quinta-feira, 13 de março de 2025

FELIZ ANO NOVO

Pode parecer estranho, nestes dias de março, meu desejo de Feliz Ano Novo. Para o leitor(a) estrangeiro, principalmente. Mas, para o brasileiro comum soa como algo quase que normal. Acontece que no país do carnaval, como o Brasil, todo mundo resolve adiar seus planos e projetos passados os festejos de Momo. Como em geral a coisa acontece em fevereiro, o mês de janeiro e parte de fevereiro vira tempo de festejos, de férias, curtição de verão, praia e cachaça. O gran finale são os três dias de folia. Somente após isto que o ano começa de verdade. A cada ano a movimentação se amplia. Cidades nas quais o carnaval era um tempo “morto”, como os casos de São Paulo e Belo Horizonte, já se notam manifestações volumosas e atrativas para foliões antes adormecidos. O Ministério do Turismo garante que mais de 50 milhões de pessoas vai às ruas comemorar o Carnaval Brasileiro. Certamente a mais popular festa do país. Este ano a coisa foi, segundo noticiários, mais retumbante do que nunca. Mesmo porque houve mais tempo para os preparativos e para o popular “esquente” das baterias, visto que o tal gran finale se deu em pleno mês de março. Já vi muitas vezes essa ocorrência cronológica, porém não tão fincada no terceiro mês do ano. Como o carnaval é uma data móvel, diferente de outras como o Natal, por exemplo, este é definido com base na data da Páscoa, definida, por sua vez, com base no calendário lunar e no equinócio de março. Para os que desconhecem e melhor situar, equinócio de março é quando o dia e a noite têm a mesma duração. A Páscoa cai sempre no primeiro domingo após a primeira lua-cheia depois do equinócio de março. Daí é só calcular 47 dias antes da Páscoa e tome carnaval. Complicado? Nada. Somente à primeira vista. Por oportuno é bom lembrar que essa data de Páscoa (centro desses cálculos cronológicos) foi estabelecido em 325 d.C. num concilio realizado na cidade de Nicéia, na Turquia. Com base nessa tradição histórica foi que tivemos este “início” de ano tão retardado. Vá compreender esta doidice brasileira.
Mas, tem uma coisa. Se por aqui a brasileirada faz o ano se arrastar no começo, no resto do mundo o ano começa, muitas vezes, antes que o outro termine. Este ano, por exemplo, foi uma parada indigesta viver janeiro e fevereiro no mundo afora. Guerras, fomes, acidentes aéreos estranhos, inundações e coisas semelhantes assustaram meio mundo. Para completar, no domínio politico, a posse de Donald Trump, na presidência dos Estados Unidos, com ideias e decretos mirabolantes, para seu país e para o resto do mundo, mostrou que 2025 veio fervendo. E a brasileirada em geral sambando na base do “tô nem aí”. Por essas que este país não vai adiante! Claro que, para os disputantes do Poder, em Brasília, digo, as bandas do azul e do encarnado sentiram e provocaram suas cócegas, mas, nem por isso deixaram de jogar tudo para depois do Carnaval. O descuido dos de plantão foi tão grande que o prestigio do Chefe levou um tombo violento e, ao que parece irrecuperável. Já, o café e o ovo? Ah! Esses dois estão desaparecendo das mesas de desjejum. Para os que tinham direito a isto, no ano passado, é claro. Feliz Ano Novo! NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens

terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

O carnaval que o tempo levou

Fui um grande folião no passado. Esperava o carnaval o ano inteiro e com certa ansiedade. Não havia festa melhor na minha vida. Brinquei muito. Dos grandes bailes e blocos que antecediam o período momesco até a quarta-feira de cinzas. Inebriado com os festejos, calibrado com “combustíveis” ingeridos e de par com algum amor à época, por pouco não chorava quando os últimos clarins anunciavam a chegada da quarta-feira ingrata. Foi uma época vibrante e rica culturalmente falando. Como bom pernambucano, sempre fiz valer a tese de que o réveillon é a porta de entrada do período carnavalesco e que o ano só começa depois do carnaval. Nessa pisada, não perdia nenhum dos grandes momentos dos nossos festejos e mantive sempre acesa a ideia de que no Recife se faz o melhor carnaval do Brasil. E isto não é à toa,ao lembrar que o estado de Pernambuco, face às suas origens históricas, é berço de inúmeros ritmos diferentes, na maioria ligados aos festejos carnavalescos. Frevo, frevo-canção, frevo de bloco, frevo-lírico, maracatu, maracatu-rural, caboclinhos, bumba-meu-boi, entre outros. As variações são inúmeras e as manifestações se desdobram no correr do ano. Até os famosos trios elétricos nasceram no Recife, patrocinados pela Coca-Cola. Tempos depois foram capitalizados pelos baianos a partir da famosa dupla Dodô e Osmar (vide Foto a seguir quando de visita ao Recife em 1959), tomando conta do Brasil. Sem dúvidas, uma modernidade. O progresso da comunicação e as facilidades de deslocamentos sociais levaram esses ritmos pernambucanos a outras regiões do país, bem como trouxeram ritmos alienígenas exercendo influencias das mais variadas. Ora enriquecendo, ora deturpando os locais. Nada a reclamar porque faz parte do jogo de intercambio social.
O carnaval de agora, é verdade, se tornou mais retumbante, cresceu nas manifestações populares, recebeu mais incentivo oficial e ganhou um perfil bem diferente dos observados na segunda metade do século passado. Aquilo dantes o tempo levou e, naturalmente, não volta mais. Lembro, quando menino, do corso nas avenidas com carros e caminhões circulando com grupos fantasiados e das batalhas de confete e serpentina. Para refrescar e perfumar os ambientes havia o saudoso lança-perfume. (foto a Seguir)
Nos clubes sociais os bailes rolavam as quatro grandes noites, animados por orquestras afinadíssimas com os ritmos e a energia vibrante dos convivas. Dá saudades... O folião do passado, que repousa dentro de mim, ainda se aventura em participar dos festejos no atual formato e não se cansa de mirar pelo retrovisor para o que atrás ficou. Comparar aquilo com a versão de hoje é quase impossível. Não tem mais confetes e serpentinas. Nem lança-perfume! Tem, sim, as grandes multidões atrás dos trios elétricos, o desfilar dos astros da música pop agitando e provocando alegria, o deboche e o escrache do Sitio Histórico de Olinda, o monumental Galo da Madrugada (Foto no final do post) e o palco do Marco Zero. É um colorido diferente do antigo. Por sorte ainda posso registrar a resiliência dos tradicionais blocos, troças e maracatus. Mas, percebo que o tempo levou algo muito bom e tranquilo, dando de troco uma avalanche de alegrias que os mais antigos têm dificuldade de assimilar. Querem ver uma coisa? Tem nada mais curioso observar que já não se dança como no passado, dando voltas num salão notando que, ao invés disso, os foliões postam-se de pé diante de um palco monumental, auxiliado por telões adjacentes, assistindo ao desfilar de cantores (muitos dos quais desconhecidos e cavando notoriedade) que preenchem as noitadas do carnaval. Acho muito curioso. Desculpem-me os jovens porque nada é mais saboroso do que abraçar uma morena ou uma loura, não importa a cor, como lembrou Capiba num belo frev-canção (Cala Boca Menino) e rodopiar num salão ao som de um frevo rasgado executado sob a batuta de um saudoso Nelson Ferreira ou de um José Menezes, como fiz nos salões do Clube Internacional do Recife ou do Clube Português do Recife, hoje às escuras no tríduo momesco. Paciência, deve ser coisa da idade. Bom carnaval caros leitores e leitoras.

domingo, 16 de fevereiro de 2025

Corrupção Endêmica

Noticia boa para se comentar é, definitivamente, coisa rara no Brasil. Aliás, e melhor pensando, no resto do mundo. Uma lástima. Ao nosso redor são as mancadas governamentais, assaltos, desastres, inflação e por ai vai. No resto do mundo são as disputas de espaços hegemônicos, guerras, desastres naturais, falhas humanas e tantas outros, muitas das quais surpreendentes. Quando chega o fim de semana e procuro assunto a destacar sempre me deparo e me estimulo com notícias negativas. Poucas, muito poucas são as que sobrepujem as decepcionantes. Esta semana, por exemplo, meu destaque vai para os dados publicados dos IPCs - Índice de Percepção da Corrupção, de 180 países, em 2024, publicados pela Transparência Internacional, uma organização anticorrupção no mundo, sem fins lucrativos, com sede em Berlim e com atuação internacional. Seus objetivos estão voltados ao rastrear e combater a corrupção e às atividades criminosas ligadas a atos de corrupção (Fonte: Wikipedia). O IPC é considerado como o principal indicador de corrupção do mundo. Vem sendo produzido desde 1995 e é respeitado internacionalmente. Avalia sempre 180 países, atribuindo notas de 0 a 100. Quanto maior a nota, maior é a percepção de integridade do país pesquisado. É ai onde o “bicho pega”. Nosso Brasil tirou nota 34. Na minha época de ginasial, eu levava uma nota vermelha no Boletim mensal. Dos 180 países pesquisados, o Brasil ficou no 107º. colocado junto com Malauí, Nepal, Níger, Tailândia e Turquia. A nota máxima foi da Dinamarca, com 90, seguida por Finlândia, Cingapura, Nova Zelândia, Luxemburgo, Noruega e Suiça, com notas de 88 a 81, respectivamente. Por curiosidade, vi que o Uruguai, nosso vizinho, tirou nota 76 e aparece em 13º. Lugar. Os Esatdos Unidos teve nota 65 e ocupa a 28ª. colocação.
Embora não seja surpreendente, para quem vive o dia-a-dia dessa situação, ficar na 107ª. colocação é indiscutivelmente calamitoso. Essa classificação joga luzes sobre uma Nação onde a honestidade e a dignidade são coisas abstratas na cabeça dos nossos governantes e de uma sociedade habituada a burlar e trapacear nos seus meios mais próximos. É o passar à frente numa fila de espera, o adulterar embalagens no supermercado, aplicar golpes por vias eletrônicas, subornar os fiscais do transito, abusar de menores e idosos, deteriorar o meio-ambiente, entre outras barbaridades. Somos um país de bárbaros. Das corrupções nas esferas governamentais nem é bom falar, haja vistas para os que governam o País, os estados e municípios. Acredito no levantamento da Transparência Internacional e lamento o quanto esse resultado venha prejudicar a Ordem e o Progresso do país. Ficar classificado entre países como Turquia, Tailândia e Nepal se constitui numa posição onde, o quanto se sabe, são países sem controles éticos, com regimes imperiais e onde as populações vive sem esperança democrática e sem futuro digno. Será este, também, nosso quadro político-social? A propósito da nossa deplorável posição entre 180 países pesquisados, o Diretor-Executivo da Transparencia Internacional no Brasil afirmou que “em 2024 o Brasil falhou, mais uma vez, em reverter a trajetória dos últimos anos de desmonte da luta contra a corrupção. Ao contrário, o que se viu foi o avanço do processo de captura do Estado pela corrupção”. Ainda acrescentou que o que se viu foi “a presença cada vez maior e explicita do crime organizado nas instituições estatais, que andam de mãos dadas com a corrupção”. Dói muito, enquanto cidadão honesto, pagador dos seus impostos e procurando respeitar o próximo de forma digna e correta, como me vejo. Curioso mesmo foi a reação do (des)Governo, via Corregedoria Geral da União (CGU) afirmando que “o uso desse IPC para embasar debates públicos pode levar a distorções, alimentando narrativas que minam as instituições democráticas”. Detalhe importante: o índice se baseia em pesquisas com grupos específicos, entre os quais empresários de diversos segmentos. Durma-se com um coisa dessa. É uma moléstia endêmica. NOTA: Foto ilustração obtida no Google Imagens.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

Sociedade Doente

Quando jovem não fui muito chegado ao futebol. Minhas simpatias eram mais voltadas ao basquete ou ao voleibol. Não os praticava é verdade, porém, sempre estava nas arquibancadas, fossem no Colégio ou nas quadras da cidade. Nos jogos colegiais era uma diversão imperdível. Acredito que foi a Copa do Mundo de 1970 que mais me aproximou da modalidade. Aquilo foi decisivo para me fazer torcedor exaltado e, por fim, admirador. Cheguei, mesmo, logo após a Copa e estando de férias no Rio, ir ao Maracanã assistir ao amistoso das seleções do Brasil e do México, numa espécie de jogo da amizade e de agradecimento do Brasil aos mexicanos pelo apoio dado durante o campeonato mundial. Ver de perto nossos “heróis” dos gramados foi o máximo da minha nova “paixão”. Meu distanciamento anterior devia-se aos preconceitos dos meus pais que consideravam o futebol um esporte praticado por maloqueiros. “Menino de família admira outra modalidade esportaiva que não essa!". Era o discurso doméstico.
Foi preciso o Brasil ser tricampeão para que me desse conta da leseira. Ainda assim, continuei sem frequentar os estadios ou campos para assistir a uma partida de futebol. Acontece que tudo tem seu tempo... e, quem tem filho faz de tudo pela alegria do pequeno. Meu filho de 13 anos fez-me embarcar nessa vibe. Sim, porque ou ele ameaçava ir ao campo de todo jeito. Com minha negativa inicial, ele me apresentou a estratégia de ir com os colegas de Colégio. “Ah. Não. Eu levo você!” disparei na hora. Lá fui eu à Ilha do Retiro e torcer pelo Sport, junto com ele e os colegas. Fui contagiado pela alegria do filhote e da multidão em campo. Quanta energia, quanto colorido, quanta alegria. Como num passe de mágica, virou paixão! Mas, é uma historia longa, que passa por vários momentos deliciosos, incluindo duas oportunidades de acompanhar o time do Sport Clube do Recife nas participações de jogos internacionais. Fomos ao Chile (Copa Libertadores) e à Colômbia (Sulamericana). Já pensou? Hoje, não perco por nada de assistir aos jogos do meu time na TV. Sim, porque já não preciso mais acompanhar o menino de antes aos estádios da vida. Prefiro meu sofá, acompanhado de um whiskey on the rocks. Acontece, porém, que essa história está ficando muito longa e a pauta de hoje não passa por ai. desse modo, estou querendo comentar e lamentar as badernas e luta campal, das torcidas organizadas do Sport e do Santa Cruz, levadas a cabo no último sábado (01/02/25), antecedendo uma partida entre os dois clubes, no estádio do Arruda. Sempre entendi e sempre pensarei que o verdadeiro futebol é uma das mais salutares e apaixonantes formas de diversão e lazer. Popular no mundo inteiro. No Brasil, faz parte da cultura. Está na alma do nosso povo. É motivo de alegria, de meio de vida, de profissionalismo, de negócio e de, enfim, fraternidade. Infelizmente, como se sabe, há sempre os tais “pontos fora da curva”. Sendo uma prática tão popular é inevitável que representantes de todas as camadas sociais participem mediante seus modos de vida, nivel esducacional, origens, hábitos e defeitos. Aquilo que assistimos no sábado passado, aqui no Recife, ultrapassou todos os limites da maldade e da crueldade humanas. Seria um bom exemplo do que alguns cientistas denominam de degenerescência eugênica? Não consigo entender como hordas (bandos indisciplinados, malfazejos, provocando desordens, brigas etc.) que se dizem torcedores organizados, com apoio das agremiações, com formalização oficial (as organizadas têm CNPJs, inclusive! Devem ter contadores, tesoureiros e dirigentes dos mais diversos e, supostamente, comunicadores sociais. Em tempos de redes sociais, a coisa ganha dimensões inimagináveis para “pobres coitados, que nem eu”! Foi assim, conforme noticiado que as “organizadas” acertaram o confronto armado que empreenderam nas ruas do bairro da Madalena. Verdadeira guerra. Imagens divulgadas, ao vivo e pelas redes, resultou em polvorosa meio mundo, na cidade e alhures. A repercussão foi nacional e internacional. Meu filho (aquele jovem que me referi no inicio) morando hoje em Goiás, tomou-se de pavor e começou a nos monitorar, por celular, visto que estávamos de regresso do litoral sul (Porto de Galinhas) naquela infausta ocasião. O “campo de batalha” era justo numa das nossas opções de percurso. As noticias eram das mais assustadoras. Uma guerra civil! A mente humana é pródiga em fabular. Não deu outra. As noticias eram das mais alarmantes. Números de mortos e feridos ganharam cifras espantosas. Imagens eram inacreditáveis. Em alguns momentos imaginei que fossem montagens por aplicativo de IA. Na verdade e lamentavelmente coisas absurdas (recordem o verdadeiro conceito de absurdo, meus caros leitores) foram puras realidades. A cidade parou. As famílias recolheram-se e os negócios fecharam. Os restaurantes ficaram sem clientes. As autoridades locais, apanhadas de surpresa, montaram um gabinete de crise “para salvar a cidade”. A policia foi incapaz e conter os ânimos acirrados. A região parecia exalar um cheiro de medo coletivo. Sinceramente, não compreendo como podem alimentar tanto ódio. O linchamento do presidente da organizada do Sport Club Recife foi, sem dúvidas, um dos fatos mais chocantes. O cidadão foi despido, açoitado com objetos dos mais diversos e, por fim, agredido pelo ânus, aparentemente com um caibro de madeira, gerando um imagem inacreditável ao serem difundidas, pelas redes sociais. Em paralelo, as medidas emergenciais adotadas, pela Senhora Governadora e seus secretários competentes, são enérgicas, embora injustas para o torcedor honrado e honesto. Ficou definido que os próximos jogos dos dois times em tela ocorrerão sem torcidas. Ora, meu Deus, os merecedores de condenação são esses maloqueiros – a grande maioria com entradas registradas na policia e vários condenados pela Justiça, poradores inclusive de tornozeleiras – que fazem do futebol uma “cortina de fumaça” para expandir seus instintos selvagens, suas frustações e seus desajustes sociais. Resumo da ópera: muitos feridos e 12 em estados graves. Alguns ainda em recuperação hospitalar, até hoje. E, para alivio da sociedade, inúmeros irresponsáveis presos ou procurados, dadas suas respectivas fichas policiais. Aos Clubes, uma determinação legal dando curto prazo para que cessem os apoios dessas (des)organizações, pelo visto, criminosas. Nunca me lembrei tanto do meu pai, quando classificava de maloqueiros os frequentadores de estádios de futebol. Ele era torcedor do Santa Cruz. Na minha visão de hoje, considero que faltam Governos fortes neste país e neste estado, que enxerguem esses desmandos e adotem politicas consistentes que proporcionem saúde, educação e segurança efetivas para garantir ao povo um futuro digno e estruturante de uma sociedade sadia e promissora porque esta aí está gravemente doente. Que construam um mundo no qual o Futebol seja um motivo de união e pura diversão. Pronto, falei. NOTA: foto ilustração do aquivo pessoal do Blogueiro. Jogo no Chile.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

No Balanço da Rede

E lá se foi Janeiro. Não sei se para vocês, caros leitores e leitoras, mas, para mim foi um abrir e fechar de olhos. Quando eu ainda tinha vontade de curtir mais o recesso, ao balanço da minha rede, o tempo passou. Deve ser coisa de idoso, para quem o tempo “não para”. Sem ter como cessar o relógio, estamos de volta e às voltas em montar uma pauta para comentar o que vimos, ouvimos ou vivemos. É o que, aliás, não falta. Enquanto balançamos a rede, afagamos os netinhos que vieram de longe nos visitar, mas, sem perder de acompanhar as loucuras deste mundo de Deus. Acredito, que Ele, tão atônito quanto este Blogueiro, põe as mãos na cabeça e lamenta as idiotices praticadas. Povinho mais desorientado. Vamos lá. No âmbito doméstico nossa tristeza com as especulações do mercado que jogaram lá pra cima a taxa de cambio e a moeda americana subiu uma escada íngreme apavorando quem tem consciência das consequências. As autoridades monetárias se empanturraram de Rivotril, o Chefe da tribo apertou, as manobras externas ajudaram e, por sorte, estamos entrando num novo mês com as verdinhas menos valorizadas. Nem por isso, a Petrobrás dormiu no ponto. Amanhã, quando Fevereiro brotar, o óleo Diesel já estará mais caro nas bombas. E o povão só vai sentir o que isso significa quando guiar um carrinho do supermercado entre as gôndolas de mercadorias. Outra coisa que me fez rir até hoje, foram as trapalhadas da questão do PIX. Quanta irresponsabilidade. Foi culpa de quem, afinal? Da comunicação destrambelhada ou da vontade ferrenha de arrecadar mais? Quem sabe, as duas coisas, tudo junto e misturado. Que doidice. Esse Governo está afundando na inexperiência politica. E ainda dizem que o Chefe é competente. Também coitado, com aquela dama que o acompanha atravessando fora da faixa a entrando na contramão... Sinceramente. Estamos com perspectivas muito duvidosas.
Se, dentro de Casa, as coisas foram tão desastrosas, o que dizer dos disparates de Mr. Trump, ao assumir seu segundo mandato em Washington? Valha-me Deus! Quase rompi a rede e “quebrei a padaria” de tanto sentar e levantar, sem balançar, assustado com a récula de Decretos malucos, na primeira hora de Casa Branca. Tem coisa mais absurda do que mudar a denominação do Golfo do México para Golfo das Américas? Essa cara nunca estudou História. Nem a do país que governa. Mas, nem vou tecer considerações sobre este ponto. Querer tomar a Groenlândia? Cogitar anexar o Canadá! Retomar o Canal do Panamá! Negar a existência dos LGBTs? “Só quero homens e mulheres. PT saudações!” (Eita, PT!) E, sem piedade, deportar imigrantes irregulares que vinham reforçando a força de trabalho dos States. Vai gerar crises agudas, lá dentro e cá fora. Restaurantes, bares e similares, entre outros serviços, sem mão de obra disposta a ganhar a vida com a vibe do americanwayoflife. Para completar as trapalhadas ianques, li esses dias num artigo assinado por Humberto Martorelli (Advogado pernambucano) no Jornal do Commercio do Recife (30/01/25) que um parlamentar democrata do Mississipe, Bradfor Blackmon, apresentou um projeto de lei “que propõe tornar ilegal as ejaculações sem intenção de fecundar um embrião”. Ora, ora... tem coisa mais patética do que essa? O que dirão os produtores de camisinhas? A galera jovem está tão preocupada na hora da trnsa... Para não dizer que não falei de flores, destaco que dois fatos das ultimas semanas fez-me balançar a rede com mais calma e alivio. Foram: o acordo de cessar-fogo entre o Hamas e Israel e a disposição de Putin de conversar as autoridades de Kiev. NOTA: Ilustração obtida np Google Imagens Nossa rede continua inteira. Mas, foi por pouco.

sábado, 21 de dezembro de 2024

Tempo de União

Posso não reunir unanimidade, mas, muitos irão concordar. Foi um ano difícil. Para alguns, como eu, desanimador. Tivemos muito pouco a festejar. Se no âmbito doméstico as coisas foram quase sempre a desejar, no ambiente internacional só tivemos avanços de mais conflitos e ameaças à humanidade, senão vejamos num retrovisor graduado. Não fosse pouco a Guerra dos russos (ou de Putin?) contra a Ucrânia, vem o Hamas “embolado” com os Hezbollah e, juntos, enfrentam Israel que reage de modo severo, gerando toda sorte de rebuliço numa, digamos, “atualização” da luta milenar que se trava no Oriente Médio. Ao mesmo tempo, a China sem deixar Taiwan em paz e as Coreias, tecnicamente em estado permanente de guerra, dando sinais de enfrentamentos, terminam gerando um global ambiente desanimador. Por outro lado, trazendo o foco do retrovisor para mais próximo, damos de cara com um ambiente interno igualmente preocupante. Houvesse sido um período animador, o ano estaria salvo. Mas, não... De modo claro é fácil perceber que a situação doméstica experimentou um ano de deterioração politica crescente, graças à renitente polarização ideológica, embalado por um anacrônico cerco forte de ditadura. Isto sem falar das inseguranças jurídica e pública ascendentes, da desgastante deterioração ambiental e a falta de providências severas, da insegurança cambial, da inflação camuflada, que vem corroendo as receitas financeiras das famílias, com sinais de que ainda esta por aqui, viva e bulindo. Resumo da ópera: tudo junto e misturado, joga luzes na pobreza resistindo e o Brasil dando marcha à ré. Tristeza.
Mas, pensando na filosofia popular, de que “não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe” é chegado o momento adequado para desligar a máquina das retrospectivas negativas e unidos festejarmos o tempo do Advento. O que não festejamos durante o ano, seja possível nesta época natalina. Vamos, em família e com amigos, reunir energias positivas com vistas a melhores momentos em 2025. Que a chegada do Menino Jesus nos encha de esperanças. FELIZ NATAL E MUITA PAZ EM 2025. É tempo de união.

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

Voltando

Tenho tido dificuldades para emitir uma postagem semanal. Confesso. De tempos em tempos, essa dificuldade bate e termina cravando um estranho desânimo, para o qual não encontro explicação convincente. Preguiça? Talvez... Saúde, que é bom, anda boa. Cobrança pessoal, não falta. A coisa só dá sinais de “cura” quando um ou outro leitor ou leitora cobra-me presença semanal. Vem sendo de tal modo que estive prestes a titular este post com “Ainda estou Aqui”. Naturalmente que desisti para não confundir com o titulo do filme de sucesso, em cartaz. Ao mesmo tempo, recordo, na verdade, que tentei fazer uma postagem à medida que pautas nunca faltam, mas, os potenciais conteúdos nem sempre me convenciam ou, até, me deixavam constrangido. Para quem trabalha na dinâmica do jornalismo profissional tem sido de indiscutível abundância. “Mão na roda!”. Para mim, todavia, o compromisso é somente , pessoal. Relaxo e pronto. Hoje, disposto a um “bate-papo”, destaco que, entre outros assuntos que anotei como pauta, o primeiro se refere aos sinais de saturação do ecossistema global. A natureza vem clamando e a humanidade não escuta. As instabilidades climáticas vêm assaltando cidades e países de modo mais frequente e cada vez mais avassalador. Não são raras as noticias sobre catástrofes ambientais provocadas por revoltas climáticas com furacões, tempestades e inundações, a exemplo da que tivemos no Rio Grande do Sul. Sobre esta, já tratei aqui no Blog com um brado indignado em razão das inadmissíveis formas politizadas de tratamento da tragédia. Mas, a que me chamou atenção, recentemente, foi a ocorrida no leste da Espanha, concentrada na cidade de Valência, terceiro grande centro populacional do país. Se o que ocorreu com nossos irmãos gaúchos foi desesperador, o mesmo pode ser dito sobre o episódio espanhol, que resultou em 200 mortes. Conheço Valência e recordo da sua exuberante beleza histórica e que, de algum modo, pode haver sido atingida pelas inundações recentes. Trata-se de uma cidade fundada 138 a. C. com extensa e rica história, fantásticos museus e grande centro de tradições populares. Lembro que um dos pontos mais visitados, que busquei conhecer, é a catedral da cidade, na qual se encontra guardado o Santo Graal, um cálice de ágata, tido como sendo o que Jesus Cristo serviu o vinho da última ceia. Se doloroso foi ver, ao vivo e a cores, pela TV, uma Porto Alegre mergulhada nas águas do Guaíba, igualmente foi como me espantei com as imagens de ruas de Valencia tomada por um amontoado de automóveis, numa imagem quase surreal. Vide foto, a seguir. Considero episódios frequentes dessa magnitude como verdadeiros clamores da natureza e que exigem dos humanos uma urgente renuncia das renitentes maneiras de explorar o quadro natural, antes mesmo que este venha cobrar de modo cada vez mais radical e nos levar a uma catástrofe global. Não vou listar as possíveis providencias protetoras, porque não me sinto habilitado. Não é minha “praia”. Apesar dessa incapacidade tenho contribuído de forma guiada pelas noções básicas no meio que circulo.
Outro assunto que me deixou pasmo, e até incrédulo, foi o assassinato, à queima-roupa, de um cidadão em plena área do desembarque do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. As razões pelas quais o tal atentado foi levado a efeito não importam aqui, embora seja de natureza que exige providências das autoridades de plantão, sobremodo se tratando de um crime ligado intimamente aos narcotraficantes e, portanto, uma questão de insegurança publica deste país. Então, o que mais me chamou atenção foi o fato de haver sido perpetrado num local inusitado e pondo em risco uma gama diversificada de atores sociais, que transitam de forma massiva, visto se tratar do maior e mais movimentado aeroporto da América do Sul. Imagino a surpresa, o pavor e o sofrimento dos que foram também atingidos pelos pistoleiros assassinos, bem como os muitos outros que ali circulavam na ocasião. Habituado a usar aquele equipamento publico passarei a fazê-lo sob todas as precauções que me toquem na hora. Nem preciso dizer que a repercussão internacional não foi nada agradável para um Brasil, que não para de alimentar as paginas politicas e policiais dos principais periódicos, nacionais e estrangeiros. Pobre Brasil. Quando eu já pensava que minha pauta poderia ser bastante vem a realização da Reunião de Cúpula do G20, no Rio de Janeiro, tendo o Brasil como anfitrião. Fiquei temeroso pelos riscos de insegurança desses visitantes. Claro que se tratou de uma oportunidade singular para o país. Receber os mandatários das 20 maiores economias para discutir os destinos do mundo, não acontece a toda hora. A importância do evento se revela de modo claro à medida que presidentes e primeiros-ministros não declinam do compromisso e correm para bater esse ponto. Um G20 é tão importante como a ONU e de certo modo mais importante do que o G7, visto que coloca frente-a-frente mandatários de nações desenvolvidas com aqueles dos países em desenvolvimento. Pobreza Mundial, Meio-Ambiente, Geopolítica, Segurança Cibernética, entre outros temas menos urgentes constam da pauta desses encontros. Imagino que não deve ser fácil chegar-se a uma concertação desejada. Sobretudo na atualidade quando, em pleno século 21, guerras indesejadas são travadas pondo em risco a humanidade, incluindo as constantes ameaças do uso de ataques nucleares. Cá pra nós, tenho a sensação de que embora haja uma plêiade interminável de assessores, ministros de estados, especialistas abalizados por trás desses mandatários, os resultados práticos deixam sempre a desejar. Sem querer menosprezar, longe de mim, sinto um forte cheiro de uma encenação política mundial, onde cada um dos atores principais desempenha um papel a seu modo e interesse. Ouso em achar que se trata de um grande convescote politico internacional. Os episódios da chamada Foto de Família do Encontro, no Rio, foi uma pândega. (Foto abaixo). Nem comento.
Pensando bem, melhor fez o Mandatário chinês, Xi Jinping, que sem perder tempo pegou um avião foi à Brasília e cravou 37 acordos de cooperação técnica do seu interesse, claro, com o Presidente Lula. Paralelo a tudo isso, uma nota negativa vai para o disparate da nossa primeira dama ao perder a noção do seu papel – sem qualquer autoridade politica – resolve sem mais, nem menos, num evento paralelo à Cúpula, ofender o homem mais rico do mundo (Elon Musk) e indicado para compor a equipe de governança do próximo Governo Americano. Mandou, em altos brados, o Homem se f#d*er! E falou em inglês! Ora, essa Senhora deixou se tomar de uma autoridade ilegítima e pouco recomendada a uma dita Primeira-Dama. Provocou uma tremenda “saia-justa” para o marido e uma enrascada para a Diplomacia brasileira. Chega, falei demais. Assunto não falta. Mas, por hoje, basta. NOTA: Fotos obtidas no Google Imagnes.

FELIZ ANO NOVO

Pode parecer estranho, nestes dias de março, meu desejo de Feliz Ano Novo. Para o leitor(a) estrangeiro, principalmente. Mas, para o brasile...