segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Nas mãos da China

Hoje fiz diferente. Sem outro assunto para uma postagem, salvo os que se referem à Crise Economica, preferi postar um artigo que li ontem no Diário de Pernambuco, da autoria de Paulo Paiva, do Jornal O Estado de Minas. Ele foi muito feliz na sua analise jornalistica, com a qual concordo plenamenta. Esta é, aliás, a preocupação dos cidadãos norte-americanos, segundo meu irmão Gustavo Brasileiro, economista, radicado nos Estados Unidos, com o qual conversei longamente neste sábado passado. Tem muito a ver com minha postagem anterior.
Veja a seguir o artigo:
"O mundo está nas mãos da China. Está ali, entre os chineses, o novo poder econômico mundial. E há pelo menos dois bons motivos para isto. O primeiro são as reservas internacionais da China, estimadas hoje em US$ 1,9 trilhão, ou quase 10 vezes maiores que as brasileiras, ou apenas US$ 1 trilhão a menos do que EUA e Europa estão gastando, juntos, para salvar seu sistema financeiro, ou ainda bem maiores que Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, estimado em US$ 1,3 trilhão. Em resumo: hoje, o dinheiro está na China.Estima-se que pelo menos um terço desse montante esteja aplicado em títulos do Tesouro americano - o que faz da China, na prática, o verdadeiro banco central americano, já que cabe a ela financiar os gigantescos déficits fiscal e comercial da América. Em grande parte, será também o dinheiro chinês, convertido em títulos dos EUA, que financiará o pacote de US$ 700 bilhões anunciados pelo presidente George W. Bush para salvar os bancos americanos. Outra parte das reservas chinesas estão aplicadas em ações e empresas americanas, como o Banco Morgan Stanley. Mais: em dificuldades econômicas, Angola e Paquistão foram pedir empréstimos a Pequim, e não a Washington, como antigamente.O segundo motivo também é robusto: o Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 9,9% de janeiro a setembro, e 9% no terceiro trimestre. É verdade que o percentual anualizado representa uma queda em relação aos 12% do ano ano passado, e aos 10,5% do segundo trimestre, mas ainda é um colosso comparado ao crescimento praticamente nulo dos EUA e Europa este ano, e mesmo em relação ao Brasil, cujo PIB, se tudo der certo, deve avançar 5%. Os bancos chineses, já estatizados, não enfrentam a turbulência que assola as instituições financeiras ocidentais. Por isso, não seria exagero dizer que, neste momento, graças às suas reservas e ao seu crescimento, a China é a dona do mundo. Isso não quer dizer que a crise financeira mundial não chegou à China. Chegou. Na semana passada, duas fábricas de brinquedo fecharam as portas, demitindo quase 7 mil pessoas. Mas o governo chinês está reagindo. E tem bala na agulha para isso."Com reservas de US$ 1,8 trilhão, a China pode usar ferramentas como incentivos fiscais e isenção de impostos para empresas. As reservas chinesas funcionam como um instrumento para ceder crédito. E agora, com a crise nos EUA, pode ser a grande oportunidade para a China comprar ativos americanos por preço barato. A China, de forma seletiva, pode ir às compras", diz Luiz Iani, sócio da DLM Invista. Iani também concorda que a China vai ditar o crescimento do mundo nos próximos anos."

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