Semana passada publiquei um post que, de algum modo, embora sem
muita certeza, referi-me a uma possibilidade de alento na negativa pressão
econômica brasileira. Pensei, confesso, que havíamos chegado ao fundo do poço e
que, num finca-pé para cima, começávamos a respirar tranquilos. O mote era a
pergunta: parou de piorar?
Mal publiquei o artigo e eis que, no
mesmo dia (17.05.17), um novo escândalo político explode em Brasília que, naturalmente,
abalou o restante do Brasil. Dadas as proporções desse pipoco, é bem provável
que a chamada “delação do fim do mundo”, da Odebrecht, virou fichinha de banca
popular.
Alguém, nesses dias tumultuados,
comparou o Brasil a um trem fantasma, de um popular parque de diversões. Achei divertida
e, ao mesmo tempo, uma boa comparação. De fato, o Brasil parece ser aquele
brinquedo que, a cada curva e no escuro, nos dá um susto. Pode ser uma
comparação debochada diante da gravidade do caso, mas, tem seu sentido figurado compreensível .
![]() |
| Trem fantasma da Mirabilandia (Recife) colhida no Google Imagens |
Não posso entender como um Presidente
da República pode receber nas caladas da noite, fora da obrigatória agenda
oficial e num local pouco condizente (subsolo) do seu Palácio, um sujeito
reconhecido como mau caráter, réu na Lavajato, e com toda pinta de quem busca
faturar benesses para seus negócios escusos. Mais do que isso, chegar com firme
propósito de trair a confiança do Excelentíssimo Senhor interlocutor, ao gravar
clandestinamente, tantas barbaridades. Eu, sendo Presidente da República, como
foi no caso, dava ordem de prisão para um criminoso daquele perfil, na hora.
Mas, não! O Presidente foi passivo e o resultado foi aparecer na fita como
comparsa do canalha. Aí, cabe a pergunta: por que Temer não o fez? Que
privilégio tem esse cara? Ascendência sobre a autoridade máxima do país? No que
será ele melhor dos que os outros réus, hoje presos? Vamos e venhamos, foi uma
demonstração de total submissão política de um animal político tarimbado, como
se imagina ser o Senhor Michel Temer. Um tremendo deslize para quem se propõe
impor moral e colocar o País nos trilhos. As desculpas amareladas que estão
sendo produzidas não têm surtido os efeitos esperados.
NOTA: As fotos ilustrativas foram obtidas no Google Imagens.

