
Já estive muitas vezes na cidade, a passeio e em muitas missões de trabalho. A primeira vez, recordo bem, foi em 1967 e a minha primeira idéia era de haver chegado aos cafundós de Judas.
Para começar, naquela época, o aeroporto era um barracão de madeira, como de madeira foi, durante muito tempo, o Palácio do Governo – chamado de Catetinho – metido no meio do cerrado, antecessor dos monumentais palácios do Planalto e da Alvorada.
Naquela época, o vento seco do cerrado rodopiava ao redor do sujeito, deixando roupas e sapatos em tom avermelhado da cor da terra que caracteriza a região. No fim do dia o cidadão menos preparado, para aquele imenso canteiro de obras, espirrava partículas, digamos, de tijolo.
É incrível ver a Brasília de hoje. A imponência dos palácios governamentais e a exuberância da arquitetura moderna de Oscar Niemayer e Lucio Costa, que, mesmo depois de cinco décadas, continua moderna e vanguardista, encantando a brasileiros e estrangeiros, que já não padecem do vento carregado de terra vermelha e termina o dia, urbanamente, limpo.
Contudo, algumas coisas já chamam muita atenção. Uma delas é o intenso transito da cidade. Tenho a impressão que algo foi equivocado no projeto original ou então não foi possível conter a atração que a cidade exerceu sobre uma legião de brasileiros que, buscando novas oportunidades de vida, decidiram se radicar por ali, na imensidão urbana do Planalto Central.
A cidade foi planejada para suportar uma população de 500 mil habitantes. Neste 2008, já vivem ali mais de 2 milhões de almas.
Claro que, ajudado pela expansão continua do uso do automóvel, sonho de consumo de todo brasileiro, a sonhada capital brasileira – pacata e sem engarrafamentos, cruzamentos e semáforos – viu-se obrigada a usar das obvias modernidades para administrar o movimentado de tráfego ali reinante. A entrada ou saída do Plano Piloto – região que concentra os equipamentos urbanos básicos, como palácios governamentais, câmara federal e senado, ministérios, repartições públicas comuns, comércio, escolas e universidades, zonas hoteleiras e as super-quadras residenciais – se constitui, na hora do rush, num exercício de paciência para quem vive nas chamadas cidades satélites.
Prestes a completar seu cinqüentenário de existência, Brasília já se transformou numa grande metrópole, que na pratica representa a síntese do Brasil.
Se vivo fosse, o Presidente Juscelino Kubitscheck, o JK, estaria certamente orgulhoso da sua

Ao circular por Brasília, na semana que terminou, e me surpreender com o passar dos 50 anos, pude fazer essas reflexões e admirar a beleza e a urbanidade dessa cidade brasileira que é capaz de reunir gente de todos os quadrantes do país, construindo um mosaico étnico dos mais interessantes. Lá estão os índios e caboclos do Norte, os nordestinos, os afro-descendentes, os brasileiros de origem asiática ou filhos dos imigrantes europeus, antes concentrados no Sul, enfim uma miscigenação sem precedentes, que terminam por construir uma sociedade própria e cheia de histórias familiares para contar, sempre transcendendo a pouca idade do próprio habitat.
Salve Brasília, quase cinqüentona.
Viva JK, nosso último estadista e desbravador dos rincões do Centro-Oeste.
Nota: As fotos foram obtidas no Google Imagens. O Blogueiro esteve em Brasilia, nos dias 6 e 7 de agosto em misssão de trabalho do Simmepe.
Dedico esta cronica ao simpático casal rotariano, Mário Cunha e sua italo-brasileira esposa Cida Cunha, que gentilmente me recebeu em Brasilia, na semana que passou. A pizzza oferecida foi maravilhosa, mas o nosso papo foi sem precedentes. Adoro histórias de imigrantes.
5 comentários:
Grande Girley:
De há muito vivo pensando e, agora, aproveitando seu blog, divulgo:
E se Brasília fosse no carente NE e não no Centro-Oeste tão já punjante? Como estaríamos hoje?
Aproveito para felicitá-lo pelo aniversário.
Grande abraço,
Corumbá
Caro Girley, para quem como eu, não conhece Brasília, mas viveu o elan criado pelo crescimento do Brasil de 50 anos em 5, lema de JK, concorda com você em gênero, número e grau, a respeito do governo e do homem JK.
Beleza, Girley. Louvo o seu trabalho de brindar os amigos com matérias tão interessantes. De minha parte, só tenho que agradecer pelo prazer das leituras. Entendo o seu prazer em escrever, assim como imagino a satisfação do homem da caverna gravando suas mensagens. Para alguém do presente (lá dele)? Ou para nós? Ou terá sido por puro prazer de fazê-lo.
Fico aqui com meus encucamentos provocados por você.
Obrigado.
Um abraço.
Wilame Jansen
Caro Girley, eu e a Cidinha agradecemos sua dedicatória deste artigo sobre Brasilia na qual construimos grande parte de nossa vida e de nossos filhos e netos.
Nada acontece por acaso e precisava uma outra Cidinha em minha vida para me aproximar de você como se fossemos amigos há longos anos. Isto é maravilhoso. Isto é Rotary!!!
Quanto ao seu aniversário Parabens!!!
Estou pedindo a Deus que inscreva seu nome em seu plano de amor para viver longos anos de vida fazendo a felicidade dos que o cercam como premissa de sua própria felicidade.
um abraço de comemoração e alegria!!!
Mário e Cidinha
Caro companheiro Girley: agora vejo que temos algumas afinidades, fora nosso querido Rotary! Também sou fã de JK e de Brasília. Lembro que quando Brasília foi inaugurada eu ganhei um broche com as cores verde e amarelo, com o pALÁCIO DA aLVORADA! o Brasil só veio a ser conhecido mundialmente depois de Brasília! Agora, sobre o assalto ao seu genro australiano, aqui para nós é de nos "matar" de vergonha! Que impressão ele levou do Recife, de Pernambuco, enfim do Brasil? É caro companheiro, não temos nenhuma segurança. E por isso fujo de algum evento durante a noite. ÀS vezes, até do Rotary! Tenho que pensar duas vezes antes de sair de casa!. Um abraço e continue nos deleitando com suas estórias no bolg. Fernanda.
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