sábado, 18 de outubro de 2008

Outro Império que cai.

Faça o que eu digo e não o que eu faço. Esta parece ter sido a referencia econômica dos Estados Unidos, durante todo esse tempo em que liderou a economia do planeta. Digo liderou, porque, a meu ver, isto é coisa do passado. O império norte-americano acaba de ruir. Durante décadas os yankees deram as cartas, apregoaram e impuseram limitações aos paises periféricos, para, em troca, ter suporte para a sua política de liderança planetária, acumulando, hoje, uma divida colossal por assumir um sistema financeiro erodido, financiar cortes fiscais internos e patrocinar aventuras militares ilimitadas.
O maior mandamento da política econômica norte-americano, a do livre mercado, se auto-destruiu na medida em que parte importante do seu sistema financeiro foi ao fundo do poço e teve que ser socorrido pelo Governo. Ou seja, foi estatizado. Vejam só! Eles agora andam na contra-mão! Resultado: caos instalado, mundo em convulsão econômica, desconfiança geral, perdas incalculáveis. O fim do mundo...
Acredito que estamos diante de uma mudança geopolítica histórica, no qual o equilíbrio do poder no mundo se altera de uma forma irreversível. Não se trata apenas de uma crise financeira. Há também uma profunda crise política. Falta uma liderança de pulso na condução dos negócios globalizados. Bush pôs uma pesada pá de terra no império do Norte. A era de liderança estadunidense, que vem desde o final da Segunda Grande Guerra, ao que parece, chegou ao fim. Tenho pena é do futuro inquilino da Casa Branca, até porque não vejo perfil de estadista em nenhum dos dois postulantes.
Muito bem. Como as coisas não podem ficar, por muito tempo, à deriva, os lideres da União Européia se mobilizaram e começam a estabelecer estratégias de longo alcance para dar fim a desordem instalada. Reprovando energicamente o despautério bancário norte-americano, estão dispostos a estabelecer regras claras e rigorosas para uma nova ordem econômica internacional. Fica claro, portanto, que aos europeus passará o papel de dar as cartas. É a minha opinião.
O interessante disso tudo é que a História nos mostra que a derrocada de um império se caracteriza pela interação do binômio: guerra e dívida. Assim foi com o Império Britânico que se enfraqueceu e se esvaiu na Primeira Grande Guerra, com o Nazismo de Hitler, como foi com a União Soviética e como ocorreu com outros mais remotos, entre os quais o Império Romano e o de Napoleão Bonaparte. A Guerra do Iraque e a balbúrdia creditícia debilitaram fatalmente a liderança econômica dos Estados Unidos. Eles continuarão sendo uma das maiores economias do mundo, mas, indiscutivelmente, com grandes limitações e sem o brilho do passado. A farra acabou! Novas potências econômicas ascendentes tomarão seu lugar e, inclusive, quem sabe, se encarregarão, uma vez superada a crise, de comprar o que restou intacto do sistema econômico-financeiro norte-americano, inclusive para tirá-lo da recessão que vai reinar nos próximos anos.
É isto aí: de repente está surgindo um novo mundo, no qual a liderança dos Estados Unidos será coisa do passado. É outro Império que cai, para registro da História.
Nota: A ilustração foi colhida no Google Imagens.

8 comentários:

Corumbah disse...

Caro Girley:
Brilhante sua análise principalmente pelo adiantado da hora. Parabéns.
A grande pergunta agora é, com quem fica o comando, com a liderança do Ministro Britânico, com a China e seu poderio, com algum emergente que tenha uma liderança competente...
Como diz minha mulher, quem será?

Um grande abraço,
Corumbá

Assis Bezerra disse...

Girley,
Que ótima a sua crônica sobre A Queda do Imperialismo Norte-Americano. PARABÉNS. No meu modesto entendimento, você disse tudo nas linhas e muito mais nas entrelinhas. O resto são aspas, lamentavelmente enfatuamento de vaidosos, travestidos de técnicos, donos da verdade e senhores do mundo. Nunca vimos (não sei se você concorda) os Estados Unidos guerrear em torno de uma mesa, com a mesma determinação como guerreia no campo.Enfim, nunca nunca vimos, pelo que lemos e ouvimos através de rádio e televisão, esse país dando mais valor a alma que a arma, mas cada vez mais perdido na ilusão do seu sonho de que "o meu reino é deste mundo" Acredite, até seu Vicente, o vigia da noite do prédio onde moro, me perguntou (falávamos sobre esse assunto, em particular, dos gastos astronômicos dos Estados Unidos, sempre criando e se alimentando de guerras): e quando esse dinheiro deles "acabá"?!?, ao que lhe respondi - AGUARDE. O resultado aí está. E agora, José...a máscara caiu...o sonho acabou... Diante desses abusos, às vezes chego a pensar que a humanidade está enloquecendo. Mas às vezes, também, (e graças a Deus) me acode a certeza de que ainda existe pessoas, como você, que pisa forte no chão, com o coração. Meus parabéns, Desculpe este desabafo. É que você me tocou, como aquela anciã, as vestes de Deus.Que suas crônicas não me faltem aos olhos. Como admiro a simplicidade do seu estilo. Nunca tive inveja DE NADA, mas foi preciso viver tantos anos para ter uma santa inveja. Sursun corda! Um abraço - A S S I S. Obs. desculpe as más traçadas linhas. Não reli o que escrevi. Estou falando informalmente com um amigo.às favas rebuscamento.

Adriana (Simisa) disse...

Caro Girley,
Muito bom o comentário.
Parabéns
Adriana - Simisa.

Philipe Costa disse...

Amigo GB,

O enfoque é muito oportuno e nos alça a uma análise crítica totalmente focada no aspecto econômico, que a meu ver não é o único ponto que credencia os EUA a liderança que impõe no mundo.

Ainda há o poderio bélico, que numa conjuntura de enfraquecimento econômico que vivemos, se vale para buscar o que precisa.

Esse terreno tem precedentes na história e precisa ser considerado, sob pena de não enxergarmos alguns oportunistas que entrem no vácuo da crise para tirar proveito.

Portanto, penso que essa temática escalatológica fica carente do enfoque bélico na conjuntura mundial, pois não acho que os norte-americanos vão "largar o osso" com passividade. De qualquer maneira eles virão buscar o que querem e o que precisam.

Sinceramente, espero que eu esteja equivocado.

Forte abraço,

Philipe Jardelino da Costa

INA MELO disse...

CARO GIRLEY, PARABÉNS PELO BRILHANTE COMENTÁRIO. TODOS NÓS SABÍAMOS QUE UM DIA ISTO IRIA ACONTECER. REPASSEI PARA UMA AMIGA QUE MORA NOS ESTADOS UNIDOS E É MUITO INTELIGENTE. ELA VAI GOSTAR. ABRAÇOS. INA MELO

Anônimo disse...

CARO GIRLEY,
PARABÉNS PELO COMENTÁRIO.
Agora vamos esperar pelos novos acontecimentos na história, será que enfim vamos aprender a fazer
do Planeta Terra um lugar decente?
salvemos a natureza...
(professora de ciências)

Anônimo disse...

Prezado Girley,

É precipitado comentar o declinio do Império Estadunindense. Nunca, em nenhum momento, tratando de poder na sua totalizade, um homem sendo ele branco, preto, índio, irlandês ou fantoche, conseguiu transformar ou mudar o mundo sem a expressa anuência dos estrategistas e financistas comandantes obscuros. Os quais, nomeiam Napoleões, Hitlers, Stalins, Cézares, presidentes, primeiro-ministros, ditadores, presidentes de bancos centrais ou fantoches em multi-nacionais ou países. Sendo que, eles nunca aparecem em público pra não serem os alvos. Nenhuma guerra ou crise pode ter sucesso sem a expressa participação destes Senhores estrategistas e financistas.
Apreciei os comentários do Philipe quando menciona "virão buscar o que querem e o que precisam". Já que, isto sempre acontece com quem não é amigo do 'Rei'.
Porém, se não houverem espaços como o seu, humildes opniões como as nossas seriam vozes ao vento...

Ina Melo disse...

ENVIEI O TEU E-EMAIL PARA UMA AMIGA QUE MORA NO ESTADOS UNIDOS E ELA CONCORDOU. ABRAÇOS. INA
Veja a seguir:
E verdade, Ina, tudo o que foi dito nesta mensagem. Eu acho que so mesmo o Obama pode dar um pouco de otimismo para o povo daqui. E por conta desta crise economica que ele vai ganhar esta eleicao amanha. Isto se os Republicanos nao roubarem a eleicao de novo, como fizeram em 2002. O mercado teve uma reacao totalmente irrcional, o que causou a queda da bolda de valores. Eu mesma pressionei Ricardo a vender as acoes que tinhamos e perdemos mais de vinte e cinco mil dolares. Nos poderiamos ter esperado para as coisas ficarem melhores, mas nao tive estomago, porque fique com medo de perder ainda mais. As vezes chega a hora em que e melhor perder menos e cair fora do que ficar insistindo e perder ainda mais.
Depois lhe escrevo mail.
Iris