A meu ver, comer é uma dos maiores prazeres da vida. Gosto de comer bem e de cozinhar nas horas vagas. Mas, pensando bem, o que é muito bom para mim, pode parecer uma coisa asquerosa para outros. Ou seja, “cada terra tem seu fuso e cada povo tem seu uso”. Eu gosto de peito de peru a Califórnia, mas outros (indianos, por exemplo) de peito de rato assado, com molho de pimenta do reino... que se vai fazer?
Há alguns anos, houve uma denúncia de que o homem pobre do Nordeste brasileiro, para não morrer de fome, comia ratos gabirus. Não era verdade. Não chegaram a tanto. O que eles comiam eram preás, também conhecidos por porquinho da India, muito comum no semi-árido. São roedores, sim. Como são as cutias e os coelhos.
Nos últimos dias a China tem sido noticia diária por conta das Olimpíadas. Quem quer falar daquele país tem mil temas a abordar e, se a opção for a culinária, haja espaço para todos os comentários. A cozinha chinesa é tida como uma das mais sofisticadas do mundo. Há uma rica

É isso mesmo. Existe muito exotismo no mundo da culinária. E, no nosso caso, o sarapatel e a buchada são exemplos nítidos. Nem todo mundo enfrenta.
Viajando, certa vez, pela África do Sul, vi-me, com um grupo de pernambucanos, num restaurante, onde serviam, segundo os proprietários, 99 tipos de caças. Desfilaram pela nossa mesa assados de toda espécie. Da letra A a Z. Entre outras me recordo de antílope, girafa, queixada, hipopótamo, filhote de puma, jacaré, cobra, veado, cervo e zebra. Foi um vexame... ninguém queria encarar os excessos de exotismo. O que fez a alegria da mesa, no final das contas, foi uma galinha d’Angola servida num molhinho saboroso. De fato, as várias carnes servidas exalavam, todas elas, um forte cheiro de capim. Era como se estivéssemos comendo mato. Já pensou? Foi um tal de tomar vinhos, para amenizar o gosto ruim, que deixou a maioria pra lá do Cabo da Boa Esperança, ali bem perto.
Mas, não precisa ir à África ou Ásia para encontrar pratos diferentes. Certa vez, em Nova York, falando sobre os preços de restaurantes da cidade, alguém me falou de um local que servia um sofisticado prato de formigas ao molho da manteiga, que custava U$ 120,00! Achei estranho, até que uma amiga pernambucana me disse que as formigas não passavam de exuberantes bundas de tanajuras! Quase “morro” de rir. Vai ver as tanajuras que serviam por lá haviam sido importadas de Bonito ou Bezerros, interior de Pernambuco, onde a espécie dá de sobra.
Por isso tudo, não custa lembrar: em viajando, vá preparado para as surpresas.
Nota: A foto de um mercado chinês foi obtido no Google Imagens
7 comentários:
O único roedor que toparia comer seria o Timbu dos aflitos. PST (Pelo Sport Tudo).
girley, enviei um comentário e apareceu um erro, não sei se chegou a ir...
Essa crônica está demais mesmo! Qualquer um fica pra lá de Bagdá com a sugestão do rato como prato de boa escolha. Mas, o peru à Califronia deu água na boca.
Muito bem! Soube dosar de maneira satisfatória, uma pouco ao cão dos infernos e muito a Deus.
Viva
Geraldo Pereira
Comentava se aqueles fogareiros feitos de jante de caminhão nas portas de estádios, nas festas de largo, carnaval e que tais fazendo ao vivo e cores "churrasquinho de gato"... serão mesmo de gato? são gostosos!
Rato de criatório... vai encarar?
Era mais ou menos isso aí no bilhete perdido
Girley,me divirto com suas crônicas e concordo com você em não querer conhecer essas iguarias tão exóticas a começar pelas tanajuras.
beijos
Clécia
Girley:
Já estava triste porque você falou de tantas e iguarias e não abordava a minha preferidíssima:TANAJURA.Ah, que delícia!
Quer pagar para me ver comer?
Rinalva
A propósito de comidas exóticas, meu amigo Renato Bahia, sempre bem humorado, teve a gentileza de me enviar a foto exposta no Blog que recebeu o titulo de: "Lula de Pobre". Achei ótimo. Haja criatividade e credulidade!
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