sábado, 4 de outubro de 2008

Recife vai parar

Sabe, minha gente, a situação do transito no Recife está chegando ao limite. Já não há mais hora boa para circular. Agora, é engarrafamento o dia todo. Acho que, dentro de dois ou três anos, ninguém conseguirá sair de casa com seu próprio veículo.
A estrutura da cidade já não suporta tantos veículos em circulação. Segundo o Detran estadual, a Região Metropolitana do Recife tinha registrado, em agosto passado, um total de 763.595 veículos, incluindo automóveis, ônibus, veículos de carga e motos. Este número corresponde, aproximadamente, à metade da frota que circula no estado inteiro.
Ultimamente, há meses em que o Detran emplaca mais de 5 mil novos veículos. A tendência tem sido de crescimento, inclusive pelas facilidades de crédito para compra de automóveis. Há financiamentos em até 60 meses.
Pensando bem, os números apontados são de considerável magnitude para uma cidade de estrutura urbana antiga, com um traçado desordenado, em face da construção histórica e modo espontânea, carente de vias de circulação modernas e sem condições de expansão. Imagine, ainda, que, por razões das mais diversas, este número de veículos em circulação na cidade é sempre acrescido por veículos oriundos de vários pontos do próprio estado e dos vizinhos, seja de passagem ou permanência mais longa, atraídos pelo pólo sócio-econômico. Não tem jeito, a cidade vira uma balbúrdia, com um ambiente cujas características principais são engarrafamentos, motoristas estressados, buzinação, acidentes etc.
Para completar, temos um povo pouco educado ao volante, que transformam o transito da cidade numa grande aventura. O cidadão mais cuidadoso e educado sai sempre de casa sem ter a certeza de voltar incólume.
Quando vejo os atuais candidatos a prefeito do Recife, fico me perguntando se incluíram, nos seus planos de governo, uma ação voltada à administração desse caos. Ouço falar numa tal de via Mangue, há um bom tempo, e nada mais. Como se a citada via – prometida tantas vezes, sem sair do papel – fosse solucionar o problema da cidade como um todo. Acredito, que venha ser muito útil à zona Sul da cidade. Mas, é na zona Norte onde a coisa vem se agudizando. Nesta área houve uma intensa expansão imobiliária nos últimos dez anos, concentrado um alto contingente populacional.
Moro numa rua pequena (aproximadamente 300m) e estreita, nos Aflitos, na qual, em quatro anos, surgiu uma meia dúzia de novos edifícios com, em média, 20 andares. Imagine que sendo construções de dois apartamentos por andar, resulta, por baixo, em 240 moradias. Todas com, pelo menos, um automóvel. Minha rua hoje tem um movimento atípico. Muitos veículos, num permanente entra e sai, estacionamento nos dois lados e a circulação (mão única) sempre muito tortuosa. Isto se repete em inúmeros pontos da região e da cidade no seu todo, deixando a população atônita e preocupada com o futuro.
Sabe de uma coisa? A esta altura dos acontecimentos, uma das soluções, mais adequada e emergencial, seria adotar o esquema do rodízio de placas, como o vigente, há um bom tempo, na cidade de São Paulo. Lá o problema ainda não foi solucionado, mas ajudou.
Aqui o sistema seria odiado por muitos, sobretudo por conta da péssima rede de transporte coletivo e do comodismo das classes alta e média. Mas, não vejo outra solução, até que os governantes de plantão descubram outras. Como está, não pode ficar.
O Recife vai parar, porque tem muitos carros e poucas ruas.

Notas: Escrevo este artigo lembrando meu Companheiro rotariano Ubiracy Silva, que vem manifestando preocupação com o transito do Recife.


A foto é do transito do Recife, obtido no Google Imagens


4 comentários:

Evandro disse...

É verdade, vamos ficar com nossos carros na garagem.

Estamos aguardando o tema "conectividade". abraços,evandro.

Leony Muniz disse...

Girley
Você tem toda razão. Há algum tempo tenho pensado nisso. O número de automóveis está crescendo em progressão aritimética e os caminhos são os mesmos. Aqui, na Av. Boa viagem, logo cedo, o cáos se instala. Há pemanentes caminhões vendendo cofres, pufes,rosas,vinhos e uvas;os que fazem entrega de refrigerantes, de coco,gêlo, além dos ambulantes que chegam com as suas carroças descarregando os seus apetrechos de trabalho. Ah!, agora acaba de se estabelecer um ônibus oferecendo cursos de DVD, computação e algo que tais. Há também os ônibus de turismo que fazem questão de estacionarem em frente aos hotéis, de um lado e do outro da Avenida. Acho que os caminhões que fazem esse comércio permanente, deveriam ser terminantemente proibidos. Com relaçaõ aos de entrega de mercadoria, e os ambulantes, deveriam ter um horário especial e não às 8 ou 9 horas, horário de maior movimento para os que se deslocam para o trabalho. Essa questão de alternar as placas, em 1966 já era praticada em Buenos Aires, cidade que conta com um sistema de metrô eficiente e é bem traçada, com suas amplas avenidas. Finalmente, essa tal via mangue tem um túnel no Pina que não sei aonde vai. Qualquer dia vou verificar, mas confesso o meu receio de ir parar em algum lugar perigoso. Penso que essa questão somente seria resolvida com um bom sistema de transporte de massa. Um monotrilho sobre os canais poderia se viável e não muito caro. Como aqueles que vimos no Japão. Afinal, que há solução não resta a menor dúvida. É apenas uma questão política. Gasta-se tanto dinheiro em parques inúteis... Um grande abraço, Leony

Anônimo disse...

Só tem uma saída: controle populacional. A cidade não é elástica, o espaço é finito. A lotação máxima é de x pessoas, mas a sensação é que tem x + 1 (imaginem o ano de 2108).

M. Aurélio

Jorge Morandi disse...

Caro Girley:

Muy bueno tu artículo sobre el tránsito en Recife. Ya desde la época en que estuve por allá 1984-89 y 1992-94) el tránsito constiuía un grave problema, no solamente en el centro de la ciudad, sino también en muchos barrios, inclusive Boa Viagem, que dentro de todo, tenía un trazado más moderno con un tránsito más fluido.
La solución del "rodizio de placas" no fue una buena solución ni en Buenos Aires ni en México DF, ya que la gran mayoría de familias optó por adquirir un vehículo adicional para sortear la veda, lo cual aumentó significativamente el parque automotor de esas ciudades. Estimo que la única solución posible es un sistema de transporte público (omibus, tren o metro) ordenado, eficiente y confortable que desaliente el uso de vehículos particulares. Pero lamentablemente, la adecuación de la infraestructura necesaria para alcanzar ese objetivo, es un proceso que puede demorar varios años.