Uma amiga, depois de ler o Blog do GB, me pergunta como a inflação na China pode influenciar a economia internacional e do Brasil. Tentei explicar e ela achou difícil entender certos termos do “economês”. Trocando em miúdos, vou tentar explicar.
Quando eu falei de economia reflexa, no artigo postado semana passada, quis dizer que o que acontece no mundo afora pode influenciar de modo positivo ou negativo na economia de muitos países engajados no mercado internacional. E o Brasil é um bom exemplo dessa coisa.
Nas últimas três décadas a China revelou-se como uma economia em franca expansão, crescendo, por várias vezes, a taxas superiores a 10% ao ano, de forma sustentável, graças a decisão do Governo liderado por Deng Xiaoping (sucessor de MaoTsé Tung), a partir dos anos 80, que resolveu abrir a economia e investir, de forma agressiva, no mercado internacional. Para ele, mesmo mantendo os princípios e comando de um partido comunista, nenhum país pode sobreviver de maneira autárquica.
As mudanças adotadas foram de tão grande magnitude, que a economia chinesa de hoje ameaça as posições de liderança das tradicionais maiores do mundo, como Estados Unidos e Japão, puxada, sobretudo, pelo intenso crescimento da sua produção industrial e suas fantásticas vendas ao exterior.
Com uma mão-de-obra abundante e, o que é importante, de custo baixíssimo, o governo investiu maciçamente em educação, capacitação de recursos humanos, infra-estrutura e implantação de zonas especiais de produção e plataforma de exportações, transformando o país, numa das mais diversificadas economias industriais do planeta.
Estatísticas do Banco Mundial e de institutos nacionais de pesquisas apontam para números fantásticos da penetração dos produtos chineses em todos os mercados do mundo. No Brasil, segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria – CNI, 52% das empresas brasileiras que atuam no mercado interno perderam espaço para as concorrentes chinesas. Ou seja, “dentro de casa” o empresário tupiniquim sofre com a concorrência chinesa. No mercado externo a coisa é um pouco mais dura, à medida que 58% das empresas brasileiras que participam do mercado internacional sofrem forte concorrência dos produtos chineses.
Para amenizar a situação, grande número de empresas do Brasil, a exemplo de outras espalhadas pelo mundo afora, se associaram a chineses ou estabeleceram filiais, dentro da China, para produzir a um custo substancialmente inferior e ganhar maiores condições de competir, tanto no mercado interno como no internacional.
Agora, porém, dada essa mudança radical, a China terminou por construir um novo padrão social e de consumo para o seu povo que vem gerando, inevitavelmente, uma pressão inflacionária de demanda interna. O governo ciente do fenômeno já vem adotando providencias político-econômicas para evitar danos ao seu programa de desenvolvimento.
Ora, se é verdade que se forma uma onda inflacionária na China, que repercute de modo direto nos custos da produção interna do país, é inexorável que venha ocorrer o repasse desses custos para os preços de mercado dos bens ali produzidos e que são vendidos no exterior, incluindo o Brasil.
Matérias primas básicas, como cimento e chapas de aço, componentes e produtos acabados eletro-eletrônicos, aparatos de informática, veículos automotores e seus componentes, tecidos, vestuários, calçados, bens de consumo durável, brinquedos, utensílios domésticos (quinquilharias) de vidro, plásticos e metal, papelaria e artefatos de papel e papelão, produtos químicos e fármacos, e um sem número de outros itens, hoje importados a preços competitivos, sofrerão aumentos que repercutirão no Brasil e no resto do mundo.
É esta a inflação que causa certo temor na atual conjuntura econômica mundial. Espero que, se de fato ocorrer, as conseqüências no Brasil sejam bem tênues e não atrapalhe a nossa estabilidade econômica.
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2 comentários:
Gostei, Girley.Realmente o reflexo macroeconômico internacional desse processo,exige muita atenção. macroeconômicoprocesso de crescimento chines exige muita atenção.
Luis Carlos Pereira de Carvalho
Gostei, Girley.Realmente o reflexo macroeconômico internacional desse processo,exige muita atenção. macroeconômicoprocesso de crescimento chines exige muita atenção.
Luis Carlos Pereira de Carvalho (USP)São Paulo
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