quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Planeta China

Há dias nos quais tenho alguma dificuldade para encontrar um assunto para o bate-papo semanal neste espaço do Blog do GB. Esta semana, porém, tenho uma lista interminável de temas para trabalhar. Tenho assuntos para hoje e para as próximas postagens. Difícil mesmo é saber por onde começar. A razão é simples: estive visitando a China, por dez dias, tendo regressado no domingo passado.
Além de não saber exatamente por onde começar, falta-me um adjetivo adequado e capaz de expressar meu encanto e minha surpresa por esse país oriental. Fantástico poderia ser um deles. Mas, ainda acho pouco. Retumbante, é forte mas, talvez se ajuste. Voltei fissurado. Aquilo lá é tão pouco comum que um caboco nordestino, como eu, se abestalha e não sabe para que lado olhar. É monumental, pronto!
Tudo isto, quando eu menos esperava e achava que já conhecia tudo de mais belo que havia sobre a face da terra. Qual nada! A sensação foi de que fui parar num “planeta” diferente: pujante, esplendoroso, tradicional e, ao mesmo tempo, moderníssimo. A China me arrebatou
Mais incrível, ainda, é lembrar que se trata de um país de regime comunista e poder central forte e atuando. Não dá pra entender como conseguem administrar aquela coisa. A ficha ainda não caiu. Sinto-me meio zonzo, até agora, pelo excesso de novas e surpreendentes informações que acumulei. Bom, na verdade estou falando de uma das mais antigas civilizações com existência continua. Na Wikipédia descobri que “o ano 221 AC é referido como sendo o momento em que a China foi unificada na forma de um grande reino ou império”, graças às imposições da Dinastia Qin, com uma escrita comum e uma filosofia baseada no confucionismo.
Ao longo da sua formação, contudo, o país passou pelas mãos de mais de dez dinastias, entre as quais a Zhou, a Tang e Yuan. É uma história de mais de dez séculos. Observem que na China foram inventados o papel, a imprensa, a pólvora, que são coisinhas corriqueiras nos nossos dias, mas que, à época, revolucionaram o mundo. Além disso, os chineses são, há séculos, seculorum, exímios artistas na música, pintura, teatro e cerâmica. O que vi recentemente, in loco, são provas concretas desses talentos. Chega a ser emocionante se postar diante de tanta beleza.
Essa história e civilização, contudo, registra muitos pontos negativos: a maioria da nação vivia oprimida e muitas vezes escravizada. Muita fome e miséria. O regime imperial tratava o povo com mão de ferro, privilegiando alguns muito poucos com o conforto de viver como vassalos, em torno do Imperador, na Cidade Proibida, assim denominada por ser vedada à entrada do homem comum.
A situação se tornou insustentável e em 1911 ocorreu a queda do Império, sendo proclamada a República da China, sob a liderança de um certo Sun-Yatsen, nos seus primeiros anos. As disputas políticas da época levaram os chineses a uma sangrenta guerra civil entre os anos de 1945 e 1949, resultando na vitória do Partido Comunista Chinês que passou a governar sob a regência de Mao Tse-Tung, substituído, após a morte, em 1976, por Deng Xiaoping. Mao planejou a economia do país, redimiu o povão da situação opressiva e se transformou num ídolo nacional. Até hoje seu mausoléu com o corpo embalsamado é a maior atração para os chineses que visitam a Praça da Paz Celestial, em Pequim. Pude ver, semana passada, uma fila quilométrica de pessoas querendo ver de perto o "deus" Mao embalsamado numa redoma de vidro. Contaram-me que alguns ficam até oito horas nessa fila. Na ocasião que estive na Praça a temperatura girava em torno dos 3ºC. (Vide foto acima). É impressionante a idolatria dessa gente. Já Xiaoping foi o grande responsável pela abertura econômica do país, sem abandonar a rigidez política. Há, ainda, muitas restrições. O povo não goza da liberdade de expressão e a imprensa é controlada. Twitter, Google e Facebook, nem pensar. Este Blog, por exemplo, não pode ser aberto, por lá. Depois da abertura econômica a partir da década de 80, empresas estrangeiras puderam se instalar e o que mais vemos são as grifes mundiais dominando o mercado local.
O país é certamente o maior mercado mundial. Pense no que sejam 1,4 bilhão de pessoas para alimentar, vestir, educar, divertir, transportar e etc. A economia cresce em ritmo galopante, a uma media anual de quase 10%. O Produto Interno Bruto (PIB) atingiu em 2009 a espetacular marca dos 4,91 trilhões de dólares americanos. Eu disse trilhões! Recentemente a China ultrapassou a economia japonesa e é agora a segunda maior do mundo, ultrapassada apenas, e por enquanto, creio eu, pelos Estados Unidos.
Fora isto, a China de hoje é monumental em tudo que se possa imaginar. É onde existe o maior número de gruas em ação. É onde mais se constroem rodovias, pontes, viadutos e túneis, altíssimos edifícios, aeroportos – cada um mais belo do que o outro – e vai ter logo em breve a maior usina hidroelétrica do mundo com capacidade de quase quatro itaipus.
Eu visitei um “planeta” diferente, chamado China.
NOTA: As fotos são da autoria do Blogueiro

sábado, 9 de outubro de 2010

Tiririca da Vida

Antigamente era bem comum se dizer que um sujeito colérico, raivoso ou revoltado estava tiririca. Confira num dicionário. A partir de domingo passado, porém, as coisas mudaram e tiririca passou a ser sinônimo de Deputado. Não é engraçado? Acho que, de agora em diante, uma pessoa não fica mais “tiririca da vida” e sim “deputado da vida”, acompanhando a modernidade do Brasil. Pensando bem, e desse modo, por exemplo, quando há dois meses eu fui covardemente assaltado a mão aramada, levaram-me a carteira com documentos, cartões de crédito e dinheiro, além do meu celular, eu fiquei d-e-p-u-t-a-d-o da vida. É uma senhora mudança de forma. Imagine que tem muito mais charme dizer “minha mulher está deputada comigo porque não lhe dei um vestido novo”. Não é mesmo?
Mas, meus amigos, quem anda tiririca, de domingo para cá, sou eu, com essa desmoralização da democracia brasileira, já tão carente de consolidação..
É simplesmente revoltante ver um cidadão, no nível do palhaço Tiririca arrebatar 1,3 milhão de votos de eleitores, certamente, alienados ou ingênuos. Coisa de paulista ignorante mesmo, que não tem noção adequada do que seja eleger um bom representante para o Congresso Nacional. Aliás, isto é fato recorrente em São Paulo. Foi assim que, no passado, votaram no rinoceronte

Cacareco, nos Malufs e Clodovis da vida. Ou seja, votar num Tiririca, sob alegação de estar dando um voto de protesto, é a coisa mais simples para eles. Quanta ingenuidade... Ah! O pior é que tem gente que garante o voto quando ele se apresentar como candidato a Presidente da República. Valha-nos Deus! Tem até fotos alusivas a essa barbaridade. Aí, sim, chegaríamos ao caos caótico. Acho que nosso povo está cansado das promessas mirabolantes e enganosas, sendo levados a zombar da seriedade.

Alienados, ingênuos, ignorantes ou coisa parecida, porque não tiveram o cuidado de analisar o que vem por trás dessa manobra espúria. Uma autêntica malandragem. Não sabem eles que ao elegerem um ignorante, talvez analfabeto, como é o caso de Tiririca, estão contribuindo para o sucesso de uma estratégia política estúpida - falha de um sistema eivado de equívocos - de arrastar, via coeficiente eleitoral de um partido nanico, elementos nocivos à sociedade que representa e à Nação, para atuarem na Câmara Federal. O partido do deputado eleito, Tiririca, e seus coligados estão deitando e rolando na montanha de votos que o palhaço recebeu nas urnas. Junto com ele serão empossados mais dois ou três parasitas, autores da mutreta e com tremendas FICHAS SUJAS. A revista Veja dissecou a coisa, de forma bem didática. Formarão um novo bloco parlamentar em Brasília, que poderia se chamar de Os Titiricas e, com certeza, integrando o chamado Baixo Clero, isto é, grupo de deputados sem grandes prestígios e pouco atuantes, entre outras cositas más.
Agora, me diga mesmo, é ou não é necessária uma reforma política urgente neste país. De Gaulle, lá por cima, onde atualmente circula, deve ter dado boas gargalhadas e ratificado sua máxima de que “o Brasil não é um país serio”, ao ver o povão paulista tiriricando. Não é revoltante? Eu pelo menos não tolero mais tanta bandalheira. Aliás, ando tiririca da vida, com essa situação. Mas, atenção, na acepção antiga.

NOTA 1: Foto colhida no Google Imagens

NOTA 2: O Blogueiro fará uma pausa nas próximas duas semanas, em virtude de uma viagem a China. No retorno trará noticias e impressões do que verá no Oriente.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Retrato Velho

Eu cresci, posso dizer, no meio da politica. Neto de um chefe politico de interior, coronel velho e "manda-chuva" do lugar, me empolgava com a permanente movimentação, que se tornava mais dinâmica nos dias de eleições, como os de hoje. Foi, não foi, lá se dava um comício. Seu Epaminondas Mendonça – era este o nome do meu avô – se empolgava e saindo de trás do balcão do seu estabelecimento comercial, trepava num tamborete, garrava do microfone (que estava sempre a postos) e largava seu discurso inflamado para a matutada de Fazenda Nova (180km. distante do Recife). Era uma cena bem comum, principalmente, nas sextas-feiras, dia da feira do lugarejo. A matutada se apinhava diante daquele líder-matuto se empolgando e pedindo a chapa do candidato defendido, para depositar na urna eleitoral. Não perdia uma eleição e sempre fazia seus vereadores e prefeito, além de empurrar deputados e governador. Ele próprio era, muitas vezes, o candidato. Sistema arcaico e cheio de vícios, é verdade. Mas sem as patifarias de hoje. Só se às escondidas. Não sei o que diria – aquele homem que foi prefeito e vereador nos interiores de Pernambuco, tirando do próprio bolso o sustento das campanhas que fazia, prejudicando muitas vezes a própria família – diante dessas bandalheiras, deslealdades, roubos e assaltos aos cofres da Nação, do hoje. Morreu sem deixar fortunas, salvo uma dúzia de casas, poucos hectares de terra e a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém. Morreu sem laivos e sem quem dissesse um “tantinho assim” de desonestidade dele.
Nos dias de eleição, quando eu estava em Fazenda Nova, minha excitação era tamanha que sequer conseguia dormir direito, dado o rebuliço na casa. A mulherada varava a noite preparando a comida do eleitorado, no dia seguinte. Quando o dia amanhecia já era um corre-corre, um falatório danado, um entra e sai desmedido de eleitores, dentro de um clima de comes e bebes sem fim. Matavam-se boi, carneiros e bodes e o galinheiro ficava vazio. À la cabidela, assada ou guisada, não sobrava uma penosa sequer. A matutada chegava amontoada nos caminhões escalados para transportá-la desde as brenhas onde vivia até a vila e se esbaldava tirando a barriga da miséria. Todo mundo nos trinques, ou seja, bem vestido, em roupa de gala, brilhantina colgate ou glostora na cabeleira ou chapéu de massa, perfumados e cheios de pose. Era uma festa. As mulheres, affe Maria, caprichavam e, sobretudo, carregavam no batom e no pó de arroz e rouges da marca Royal Briar. Aquilo era o máximo e elas se achavam... Ah! A grande maioria fazia questão de sorrir um sorriso brilhante, por trazer um monte de dentes de ouro na boca. Isto existia antigamente e o matuto que tinha um dinheirinho qualquer investia imediatamente numa dentadura de 18 Kilates. Minha mãe dizia, logo, “lá vem um boca rica”. Imagino o que diria a turma jovem, de hoje. Daria boas gaitadas. E eu, ia lá voltava cá, garrava duma garrafa de Crush e enchia a cara... Também. Em dia de eleições eu era fi-de-deus e podia beber mais.
Encerrada a votação esperava-se, no maior frisson, a apuração dos votos que só acontecia muitos dias depois. Resultado publicado, a festa rolava mais grossa ainda, porque era sempre vitória. Uma graça. A tímida oposição do lugar trancava-se em casa e se mal-dizia da situação. Dos partidos da época minha lembrança só passa por duas siglas a do PSD (Partido Social Democrático) e da UDN (União Democrática Nacional). Havia outras, mas, somente essas duas me marcaram, porque a guerra entre elas era de feder a sangue. Meu avô era do PSD e quem fosse da UDN eu nem devia cumprimentar. Fuxico de interior era de lascar. Aliás, ainda é, visse...
E, por falar em chapas contadas, lembro demais da quantidade de papelotes impressos com nomes de candidatos e cargos postulados. Era com um desses papeizinhos que o eleitor votava. Muito artesanal demais, se comparado com o sistema eletrônico atual, além de inseguro, pois favorecia a fraude. Que certamente havia! Lógico! No meu pensar infantil, torcia para que sobrassem muitas chapinhas com as quais inventaria vários tipos de diversão – barquinho, aviãozinho, sabe lá o que mais – na ressaca da eleição. Com os tempos vieram a cédula única e, hoje, a urna eletrônica que, indiscutivelmente, é um fantástico avanço no processo eleitoral brasileiro, motivo de orgulho da inteligência tupiniquim e que está sendo adotada em muitos países.
Progresso por um lado e obstáculos por outro, porque muita gente – os de baixa instrução, particularmente – se ressente com um sistema que exige um esforço maior da mente e produz impasses para aqueles que têm aversão à máquina. É complicado para os menos letrados e resulta em muitos votos nulos.
O tempo passou e isto eu não discuto, porque o espelho me lembra a cada dia. Mas, sempre tem festa no interior, no dia de eleições. Domingo que vem é dia de eleições. E é dia de festa. Festa da democracia. A farra é tamanha que instituíram a chamada Lei Seca. Desmoralizada, meu Deus... Vou guardar este meu velho retrato do passado, com carinho e saudade.
NOTA: Fotos/reclames obtidos no Google Imagens.

domingo, 26 de setembro de 2010

CARGA PESADA

Eu havia feito o propósito de não falar de eleições, políticos e candidatos, por sentir um desgaste muito grande ocupando meu tempo com essa palhaçada que, mais uma vez, se espalhou no país. Mas, é impossível ficar mudo diante de tantas barbaridades. Pelo menos para mim, que sou, no final das contas, um animal racional e com fortes sentimentos políticos. Seria negar minha natureza. Violentar-me-ia.
Meu voto será consciente em três de outubro e estou seguro disso. O mesmo não penso sobre a maioria dos brasileiros. Dá pena de ver a alienação da pobre gente do meu país. Tiro pela secretária doméstica que tenho na minha casa. Esta manhã ela confessou que está achando muito difícil para votar neste ano. “Tem que marcar cinco números, Doutor. É isso mesmo? Não botaram número demais, dessa vez? E o Senhor já viu que tem um que é bem grandão...” Isto para uma pobre coitada, analfabeta, que vive aqui na minha casa, escutando tudo que se fala e vendo o guia eleitoral gratuito. No dia da eleição ela vai à seção eleitoral, desenha o nome dela e entra na cabine eleitoral indevassável. Lá dentro, muito ancha, marca qualquer coisa e no final diz orgulhosa que votou em Lula. Coitada nem sabe que ele não é candidato. Pode ser um voto perdido. Imagino, também, os tristes (ou felizes, quem sabe?) que são eleitores nas brenhas do sertão nordestino ou perdidos na Amazônia. Voltam para casa dizendo que votou em Getúlio Vargas. Acredite que tem. Não é piada e quem me falou isto foi um conhecido amazonense. Claro que tem alguém digitando um voto ao seu bel prazer e interesse, no lugar do alienado portador de uma titulo eleitoral, se aproveitando da ignorância do eleitor. É muita patifaria. Ou melhor, um processo eleitoral inadequado ao país.
Outra coisa me deixa profundamente irritado, neste cenário, é ouvir as promessas desses cínicos candidatos, repetindo as mesmas promessas dos candidatos das eleições passadas. Aliás, pensando bem, acho que, à luz das promessas atuais, seja qual for o eleito, o Brasil vai cair em boas mãos. As promessas são parecidí-i-i-i-i-íssimas. Já notaram? Até Marina, mesmo com a verdura que vende, não deixa de bater nas teclas comuns. Quero ver cumpri-las. É tudo conversa mole, minha gente. Tolo é quem vai atrás dessas baboseiras eleitorais.
As mais “divertidas” são as promessas da reforma fiscal e reforma política. Faz-me rir. Vou morrer e não vejo essas promessas serem cumpridas. E, olha, que são as mais velhas e a mais necessárias para o bem da nação. Eu disse nação! A candidata do Lula bate no peito e diz solenemente “EU (ela adora usar a primeira pessoa) prometo fazer uma reforma tributária, porque não dá mais para continuar com uma carga tão pesada”. Tenho a sensação de assistir a um programa de humor. Negro, é claro.
Neste fim de semana, que termina hoje, fui à bela Maceió, capital de Alagoas. (Foto a seguir) Cumpri dois compromissos sociais, marcados por dois casamentos. Nessas comemorações o mais comum é que – com um uísque a mais – os convivas logo se exaltem e começem a “fazer campanha”. Saí convencido e decepcionado, claro, de que muitos alagoanos perderam a memória e vão eleger Fernando Collor de Mello, governador do estado. Pode uma coisa dessas? É impressionante. Agora, tem uma coisa, a maioria das vezes o argumento mais forte é de que Lula e seus comparsas deixaram Collor no “chinelo”. Que o ex-presidente alagoano não soube fazer a coisa bem-feita e roubou pouco. É doloroso ouvir estas coisas. Resta saber se estão dando outra chance ao collorido para ele retornar e fazer uma “administração” bem-feita. Não vou negar que me ri a valer dessa alienação coletiva. Bom, as festas de bodas, das quais participei, ficaram bem divertidas.
Se a reforma tributária é necessária, a política é fundamental. Acho que antes da tributária deve vir a política. É preciso mais seriedade dos nossos legisladores para entender o que fazer na hora de detonar o Custo Brasil. D. Dilma tem razão quando diz que a carga é pesada. Difilcil é ter certeza de que ela tenha consciencia desse peso.
NOTA: Fotos do Google imagens

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

São Paulo: o Brasil Grande

O destino São Paulo está com muita frequência na minha agenda de viagens. A negócios ou por motivos particulares ando sempre praquelas bandas. Foi o que ocorreu na semana passada.
O poeta já disse que a Paulicéia é desvairada (louca, alucinante, delirante) e olha que, em certos momentos, parece mesmo uma loucura. Mas, no final das contas, tudo dá certo e termina num misto de prazer e estresse. Prazer pelo sem numero de atrações que a cidade oferece e estresse por conta, por exemplo, do trânsito caótico, das hordas de motoqueiros desembestados no tráfego infernal, das distancias a serem percorridas, da perda de tempo para se cumprir um simples compromisso e, ainda, a carestia de vida, que somente eles, os paulistas, conseguem administrar. Sobretudo no setor de serviços, ao qual temos de nos submeter.
Ficamos (eu estava acompanhado da minha família) por lá nove dias, mas voltei com a sensação e haver passado menos. O tempo corre muito rápido, quando se enfrenta muita coisa para fazer e as logísticas são complicadas. Assim mesmo, deu para curtir a grandiosidade da metrópole.
Para nos livrar de rodizio de placas (na cidade de São Paulo é rotina) de veículos em circulação e, também, para explorar a paisagem interiorana do estado – que é belíssima – tomamos rumos em dois diferentes roteiros: um na direção do interior e outro no sentido do litoral.
No primeiro, fomos almoçar, no feriado do sete de setembro, na divertida cidade de Itu, que tem a fama de ter tudo em tamanho exagerado, devida a um comediante da TV e capitalizada pelo municipio, com fins turisticos. Deu certo, sim Senhor. A cidade é pequena, com no máximo 170 mil habitantes, descendentes de imigrantes portugueses, italianos e japoneses. Tem também nordestinos migrantes. É uma das mais antigas do estado, com 400 anos de fundada, belissima arquitetura colonial (vide foto a seguir) e historicamente importante porque deu forte

contribuição à fundação da Republica no Brasil. Outro destaque da cidade é o fato de ter sido, durante muito tempo, a mais rica do estado, por ser local de residência de muitos barões do café e autoridades importantes do País. Comer por lá tem que ser no Bar do Alemão Steiner, famoso por servir um Filé à Parmegiana, vendido por metro! Come-se bem e ao melhor estilo ituano, isto é, tudo grande. Vale à pena conferir.

Depois de Itu, subimos a Serra da Mantiqueira e fomos rever a bela cidade de Campos do Jordão. Passamos uma noite de frio intenso (3ºC) à base de uma boa fondue de queijo e vinhos chilenos, para esquentar a alma e o corpo. Era meio de semana e encontramos a cidade mais tranquila, com o comércio atendendo bem, a paisagem mais visível, dado ao pequeno número de visitantes. O cenário é de puro aspecto suíço. Vide foto acima. A gente agasalhada pelo frio e a este acostumada revela um tipo de sociedade diferente, no portar, no trato e nas relações com o visitante. Nada da descontração das cidades litorâneas. Os jardins, bosques e cascatas, complementados pela arquitetura, estilo também suíço, resulta num cenário de grande beleza e distinto do nosso padrão tropicaliente nordestino É muito interessante observar essa vida diferente das altitudes paulistas.
E, por fim, descemos a fantástica Rodovia dos Imigrantes, que liga São Paulo à baixada Santista, indo parar no balneário da Riviera de São Lourenço onde passamos o último fim de semana. Local sofisticado padrão Classe A-ltíssiiiiimo e paisagem digna de ser comparada, competitivamente, com os melhores balneários caribenhos ou do Mediterrâneo. Show de bola.
Constatação final: é interessante observar como o estado de São Paulo consegue reunir tantas e tão diversificadas atrações, atraindo, assim, levas de brasileiros das mais distintas regiões na busca de novas paisagens, negócios dinâmicos, vida cultural, infraestrutura e serviços diferenciados, cosmopolitismo, num mix que faz a maior diferença. É ali que fica o Brasil Grande, sem nada a dever à outras localidades no mundo afora.

NOTA: Foto de Itu é do Blogueiro e as de Campos do Jordão e Imigrantes são do Google Imagens

sábado, 28 de agosto de 2010

Mãos na Maçaneta

Quando alguém me disse, há poucos dias, que no Brasil de hoje se assalta, rouba, estupra por esporte, naturalmente, fiquei revoltado com a teoria. Se for mesmo por esporte a situação é pior do que se fala ou ouve falar.
Digo isto porque a matéria publicada na imprensa do Recife, esta semana, sobre uma quadrilha de ladrões que conseguiu entrar f-a-c-i-l-m-e-n-t-e em apartamentos de luxo no Recife e noutras capitais nordestinas é de estarrecer.
Segundo o noticiário o trio de ladrões – casal jovem e bem parecido, mais uma parceira – é paulista da capital, são pessoas de classe média alta, vivem bem instalados, em bairro nobilíssimo, vida normal e bem arranjada, família linda, filhos bem cuidados e em escolas particulares de alto nível e carro importado de categoria e modelo recente. Vejam só que escândalo.
Pensado no que me disseram sobre essa “modalidade esportiva”, tudo leva a crer, portanto, que se trata de gente que a p a r e n t e m e n t e rouba e assalta, mesmo, por diversão. Será mesmo? Ou vivem bem, apenas, por conta do produto dos assaltos? Doença? Seria um grupo de cleptomaníacos anônimos em franca recaída? São perguntas que não oferecem respostas imediatas.
O mais engraçado é que a matéria no Diário de Pernambuco destaca algumas características inusitadas, amadoras ou ingênuas, desses gatunos. Por exemplo, entravam nos prédios de luxo, engabelando os porteiros, passando por parentes ou amigos de moradores, sem armas, sem máscaras ou qualquer tipo de violência e encarando as câmeras de segurança dos prédios. Ou seja, tranqüilos e relaxados. Com uma chave mestra – essa invenção é de lascar – e informações preciosas, entravam e faziam a feira. Somente na casa de um magistrado estadual levaram uma fortuna em jóias, divisas estrangeiras, objetos de arte e de valor, entre outros itens. As vítimas estavam viajando e eles deviam saber. Entravam e saiam sem que ninguém percebesse e da mesma forma que abriam, fechavam a porta e se mandavam. Acontece que a desconcentração e tranqüilidade era de tal ordem que nem mesmo se preocupavam em apagar as impressões digitais. Quanto amadorismo... E foi por aí que caíram nas mãos da policia técnica de Pernambuco. Quer dizer, foram pegos com as mãos na maçaneta. Trabalho perfeito. Digitais registradas e jogadas numa rede nacional de investigações, os engraçadinhos foram localizados e capturados na capital paulista. Precisa ver a cara do rapagão bonitão e da mocinha charmosa sendo levados aos cárceres pernambucanos.
Sei não, mas eu acho que, esses paulistanos larápios ou cleptomaníacos, sei lá, fazem parte de uma grande legião de sulistas, principalmente paulistas, que subestima a inteligência nordestina e acha, entre outras coisas, que pode chegar aqui e passar a mão no que quiser e a coisa fica por isso mesmo. Gente que pensa que aqui não é Brasil ou se trata de uma sub-raça. Já conheci muitos dessa laia. Mas, peraí, preciso dizer que gosto muito de São Paulo, já vivi algum tempo por lá e sempre que posso volto e curto muito. Tenho familares e tenho, também, grandes amigos paulistas. Inteligentes e gente, é claro!
Vejam a que ponto chegamos: essa gente, digo esse trio, vivia para cima e para baixo, voando de São Paulo para algumas capitais nordestinas, agindo sem dar bandeira e vitimando de modo inusitado pessoas de bem, ricas e, por fim, atônitas com tamanho requinte, é claro, do tipo de assalto que sofreram. Imagine a pessoa regressar de uma viagem, abrir normalmente sua casa e dar de cara com um desmantelo descomunal e sentir falta de itens importantes do seu patrimônio.
Estamos, como diziam os mais velhos, “no mato sem cachorro”. Não tem policia, porteiro, morador, vizinho, zelador, serviçal fofoqueira (afe! tem demais!) que desconfie de uma parada dessas.
Tomara que a polícia estadual dê o trato adequado a esses “atletas” amadores do roubo e que sirva de lição para uma possível escola, dessa categoria esportiva, que tem como sede a cidade de São Paulo.

domingo, 22 de agosto de 2010

Descaso Inaceitável

Neste final de semana estive na simpática e acolhedora cidade de João Pessoa. Ao tomar a estrada BR-101, que liga o Recife à capital paraibana tive a idéia de que iria trafegar numa rodovia duplicada e segura, tendo em vista que, quando fiz este mesmo percurso, pela última vez, há quatro anos, eu disse quatro anos, os trabalhos de construção estavam iniciados e aparentemente adiantados.
Para minha surpresa, tive que trafegar numa espantosa parafernália rodoviária, com precária sinalização, muitos trechos em construção, alternados por outros construídos, em quantidade ainda a desejar, se considerarmos o tempo que se tem desde o inicio das obras.
Chegar a João Pessoa e de lá retornar se transformou num suplicio, dadas as oportunidades de insegurança e perigo que experimentei. Ocorre que além dos buracos, dos inúmeros desvios, o entra e sai em pista dupla e o tráfego intenso, chovia muito, o que tornava a situação mais difícil ainda. Isto, sem falar na notável quantidade de veículos em transito e dos mais diferentes portes.
Tudo bem se pensarmos que, em se tratando de uma estrada em obras, a coisa não poderia ser muito diferente. Contudo, o que mais me impressionou foi o atraso das obras dessa duplicação da estrada, tão bazofiada nos discursos dos governantes de plantão. É de lascar conviver com tanta fanfarrice. Não tenho mais paciência...
Ora, minha gente, a BR-101, em particular nesse trecho entre Recife e João Pessoa sempre foi uma artéria de intenso movimento, notadamente com ônibus de passageiros e caminhões de carga, transportando mercadorias entre as duas capitais ou como passagem estratégica para outras praças, entre as quais Natal, capital do Rio Grande do Norte. É bom lembrar que na Região Metropolitana do Recife se concentra uma boa quantidade de Centrais de Distribuição de Mercadorias, de onde se efetua o transbordo de produtos para praças menores da Região.
A situação descrita desse trecho da BR-101 pode, de modo claro, ser tomado como um bom exemplo da situação caótica na qual se encontra o sistema rodoviário deste país. Toda semana vê-se pelo menos uma reportagem na TV mostrando as barbaridades registradas nas estradas do Brasil. Mortes e prejuízos materiais engrossam, cada vez mais, uma lamentável estatística de atraso e descaso com o transporte rodoviário, que, no final das contas, é o modal mais comum do país. Aliás, um erro de decisão política, nos meados do século passado. Não se admite que um país das dimensões brasileiras não se disponha de um bom sistema de transporte ferroviário, como o que se observa em outros países, como os europeus, a Índia, o Japão e tantas outros, digamos, mais inteligentes.
Agora, preste atenção, caro leitor ou leitora, à propaganda eleitoral desta atual campanha e tente ver alguma proposta voltada a resolver este caos. Eu ainda não vi nada dessa ordem. Nem mesmo quando se fala de melhorar a infra-estrutura. Fala-se de portos, aeroportos e até de um trem bala para um número de privilegiados sulistas, mas, rodovias parece ser coisa secundária. Só que, como o transporte rodoviário é o tipo básico, não dá para ser coisa secundária. Isto é um descaso inaceitável. É ou não é?

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...