sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Chorando por Ti

Dois assuntos rondam na minha cabeça para formular este post semanal: Brasil de Temer e Venezuela de Maduro. Duas coisas complexas de analisar e motivo de perturbação na America Latina. Contudo, tento   por parte. 
Dentro de casa, vimos mais uma vez o desenrolar do velho jogo de fazer política. Fraco politicamente, com alta rejeição popular, apenas 5% de convencimento nas pesquisas de opinião pública, o Presidente Michel Temer usou e abusou do poder de comprar votos nas bancadas e deputados da Câmara Federal com vistas a se livrar de uma condenação da Procuradoria da República por improbidade, lavagem de dinheiro e o escambau. Trabalhou em duas frentes: no atacado e no varejo. Nenhuma novidade. Do mesmo modo como D. Dilma. O mesmo velho jogo. Ela, porém, não soube “abrir a torneira o suficiente” como o seu sucessor. Mais matreiro, Temer foi bem mais “generoso” e terminou bem sucedido. Foi absolvido por maioria dos votos dos deputados. Vitória apertada, mas conseguiu. Resta saber se da cadeira do Palácio do Planalto ele terá o mesmo sucesso para aprovar os próximos projetos de reformas. Precisamos delas, isto é uma verdade. Difícil, contudo, é prever o que sucederá com este patrono tão desprestigiado e mestre na condução do modelo da velha política do toma-lá-dá-cá.
Por outro lado, não podemos negar que graças à equipe competente que ele reuniu, sobretudo na Fazenda Nacional, com o Henrique Meireles, as coisas no campo econômico dão sinais de recuperação. A duras penas e alto custo, claro e apesar desse aumento de preços extemporâneo dos combustíveis que vai gerar repercussão negativa logo mais. A desculpa de que a inflação está baixa não cola muito.  
Se o Procurador Janot não expedir nova denuncia, antes de deixar o cargo em setembro, o Temer segue em frente. Caso contrário, vamos dar mais um passo em marcha à ré.
Estou louco que este ano acabe logo. Sem duvida, um ano perdido. Tenho medo deste Agosto corrente, lembrando fatos registrados no passado. O Brasil precisa desencalhar e navegar em mares mais tranqüilos. Pobre Brasil. Choro por ti.
Temer e sua dor de cabeça
Agora, vamos ao caso da Venezuela: não percebo sinais de paz e dignidade para aqueles irmãos mais ao norte. Esse tal de Maduro vai jogar um país rico e de futuro garantidamente próspero no mais profundo precipício socioeconômico. Uma futura recuperação – que inexoravelmente virá –  irá exigir sacrifícios a, pelo menos, três gerações. Nicolás (i)Maturo pratica, também, uma velha e carcomida política antiga e comprovadamente ultrapassada. Esse comunismo à La Cubana é um modelo falido e sem qualquer futuro. Os cubanos mesmo já sabem disto.
Estive por duas vezes na Venezuela: A primeira foi como consultor (cedido pela SUDENE), por dois meses em Barquisimeto (estado de Lara), dando contribuições técnicas à Fundación del Desarollo Económico Del Centrooccidente de Venezuela – FUDECO, em 1986, para implantação de um sistema de indicadores sociais à luz da experiência aqui no Nordeste do Brasil.
Pela segunda vez, já em 2000, visitei Caracas como integrante de uma Missão Empresarial de Pernambuco, organizada pela Federação das Indústrias do estado e a convite de Hugo Chávez, logo no inicio do seu mandato.
Foram duas oportunidades e dois quadros políticos distintos. No primeiro percebi um desgaste muito grande do Governo Central, à época, praticando um modelo político impopular, com governadores estaduais biônicos e uma economia centrada na exploração e venda do petróleo. A indústria enfraquecida e quase todos os bens de consumo duráveis ou não, assim como os serviços, sendo importados.
Nesse clima de insatisfação aparece a figura do Hugo Chávez tentando um golpe de estado, mal sucedido, em 1992, para derrubar o governo de Carlos Andrés Pérez, deposto em 1993, por improbidade e corrupção e sucedido por Rafael Caldera, que anistiou Chávez, após haver cumprido dois anos de prisão.
Em liberdade, Chávez, que era militar, deu baixa da farda e se dedicou com afinco à política. Eleito Presidente, em 1999, chegou garantindo tirar a Venezuela da pobreza após um período de 40 anos governado por uma aliança entre os partidos políticos de direita e decidido a inaugurar uma Era mais nacionalista e contra os imperialistas, sobretudo os norte-americanos.  Populista por convicção promoveu, logo de inicio, impactantes ações com vistas a eliminar a pobreza dos venezuelanos. O país vivia uma severa disparidade de renda. Criou um ambiente favorável ao seu proselitismo político. Mas, seu belo e inflamado discurso populista teria se transformado em realidade se no seu governo não houvesse exagero na campanha antiimperialista, não desapropriasse inúmeras companhias estrangeiras, nem desse sinais de querer se perpetuar no poder, na infeliz idéia do bolivarianismo, logo cedo interpretado como de aspirações Ditatoriais. A Venezuela que foi entregue ao Hugo Chávez era sabida como sendo o país mais rico das Américas, membro da OPEP e pleno de potencialidades. Hoje está mergulhado na mais profunda pobreza, sem investidores locais ou estrangeiros e com um povo mais pobre do que antes e sofrendo todo tipo de fome e barbárie. 
Criador e criatura
Acometido de um câncer, em 2013, antes de completar 60 anos, Chávez ainda conseguiu deixar como sucessor o Senhor Nicolás Maduro, ferrenho chavista. Nada maduro no oficio de gestor político e que neste momento tenta dar o golpe fatal para se firmar  como Ditador, em pleno século 21 e num país de imensas potencialidades. Pobre Venezuela. Llorando por ti, también, Venezuela.    

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens  

2 comentários:

Adierson Azevedo disse...

Acabo de ler mais uma coluna excelente e eivada de racionalidade incomparável escrita pelo amigo!!
Girley, o Brasil segue rumo ao inferno socialista pois o desastre deixado pelo PT vai requerer gerações de brasileiros para consertar. Nem os impeachments de 2 ex-presidentes, nem a salvação do mandato de outro tem o condão de salvar o Brasil de seu pífio destino.
Adierson Azevedo

Wirson Bento de Santana disse...

Parabéns amigo Girley por mais essa sua reflexão sob o Brasil e Venezuela
Começando pela Venezuela
É difícil contrapor com alguém que por duas vezes deu sua contribuição ao País.Só me resta concordar com o seu ponto de vista e parabenizá-lo. Muito bem escrito como sempre.
Também tive muitas ligações com esse País. Meu sogro morava lá e foi assassinado em janeiro de 1969.
O bolivarianismo morreu com a Crise do Sub-Prime nos EUA, que provocou a queda no preço do petróleo e foi enterrado com a morte de Chaves.
Maduro não soube aproveitar a oportunidade para fazer as devidas correções de rumo, jogando nossos irmãos venezuelanos em uma crise econômica e humanitária profunda e agora com a Constituinte quer se transformar em um Ditador ao estilo Fidel Castro.
Quanto ao Brasil, tivemos a oportunidade de encerrar o assunto com o julgamento no STE da Chapa Dilma/Temer e Gilmar Mendes se acovardou.
Não saberia dizer agora o que seria pior.
Encerrar o Governo Temer com tudo que está acontecendo e fazer as reformas ou tirá-lo com todas as consequências até novas eleições.
Só sei que estamos pagando um preço muito alto com tudo isso.
Mais uma vez o povo brasileiro é que vai pagar a conta.