quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Inflação chinesa pode repercutir no Brasil.

Uma amiga, depois de ler o Blog do GB, me pergunta como a inflação na China pode influenciar a economia internacional e do Brasil. Tentei explicar e ela achou difícil entender certos termos do “economês”. Trocando em miúdos, vou tentar explicar.

Quando eu falei de economia reflexa, no artigo postado semana passada, quis dizer que o que acontece no mundo afora pode influenciar de modo positivo ou negativo na economia de muitos países engajados no mercado internacional. E o Brasil é um bom exemplo dessa coisa.

Nas últimas três décadas a China revelou-se como uma economia em franca expansão, crescendo, por várias vezes, a taxas superiores a 10% ao ano, de forma sustentável, graças a decisão do Governo liderado por Deng Xiaoping (sucessor de MaoTsé Tung), a partir dos anos 80, que resolveu abrir a economia e investir, de forma agressiva, no mercado internacional. Para ele, mesmo mantendo os princípios e comando de um partido comunista, nenhum país pode sobreviver de maneira autárquica.

As mudanças adotadas foram de tão grande magnitude, que a economia chinesa de hoje ameaça as posições de liderança das tradicionais maiores do mundo, como Estados Unidos e Japão, puxada, sobretudo, pelo intenso crescimento da sua produção industrial e suas fantásticas vendas ao exterior.

Com uma mão-de-obra abundante e, o que é importante, de custo baixíssimo, o governo investiu maciçamente em educação, capacitação de recursos humanos, infra-estrutura e implantação de zonas especiais de produção e plataforma de exportações, transformando o país, numa das mais diversificadas economias industriais do planeta.

Estatísticas do Banco Mundial e de institutos nacionais de pesquisas apontam para números fantásticos da penetração dos produtos chineses em todos os mercados do mundo. No Brasil, segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria – CNI, 52% das empresas brasileiras que atuam no mercado interno perderam espaço para as concorrentes chinesas. Ou seja, “dentro de casa” o empresário tupiniquim sofre com a concorrência chinesa. No mercado externo a coisa é um pouco mais dura, à medida que 58% das empresas brasileiras que participam do mercado internacional sofrem forte concorrência dos produtos chineses.

Para amenizar a situação, grande número de empresas do Brasil, a exemplo de outras espalhadas pelo mundo afora, se associaram a chineses ou estabeleceram filiais, dentro da China, para produzir a um custo substancialmente inferior e ganhar maiores condições de competir, tanto no mercado interno como no internacional.

Agora, porém, dada essa mudança radical, a China terminou por construir um novo padrão social e de consumo para o seu povo que vem gerando, inevitavelmente, uma pressão inflacionária de demanda interna. O governo ciente do fenômeno já vem adotando providencias político-econômicas para evitar danos ao seu programa de desenvolvimento.

Ora, se é verdade que se forma uma onda inflacionária na China, que repercute de modo direto nos custos da produção interna do país, é inexorável que venha ocorrer o repasse desses custos para os preços de mercado dos bens ali produzidos e que são vendidos no exterior, incluindo o Brasil.

Matérias primas básicas, como cimento e chapas de aço, componentes e produtos acabados eletro-eletrônicos, aparatos de informática, veículos automotores e seus componentes, tecidos, vestuários, calçados, bens de consumo durável, brinquedos, utensílios domésticos (quinquilharias) de vidro, plásticos e metal, papelaria e artefatos de papel e papelão, produtos químicos e fármacos, e um sem número de outros itens, hoje importados a preços competitivos, sofrerão aumentos que repercutirão no Brasil e no resto do mundo.

É esta a inflação que causa certo temor na atual conjuntura econômica mundial. Espero que, se de fato ocorrer, as conseqüências no Brasil sejam bem tênues e não atrapalhe a nossa estabilidade econômica.

2 comentários:

Anônimo disse...

Gostei, Girley.Realmente o reflexo macroeconômico internacional desse processo,exige muita atenção. macroeconômicoprocesso de crescimento chines exige muita atenção.
Luis Carlos Pereira de Carvalho

Anônimo disse...

Gostei, Girley.Realmente o reflexo macroeconômico internacional desse processo,exige muita atenção. macroeconômicoprocesso de crescimento chines exige muita atenção.
Luis Carlos Pereira de Carvalho (USP)São Paulo

Aonde vamos parar?

Indiscutivelmente vem sendo cada vez mais desanimador acompanhar a marcha da situação politico-econômica nacional. É preocupante e curioso ...