domingo, 30 de dezembro de 2007

FELIZ (CUIDADO COM) 2008

Indiscutivelmente 2007 foi um excelente ano para a economia brasileira. Cresceu acima dos 5%, a estabilidade econômica manteve-se, após muitos anos houve uma redução na taxa de desemprego, os investidores estrangeiros apostaram no país, as exportações – embora o Real valorizado – atingiram uma grande marca, a divida pública está muito menor do que as reservas monetárias e o povo, de modo geral, anda satisfeito.

Uma coisa, porém, chama a atenção: a inflação dá sinais de alta e o IGP-M, medido pela Fundação Getulio Vargas e anunciado semana passada, alcançou a inesperada casa dos 7,75%, o dobro do ano passado. Para alguns “desavisados” se trata de um detalhe isolado, mas, deve ser visto como um sinal de alerta, pois é isto que ameaça a estabilidade econômica. Daí, uma recomendação oportuna: cuidado com 2008.

Quem freqüenta os supermercados da vida deve ter percebido preços majorados em alguns produtos – como o feijão nosso de cada dia e o leite e seus derivados – assustando principalmente os consumidores da classe de baixa renda. Forma os alimentos que puxaram os aumentos.

Mas a coisa não é “privilegio” do Brasil e poderia ser menos preocupante não fosse o fato de que inflação vem ocorrendo em outros pontos do planeta, desde os Estados Unidos, passando pela União Européia, Rússia, indo bater na Ásia, sobretudo na China e Índia.

Como o Brasil é uma economia reflexa, isto é, tudo que ocorre lá fora repercute aqui dentro, é preciso que façamos o “dever de casa” como diz o Carlos Alberto Sadenberg, comentarista de economia da Globo e da CBN. E esse “dever de casa” consiste no abrir os olhos para o que ocorre na economia internacional, atenção às decisões dos bancos centrais do mundo afora, segurar a taxa de juros internamente, reduzir os gastos públicos, entre outros procedimentos, para que a “peteca não caia”. E o Brasil, deste momento, tem condições para tal.

A coisa pode ser explicada da seguinte forma: o Mundo, incluindo o Brasil, está vivendo uma imensa onda de consumo. As economias crescem, a renda vem sendo mais bem distribuída, o povo tem mais dinheiro na mão, vai às compras, ampliando os mercados, imprimindo um estado de euforia, há muito tempo não experimentado. Mas, como tudo neste mundo tem limite, os aparelhos produtivos, agropecuário e industrial, já começam a dar sinais de incapacidade para atender a crescente demanda. Alimentos, bens de consumo durável, serviços, entre outros itens, tornam-se escassos levando ao inexorável aumento dos preços. E isto é elementar: quando a disponibilidade de um bem ou serviço se reduz, o preço aumenta. É assim que o mercado regula as forças de oferta e demanda e é assim que a inflação toma fôlego. É a chamada inflação de demanda.

Tomara que tenhamos maturidade e este Governo, que aí está, tenha a lucidez de monitorar a situação a contento. O Brasil precisa continuar crescendo e de forma sustentável.

Que 2008 nos seja leve. Feliz Ano Novo!

Um comentário:

José Artur PV Melo disse...

Girley, amigo de priscas eras. É isso aí; hoje quem menos anda, voa, e nós os marmanjos precisamos acompanhar as modernidades. Parabéns pela coragem de adicionar mais este compromisso para com a posteridade. Vou ler com calma, mas desde já sugiro que foque temas mais amenos que a "nossa" ciência inexata, até no nome: economia... vamos gastar !!