração da alma portuguesa, comemos do bom e do melhor, provamos dos doces, quase sempre com muitas calorias – não existem doces portugueses sem muita gema de ovo – e certamente que, naquele dia, pecamos pela gula!
Depois de um giro no centro histórico de Santarém, chegamos, no fim da tarde, à Vila Medieval de Óbidos, situada no Distrito de Leiria, limites com Caldas da Rainha, Região Centro de Portugal. Ir à Óbidos é tal qual um mergulho na história de Portugal. Na Vila não entra carro. Deixamos o nosso num estacionamento às portas da cidadela, cercada por forte muralha e imponente portal, e empreendemos nosso passeio caminhando. Alí, cada passo dado é um novo quadro do passado. Sem percebermos fomos tomados pelo espírito medieval, reforçados por doses o licor de ginja, típico do local, oferecidos a todo instante. Nesse ambiente mágico o visitante se perde em meio a lojinhas, bares, mercearias, padarias e restaurantes típicos esquecendo-se de voltar ao século 21, tendo que voltar. Foi interessante sair desse cenário e pilotar uma máquina moderna numa autopista igualmente atual. Fotos do local, a seguir.



Retornamos a Lisboa e fomos curtir o resto do dia numa boa mesa, onde nunca falta o bom e bem preparado bacalhau à moda local. Escolhemos o bem estrelado restaurante Gambrinus e fechamos o dia de fausto modo.  É, ou não é, uma parada obrigatória?  

NOTAS: As 6 primeiras fotos foram obtidas no Google Imagens e as 3 últimas são da autoria do Blogueiro.            

5 comentários:

Unknown disse...

Parabéns companheiro Girley! Compartilho da sua opinião : Portugal é parada obrigatória , na Europa! Você alem de tudo é um maravilhoso jornalista. Vai descrevendo tudo com maestria e nós leitores do seu blog vamos viajando também. Vou aguardar a próxima postagem!

Archimedes Lustosa disse...

Girley, depois de ler seu Blog anterior, gostei do comentário sobre Portugal
Archimedes Lustosa

Archimedes Lustosa disse...

Acrescentei uma memória sobre a terrinha do saudoso Zé Amado. Abs Archimedes Lustosa

Susana Gonzalez disse...

Hermosa descripción de tu visita, me hiciste sentir en ese lugar e invitar a visitarlo. Gracias por esto.
Besos Susana Gonzalez

Vértice disse...

Gostei do seu artigo sobre Lisboa, sempre me perguntava porque em regra os brasileiros apenas escolhiam Portugal como país de passagem e nunca para visitarem as suas origens.
Felizmente temos vindo a notar um maior interesse e isso é gratificante pois existiam muitos mitos, sobre a hospitalidade portuguesa e o meu amigo teve a oportunidade de avaliar pessoalmente que foi muito bem recebido em todos os lugares por onde passou.
Que pena aqui no Recife não terem apreço pelas calçadas portuguesas a ponto de as substituirem totalmente na praia de Boa Viagem, agora é tarde já se foram para não voltar mais...